Quem é você, Tiffany?

5 Bobo-abobado sorrindo sozinho


Notas iniciais
OEOEOEOE (mania da M, hehehe') Okay, nenhum viso prévio aqui. Só pra deixar um olá como sempre faço e desejar um boa leitura ;)

Eu não queria ir para a escola naquela manhã. Confesso que eu estava um pouco chateado com Addie, principalmente por ela não ter nem pensando em me avisar aonde iria e o que faria. Talvez eu estivesse sendo um tanto antecipado demais em relação a tudo isso, mas sempre compartilhávamos tudo um com o outro. A primeira vez em que isso não aconteceu foi um pouco estranha para mim, e acabei ficando diferente, apenas isso.

Cheguei na escola um pouco cedo demais. Decidi pegar o ônibus antes de Addie. Poderia dizer para ela que queria ficar um pouco sozinho – se é que ela ligaria em saber, afinal de contas.

Mas acho que não precisarei dar explicações. Addie está arrumando suas coisas em seu armário, que fica ao lado do meu. Caminho até lá rapidamente, ansioso para saber o que realmente aconteceu.

– Addie, o que aconteceu? Por que me deixou plantado no ponto de ônibus ontem? – perguntei, exagerando um pouco.

– Tínhamos marcado de sair, por acaso? – perguntou ela. – Acho que não devo satisfações.

Abri a boca duas vezes, tentando falar algo. Addie estava sendo grosseira sem motivo – algo que ela nunca era. Será que eu havia feito alguma coisa ou passar tempo demais com Harry Thomaz havia mudado sua cabeça de um dia para o outro?

– Eu só quero saber aonde foi... Não precisa falar assim.

Ela suspirou e parou de andar. Pensei que fosse brigar comigo, mas ela olhou atentamente para mim e disse:

– Desculpe por isso. Estou com a cabeça cheia hoje.

– Harry Thomaz? – perguntei.

– Harry Thomaz? O que deu em você? – disse ela, e começou a andar novamente.

– Você não apareceu ontem no ponto de ônibus e praticamente não quer falar comigo agora. Pensei que estivesse assim por causa de Harry Thomaz.

Ela suspirou e sorriu. Sempre fazia isso após uma briga. Um sorriso depois de um suspiro significava que estava tudo bem. Suspirei, aliviado, e depois sorri também.

– Minha mãe me ligou ontem na hora da saída e disse que viria me buscar. Tive que cuidar dos meus primos gêmeos de seis anos ontem, e eles são bem terríveis. Não param quietos um minuto.

– E está estressada por isso? – perguntei, não achando nada demais.

– O problema é que eu não tive tempo de estudar para a prova de matemática e passei a madrugada em claro, estudando. Fico estressada quando isso acontece. Não é uma coisa muito boa.

O sinal tocou. Addie e eu caminhamos rapidamente – ou pelo menos ela caminhou rapidamente – até a classe. Fiquei aliviado por saber que ela e Harry não haviam se envolvido. Harry não saberia como cuidar de uma garota como Addie, e eu ficava preocupado quando pensava nisso. Mas Addie sabia pensar, e sei que saberia pensar em relação a Harry.

•••

Naquela mesma tarde, Addie voltou correndo para casa porque precisaria cuidar dos primos novamente. Ofereci minha ajuda, mesmo não querendo de maneira alguma cuidar de crianças mimadas como Billy e Joe. Os gêmeos são as crianças mais bagunceiras que já vi. Não conseguem parar momento algum. Addie recusou minha ajuda, e disse que iria se virar.

Sentei ao lado de uma garota no ônibus. Ela estava conversando com dois amigos que sentavam no banco de trás. Pude ouvir que seu nome era Kaddie e ela estava combinando de dar uns beijos com o garoto que estava sentado na janela, atrás de mim. Coloquei meus fones de ouvido e liguei na primeira musica que encontrei perdida em meu celular.

Alguns minutos depois, meu celular vibrou. Eu tinha uma nova mensagem. Provavelmente, era uma mensagem de minha mãe, perguntando algo sobre o almoço; ou, talvez, era uma mensagem de Addie, pedindo ajuda com seus primos.

A mensagem estava em anônimo, e não tinha assunto. Não costumo receber mensagens assim. Era algo suspeito para mim. Talvez meu telefone acabasse sendo rastreado pela FBI apenas por eu clicar no simples botão de ler a mensagem. Ou, talvez, algum bandido sem coração fizesse alguma ameaça. Mas a mensagem não parecia ser nada do tipo. Possuía apenas uma única palavra. Duas letras. Uma frase. Era apenas um simples oi, sem parágrafo ou ponto final.

Cliquei em ‘responder mensagem’ e pensei em digitar diversar coisas, perguntando quem era e o que queria comigo. Isso soaria suspeito demais – e amedrontado demais. Digitei apenas ‘oi, quem é você?’, simples e direto. Eu respondi a mensagem e ainda perguntei quem é a pessoa por trás da mensagem. Simplicidade e direção.

A resposta foi enviada alguns segundos depois:

‘Não está nem frio nem quente hoje.’

Sorri com a resposta. Obviamente, só podia ser a tal Tiffany com quem conversei ontem. Cliquei em responder mensagem novamente:

‘Olá novamente. Como vai?’

Ela respondeu:

‘Vou bem, e sei que está bem também.’

Me sinto impressionado ao ler isso. Digito:

‘Como descobriu meu número?’

Ela responde um pouco depois:

‘...’

Sorrio. Envio minha última mensagem alguns segundos depois:

‘Tenho que ir. Nos falamos mais tarde?’

E ela diz:

‘É uma das coisas que pretendo fazer ainda hoje.’

Sorri abobado, e desci do ônibus sendo observado por Kaddie e seus amigos. Quando desci, não deixei de perceber que Kaddie risonha acabara deitando no banco na qual eu estava sentado. Kaddie risonha parece ser folgada também. Sorri ao pensar nisso, e sorri ao pensar que ando sorrindo muito ultimamente.