Quem sabe isso quer dizer amor?
7 É mais fácil te odiar
Notas iniciais
– Isabella, você quase matou meu ursinho de pelúcia, sua louca! – Bruna reclamava pela milésima vez enquanto Maria Joana ria alto.
– Antes o teu ursinho do que a tua mão, Bruna! – Bella disse rapidamente e riu sozinha, lembrando do que Rafa havia dito poucas horas antes. – Você deveria usar luvas de boxe, seriam uma ótima opção. – Ela disse e Bru a encarou, totalmente confusa.
– Quê? – Disse e a garota chacoalhou a cabeça, levemente corada.
– Nada, tava pensando alto aqui. – Bella respondeu rindo baixo e seguiu andando em direção ao táxi.
Ao descerem do carro, as quatro amigas encararam a mansão boquiabertas. Depois de quase dois minutos de sorrisos e silêncio, Anaju começou a dar pulinhos animados e todas riram alto.
– Não acredito, é aqui mesmo Bella? – Majô perguntou e Isabella assentiu, sorrindo mais do que o próprio rosto.
– Ok, quem acha que essas serão as melhores férias das nossas vidas? – Ana Julia perguntou e gritinhos animados responderam rapidamente sua pergunta.
As garotas entraram na mansão e todo o cansaço do dia no aeroporto e a viagem foi literalmente pelos ares. A primeira coisa que viram foi a piscina. Era gigantesca. O jardim era tão lindo quanto os dos filmes da Barbie. Isabella e Bruna correram para dentro do casarão e as outras as seguiram hipnotizadas. Os sofás, os lustres, os papeis de parede. Tudo era maravilhoso. Subiram as escadas animadas e viram 11 quartos abertos. Apenas o que pertencia à sua tia estava trancado.
– Bella, por favor, me diga que a sua tia está afim de adotar uma adolescente? – Ana Julia perguntou e Isabella gargalhou – Eu nem vou ocupar muito espaço, ah! Tia Rosana me adote! – Ela continuou e as quatro caíram na risada.
Depois de escolherem seus quartos e comerem sanduíches, a última coisa que queriam era dormir, mesmo com todo o cansaço. Colocaram os biquínis e foram à praia que tinha logo em frente ao portão. Bella estava maravilhada, não tinha ideia de que a Riviera Francesa poderia ser tão encantadora assim. Mas ainda faltava uma coisa, e ela sabia muito bem o que era. Um meio sorriso se formou em seu rosto, e Bella preferiu não lutar contra isso. Ele estava chegando, e por mais estranho que isso parecesse, ela estava adorando.
– Meu deus, aquele surfista era simplesmente UMA DELÍCIA! – Bruna disse e as amigas riram, ao entrarem na sala da mansão.
– Sou obrigada a concordar amiga, ele realmente era um mau caminho inteiro! – Isabella disse e as duas jogaram beijo no ar.
– Gatas, chegamos! – Gui apareceu rindo alto e seus olhos brilhavam. Bella riu do irmão, mas ainda assim sentiu o estômago se encher de borboletas ao lembrar dos pensamentos que tivera. Aquela aproximação com Rafa não tinha feito bem para sua sanidade mental.
– É, nada pode ser perfeito, não? – Bru disse e Gui fez careta.
– Não fala assim com o meu brother, Bruna! – Bella se jogou no colo do irmão, que riu e a rodou no ar. – Guilherme , para com isso! – Ela gritava e o estapeava, enquanto as amigas riam. E em meio a uma dessas voltas, viu a tal "coisa que faltava" parada na porta da sala de jantar, com um sorriso fofo no rosto, apenas observando a cena. Sorriu involuntariamente, e Gui a devolveu para o chão. – BABACA! – Ela segurou a cabeça e Gui riu.
– Oi, meninas! – Rafa aproximou-se tímido e Bella sorriu. Ana Julia logo reparou e reprimiu um riso. Ele cumprimentou cada uma delas com um beijo no rosto, e Maria Joana estava achando aquilo absurdamente estranho. – Oi!
Ele disse baixinho e cumprimentou Bella da mesma maneira que fez com as outras. A garota nem podia corresponder, ainda estava tonta com a brincadeira do irmão e despencou numa poltrona que estava atrás dela, arrancando gargalhadas de todos os presentes, e de Arthur, que chegara ali.
– Nossa Rafa, meus parabéns! Olha o que você fez com a garota! – Aguiar disse fazendo Gui rir alto, e Isabella levantou o dedo do meio para o garoto.
– Cala a boca, Aguiar! Nem que ele quisesse! – Bella respondeu rapidamente e o sorriso de Rafa logo sumiu, mas ele não disse nada. A garota levantou no mesmo instante quando viu Felipe e deu um abraço caloroso no amigo, que sorria abobalhado. E tudo o que Vitti conseguia pensar era que queria estar no lugar de Simas. Chacoalhou a cabeça pra evitar mais pensamentos idiotas e foi até a cozinha, seguido por Gui.
– Aonde vocês vão? – Bella perguntou jogada em um dos sofás e Felipe sorriu.
– Pra praia, precisamos fazer um social, sabe? – Simas arqueou a sobrancelha e riu maroto, fazendo a amiga gargalhar. Ana Julia, que falava sem parar, apenas observava o garoto sem dizer nada.
– Safadão, mal chegou e já quer arrumar uma francesa? Quer dizer que já vai esquecer de mim? – Isabella disse com uma voz afetada e Felipe se jogou em cima dela no sofá, rindo alto.
– Claro que não, você é a titular, mas eu preciso povoar meu banco de reservas! – Ele piscou e a garota desatou a rir.
