Quem é o Pai da Minha Filha?
13 Revelações, desabafos e lágrimas
– Cebola — DC chamou — preciso levar um papo contigo.
Uma carranca se formava na cara de Cebola, que não fazia esforço nenhum para esconder.
– Monique não está comigo.
– Mas você está indo vê-la, não é? É por isso que está indo para casa da Mônica. Sem aviso prévio, eu suponho
– O que você tem a ver com isso? Meus horários de ver a Mônica ou Monique não lhe diz respeito.
– Ah, por favor! — Do Contra fez um gesto de irritação — Não fale como se você fosse um pai divorciado indo pegar a filha nos fins de semana.
– Eu já falei que isso não tem nada a ver contigo.
– Tem certeza? — Do contra se aproximou mais de forma a enfrentar Cebola — Pelo que sei, Monique pode ser a minha filha.
– Ah, faça-me o favor...
– Fui eu que disse à Denise sobre Monique.
Cebola ficou congelado no lugar, demorou um pouco para voltar a falar.
– É mentira! — Cebola balançava a cabeça em negação — Xaveco me contou, a Denise ouviu uma conversa do Franja com a Marina.
– E você sabe por que a Denise foi atrás do Franja? — DC o olhava com desafio — Porque eu tinha dado a dica, Denise só quis confirmar.
– Mas você não sabia.
– Eu soube, quando Monique sumiu na escola — DC não parava de o encarar — Você acha que eu sou o quê? Otário? Achou mesmo que depois daquele desespero na Monica por uma menina que ela mal conhecia ter sumido... Você achou mesmo que eu não iria perceber? A menina a chamando de mamãe, ela dizendo o meu nome ao contrário.
– Por que você contou para a Denise? Você não sabia que ela contaria para toda a turma?
– Sabia, foi por isso que eu contei.
– Por que...
– Quando parte da verdade é revelada, fica impossível esconder o resto — DC tinha um quê no olhar, parecia um brilho ambicioso. — E você sabe do que eu estou falando.
Cebola sabia, e não gostou nada disso.
– Ela não é a sua filha!
– Sei que essa virou a sua frase preferida, diz isso para todo malandro que aparece dando uma de pai boa-pinta — DC bufou em irritação -, mas você vai ter de aceitar que não há só você na vida da Mônica.
– Você pode dizer isso o quanto quiser se isso alivia a sua alma, mas eu sei o que sinto, e sei o que aquelas duas garotas são para mim.
– Ela não é a sua filha! — repetiu.
– Aceite, Cebola. Eu não vou desistir da Mônica nunca.
– Desgraçado! — Cebola agarrou Do Contra pela camisa e o prensou no muro da rua — Elas não são a sua família! Se afaste delas, se afaste das duas.
– Nunca, Cebola — Do Contra tinha um expressão firme no rosto. — Mesmo que um dia você volte a namorar a Mônica, eu ainda estarei por perto; mesmo que você se case com ela, eu ainda estarei por perto, mesmo que Monique seja mesmo sua filha, eu sempre estarei ao lado das duas.
– Eu te odeio!
Antes que Cebola desse o soco que tanto queria no DC, ouviu-se um grito, o que os assustou não foi o grito em si, afinal não era muito potente, mas pôde ser ouvido pelo simples fato de ter vindo de uma casa daquela rua: a casa da Mônica.
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– Monique! — Mônica gritou, mas não adiantaria, sabia que ela já não estava mais lá.
Mônica chorava no colo da mãe, totalmente encolhida no chão. O grito que os garotos ouviram minutos antes tinha sido da dona Luísa, que quase teve um ataque do coração ao chegar junto com o marido do shopping e ver a filha desmaiada no chão. E pensar que tinham saído justamente para comprar uma roupinha nova para a garotinha na casa, que não poderia receber o presente tão logo.
Do Contra e Cebola chegaram logo em seguida.
– Mônica — Cebola olhou para Mônica — O que houve?
– Levaram ela — a voz da mônica era pura agonia — levaram Monique...
– Eu vou chamar a polícia — Seu Sousa pegou o telefone.
– Vem, Mônica — DC estendeu a mão para Mônica para que ala se levantasse -, vamos encontrá-la.
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– Ah, você é tão linda! — Viviane girava Monique no braços, que já não chorava, mas não tinha mais aquele sorriso — Claro, puxou a mim!
Viviane colocou Monique em sua cama, quando olhava para ela era como se visse todo o seu futuro, as mágicas que iria aprender, a bruxa poderosa que iria se tornar. Estava feliz com ela, e ninguém a tiraria.
– Você é tão parecida comigo, minha filha — Viviane reparou nos dentes de Monique, e torceu a cara — Se bem que você tem uns dentes parecidos com aquela dentuça — olhou mais de perto e sorriu -, mas os seus são muito mais bonitos meu bem, acredite!
Monique ainda ficou lá com aquela mulher estranha, naquela casa estranha com coisas estranhas. Monique nunca tinha detestado tanto o desconhecido como naquele momento.
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Depois daquele gesto de companheirismo do Do Contra, e da carranca totalmente ignorada do Cebola, Monica ganhou força para passar pela porta.
Cebola e Do Contra não faziam ideia da onde ela estava indo, mas Mônica parecia ter certeza do caminho que estava tomando.
O primeiro a perceber foi DC, que se apavorou ao ver Mônica entrando em sua casa e ir em direção aos fundos da casa.
– Mônica, o que você vai fazer?
Do Contra foi totalmente ignorado, Mônica continuou a seguir para os fundos da casa até chegar no quintal de trás, onde Nimbus e Ramona conversavam.
– Oi Mônica — Nimbus disse cortês, mas foi completamente ignorado enquanto Mônica passava por ele e desferia um tapa na Ramona.
O tapa tinha sido tão forte que Ramona tinha caído de sua cadeira. Mônica foi segurada por DC e Cebola logo em seguida, Nimbus ainda estava em choque.
– Desgraçada! — Mônica xingava — Foi você, eu sei que foi você!
– Mônica, o que é quê te deu? — Nimbus finalmente conseguiu perguntar.
– Minha filha foi levada pela Viviane, a mãe dela!
– Mônica, você tem certeza — Cebola perguntou, se fosse verdade varia questão de soltar a Mônica para ela acabar com aquela aprendiz de bruxa.
– Eu vi Viviane entrando na minha casa, ela me drogou com uma poção esfumaçada, quando acordei minha filha tinha sumido!
– Mônica, ainda assim você não pode culpar a Ramona — DC disse, mais preocupado em acalmá-la.
– Então como Viviane soube de Monique? Ela só poderia ter sabido dela! — Mônica apontava para Ramona de modo acusador.
Ao ouvir essas palavras Ramona tinha abaixado a cabeça para esconder as lágrimas, ela tinha sido responsável pelo rapto de uma criança, Nimbus nunca mais olharia para ela.
– Me desculpe, Mônica — Ramona não tinha coragem de olhar para ela. — Eu não sabia que ela faria isso...
– Mônica! — Do Contra ficou de frente para Mônica, sem se preocupar se ela o arrebentaria para chegar até Ramona — Você não é capaz de machucar ninguém sem ter cem por cento de certeza.
– Mas Dc...
– Seja como aconteceu, Ramona é a única que pode nos levar até Monique, os culpados a gente vê depois, se concentre em sua filha.
Monica respirou fundo, DC tinha razão, precisava se concentrar no mais importante, pois não suportaria deixar a sua filha nas mãos daquela bruxa por mais um segundo se quer.
– Está bem — Cebola finalmente a soltou — Me leve até ela, Ramona!
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