Quer casar comigo?
15 Não
NÃO
PRIMEIRO ANO DE NÃO NAMORO
—Como você está? — questionou Julie.
Asher queria rir. Como ele estava? Essa era a pergunta dela? Quem sabe quantos dias (a essa altura 13 dias, não que ele estivesse contando) que não se falavam, e ela queria saber como ele estava agora? Agora?
Meio tarde para isso, querida, pensou, mordendo fortemente seu lábio para não dizer como ela estava... Ele agradeceu por seu rosto está escondido entre seus braços, por seus olhos não estarem visíveis, por ela não poder vê-lo, forçá-lo, a se mostrar na frente do notebook.
Asher levantou seu punho fechado para ela, esperando que a câmera estivesse pegando isso, e, lentamente, mostrou seu dedo do meio.
—Uou — assobiou Julie, impressionada. — Você mudou.
—Eu não quero ouvir isso de você — resmungou ele, levantando o rosto e vendo-a. — Você está horrorosa — comentou, desgostoso.
Os cabelos loiros de Julie, que estavam virando longos cabelos, agora mal ia além dos seus ombros. Repicado e mal cortado, Ash tinha certeza que ela que havia cortado.
—É prático — explicou ela, passando a mão por eles. — Sem muito cabelo para lavar, sujar ou ser puxado durante uma briga.
—Briga? — repetiu Asher. — Não tem para que você entrar numa briga.
—Eu não entro em brigas, elas que me procuram. É o que acontece quando você tem esse belo rosto.
—Belo rosto — resmungou ele, retornando para o seu casulo e sua segurança, fechando os olhos para não vê-la, porque ela estava...
Julie era linda. Não havia dúvidas e hesitação quanto a isso. Mesmo com aquele corte de cabelo que não caia bem, ela ainda era. Mas... Seus olhos não eram. Pela primeira vez, eles tinham uma intensidade que Asher não queria ver, não queria descobrir o significado. Ela estava triste, ela estava com medo e... o que mais?
—Você não vai dizer nada — Julie sorriu, sem nenhuma demonstração de como se sentia mal — quanto a eu não ter ligado para você, mandado mensagem e nem nada?
Não, desculpe, pensou Ash, mesma bastarda.
—Você sabe o que você fez — resmungou.
—Eu não te ouvi — cantarolou ela.
—Por que não ligou? — Asher perguntou, levantando a cabeça, seus olhos em algum ponto distante e desfocado, não nos olhos dela. — Você ligou para Liz...
—Minha mãe — apontou Julie.
—Você ligou para Anne...
—Sogrinha.
—Matthew — continuou Asher. E completou rapidamente antes que ela dissesse porque não ligou para ele, namorado dela, mas ligou para o cara que tinha uma queda por ela: — Maldição, você ligou para a mãe do Charles, que eu soube, e você nem gosta dela! Mas você não ligou para mim.
—Por que não ligou?
—Hum?
—Por que você não me ligou? — Julie repetiu a pergunta, inclinando-se em direção a tela do próprio notebook. — Você tem o meu número. Você tem o do Liam e o do Charles. Por que não me ligou?
—Porque... Isso era... Nós não estamos... — Asher recuou. Por que ele não tinha ligado mesmo? — Eu não sei.
—Pois é — concordou ela. — Eu esperei você ligar.
—Você esperou? – fraquejou Asher.
Julie fazia isso com ele – sendo tão repentinamente romântica, que ele não sabia como reagir, se preparar para esses surtos.
—Sim. — Ela sorriu. — Eu queria contar a você tanta coisa. Como Liam estar tentando aprender tudo que é prato que ver e Charles sempre consegue arrumar um tempo para nos fazer estudar, como se estivéssemos fazendo um extensivo pitoresco ou alguma coisa assim e não uma viagem para relaxar e aproveitar o fato de não estarmos mais estudando. Às vezes nós caminhamos, às vezes pegamos carona, embora Liam sempre reclame que iremos ser mortos e deixados pelo caminho desse jeito, e Charles sempre, sem um minuto de folga, estou falando sério, me faz fazer perguntas a eles. Eu tenho certeza que ele fez um cronograma, porque ele só me deixa descansar depois que termina o que quer.