– Você não presta! – Ela disse e Rafa apareceu na sala junto com Arthur.
– Estamos indo, Felipe. – Vitti disse simplesmente e Felipe riu, beijando a testa de Isabella e seguindo os dois.
– Arrasa gostoso! – Bella gritou e Arthur a encarou, confuso. – Eu tô falando com o Felipe, hein! – Ela disse e Simas gargalhou da cara que o amigo fez. Rafa foi o último a sair da sala, sem olhar para onde Bella e Anaju estavam, e de uma sensação estranha percorreu o corpo de Isabella por alguns segundos, até Ana Julia começar a falar de novo.
– Bella, você JURA que se eu te perguntar uma coisa, você não vai ficar brava? – Ana Julia disse e Isabella a encarou, com o coração batendo forte. O que diabos ela queria perguntar? Sua amiga era observadora, e isso lhe dava medo.
– Claro que não vou, Anaju. Pode perguntar. – Respondeu tentando manter a indiferença e Anaju se ajeitou na poltrona.
– Você já ficou com o Felipe?
– QUÊ? – Isabella arregalou os olhos que começou a gargalhar sem parar. Estava vermelha, roxa, mal podia respirar. Aquela pergunta era totalmente absurda. Ana Julia a encarava, também rindo, mas curiosa. Aos poucos a respiração de Bella voltou ao normal e ela encarou a amiga, um tanto aliviada da pergunta não ter sido sobre Rafa.
– Tá maluca, Ana Julia? Seria como beijar o Guilherme! Eu nunca fiquei e nem ficaria com o Felipe, sua doida! – Ela respondeu e a amiga sabia que era verdade. Sorriu. – Tá sorrindo por que, amiga? – Bella perguntou e Ana Julia corou, o que era muito difícil de acontecer.
– Por nada, ué. – A garota disparou e Isabella arqueou a sobrancelha, olhando maliciosa.
– Ana Julia... – Disse com a voz autoritária e a amiga riu.
– Ah Bella! – A garota reclamou e olhou pro teto, envergonhada. – Por nada. É só da situação. Juro. É que...
– Que?
– Caramba, eu nunca tinha reparado que ele é tão sexy! Ele fica andando sem camisa por aí e MEU DEUS, Felipe Simas me surpreendeu! – Ana Julia disse e Isabella riu alto.
– Quer pegar?
– Pegar quem? – Maria Joana chegou na sala e as duas gelaram. Anaju soltou um olhar piedoso para Bella.
– O surfista gostoso! Eu disse que posso cedê-lo pra Ana Julia, se ela quiser! – Isabella respondeu prontamente e Majô riu, acreditando. As duas ficaram felizes de Maria Joana não ser extremamente desconfiada e nem muito esperta, porque se não estariam ferradas.
– Eu quero voltar pra praia, preciso descobrir se o gostosão voltou ou não! – Bru disse e as amigas sorriram, concordando.
– Ótimo, estou morrendo por um sex on the beach! – Bella disse normalmente e Majô começou a rir escandalosamente.
– Oh pai do céu, eu só tenho amiga doida! – Bella disse rindo. – O que foi, Maria Joana?
– A Bella tá afim de um sexo na praia, olha só que tarada! – Majô respondeu e as amigas gargalharam. Anaju deu um tapa na testa de Majô.
– Você é muito boba, amor! – Ela disse e as quatro atravessaram a rua até o quiosque onde haviam ficado pela manhã.
Isabella tirou o vestido brando e ficou apenas com seu biquíni rosa e seus óculos escuros. Pediu sua bebida no quiosque e ficou olhando em volta, tentando convencer a si mesma que procurava o irmão, quando sabia que não era isso.
– AH, GOSTOSA! – Bru apertou a cintura da amiga, que deu um pulo e xingou alto, fazendo a garota gargalhar.
– Tá louca, Bru? Me mata do coração assim! – Bella disse e a menina ainda ria.
– Vamos dar uma volta por aí? As dondocas querem tomar sol, e eu quero ver o que tem de bom nesse lugar... – Bru sorriu marota e Bella balançou a cabeça, rindo baixo.
– Okay, vamos desvendar a Riviera, baby! – Isabella respondeu rapidamente e saiu com Bruna para mais perto da água.
As duas estavam andando e chamando atenção, e como toda mulher, estavam adorando. As duas riram quando uma senhora bateu no marido com um jornal, já que ele estava olhando para as bundas das garotas. Mas Isabella ainda procurava insistentemente por Rafa, e aquilo estava ficando irritante. Avistou Arthur e Gui bebendo na areia e sorriu de canto.
– Olha lá, meu irmão e o Arthur! Vamos falar com eles, Bru! – Ela disse puxando a amiga, que tentava a puxar para o outro lado, sem sucesso.
– Cacete Isabella, a gente vê eles todo dia, porque temos que... – Bruna ia dizendo quando Bella a interrompeu.
– Eu só tô com sede, vou pegar um gole da cerveja do meu irmão, amor. – Bella disse com a voz doce e Bru sorriu, derrotada. – Fala branquelo! – Bella disse e Gui riu.
– Falou o carvão, hein? – Gui disse e Isabella gargalhou, assim como Bruna. Ela geralmente não gostava de rir do que Gui dizia, por pura implicância. Mas não conseguiu se conter.
– Me dá um gole disso, mané! – Bella pegou a cerveja do irmão, e sorriu. – Cadê o... – Ela parou ao ver que Arthur a encarava. – Felipe?
Arthur riu.
– Acho que ele foi no quiosque pegar mais cerveja. – Aguiar disse indiferente e Bella bateu os dedos na garrafa, inquieta. Não sabia como perguntar.
