22h30m. Hora do jantar especial da família Fieldman, Anneliese estava sentada na ponta da mesa, sem ninguém ao seu lado, como sempre. Seu pai estava no outra ponta a encarando severamente. Sua mãe, suas tias, primas, irmãs e irmãos estavam acomodados dos lados da mesa. Todos estavam felizes, afinal, tinham muita comida. Depois da oração (que Anneliese nunca fazia, só fechava os olhos e pensava o quanto isso é um saco, as pessoas ainda não sabiam que ela é ateia.) começaram a comerdevagar, diferente da menina, que ingeria tudo desesperadamente. Sua tia, linguaruda, limpou a garganta e começou a falar: "Querida, pra que a pressa? A comida não vai fugir. Olha só, como está gorda! Um dia ainda explode. Tem que começar a fazer dieta viu? Não sei como ainda tem um namorado, deve estar cego, o coitado. Não enxerga a porca que tu é!" A garota se sentiu muito ofendida por dentro: queria desabar, chorar, morrer... Mas precisava parecer forte. Então revidou: "E você, que nem namorado tem? Encalhada. Tô nem ai pra sua opinião." Sua mãe arregalou os olhos e se entrometeu: "Filha, olha os modos. Sua tia tem razão. Amanhã começará uma dieta". "Não vou não, tô muito feliz com meu corpo." Na verdade, não estava. Anneliese tinha penas 14 anos com 1 metro e 50 de altura e pesava 76 quilos. Chorava todas as noites por não ter o corpo perfeito, por não ser como essas garotas do Tumblr, por ter consciência que seu namorado estava com ela por dó, por comer demais, por essa sociedade que a julgava. Apesar de aparentar ser forte, ela já não tinha mais de onde tirar forças e descontava tudo na comida. Quando o jantar acabou, veio a sobremesa: bolo gelado. O preferido da todos da família Fieldman. Como sempre, Anneliese foi a que comeu mais. Quando todos foram embora, ela logo foi para o seu quarto, se enrolou em seus edredons, enterrou a cara no travesseiro,chorou, chorou e chorou, colocou tudo pra fora. Até que veio uma dor de cabeça muito forte ela adormeceu.

Pela manhã, estava estranha. Não parecia a mesma pessoa de sempre. A partir de agora, nada seria como antes...