—Como é a paisagem?
—É linda. — Julie suspirou. — Cada uma mais impressionante que a outra. Todas intocadas por mãos humanas. Feitas especialmente para serem admiradas.
Asher sorriu.
—Você realmente está gostando disso.
—Você teria amado — completou ela. — Desenhar tudo isso. Tirar fotos. Como você está indo com a fotografia a propósito?
Asher assentiu, como se ela tivesse feito uma pergunta, como se aquela fosse uma boa pergunta, como se não precisasse de uma resposta.
—Bem – disse simplesmente, embora não chegasse nem perto, não fosse verdade. Nenhum pouco. – E você... você está bem? – perguntou. Ele se odiaria se não perguntasse, mesmo que ela mentisse e dissesse que sim, estava bem, apesar de ambos saberem que não era verdade.
Julie não estava bem.
Por que?
(E ele não queria falar sobre como estava indo com fotografias, porque não estava indo. Quem disse que tirar fotos era fácil? Levantar a câmera e apertar o botão? Havia tantas coisas envolvidas, tantos filtros e tantas outras coisas que não sabia nem nomeá-las, que não queria nem pensar sobre isso.)
(E Ash estava preocupando com Julie, é claro.)
—É só que... – Ela balançou a cabeça, desistindo das palavras que nem disse. – Não é nada.
—Julie – avisou. Começar e não terminar? Era algo. E ela queria dizer.
—Vamos visitar a vovó — disse ela, o que não fazia sentido para Ash, porque, pelo que sabia da avó dela, ela era uma das pessoas que Julie amava. — É aquela época do ano que ela achava que agora vai – explicou, revirando os olhos, achando aquilo patético, porque agora nunca ia. – O escolhido da vez aparentemente são todos os netos, porque dessa vez é definitivo. E... é apenas... – Ela movimentou a mão, perto do seu coração, como se tentasse pegar algo e arrancar dali, sem saber, sem realmente perceber o que fazia. – Eu me sinto mal. Ela acha o que? Que vai saber quando for morrer? Que é algo de estação? Que agora – zombou – vai?
Os olhos dela estavam suaves e aquela não era Julie, porque, nem quando o momento pedia, ela tinha aqueles olhos. Os olhos dela eram fogo, eram gelo; era paz, era luto; era dor e sofrimento, era aqui e agora e quem sabe onde, mas eles não eram suaves, eles eram uma tempestade que envolvia todos e os deixava submersos, que fazia você se perguntar e refletir, não lamentar.
Julie não precisava de lamentações e penas – ela não queria piedade, ela não precisava de piedade, Asher não daria a ela isso.
Ele queria segurá-la em seus braços, porque era isso que havia aprendido. Segure-a, diga, mostre e esteja ao lado dela; ouça-a chorar e se reerguer; veja-a cair e se recusar a estar quebrada; esteja ao lado dela.
Apenas isso.
Mas ele não podia.
Algumas centenas de metros e quilômetros e mais do que podia imaginar de distância... os separava.
—Não se preocupe — ele disse ao invés disso, perguntando-se se iria mentir. — Tenho certeza que agora não vai. Você ainda precisa me apresentar a ela.
Julie assentiu e murmurou tão suave quanto seus olhos, tão calma quanto seus pensamentos, tão baixo que Asher queria perguntar se foi ela, mas ele já tinha chegado a conclusão que não:
—Obrigada — agradeceu ela, fechando seus olhos e abaixando sua cabeça quase num ato contemplativo. — Agora nem você nem eu vamos ligar para ninguém, Asher.
—Por que?
—Eu vou visitar a vovó, lembra? E lá não pega qualquer sinal do novo mundo.