– Que cara é essa, Isabella? – Bru perguntou e Bella a xingou mentalmente.
– Nada! – Bella respondeu rapidamente devolvendo a garrafa para Guilherme .
Então ela olhou rapidamente em volta e seus olhos pararam no mar. Olhou mais fixamente e viu que uma garota sorria, e mais a frente, viu Rafa. Ele também sorria e suas mãos tocavam a cintura da menina.
– Bella? – Gui a chamou para a realidade. A garota ainda encarava o mar, boquiaberta.
– É o... Rafa? – Perguntou com a voz baixa e Arthur riu ruidosamente.
– Meu garoto não perde tempo! – Aguiar respondeu e Isabella não sabia o porquê, mas seu estômago parecia revirar dentro dela. Respirou fundo e viu Felipe chegando.
– Gatas! – Ele disse e Bruna fez careta. Bru realmente não se dava bem com nenhum dos garotos.
– Oi. – Bella respondeu baixo. – Vamos procurar aquele cara, Bru? – Ela perguntou e Felipe olhou para o mar, e voltou o olhar para amiga de um jeito piedoso. Talvez Simas fosse o único que estava captando tudo.
– Claro! – Bruna respondeu aliviada e puxou a amiga pela mão.
– Bella! – Felipe a chamou e ela virou.
– O que foi?
Felipe encarou o mar e olhou para a amiga. Gui, Bruna e Arthur encaravam os dois sem nenhum disfarce, e Simas desistiu.
– Nada, esquece! A gente se vê mais tarde! – Ele disse e Isabella fez careta, mas não falou nada. Apenas seguiu Bru e sumiu dali.
Isabella estava em uma das cadeiras na borda da piscina, com Majô ao seu lado. Ana Julia e Bru estavam na água, e todas conversavam animadamente naquele fim de tarde. Bella olhava para o céu e tentava entender por que estava sentindo tanta raiva. Sim, ela estava inquieta, mas conseguia muito bem disfarçar, isso já tinha virado normal para ela. Sorrir para quem não a conhece, disfarçar sentimentos, segurar o choro... Tudo isso era básico, simples. Aliás, para todas as garotas isso é fácil. Nenhum esforço anormal. Ouviu um barulho no portão e risadas altas. Respirou fundo e continuou imóvel.
– Ué, pensei que ainda estariam na praia! – Arthur disse e Ana Julia sorriu.
– Estamos experimentando de tudo um pouco, querido! – Ela respondeu e ele sorriu. Ao contrário de Bruna, Ana Julia não tinha nenhum ódio fenomenal por nenhum dos garotos.
– Droga, pensei que a piscina seria nossa! – Gui reclamou e Bella riu, virando-se de lado. Seu olhar encontrou o de Rafa e ele sorriu brevemente. Ela desviou o mais rápido que pode e levantou. Rafa encarou boquiaberto o corpo perfeito de Isabella. Era indiscutível que ela era linda, mas vê-la ali de biquíni, tão próxima dele, era... bem, totalmente o contrário de "brochante".
– Nós não iremos matar vocês, podem usar a piscina, Gui! – Ela disse e o irmão riu. Rafa voltou à realidade e olhou para onde os dois estavam. – Vou pegar uma Coca! –Isabella disse por fim.
– Me dá uma carona? – Bru brincou e Bella riu. – Vou ao banheiro.
As duas saíram e Felipe deitou na cadeira onde Bruna estava. Bella seguiu sozinha para a cozinha. Ficou encarando o interior da geladeira, tentando pensar numa forma de agir normalmente, mas depois dos últimos dias, não sabia mais o que era normal para ela. Bru chegou e ela sorriu.
– Ainda tá aqui? Vim pegar uma também! – A garota disse simplesmente e abriu a geladeira, pegando uma Coca. – Você tá quieta, amor!
– Não tô não. – Isabella respondeu rápido e Bru sorriu.
– Eu te conheço, garota! O que houve?
– Nada.
– Desde aquela hora da praia... Que a gente tava com os meninos e você viu o... Espera! – Bru parou e encarou a amiga com os olhos esbugalhados. Isabella engoliu seco e a olhou, tentando parecer o mais normal possível. – Você não gostou de ver o Rafa com outra menina? O Rafa? O Rafael Vitti? O garoto que você odeia e... – Bru disparou e Bella a beliscou, fazendo-a parar. – Calma!
– Cala a boca, Bruna! Não é nada disso! – Bella a encarou apreensiva, e tentava manter a voz calma, mas seu coração estava a mil e suas mãos gelavam.
– Então é o que? É claro que é isso! – Bru disse ainda alto e Isabella fez sinal pra que ficasse quieta.
– Não, é que eu não tava me sentindo bem. Você bebeu, Bruna? Eu, justo EU? Isabella Santoni Hamacek sempre odiará Rafael Vitti. Essa é a lei da vida! – Bella respondeu e seu peito doía. Não gostava de mentir para as amigas, e também não sabia por que estava agindo daquela maneira.
– Mas Bella...
– Não tem nada de “mas”! Eu tô falando sério, eu não gosto do Rafa, e nada mudou em relação a isso. NADA. – Bella respondeu firme e Bruna assentiu com a cabeça, ainda desconfiada.
– Ué Rafa, cadê minha cerveja? – Gui perguntou olhando para frente e Rafa deu de ombros.
– Esqueci de pegar. – Respondeu simplesmente, deitando na grama. Maria Joana abaixou a haste dos óculos escuros e encarou a expressão séria, talvez de dor que Rafa tinha no rosto. Ficou imediatamente preocupada.
– Você tá bem, Vitti? – Majô perguntou e Rafa continuou olhando pra cima.
