Quem é você?

4 Uma nova decisão


Notas iniciais
Pessoal, ainda tem muita coisa pra acontecer, amo enrolar ♥ Continuem acompanhando! Obrigada :3

Seus pais já haviam feito sua matrícula na nova escola e seu uniforme estava pendurado na mancebo atrás de sua porta. Seu quarto era pequeno, porém havia espaço suficiente para todas suas necessidades. As paredes eram tingidas com um rosa nude, combinando com seus armários de cor branca, deixando o quarto com um aspecto delicado e infantil. Algumas roupas se penduravam para fora das gavetas e livros preenchiam os cantos do cômodo. De frente para sua escrivaninha, que portava o computador e suas tarefas escolares, situava a única janela no quarto que era grande o suficiente para tomar quase a parede inteira. Do lado da porta ficava sua cama que aconchegava somente uma pessoa.

"Bom dia"

— Bom dia, mãe... Já é hora de acordar? — Luna se revirava na montanha de cobertores com a voz rouca.

"Creio que sim"

—Espera... —Ela coçava os olhos ainda sonolenta e tentava olhar para a porta. A luz do sol machucava seus olhos, mas em alguns segundos se recuperou e avistou o portal fechado. Pensou ainda estar sonhando e resolveu se levantar para se arrumar, deixando aqueles pensamentos de lado.

—Já levantou? Venha logo tomar o café! — Sua mãe entrava em seu quarto e logo se ia, deixando a porta aberta.

Luna colocava seu uniforme e aprontava seus materiais. Dessa vez nada de inovação, apenas ela mesma. Tomou seu café rapidamente, seu estômago não estava suportando muita coisa, a ansiedade de como seria as coisas agora, afetava todo seu corpo.

"Você precisa se alimentar bem"

Luna olhava desconfiada para os seus pais e em seguida para a janela da cozinha que ficava alguns metros de distância da mesa de café.

—Pai, você disse alguma coisa? — Ele a olhava e balançava a cabeça negativamente, voltando à sua bebida.

—Que estranho... — Checava se sua TV estava ligada ou se havia mais alguém na casa, mas estava tudo normal, somente seus pais checando suas redes sociais no celular e apreciando a comida. Talvez ainda estivesse dormindo.

O caminho para a nova escola era o mesmo que fazia para o antigo colégio. Então assim que entrou no metrô, estava lá as duas garotas que haviam à agredido, seus semblantes eram assustadores, como se tivessem passando por dificuldades. E estavam. Quando viram Luna, quiseram logo sair do metrô e agarra-la, Luna não teve outra opção, se não correr. A porta se fechava e apenas uma conseguia sair, a outra debatia contra o vidro furiosa. Sem mais tempo para olhar para trás, corria fazendo o percurso para o centro onde estivessem mais pessoas.

— Volte aqui sua vadia! Eu irei quebrar todos os seus ossos! — A garota corria atrás de Luna como se fosse uma presa, sem medir quaisquer esforços. Luna por sua vez corria com dificuldades, pensava em deixar sua mochila para trás, mas seria pior. No trajeto em meio à multidão, tentava despista-la, porém a garota estava cada vez mais perto. Luna resolveu dar a volta na estação e pegar o próximo metro que estava por vir. Como havia conseguido alguns segundos de vantagem, seu plano estava prestes a dar certo, só precisava correr mais alguns instantes e atravessar a porta dos passageiros.

Tudo aconteceu em uma pequena fração de tempo: Luna pulando no metrô, um empurrão que sentia em suas costas e a dor que pulsava em seus joelhos, logo após cair ajoelhada. Os cidadãos em volta, olhavam preocupados. Os joelhos de Luna sangravam e latejavam. A sua perseguidora que vinha logo atrás, não entrou a tempo, a porta havia se fechado justamente quando Luna havia passado. Ficava imaginando da onde tinha visto tal empurrão enquanto tentava cuidar de suas feridas. Tentava se levantar e a dor piorava, era como se sua pele tivesse sendo repuxada nos cantos da contusão.

Uma pessoa vinha de um pouco longe, preocupada, abrindo caminho.

