Quem sou eu?
8 Capítulo Oito
Notas iniciais
A casa não era muito elegante nem nada, á esquerda da porta havia uma escada branca que deveria dar no andar dos quartos, á direita havia dois sofás um em frente ao outro e ao meio deles uma mesa de vidro, que estava em cima de um tapete branco também, pode se dizer que a casa era totalmente branca, e á direita dos sofás havia uma porta de vidro que ligava ao quintal.
Annie colocou sua mochila no sofá.
– O quarto do Evan é o segundo á direita — Ela disse, se atirando no sofá — Qualquer coisa me chame, nossos pais estão trabalhando e com o Evan lá em cima eu que estou no comando...
– Hãn, tá — Eu falei, já subindo as escadas.
– Segunda porta á direita, segunda porta á direita... — Eu falava comigo mesma, baixinho, todas as portas eram de madeira branca, essa família só gostava um pouquinho de branco, né?
Cheguei na porta certa ( Ou pelo menos parecia ser), girei a maçaneta, estava trancada, deveria ser o quarto de Evan, mas ele não falou nada, então eu não podia ter certeza de que era mesmo seu quarto.
Eu estava sem fala, sinceramente, como eu poderia falar com ele? Eu não sou do tipo que sabe consolar pessoas nem nada, tá, com a Shailenne é diferente, ainda mais ela é melhor amiga, de acordo com as regras de melhor amiga, você pode falar qualquer coisa que ela não vai se ofender, e também, ela é garota, é muito mais fácil assim, é só dar uma caixa de bombom que logo ela já está melhor.
Decidi bater na porta. Sem resposta, ele estava dormindo ou algo assim? Ou pulou pela janela e sei lá, foi fumar maconha? Não, estou imaginando coisas, isso não é do tipo de Evan.
A melhor opção seria arrombar a porta, não exatamente arrombar, mas eu teria que ter um clips, desci as escadas, Annie estava fazendo exercícios no caderno.
– Annie, você tem um clips? — Perguntei.
– Tenho.... — Ela disse desconfiada — Aqui.
Annie pegou de seu estojo um clips e deu para mim.
Subi as escadas de novo, entortei o clips, fazendo com que ele ficasse totalmente reto, coloquei na fechadura da porta e tentei abrir.
Infelizmente, sem sucesso.
Eu tive que apelar, desci as escadas e falei com Annie.
– Me dá uma chave inglesa? — Disse.
– Ok... — Ela disse, se levantando indo para a cozinha e voltando com uma chave inglesa vermelha, agradeci e subi as escadas correndo com a chave inglesa na mão.
– Evan, se você não abrir essa porta eu vou ter que arrombar — Eu disse.
Sem resposta, levantei a chave de fenda e juntei força, fui com tudo.
De repente, senti uma dor imensa no joelho da perna esquerda, a chave inglesa estava encostada nele. Olhei para a porta, Evan havia abrido a porta no mesmo momento que eu fui bater a chave na porta.
– Imagino que esteja doendo — Ele disse olhando para o meu joelho.
– O que você acha? — Perguntei, com a voz falhada.
Evan me levou para dentro de seu quarto e me pôs sentada em sua cama de solteiro e fechou a porta, provavelmente trancou.
– Que droga, por que foi fazer isso? — Ele perguntou, se agachando e levantando meu jeans para ver a ferida.
– Você estava trancado aqui á quanto tempo? — Retruquei, pois eu realmente não sabia como responder a sua pergunta de forma decente.
– Acho que você que deveria responder a minha pergunta primeiro, não acha? — Evan se levantou e abriu uma gaveta pegando um pano branco. Fui ver a ferida, estava sangrando.
– Ah... Sei lá, agi com meus instintos — Falei, observando ele colocar o pano sobre a ferida.
– Tá, e por que está em minha casa? — Ele perguntou.
– Eu queria ver se estava vivo... — Falei, Evan fez uma cara de Só isso, sério?– Tá, você desapareceu e aí Shailenne disse que a sua prima poderia, sei lá, ter morrido, eu falei com a sua irmã e ela disse sobre o acidente e me levou para cá.
Evan ficou em silêncio.
– Você ainda não respondeu a minha pergunta — Ele disse, sério.
– Se você quer realmente saber, eu estava preocupada, ok? — Disse, acabei falando alto demais, com medo de até os vizinhos terem ouvido aquilo.
Houve um grande silêncio entre nós dois por alguns segundos, que para mim pareciam décadas.
Acabei deixando escapar um " Evan...?" baixinho.
– Você consegue se levantar? — Ele perguntou, Evan falou baixinho.
Me levantei, meio bamba, ele também se levantou, me aproximei dele e o abracei, não havia realmente o que mais eu poderia fazer?
– Olha, desculpa se eu estou te incomodando — Falei no seu ouvido, ainda lhe abraçando — Mas, eu queria saber se você estava bem.
Evan não respondeu, simplesmente apertou os braços nas minhas costas, quase me sufocando, ficamos um tempo em silêncio de novo, nos afastamos um pouco.
– Imagino que eu precise ir agora — Falei.
– Imagino que seus pais estão te esperando furiosos por você — Ele disse.
– Verdade — Falei — Acho que eu deveria te deixar sozinho um pouco, já causei muito problema para você, assim como para mim — Olhei o meu joelho.
– Acho que seria melhor se você fosse no médico — Ele disse, colocou uma mecha de meu cabelo escuro para trás.
– É — Suspirei — Também acho, mas obrigada por dar um pequeno trato em meu joelho.
Andei lentamente até a porta, torcendo para Evan falar algo mais para eu ficar mais um pouco com ele, eu sentia que deveria ter dito algo á mais á ele, talvez um "Sinto muito pela sua prima e tios" ou algo assim, me sentia culpada por realmente não ter feito nada que fazesse ele se sentir melhor por causa da prima.
Coloquei a mão na maçaneta, ainda pensando se eu deveria falar algo.
– É... Evan, sinto muito pela sua família — Falei, já girando a maçaneta.
Antes que eu pudesse sair de seu quarto, Evan falou algo mais.
– Amethyst — Ele disse — Eu te amo.
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