– Não me enche o saco, Maria Joana! – Ele respondeu seco e talvez um pouco alto demais. Majô encarou Felipe, que tinha uma expressão confusa no rosto.
– Deixa ele... – Simas disse baixo e Majô deitou na cadeira, contrariada.
“Ela me odeia. Eu ouvi ela dizendo. Ela nunca deixará de me odiar. Porque eu fui acreditar? Nada mudou!”
Rafa pensava e sentia que seu coração ia explodir. Tinha escutado a conversa minutos antes e estava se sentindo um completo trouxa. Ouviu a risada de Isabella e viu que ela chegava com Bruna. Levantou rapidamente e saiu em passos duros em direção a porta, esbarrando em Bruna.
– Eita, o que deu nele? – Bru perguntou e Felipe encarou Isabella, que olhava para a porta com um olhar preocupado.
– Não faço ideia. – Simas respondeu, e entrou na casa atrás do amigo.
– Dude, o que foi isso? – Felipe perguntou entrando no quarto e Rafa se xingou mentalmente por não ter trancado a porta.
– Nada. – Respondeu simplesmente, forçando um sorriso. – Eu tô bem.
– Ah claro, primeiro você grita com a coitada da Maria, sinceramente eu nunca vi você fazendo isso com ela... – Simas disse e Vitti mordeu o lábio, lembrando da cena. Majô realmente não merecia. – E depois sai daquele jeito quase quebrando a Bruna no meio!
– Não exagera, eu mal encostei nela! – Rafa respondeu e Felipe gargalhou.
– Tá forte então hein? Ela quase caiu.
– Ah Felipe, não enche vai! Eu tô bem, vamos descer que eu quero falar com a Majô! – Rafa disse saindo do quarto e Felipe chacoalhou a cabeça, o seguindo.
Os oito estavam sentados no chão da sala com várias pizzas e sanduíches na mesa de centro. Ninguém queria cozinhar e, além do mais, não sabiam fazer isso. Estavam comendo antes de saírem, em grupos separados, para conhecer a noite da Riviera. Bella estava sentada longe de Rafa, e de vez em quando se via encarando o garoto, que parecia fazer questão de olhar pra qualquer pessoa que não fosse ela.
– Rafa... — Isabella disse e todos a encararam, menos Vitti.
– Hum... – Rafa respondeu com a boca cheia e fingindo indiferença, encarando o pedaço de pizza, ansioso por mais uma mordida. Bella rolou os olhos.
– Me dá um copo? – Ela perguntou apontando para a pilha de copos descartáveis que estava ao lado do garoto.
Rafa encarou os copos, olhou para o rosto de cada um dos amigos e voltou seu olhar pra Bella, engolindo seco.
– Porque eu faria isso? – Vitti respondeu e Isabella arregalou os olhos, sem entender.
– Porque os copos estão do teu lado, talvez? – Ela disse com a voz confusa e Rafa riu baixo. Todos olhavam pra ele.
– Você quer? Então você vem pegar, esquentadinha. – Ele disse simplesmente com um tom debochado e frio e voltou a comer seu pedaço de pizza como se nada tivesse acontecido. Bella sentiu o rosto ficar vermelho de raiva. Não sabia por que Rafa estava agindo daquela forma, mas realmente tinha conseguido o que queria: irrita-la. Odiava ser tratada daquele jeito. Odiava aquele apelidinho provocante. Majô estendeu a mão para o copo, mas Isabella a encarou com um olhar bravo e ela parou onde estava. Vitti ainda parecia estar mais interessado na pizza de calabresa do que em qualquer outra coisa. Isabella se deslocou calmamente até onde os copos estavam, e Rafa olhou discretamente. A garota ajoelhou e pegou uma garrafa de refrigerante ao lado de Gui, colocando a bebida no copo enquanto Rafa sorria maliciosamente. Então ela o encarou e começou a despejar o refrigerante na bermuda que Vitti estava vestindo, rindo alto.
– CARALHO, VOCÊ TÁ DOIDA? – Rafa gritou e Isabella riu escandalosamente.
– Talvez se você tivesse sido gentil uma vez na sua vida, isso não teria acontecido! – Bella disse com um sorriso de deboche e voltou para onde estava, vendo que as amigas riam e que os garotos a encaravam com medo, mas, por outro lado, queriam rir do amigo. Rafa rolou os olhos e levantou, saindo dali rapidamente, sem dizer nenhuma palavra.
Bella estava sentada sozinha no enorme sofá da sala de TV. Estava arrumada e esperava que Majô e Anaju ficassem prontas. Bru estava com ela até minutos antes, mas fora apressar as garotas. Rafa entrou na sala e Isabella percebeu isso, mas não tirou os olhos da televisão. Sua vontade era de sair dali correndo. Ele se jogou no sofá e pegou o controle remoto, mudando de canal e ignorando o fato de já ter alguém ali. Isabella resmungou alto e virou para ele.
– Rafael, eu estava assistindo, me dá essa porcaria de controle!
– Ah, nem vi que você estava aqui, esquentadinha! – Rafa respondeu e a garota bateu com a mão fechada no sofá, fazendo-o rir alto.
– Para de rir seu idiota, me dá esse controle! Essa casa é da minha tia, sabia? Penetra! – Ela olhou brava.
– Nossa, quanta revolta! Essa sua tia também é tia do Gui, e ele que me convidou. Agora fica quietinha aí e assiste futebol que é melhor... – Rafa disse calmamente e Isabella levantou, xingando baixo.