—Eu não...
—Vovó sempre diz que isso é interferência das fadas — explicou Julie — que elas não gostam de tecnologia e dessas coisas novas. O que ela sabe sobre fadas, não é mesmo? — zombou ela. — Como uma, eu posso afirmar que são as pessoas de lá que são muito velhas e precisam de uma atualização.
—Você... — Asher piscou, sem palavras. Julie tinha esse poder sobre ele. — Mais alguma coisa?
—Não — ela disse. E essa era resposta de alguém que não iria dizer mais nada, que não tinha mais nada a dizer, que guardaria tudo para si. — Não tenho mais nada para te dizer.
Mas há algo que ela quer mesmo assim, pensou Asher. O sorriso animado e falso era a resposta. Havia mais do que sua avó, havia mais do que suas palavras, havia mais e sempre havia.
—Eu estou aqui – ele disse, porque não conseguia pensar em mais nada.
—Não. – Ela sorriu. E algo brilhou, uma centelha em seus olhos, algo no meio de nada. Algo. Ao menos algo. – Você está ai.
E Asher sorriu, meio triste, porque era verdade e ele estava ali, não estava com Julie, e tudo que queria era estar com ela.
Depois disso, Asher mandou mensagens para ela.
Constantemente.
Todo dia.
Mais de uma vez por dia.
Era assédio, Ash tinha certeza. Principalmente porque ela não estava respondendo, porque ela não iria responder durante algum tempo, enquanto estivesse na casa de sua avó, porque ele podia fingir que ela nunca iria ler, porque ele queria que ela lesse.
Asher enviou fotos, enviou emojins, teve uma conversa unilateral que dizia o que pensava e respondia o que Julie provavelmente diria, ele confessou como sentia saudades e queria estar com ela e que... não estava indo “bem” como disse com fotografias.
Asher sabia que ninguém era bom com nada quando começava, que você precisava sofrer muito e passar várias horas deitado, pensando e pensando sobre como ser melhor, sobre como faria diferente, sobre como era realmente ruim e preferia não fazer mais nada a fazer algo daquilo tipo e se envergonhar.
Foi por isso que ele parou de desenhar.
Como poderia continuar quando era tão ruim e havia pessoas melhores?
E foi por isso que ele voltou, porque queria ser uma daquelas “pessoas melhores”, por que como seria bom se não treinasse? Porque, como agora, havia coisas que queria guardar e sua lembrança não seria suficiente, havia coisas que queria demorar e relembrar enquanto fazia, colocar cada pequena parte sua nela, outras que ele queria... agora, nesse instante, ter certeza que era real e não um sonho.
Quando enfim saiu do fim de mundo que sua avó morava, Julie respondeu cada maldita mensagem – marcando e fazendo comentários como se fosse... Ash não sabia, mas ele amou isso. e, no final, ela perguntou novamente como estava indo a fotografia e Asher pode sinceramente.
“Bem”, ele digitou.
Então, um dia, ela parou.
De mandar mensagens.
Sua última mensagem dizia que Liam e Charles iriam voltar para casa — Liam para aprender alguma coisa com Anne, mãe de Asher, e Charles para estudar mais um pouco — e ela... Julie não iria.
"Desculpe", ela digitou, e Asher tinha quase certeza que era a primeira vez que ela dizia isso para alguém. Ou digitava. Ela não teve nem coragem de dizer isso na sua frente! "Eu sei que disse que iria voltar no final do ano, com tempo para comemorar o natal e o ano novo e... ficar com você antes que as aulas começassem. Mas não vai dar. Ainda não tive tempo para resolver a minha crise de identidade. E eu preciso resolvê-la sem você, Charles, Liam ou qualquer pessoa no caminho. Vou tentar voltar para a casa ainda esse ano, mas com toda certeza estarei aí a tempo de me matricular na faculdade de direito. Eu prometo. Espero. Tchau!"