—Você está bem?! — Ele que assistia tudo, tinha aflição em sua fala. Quando Luna levantou o rosto para responde-lo, viu que era o mesmo garoto da livraria e que o mesmo trajava um uniforme com o símbolo igual de sua nova escola. Sua surpresa era estampada em seu rosto.

— Oh! A garota da livraria! — Apontava o dedo indicador para a garota, contente. Luna fazia algumas caretas de dor, mas ainda mantinha a feição surpreendida.

—O que foi aquilo?! Estava fugindo de alguma coisa¿! — Ele agachava para analisar seus ferimentos e ela apertava sua saia contra suas pernas.

—E-ei! — Fazia outra careta conforme o vento batia.

—Isso realmente foi feio... — Ele se levantava, pensativo — Acho que não vai conseguir andar desse jeito.

—T-tudo bem... Não prec- —No momento que as portas se abriram, Luna era pega pelos braços do rapaz, que a levantava sem esforço. Sem saber o que fazer, tentava debater suas pernas para se livrar dele com seu rosto fervendo de vergonha.

— O-oque está f-fazendo?!!

—Relaxa, vou te levar até uma farmácia aqui perto, não precisa se preocupar. Você não quer ser torturada de dor até chegarmos na enfermaria da escola, não é? — Após sair do metrô o garoto continuava a carregar nos braços como se fosse uma coisa normal. Algumas garotas o olhava admiradas, como se quisessem estar no lugar de Luna, que mantinha seu rosto escondido com as mãos.

Alguns minutos depois, estavam em frente à um estabelecimento que vendia curativos. Ele à colocava sentada em um banco em frente ao local e a olhava seriamente.

—Espere aqui, nada de fugir. — Dito isso, entrou na loja. Luna ficava à amaldiçoando por não ser capaz de fazer nada.

Não passou muito tempo e o garoto estava de volta com uma sacola de medicação.

— O-obrigada... Mas precisamos voltar, e a escola?! — Ela tentava se levantar, mas era impedida por uma mão que pousava em seu ombro.

—A escola pode esperar. Se você não cuidar disso, vai ficar pior, além de deixar uma cicatriz. – Ele apanhava uma pomada dentro da sacola e a abria, colocando um tanto moderado em seus dedos e espalhando pela pele machucada. Luna dava alguns grunhidos pela ardência e ficava preocupada em estar o incomodando. Assim que terminou, selou com um curativo em cada joelho.

—Acho que devemos esperar um pouco até você poder andar... — Se levantava orgulhoso do seu trabalho. Luna engolia em seco sem saber o que dizer, evitando o olhar novamente —Parece que somos da mesma escola... Nunca à vi por lá antes.

—Eu me transferi... — O rosto de Luna parecia triste e preocupado.

—Aliás, qual seu nome? — Ele se sentava ao lado dela, procurando encontrar seus olhos.

—Luna. — Ela olhava para ele rapidamente e depois voltava sua atenção ao que havia em volta, qualquer coisa servia.

—Me chamo Saito! — Dava um sorriso acolhedor — Acho que iremos frequentar a mesma sala.

—S-sim...—Concordava sem saber o porquê. Mordia os lábios todas as vezes que falava besteira.

—Como você está se sentindo agora, senhorita Luna?

—P-podemos ir. — Ela se levantava, se segurando para que não demonstrasse dor.

Assim que chegaram no colégio os portões se encontravam fechados, trazendo grande desespero para Luna, mal havia entrado na escola e já estava faltando aula.

—Desculpe, isso foi culpa minha. — Ele tentava à acalmar, mas não conseguia. Os pensamentos de Luna agora estava em como se redimir com a seus pais sem os deixar mais preocupados.

—Podemos pular o muro se você quiser... Conheço um lugar que podemos entrar sem ser percebidos. — Seu tom era confiante, parecia que já tinha feito aquilo milhares de vezes. Luna nunca se imaginava pulando o muro de sua escola. E se fosse pega? Se seus pais soubessem que estava matando a aula? Apesar de tudo, era o único jeito para tentar evitar ser descoberta. Olhou para os olhos de Saito e concordou com a cabeça, ele que não esperava aquela resposta, ria da atitude de Luna.

Notas finais
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