Quando estava prestes a sair da sala, Arthur e Felipe chegaram. Bella parou no meio do caminho e voltou até onde Rafa estava sentado. Apoiou suas mãos nos ombros do garoto, e esticou seu pescoço até que o seu rosto ficasse próximo do dele. Estava tão perto que podia sentir a respiração de Vitti falhar e ele desviar o olhar. Levou uma das mãos até seu rosto e, delicadamente, levantou seu queixo, fazendo com que olhasse para ela.
– Sabe, Rafa... Você já foi muito melhor nisso! – Ela dizia com a voz doce, e Rafa respirava com dificuldade – Nossas brigas já foram tão mais... Adultas, sabe? Ah, você perdeu a mão! Negar pegar um copo pra mim? Fingir que não me viu e mudar o canal? – Bella parou e riu alto. – Quantos anos você tem, oito? Se for pra ser assim, eu prefiro não brigar, tá? É chato, cansativo e sem emoção. Ignorar você me parece bem mais sensato, e sabe do que mais? – Ela perguntou acariciando com o polegar a bochecha do garoto, com um olhar malicioso – É isso que eu vou fazer! Volte a ser homem e depois venha falar comigo, esquentadinho...
Bella deu um tapinha leve no rosto de Vitti, e saiu desfilando da sala, ignorando os olhares de Felipe e Arthur. Assim que saiu pelo corredor, ouviu os dois gargalharem lá dentro e riu sozinha. Se Rafa queria voltar a agir como um idiota, problema dele. Ela sempre seria melhor que ele e daria a volta por cima.
– Já vão? – Felipe perguntou vendo as quatro garotas arrumadíssimas passarem ao lado da piscina em direção ao portão.
– Já, queremos sair cedo e voltar cedo... – Bella disse e ele a encarou – Tipo umas seis, sete da manhã, sabe? Cedo! – Ela completou e o amigo gargalhou.
Rafa apareceu do lado de fora e encarou a garota que ria enquanto conversava com Simas. Ela estava com um short preto, uma blusa florida e uma sapatilha dourada (http://instagram.com/p/uLrSP6tXxD/?modal=true). Extremamente linda. Sentiu raiva ao lembrar do que acontecera minutos antes, e do quanto tinha sido zoado por aquilo. Os outros garotos apareceram atrás dele, também prontos pra sair.
– Vamos à procura? – Arthur passou o braço nos ombros de Rafa, que riu.
– Com toda certeza, Arthur! – Ele respondeu e viu as meninas já saírem, seguindo com os amigos para o lado oposto de onde iam.
Depois de darem voltas pela Riviera, os garotos acabaram no mesmo lugar onde as meninas estavam. Gui as viu de longe e acenou, pegando uma mesa com os amigos. Rafa viu Isabella rindo com um garoto, e fez careta. A raiva pela humilhação ainda não tinha passado, e ele queria se vingar dela. A cada centímetro que o garoto se aproximava dela, ele ficava mais apreensivo, dando goles gigantescos em seu chope. Os garotos mal perceberam as reações do amigo, estavam mais interessados em contemplar um grupo de garotas que estava na mesa ao lado. Vitti olhou para o lado e viu as quatro garotas bonitas chegarem perto, cumprimentando-os e sentando junto com eles. Chacoalhou a cabeça e fixou o olhar no decote de uma morena, por mais que isso incrivelmente lhe parecesse bem menos interessante do que ficar se torturando ao assistir Isabella e o outro cara.
– Vou pegar cerveja, quer alguma coisa? – Rafa perguntou alto, devido a música, e a garota da qual ele não lembrava o nome sorriu, assentindo.
– Traz uma pra mim também! – Ela disse e ele sorriu, já um pouco alterado pela bebida.
Seguiu até o bar e pediu duas cervejas para a garçonete. Aproveitou e pediu uma porção de tira-gosto. O ambiente estava cheio e ele estava tendo dificuldade para conseguir voltar para onde estava sentado. No meio da multidão, avistou Bella e Anaju.
– O que você disse Isabella? – Ana Julia gritou e Bella riu.
– Eu vou pra casa buscar a Instax! – Isabella gritou e Ana Julia fez careta.
– AGORA? Deixa pra depois, a gente tira foto amanhã! – Anaju disse alto e Bella negou. Rafa ainda tentava passar, mas de alguma forma queria ficar preso ali.
– Não, eu quero registrar nossa primeira noite na França! – Isabella respondeu e a amiga riu. – Temos duas Go Pro's, duas instax e não trouxemos nada!
– É A EMPOLGAÇÃO DA FRANÇA, UHUL! – Ana Julia gritou e Isabella riu alto, saindo por entre as pessoas.
Rafa olhou a garota e teve um estalo. Riu sozinho e abriu caminho para passar, com um sorriso malicioso nos lábios.
Isabella abriu o portão da mansão e entrou calmamente. O bar em que ela estava com as amigas ficava apenas dez minutos dali, talvez menos se ela tivesse escolhido ir a pé, mas ela pegou um táxi mesmo assim. Subiu as escadas devagar, sua cabeça parecia ecoar o barulhos e seus ouvidos, ainda desacostumados com o silêncio repentino, estavam quentes. Entrou em seu quarto e encarou as malas. Não tinha a menor ideia de onde havia guardado a instax e aquilo poderia demorar mais do que ela esperava. Fez uma careta — com preguiça — pensando nisso, quando lembrou que ela e as garotas tinham tirado fotos no avião com a câmera de Maria Joana, e foi para o quarto da amiga, diretamente até a bolsa da garota. Pegou a pequena câmera rosa e sorriu, virando-se para ir embora.
– AAAAAAAH! – Bella gritou alto e Rafa desatou a rir. – Rafa? Porra, quer me matar de susto, idiota? – Isabella ainda berrava e segurava o peito, ficando irritada ao ouvir a risada de Rafa. – O que diabos você tá fazendo aqui?