Assim.
Do nada.
Asher sentia como se tivesse levado um pé na bunda.
Principalmente quando a encontrou no mesmo dia em frente a casa da mãe dela.
O sentimento de felicidade e traição brigavam acirrados e Asher não sabia nem como reagir.
Por um momento, eles se olharam.
Por um momento, Ash duvidou que fosse realmente ela, porque não era para ela estar ali.
E então ela se virou, como se não fosse ela, como se ele não pudesse reconhecê-la a distância ou perto ou em qualquer canto, e saiu, a mala de rodinha batendo no calçamento, atrasando-a.
Asher nem precisou correr para alcançá-la, nem levantou a voz, não deu um passo além de onde estava.
—Você mentiu para mim — disse, porque era o fato mais importante. — Você disse que não iria vim para casa e você está aqui.
Asher sentiu uma satisfação cruel quando ela parou, seus dedos apertando com força a alça da mala, como se pensasse se deveria fugir ou não, se tinha como fugir a essa altura dos acontecimentos.
Ash observou-a, seus cabelos loiros ainda cortado horrorosamente, as asas de fadas que ela usava se destacando de todas as outras fantasias que os rodeava e... seus olhos azuis decididos, sua expressão determinada, sua boca zombando dele, embora Asher não tivesse achado a graça.
—Você mentiu — disse ele de novo, porque ela tinha e ela não podia negar isso.
—Não foi de propósito. Eu não planejava voltar para casa, eu não planejava te encontrar.
—Você está cavando sua própria cova — comentou Ash.
—Eu não esperava que nosso reencontro fosse assim — concordou ela. — Eu esperava algo mais...
Asher deu um passo a frente.
Empurrá-la? Puxá-la para si? Passar direto? Ele voltava no passar direito e ignorá-la, como ela pretendia ignorá-lo, fazê-la se sentir mal por tê-lo feito se sentir mal. Um olho por um olho e tudo mais do Antigo Testamento. Infelizmente, ele estava no Novo e era perdoai setenta vezes sete.
—Assim? — questionou Ash, colocando as mãos na cintura dela e não encontrando nenhuma dificuldade em levantá-la e girá-la, seus dedos cavando fundo e encontrando seu osso. Deveria ter apenas uma fina camada de pele cobrindo-o.
Julie riu, passando os braços ao redor do pescoço dele, e o som pareceu feio, oco, não a melodia suave que poderia ouvir para sempre, durante toda a sua vida.
O riso dela parecia errado.
—Você está magra — comentou, colocando-a no chão.
—Essa parte do osso se chama crista ilíaca — disse ela, sentindo o dedo dele insistente, como se não acreditasse que aquele osso era dela. Ele queria quebrar para ter certeza? Tirar um pedaço para fazer teste de DNA ou um daqueles de carbono, que faziam em ossos de dinossauro, para ver quanto isótopos perderam e quanto tempo tinham?
Asher suspirou, soltando-a, deixando-a ir, e sentindo-a ainda ali, e então passou os braços ao redor do corpo dela, tomando o cuidado para não tocar nas asas falsas e quebrá-las, e puxou seus corpos juntos até que não soubesse onde era um e onde era o outro, até que não se lembrasse de que ela iria embora.
Novamente.
—Eu senti a sua falta — sussurrou.
Julie suspirou, passando os braços ao redor dele e encostou o ouvido no peito dele, ouvindo seus batimentos.
Calmos.
Firmes.
Reconfortante.
Eu preciso fazer isso, pensou, apertando os olhos como se desejando que tudo fosse um sonho quando os abrisse.
Eu preciso.
Ela levantou a cabeça e seus lábios bateram nos dele implacáveis, tentando mostrar que também sentia falta dele, que sentiria falta dele, que mal podia esperar para quando sua viagem terminasse e ela pudesse enfim voltar para casa.
