Quem eu sou?
8 Eu vou te contar

"Com pequenas palavras, se acalma grandes dores"
— Tanto faz — fala Thiago apático dando os ombros. Continua a subir a escada.
— Há claro você ainda está atrás de um amor de infância- diz Daniel debochando.
— Pelo menos eu sei o que é amor... – fica parado na metade da escada, vira para o irmão, estando sério — E você?
— É claro que eu sei, e faço todos os dias.
— Seu doente estou falando de sentimento não tratar mulheres como lixo- fala irritado, descendo os degraus.
— Há quer falar de tratar mulheres como lixo, então que tal falar sobre matá-las? Como você fez com a sua mãe.
— Beleza vamos falar sobre mãe também, por exemplo, a sua que fugiu com outro homem.
O sangue dos dois começa a ferver já que os assuntos impostos eram pessoais e machucavam lá dentro. Com raiva do irmão, Daniel segura a gola da sua camisa, por outro lado Thiago não faz nada só encarando Daniel com um olhar furioso.
— VOCÊS DOIS... — olham para o lado – Controlem suas bocas e Daniel larga a gola do seu irmão- Frederico fala firme, Daniel faz o que manda.
Thiago arruma sua gola amassada, o pai começa a repreende-los, mas os garotos ignoram o que diz. Thiago ainda com os nervos a flor da pele decide ir para seu quarto escutar musica e se acalmar, quando se vira vê a loira que estava a poucos degraus da metade da escada, a garota estava surpresa com que ouvirá e sua cara de espanto incomodava Thiago. O menino respira fundo começando a subir os degraus numa velocidade razoável.
— Thiago eu...
Agatha tenta dizer algo, mas o garoto passa reto indo em direção ao seu quarto e se trancando nele. Daniel vem logo atrás, obviamente para fazer intriga.
— Surpresa em saber que seu queridinho matou a própria mãe?
A garota o ignora e vai para o primeiro andar. Frederico estava sentado na sala em sua poltrona, sua expressão não era muito boa mostrando que a discussão foi séria. Agatha fica pensando no que dizer, ou se poderia se meter nisso, já que não fazia parte da família, ou algo do tipo.
— Hum senhor Frederico – murmura acanhada.
— Há desculpe não notei que estava ai... – respira fundo – Deve estar preocupada não? – a garota assentia com a cabeça – Meus filhos não perdem tempo de brigar mesmo com você aqui.
— Não tudo bem já entendi que briga entre irmãos faz parte, é que... Sabe sobre o que eles estavam falando parece que me mexeu muito com eles, para falar a verdade estou preocupada com Thiago, desculpe-me por dizer isso, mas quero mais que Daniel vá para o raio que o parta- Frederico solta uma risada.
— Entendo meu filho é do tipo difícil de lidar, depois de tudo que ele fez pedir para você ser legal com ele é injusto, fico feliz que não o tenha matado ainda, em relação ao Thiago não posso falar nada já que respeito seu espaço então acredito que se você quiser saber algo o próprio terá que te dizer- Sorri, um sorriso fragilizado.
Para ser mais claro Frederico estava dizendo para ir falar com ele, faz um sinal para que vá, mas a menina não tinha certeza, já que Thiago trancou-se no quarto porque não queria falar com ninguém, porem ele já a ajudou e seria um bom jeito de retribuir “Quer saber eu vou” pensa determinada. Volta para o segundo andar.
— THIAGO ME DEIXA ENTRAR O QUARTO TAMBEM É MEU... — Leonardo socava a porta, gritando estando sério — ABRE OU EU VOU DERRUBAR.
— Leo – A loira chama sua atenção.
— Dá para acreditar Agatha, quando ele fica deprimido se tranca nessa merda desse quarto e fica com aqueles fones de ouvidos no último volume.. — chuta a porta – Ficar sozinho e triste não faz bem irmão idiota- resmunga, mantendo a mão na porta, estava sem ideias do que fazer. Agatha põe a mão em seu ombro.
— Posso tentar? – pergunta, sorrindo gentilmente.
— Claro e eu vou descer acredito que não vá falar com nos dois ao mesmo tempo.