– Ué, eu também estou hospedado aqui, esqueceu? – Rafa respondeu indiferente, encostando na parede.
– Ah é! É tão irrelevante a sua presença aqui que eu esqueci. Foi mal. – Bella respondeu debochada e Vitti rolou os olhos. – Vou nessa, até depois Vitti!
Bella disse quase passando pela porta quando Rafa a segurou pelo braço, a puxando para dentro novamente. Vitti a puxou com força e seus corpos involuntariamente se colaram. Ele respirou fundo e a encostou na parede, prendendo-a entre seus braços. Isabella sentia sua respiração falhar a medida que seu coração acelerava.
– O que... O que você tá fazendo? – Ela conseguiu dizer com a voz fraca, e Rafa sorriu malicioso, a apertando novamente contra a parede. Vitti encostou o nariz no pescoço da menina e pode perceber que ela se arrepiou com o toque. Sorriu, aproximando sua boca da orelha dela.
– Repete o que você disse. – Rafa disse com a voz baixa, e Isabella suspirou alto.
– Do que você tá falando, garoto? – Bella respondeu quase sussurrando, enquanto Rafa brincava com seu pescoço e ela sentia sua pele arrepiar.
– Que eu não sou homem. – Ele disse simplesmente, mordendo a orelha da garota, que num reflexo, apertou sua cintura.
– Você tá maluco? Para com isso, Rafa... – Bella tentava parecer autoritária, mas sua voz saía fraca, suas pernas estavam moles.
– Repete. – Rafa insistiu, ainda sussurrando, enquanto entrelaçava as mãos no cabelo de Isabella, próximo a nuca, e ela fechou os olhos, respirando fundo.
– Rafael, já te disse pra me largar! – Ela respondeu, em um tom de ameaça muito baixo. O garoto riu próximo ao seu ouvido.
– Engraçado. Você diz uma coisa, mas age de outro jeito... – Ele parou de falar e encostou a testa na dela. A única luz vinha da varanda, e ele suspirou alto ao encará-la tão de perto. – Se você quer tanto que eu pare, porque está apertando minha cintura com tanta força, esquentadinha? – Ele continuou malicioso e Isabella bufou, sentindo seu rosto queimar.
– Rafael Vitti, é melhor você me largar...
– Pede por favor... –Ele respondeu malicioso e a garota riu sarcástica.
– Me erra, Rafa!
– Pede! – Rafa apertou a cintura da garota com força, roçando o nariz no da garota.
– Por favor... Por. favor.! – Bella respondeu baixo e o garoto riu.
– Tudo bem, se é isso o que você quer... – Rafa soltou os braços que prendiam Isabella e riu. A garota respirou fundo e abriu os olhos, estava irritada, mas mais do que isso, estava tentada a fazer algo que sabia que iria se arrepender depois. Rafa sorriu ao olhar a garota totalmente desnorteada e saiu do quarto, fechando a porta. Bella escorregou na parede com a respiração completamente falha, não sabia o que fazer. Respirou fundo novamente e levantou, girando a maçaneta da porta, que não abriu. Girou mais algumas vezes e nada aconteceu. Deu um soco na porta, com a raiva já consumindo seu corpo.
– Rafa! – Ela gritou, mas ninguém respondeu. – Puta que pariu!
Bella correu até a varanda e viu Rafa rindo, sentado na grama.
– O QUE DIABOS VOCÊ TÁ FAZENDO? – Ela berrou, e ele se contorcia de rir. – Me tira daqui, idiota! – Ela continuou gritando.
– Engraçado, né Bella? – Ele levantou, andando de um lado para o outro – Achei que você fosse boa nisso, mas vejo que não! Só foi eu encostar em você – Ele riu presunçoso – Que a mulher decidida foi pelos ares, né? – Rafa riu e Isabella gritou descontrolada, fazendo com que ele gargalhasse ainda mais alto. – Novidade pra você: Sinto informar, mas você não é tão boa nisso quanto pensa, esquentadinha. Tenha uma ótima noite presa no quarto!
Rafa riu alto e jogou um beijo no ar, caminhando em direção ao portão. Isabella gritava descontroladamente. Ele parou e olhou para trás.
– Tá gritando porque, maluca? – Ele disse e a garota bufou.
– Rafa, me tira daqui AGORA! – Bella gritou autoritária.
– Ah, tá afim de sair? – Ele sorriu. – Pula! É baixinho! – Rafa disse cheio de si, mesmo sabendo que aquilo tinha sido uma tremenda maldade. Ele sabia que ela nunca pularia.
– Rafa, você sabe que eu tenho medo! – Ela disse com a voz chorosa e o garoto respirou fundo. Tinha prometido a si mesmo que não daria para trás.
– Bom, isso já não é problema meu! – Respondeu com a voz meio baixa e saiu dali, sem olhar pra trás, porque sabia que mudaria de ideia.
Rafa voltou andando devagar até o bar onde estavam. Por mais que aquilo fosse uma grande lição para Isabella, estava se sentindo mal por tê-lo feito. As imagens da garota frágil entre seus braços, quase cedendo aos seus carinhos, faziam seu coração bater mais forte. Não conseguia entender como tinha sido frio o suficiente pra levar o plano até o final. Estava orgulhoso, mas aquela sensação ruim não o abandonava e ele parecia arrependido. Avistou Felipe com Maria Joana e Ana Julia do lado de fora do bar e foi até eles.
– Onde você tava, dude? – Simas rapidamente perguntou e Rafa colocou as mãos nos bolsos, nervoso.
– Por aí. – Respondeu simplesmente.
