Quer casar comigo?
30 Sim
SIM
PRIMEIRO ANO DE CASAMENTO
—Asher?
Não foi nem o tom de voz dela que o fez parar (embora tenha influenciado), foi o fato dela ter falado. Aquele não era o momento de falar, não coerentemente ao menos. E o tom de voz de Julie era hesitante e tudo o que não podia ser era esse.
Ash precisava que ela tivesse certeza, que ela quisesse aquilo assim como ele queria para que não houvesse arrependimento depois ou para que as coisas não ficassem estranha entre eles.
Asher amava Julie, se tinha uma coisa que tinha certeza era que a amava, e ele precisava ter certeza que ela queria aquilo por causa disso.
Ele a amava e queria fazê-la feliz.
Ele a amava e a queria bem.
Ele a amava e faria qualquer coisa por ela.
—O que foi? — questionou, preocupado.
—Nada — sorriu Julie. — Nada — repetiu, passando os braços ao redor do seu pescoço e puxando-o para si. — Eu só queria ter a certeza que você pararia.
Se fosse outra pessoa dizendo aquilo... Ash não sabia explicar. Ele se sentia confortado por aquilo, por aquelas palavras que pareciam mostrar que Julie não confiava ele, porque sabia que ela confiava. Se fosse outra pessoa aquilo seria uma prova de medo, mas aquela era Julie — era Julie Agnes Iffigen Harrison; era sua Rainha, sua esposa, sua alma gêmea; era Julie — e ele a conhecia. E só de olhar em seus olhos Asher sabia que era brincadeira, que era confiança, que era amor que refletia em suas orbes azuis, porque ela estava muito bem com tudo que acontecia, porque, oh, ela estava provocando-o.
—Eu te amo — sussurrou Julie contra seus lábios.
Eu te amo, demonstrou seus toques lentos e delicados.
Eu te amo, ecoou sua respiração ofegante.
Eu te amo, bateu seu coração trêmulo.
—Julie? — chamou Ash, esperando que os olhos dela focassem em si, que o ar voltasse aos seus pulmões, porque aquelas palavras... Aquelas palavras o estabilizaram apesar de ser quem o retirou da órbita em primeiro lugar. — Quer casar comigo?
—Eu já estou — respondeu Julie, levantando a mão esquerda. — Ops, mão errada. Eu sempre quase me esqueço qual é a mão do casamento, eu só não me esqueço realmente por causa daquilo de cordão vermelho, veia direto do coração...
—Eu te amo — interrompeu Asher sem perceber, observando-a divagar e a amando mais um pouco por isso.
Podia não ser a primeira vez que ouvia isso, essas exatas palavras ditas por Asher, porque ela sabia que ele a amava pelos gestos mais simples, mas Julie ainda gostou de ouvi-la, de ouvir a sinceridade nua e crua e real naquelas palavras (como a primeira vez que ela acreditou, sentiu).
E sorriu, sabendo que isso — aquele sentimento que parecia suave e borbulhante; calmante e excitante; que os puxava fortemente em direção um ao outro — era amor, era paixão, era atração. Era real.
Era o que ela queria — era o que acontecia.
Era o que tinha.
E sempre teria.
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