Quer casar comigo?
2 Sim
Notas iniciais
SIM
QUARTO ANO DE NAMORO
Velas.
Rosas.
Champanhe.
Julie estreitou os olhos enquanto olhava ao redor, dava um giro em 360° para observar toda a sala da casa da sua sogrinha, não querendo saber o que era aquilo, mas sabendo sem sobra de dúvida o que era — ela queria revirar os olhos, mas revirá-los iria arruinar sua personagem. Ou não, talvez acrescentasse.
Todo o apartamento estava nas sombras, iluminado apenas por velas — romântico.
A mesa da cozinha tinha taças e pratos e mais talheres do que um dia Julie conseguiria usar — muito romântico.
E um buquê de rosas.
E uma garrafa de champanhe.
Romântico e tudo, mas... Tsk, tsk, Asher sabia que ela não gostava de nada disso e Julie sabia que ele sabia.
—Velas, rosas, champanhe — murmurou para si, desfilando até a cozinha. — Isso só pode ser coisa de um... — Julie virou-se repentinamente, dois passos além da entrada, o cabelo batendo no seu rosto e seus olhos arregalados, e então anunciou em sua voz enojada: — Weasley.
—Hã? — Asher encarou-a fixamente, boquiaberto, sem palavras. Essas não eram as primeiras palavras que esperava, um "u-a-u" chegava mais perto, embora não perto o bastante. — Do que...
—Oh! — Julie sorriu carinhosamente para ele. — Você não é um Weasley?
—Quem é Weasley? — questionou Ash, confuso.
—Uma família bruxa de sangue puro — respondeu ela. — Que tem cabelo ruivo. — Julie inclinou a cabeça, refletindo, observando-o. — Você não tem cabelo ruivo.
—Obrigado por perceber isso. Depois de... Oito anos de amizade? Cinco de namoro?
—Quatro de namoro — corrigiu Julie. — E um de não namoro. O que é isso, Asher? — Ela andou até a cozinha, abrindo a garrafa e cheirando antes de virar um pouco nas duas taças. — Você não é um Weasley e eu não gosto de champanhe — comentou.
—Você não gosta? — Asher soou surpreso, pegando a taça oferecida a si em modo automático. — Você bebe qualquer coisa desde que tenha álcool.
—Sim. — Ela não negou, tomando um gole e sentindo calafrios por seu corpo. — Urg. Mas eu não gosto.
—Hum — balbuciou ele. — E as rosas? — Asher pegou-as, esticando-as para ela, seu braço dormente e formigando e aquele dia arruinado. — Gostou das rosas?
Julie recusou-se a pegá-las, a ter aquele cheiro em si. Rosas? Urg, não. Sem rosas. Nunca. Rosas eram para enterros e pessoas mortas e ela estava viva, muito bem viva, obrigada.
—Eu não gosto de rosas, lembra? Eu gosto de...
—Margaridas — completou Ash, num ataque súbito de conhecimento e sabedoria, abaixando o braço dormente. — Você gosta de margaridas. Azuis.
—Azuis — concordou Julie. — E as velas?
—Não deveria ser eu perguntando? — Asher sorriu hesitante.
—Eu quero saber de onde você tirou essa brilhante idéia.
—É só que, bem, essa é a idéia, não é? Rosas, velas, champanhe para...
—Eu não vou transar com você, Asher — interrompeu Julie, firme.
—O-O que?! — meio balbuciou e meio gritou Asher no final, a última nota saindo desafinada. — Do que você está falando?
—Velas, rosas, champanhe — repetiu ela, mostrando tudo ao seu redor. — Eu não sou idiota.
—Você é idiota — declarou Ash prontamente. — De onde você tirou isso?
—Preciso repetir mais uma vez? Velas, rosas, champanhe. Quem faz isso, Iffigen? Quem quer embebedar alguém para levar para a cama – respondeu a si mesma. – E você não vai me embebedar.
—Você... de onde você... Arg, idiota! — Asher segurou com força a haste da taça, com medo de deixá-la cair, e então virou-a, engolindo tudo sem sentir o gosto, sentindo apenas depois a queimação lenta na sua garganta e no seu peito. — Quem você acha que eu sou, Harrison? – zombou ele. – Desde quando você me viu embebedando alguém para levar para a cama? Eu não preciso disso. E é claro que você não vai ficar bêbada. Você não fica bêbada. É mais fácil você me embebedar para me levar para a cama.
Julie piscou, meio que entediada.
E com sono.
Ela queria dormir.
Ela estava cansada.
Aquele dia havia sido longo.
Começar a trabalho era cansativo, estar ainda no começo de um trabalho, sem estar acostumada ao horário de tudo, sem ser valorizada, sem ser realmente vista pelo que era capaz (e ela era capaz), mais cansativo ainda. E, se não fosse o bastante (seu namorado achava que não era), Asher tinha chamando-a para um encontro e recusado-se a ouvir um não.
Julie só queria dormir.
E, sinceramente, ela não entendia porque Ash tinha sido tão exigente quanto a ser hoje. Ele não podia esperar para amanhã, quando ela estivesse de bom humor e dormido todo o sono da beleza que precisava?
—Você não quer transar comigo? — questionou Julie finalmente.
—Eu não... – Asher fechou a boca antes de respirar e continuar. – É claro que eu quero transar com você, mas eu não vou transar com você.
—Nunca?
—Hoje.
Julie tomou mais um gole, querendo acordar e simplesmente voltar a dormir. Sério, por que hoje? Hoje de todos os dias, de tantos dias, de qualquer dia? Hoje não era um bom dia.
—Hum — murmurou Julie, estreitando os olhos novamente enquanto o encarava, seu dedo indicador contornando a borda da taça distraidamente. — Vamos supor por um momento que você esteja dizendo a verdade, o que eu não acredito, o que você pretendia com isso?
—Te pedir em casamento – respondeu Ash subitamente constrangido, porque...
Isso não estava indo como ele esperava.
Isso nunca ia como ele esperava.
—U-a-u — disse Julie. E Asher suspirou, porque finalmente uma reação apropriada. Até que ela continuou e Ash não queria mais vê-la. Hoje. — Você iria me pedir em casamento só para eu fazer sexo com você?
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