Tudo dentro dos limites e permitido para os olhares de criancinhas fantasiadas no Halloween, é claro — tudo que Julie não queria nesse instante era que alguma delas apontasse para eles e perguntasse "por que aquela fada está com um mero camponês?". Seria ultrajante. Acabaria com a sua reputação. Ela tinha que zelar por sua reputação.
Julie afastou-se, tomando fôlego e saboreando o gosto que ficou em seus lábios, o fato de que se sentia viva e estava.
—Você me acompanharia até em casa? — questionou ele antes que ela pudesse recuperar o juízo.
Não, seria a resposta certa a se dar.
Não tenho tempo, era a verdade.
Não, era o que ela não queria dizer.
Não, era o que ela não diria.
Julie sorriu.
—Seria uma honra.
Eles caminharam.
Asher tentando ser o mais lento possível, suas passadas curtas e demoradas, não querendo chegar em casa logo.
Julie com passos normais, sua mão apertando a dele e puxando-o quando necessário, o som das rodinhas da mala batendo alto contra os paralelepípedos, mas eles acabaram chegando porventura no apartamento de Asher e ali estavam eles.
Asher não queria dizer adeus.
Ele segurou a mão de Julie com força, recusando-se a soltá-la, olhando para frente, para o prédio que morava, e puxou-a junto pela porta, querendo prolongar o tempo que estariam juntos.
—Me leve até a porta? — pediu.
Julie assentiu, sem palavras, seus pés subitamente pesados, seu coração perdido em algum lugar do caminho, e... aquilo não era fácil. Dizer adeus não era fácil. Foi por isso que ela não queria vê-lo, porque bastava os corações partidos da sua mãe e dos seus irmãos, porque quanto menos quebrasse melhor, porque dizer adeus não era fácil.
—Julie! – exclamou alguém e Julie se surpreendeu ao ser pega num abraço revigorante, tendo que se inclinar para baixo e retribuir, rindo de alegria ao sentir aquela alegria... ela olhou para Asher para mostrar que era assim que devia ser recebida. – Que bom ver você!
—Você também, Lorenzo – Julie rolou a língua do jeito tipicamente espanhol para dizer o nome de Lorenzo Rodrigues, o porteiro do prédio de Asher, nunca deixando de sorrir.
—Você não vem aqui faz um tempo – disse ele, olhando para Asher como se fosse culpa dele. – O meu neto ainda está solteiro se você não estiver sendo tratada adequadamente – propôs, como se Julie Harrison em toda sua honra e reputação fosse a vítima na vidinha dela.
Talvez fosse por isso, pensou Asher distante, não se importando, que durante todo aquele tempo Sr. Lorenzo olhava-o e balançava a cabeça, suspirando, como se dissesse “esses jovens de hoje”.
Julie riu, um riso verdadeiro, um riso que Asher não havia sido merecedor antes, e pegou a mão do seu... talvez ainda não namorado, mas que ela faria pior do que quebrar a cara se não fosse tratada adequadamente.
—Não se preocupe – disse ela. – Esse aqui – comentou, dando um tapa amigável no peito dele – está se comportando. Ou você soube de algum...
Lorenzo balançou a cabeça, dando um olhar talvez simpatizante ou um “ao menos isso”.
Ao menos isso, Julie concordava.
—Ele está mais quieto desde que não a vejo por aqui. Sem festas, sem chegadas tardes...
—Talvez eu seja o mau exemplo – brincou Julie. Talvez dizendo a verdade.
Lorenzo levou a sério.
—Você é a melhor coisa que aconteceu a esse menino.
—Obrigado, Sr. Rodriguez – agradeceu Asher, ainda não intimo do seu porteiro desde sempre, talvez mais seu avô do que seu avô, não querendo vê-lo em lágrimas. Ou tramando o encontro da sua namorada com o neto dele. – Mas o elevador chegou.
Ótima desculpa. Tempo perfeito. Mesmas palavras de quase sempre que eles se encontravam. Só o elevador para fazer Lorenzo e Julie se separarem.