– Meu, eu tô preocupada com a Bella, tô falando sério! – Ana Julia dizia apreensiva, andando de um lado pro outro – Eu não aguento mais esperar, já era pra ela ter chegado, Felipe! Eu vou atrás dela!
– Eu também vou! – Majô disse rapidamente e Rafa sentiu as mãos gelarem.
– Não! – Ele disse rapidamente e as duas o encararam, confusas.
– Como não, Rafa? A minha amiga pode estar em perigo! – Anaju disse e ele forçou um sorriso.
– A Bella tá bem, eu estive com ela agora pouco. – Respondeu contra a vontade e Felipe arregalou os olhos.
– Você tava com a Bella? – Simas perguntou e Vitti assentiu.
– E onde ela tá? – Maria Joana perguntou.
– Ela foi buscar a câmera pra tirar fotos com vocês, mas conheceu um cara no meio do caminho e ficou conversando com ele. – Vitti respondeu do nada e Ana Julia o encarou, sem acreditar nenhum pouco.
– Fala a verdade, Rafa. – Ela disse e o garoto sentiu o rosto queimar.
– Eu tô falando, Anaju. Foi isso mesmo. Eu juro pra vocês que a amiga de vocês tá bem segura. – Rafa disse – Até demais. – Sussurrou mais para si mesmo, sentindo-se um completo idiota. Maria Joana encarou Ana Julia.
– Tá, Vitti. Se algo acontecer com a minha amiga, a culpa é total sua! – Ana Julia disse autoritária. – Vem Majô, vamos entrar. – A garota puxou Maria Joana pela mão de volta para o bar. Antes que Felipe perguntasse alguma coisa, Rafa começou a falar.
– É verdade, Simas. Agora eu preciso fazer uma coisa. – Rafa disse rapidamente e saiu dali, ignorando o amigo e tudo o que ele pudesse lhe dizer.
Rafa pegou um táxi e chegou rapidamente na mansão. Sabia que Isabella iria tentar matá-lo, e estava preparado pra isso. Tinha pegado pesado demais dessa vez. Subiu as escadas quase correndo e respirou fundo antes de virar a chave na maçaneta. Acendeu a luz do quarto e não viu ninguém.
– Bella? – Perguntou, com a voz fraca. Ninguém respondeu e Vitti tremeu. Abriu a porta do banheiro, mas também não havia ninguém lá dentro. – Merda. – Sussurrou, indo até a varanda.
Ao chegar à varanda, Rafa olhou para o lado e viu Bella sentada no parapeito que interligava as varandas de Majô e Gui. Ela estava sentada, de olhos fechados e com o rosto vermelho.
– Bella, o que você tá fazendo? – Rafa perguntou com os olhos arregalados e a garota abriu os olhos, olhando para o lado. Vitti pode perceber que seus olhos estavam vermelhos e sentiu o peito apertar por isso.
– O que você acha, idiota? – Ela respondeu secamente, tentando enxugar as lágrimas.
– É perigoso, você não pode, você tem medo, você... – Rafa começou a gaguejar e a se sentir péssimo. Nunca havia se sentido daquela maneira antes.
– Cala a boca! Eu vou chegar do outro lado, sai daqui! – Isabella respondeu se movimentando muito devagar, ainda sentada e de olhos fechados.
– Bella, deixa eu te ajudar... – Rafa disse colocando uma perna no parapeito, mas sendo interrompido por um grito.
– Fica aonde você está, Vitti. Eu não quero e eu não preciso da sua ajuda. – Ela respondeu ainda sentada, e Rafa podia ver que ela tremia. – Eu não quero nada que venha de você.
Rafa sentiu uma sensação estranha quando ela disse isso. Respirou fundo, mas não estava se sentindo nada bem daquela forma. Não tinha imaginado que aquilo pudesse acontecer, sabia que tinha colocado tudo a perder. Colocou a perna pra dentro novamente, e encarou a garota, que mantinha os olhos fechados.
– Desculpa, Bella. Eu não queria ter feito isso, eu...
– Eu disse pra você calar a boca.
Rafa sentiu os olhos queimarem e colocou as mãos nos bolsos, virando de costas.
– NÃO! – Bella gritou e ele virou para trás rapidamente, assustado.
– O que foi? – Ele perguntou, a voz falha e tensa.
– Não vai, me ajuda! – Ela disse chorando e Rafa ficou em silêncio, subindo no parapeito sem questionar. Andou devagar e estendeu a mão para a garota.
– Vem, me dá sua mão. – Ele disse baixo e Bella abriu os olhos, olhando pra cima.
– Eu vou cair. – Respondeu baixo e Rafa sorriu.
– Confia em mim.
– Tá meio difícil, ultimamente... – Bella disse baixo e Rafa sentiu o coração apertar de novo, mas não disse nada, porque sabia que era verdade.
Isabella segurou a mão de Rafa e ele a puxou para cima. A garota envolveu sua cintura rapidamente e fechou os olhos. Rafa sorriu.
– Ei... – Ele disse baixo e a Bella o olhou nos olhos – Tá na hora de vencer seu medo. Vem, anda. – Rafa disse a puxando pela mão, mas a garota continuou parada e ele riu baixo. – Bella, vem.
– Eu te mato, eu te mato! – Ela murmurava andando pé ante pé até a varanda.
– Não olha pra baixo. – Ele disse com a voz doce e a menina sorriu, mesmo sem querer, olhando nos olhos dele, que andava de costas. – Só mais um pouco, continua olhando pra mim, só pra mim – Ele disse e pulou pra dentro, ajudando-a a voltar pra varanda.
Bella respirou fundo e sorriu.