—Não vamos de escadas? — provocou Julie, sentindo-se... revigorada. Ser bem recebida, tratada adequadamente, fazia isso com as pessoas, relembrava-as de ser quem era porque era isso que gostavam nelas.
Asher revirou os olhos, casualmente jogando um braço ao redor dos ombros dela enquanto o outro esticava-se e apertava o botão do seu andar.
—Eu estou realmente feliz por ter te visto — disse enquanto recuava, seus narizes encontrando-se suavemente ao estar ereto e Julie estar com a cabeça virada para ele. — Mesmo que seja por pouco tempo. Mesmo que você tivesse planejado não me ver. Mesmo que me sinta um pouco traído e deixado de lado.
Julie assentiu.
—Mesmo que esse vá ser nosso último beijo por um bom tempo? — questionou ela, não deixando espaço para uma resposta, completando o que faltava para beijá-lo.
Asher sentia-se como um beijador novato. Principalmente porque estava beijando Julie. E sendo empurrado contra a parede. Ele odiava ser empurrado contra a parede, então é claro que Julie fez exatamente isso.
Ash queria retribuir o favor, mas se lembrou vagamente das asas nas costas dela e tudo que não queria era machucá-la. Ou fazê-la se afastar. Ele queria prolongar aquele tempo tanto quanto pudesse.
—Por favor, Asher! — exclamou Ellen, sua vizinha de porta, e, claro, eles tiveram que se separar. Ash queria agradecê-la. Ou xingá-la. Ou dizer como ele já tinha feito exatamente isso com a filha dela. — E Julie, sinceramente! Eu pensei que vocês tivessem parado com essas demonstrações de afeto — repreendeu, como se aquilo fosse qualquer demonstração, menos de afeto — inadequada.
—Você é um mau exemplo, Julie — murmurou Ash.
Julie sorriu como se ser um mau exemplo fosse um sonho tornando-se realidade — o que deveria ser, embora ela devesse ter realizado esse há muito tempo.
—Até a porta — lembrou Asher quando ela parecia hesitante em acompanhá-lo para fora do cubículo do elevador. Como se ele fosse o mau caminho.
—Claro que sim. — Ela sorriu. — Eu cumpro com as minhas promessas. É bom te ver também, Ellen.
Ellen fez um som como se estivesse gargarejando, realmente não feliz por vê-la de novo, apertando sem parar o botão do térreo — Julie tinha quase certeza de que ela acenou sarcasticamente quando as portas se fecharam.
—Vamos — puxou-o. — Aqui está — indicou a porta, colocou a mão no próprio bolso e tirou a chave da casa dele, destrancado-o.
Por motivos de segurança, ela andava com muitas chaves — embora nunca as certas.
Julie o empurrou para dentro.
—Pronto, meu trabalho está...
—Vou sentir saudades — interrompeu Asher.
Julie virou-se, encarou-o, avaliando a veracidade daquelas palavras. Olhos azuis fixos nos castanhos dele. Seriedade transbordando por todo canto. Menos em seus lábios, que nunca o faziam pensar em ser sério.
—Você vai me ver de novo — agourou ela. — Não se preocupe. — Julie deu um tapa no ombro dele. — O que você queria me perguntar?
—Como você sabe que...
Julie deu de ombros.
—Eu te conheço.
—Quer casar comigo?
Ela sorriu.
—Ainda não — cantarolou, fechando a porta.
—Eu não desisti! — gritou ele.
—Eu sei.
—Eu vou voltar!
—Não — negou. — Eu vou.
—Julie.
Asher puxou a porta com força e, por um momento, eles ficaram num cabo de força, puxando de lá para cá e cá para lá.
—O que foi? — Julie suspirou, deixando um pequeno espaço ser aberto... principalmente quando o pé de Asher intrometeu-se ali.
—Tchau.
Ele a beijou.
Uma última vez.
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