– Não foi tão difícil. – Ela disse e Rafa sorriu largamente, vendo a garota tremer.
– Eu disse que era fácil. – Vitti sorriu. – Você está tremendo! – Ele disse aproximando-se de Bella e apertando seus braços ao redor da menina. Ela respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. Rapidamente lembrou de tudo o que acontecera minutos antes, e soltou o abraço, irritada.
– Me larga, Vitti. Sai de perto de mim! – Isabella disse áspera e entrou para o quarto, pisando firme. Rafa passou as mãos nos cabelos, respirando fundo. Doce ilusão a dele. Nada era fácil com Isabella Santoni Hamacek.
Rafa entrou em seguida de Bella, andando um pouco mais rápido para alcançá-la.
– Bella, deixa eu falar com você... Eu te pedi desculpas, eu... – Ele dizia quando fora interrompido.
– Não é suficiente, Rafa. Você pegou pesado dessa vez! – Bella disse alto e virou-se de frente para o garoto, que ficou em silêncio.
– Eu sei, mas o que você quer que eu faça? – Vitti respondeu com a voz baixa e Isabella bufou, rolando os olhos.
– Faça o que você quiser. Nada vai mudar. – Disse rapidamente e continuou andando.
– Eu sei que não. Eu ouvi o que você disse. – Rafa falou e a garota parou de andar, em frente a porta de seu quarto.
– Eu não sei do que você tá falando. – Bella respondeu sarcástica e Rafa rolou os olhos.
– Então deixa eu refrescar sua memória, esquentadinha... – Rafa disse com a voz já alterada e chegando perto novamente. Era impressionante como aquela garota o tirava do sério. – Você disse pra Bruna que me odeia.
Bella arregalou os olhos e não conseguiu esconder o espanto e a vergonha que sentiu. Ele não podia ter ouvido aquilo, não podia.
– Rafa, eu... – A garota ia se desculpando, quando parou de falar. – Espera aí! Você anda ouvindo minhas conversas atrás da porta? Ah, só o que faltava! – Isabella reclamou e Rafa riu debochado.
– Vocês estavam berrando, quem passasse a quilômetros daquela cozinha ouviria o que diziam. E do que adianta? Não muda de assunto, Isabella. Você me odeia e eu ouvi isso.
– Eu não te odeio, Rafa. – Bella disse com a voz baixa e olhando para os pés, e Rafael sorriu de canto ao perceber que tinha a deixado desconsertada.
– Então porque você disse que...
– Não sei. Sinceramente eu não sei.
Bella disse o encarando nos olhos e Rafa sorriu. Deu um passo adiante e puxou a garota, apertando-a com força contra seu corpo. Isabella sorriu largamente e envolveu a cintura de Rafa, sentindo o cheirinho bom que o garoto tinha, e sentindo-se incrivelmente bem enquanto ele acariciava seus cabelos devagar. Os dois passaram incontáveis minutos assim, e Rafa deu um longo beijo na bochecha de Isabella, e sem largar sua cintura, encostou a testa na dela.
– Eu sei. – Ele disse baixinho e Bella arqueou a sobrancelha, sem entender absolutamente nada.
– Sabe o que, criatura? – Isabella disse engraçadamente e Rafa riu alto, fazendo com que ela risse junto. Era inevitável.
– Porque você disse que me odeia. Eu tenho uma teoria. – Vitti disse e quando percebeu que a menina ia se manifestar, silenciou seus lábios com um toque suave de seu dedo, fazendo com que ela sentisse a nuca arrepiar sem querer.
– Fala. – Ela disse com os lábios quase colados e Rafa riu de novo.
– Porque, pelo menos pra mim, é muito mais fácil odiar você, do que... – Rafa parou e sorriu, tímido. – Do que gostar de você.
Bella sorriu largamente e sentiu borboletas fazerem festa em seu estômago. Aquilo não estava acontecendo, era tão impossível, tão surreal, tão maravilhoso. Ao ver o lindo sorriso de Rafa se formar em seu rosto, tocou o rosto do garoto devagar e levantou nas pontas dos pés, roçando o nariz no do garoto e o olhando de uma distância tão minúscula que podia se ver refletida no olhar dele. Perfeito. Aquele momento era exatamente isso.
– Você tem razão. – Bella disse baixo, sentindo Rafa levantá-la um pouco pela cintura até que estivessem da mesma altura. – Parece que você leu minha mente. Era exatamente isso que eu queria dizer.
Rafa a puxou pra tão perto que Isabella sentiu que a respiração ia falhar. Respirou fundo e sorriu, beijando a bochecha do garoto.
– Não. – Ela disse, percebendo o que ele iria fazer. – Não agora.
– Por quê? – Rafa perguntou com um olhar fofo e um tanto decepcionado e a garota quase acabou ela mesma com tudo aquilo.
– Muito fácil pra você. – Ela disse e riu da cara confusa de Rafa. – Brigue por mim. Me conquiste. Mostre que você não é como nenhum outro. Eu estou cansada de me dar mal com os garotos. – Bella sorriu de um jeito encantador. – Se você realmente quer, você vai achar um jeito de me fazer acreditar.
Rafa sorriu malicioso e Isabella riu alto. Por mais que quisesse terminar com aquilo agora, aquele desafio lhe parecia mais tentador do que qualquer outro. Bella estalou um beijo perto da boca de Rafa, que sorriu derrotado ao vê-la saindo em direção as escadas.
– Ei! – Rafa disse e Bella virou para trás, olhando em seus olhos.
– O que foi?
– Eu aceito o desafio. Sabe de uma coisa? – Rafa disse encostado na parede e Bella negou, mas sorria – Você vai ser minha, esquentadinha. Pode esperar.
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