Concorda, Leonardo vai para o segundo andar. Agatha respira e começa a bater na porta. Thiago estava deitado em sua cama olhando pro teto, mau prestando atenção na musica que estava escutando, começam novamente bater na porta deixando Thiago mais bravo.
— QUE INFERNO LEONARDO, ME DEIXA EM PAZ – grita nervoso, tampando o rosto com o travesseiro.
— Não é o Leo.
— O QUE VOCE QUER?
— Entrar obviamente.
Manda a garota embora, mas a loira insiste. O sons das batidas faziam a cabeça de Thiago estourar, vira para um lado depois para o outro, de raiva joga o travesseiro e a lei da gravidade não perdoa o travesseiro volta caindo bem na cara do garoto, respira fundo e levanta. Abre a porta. Agatha para de bater ao ouvir o som da maçaneta.
— Entra- fala seco.
Joga-se na cama e volta a ouvir música. Em passos curtos, Agatha caminha em sua direção, sentando-se no pé da cama, pensando no que poderia dizer, se está bem? O que poderia fazer? Se pensar bem são perguntas muito idiotas de se fazer, enquanto isso o silencio se estende tanto que se da para ouvir os ruídos vindo do fone.
— Para que você veio aqui? — fala Thiago sério, tirando os fones.
— Falar com você, pois está mal — pensa que isso é o melhor de se falar.
— Como?!- exclama, levanta ficando de costas para loira – Meu pai, Lena, Leo, Gustavo, até Daniel seria mais plausível que você.
— Não estou entendendo – diz confusa, assustando-se levemente com seu jeito.
— É ISSO MESMO, VOCÊ NÃO ENTENDE, NUNCA VAI ENTENDER O SENTIMENTO QUE ESTOU SENTINDO PELA MINHA MÃE.
— Se acalma Thiago- Levanta nervosa.
— Há ta nervosinha? — Mostra um sorriso cínico – SÓ PORQUE EU ESTOU FALANDO É VERDADE, VOCE NUNCA VAI ENTENDER PORQUE... É APENAS UMA COITADA SEM PASSADO.
Thiago nota o que falou, mudando sua expressão irritada para uma mais calma e preocupada, porem quando tenta se desculpar é interrompido por um tapa, um tapa no meio da cara, estralado que deu para ouvir lá de baixo. Todos ficaram preocupados, menos Daniel, que mostrou um sorriso de orelha a orelha. Thiago tocava a parte de seu rosto que estava com uma marca vermelha em forma de mão que ardia e doía ao mesmo tempo.
— Isso é uma coisa que com certeza Daniel diria- fala Agatha, num tom magoado, virando de costas.
— Por favor, não me compare a ele- pede Thiago.
— Então não fale como ele... — Respira e olha para o garoto novamente — Mas você tem razão eu não posso entender, porem não porque sou uma coitada sem passado e sim porque você não explica... – põe as mãos no rosto dele – Desculpa bati muito forte- sorri.
— Não tudo bem... Para falar a verdade mereci isso – fala sem graça, desviando o olhar.
— Então vai me contar, ou prefere que eu vá embora?
— Não, eu vou te contar.
Agatha senta-se na cama, Thiago antes de tudo vai até seu guarda roupa e da gaveta tira alguma coisa, era uma foto, mais precisamente uma foto de perfil de uma bela mulher, seu cabelo negro está amarrado por uma chiquinha de renda, usa um óculos de armação fina, olhos verdes escuros e pele bem clara, mostra a foto para loira.
— Nossa que linda- fala encantada.
— É minha mãe- Thiago senta ao seu lado.
— Imaginei você é a forma masculina dela...- dá risada – Quero dizer vocês dois.
— Sim- fala num tom fraco.
— Desculpa, estou falando demais, pode começar.
Thiago começa a explicar, no dia do parto dos gêmeos, sua mãe estava tendo dificuldades, então consegue ter primeiramente Leo (é por isso vocês não esperavam, o mais desnaturado nasceu primeiro), mas logo os médicos avisaram se ela tivesse o segundo poderia morrer, bom muito antes de Fernanda, nome dela, encontrar o homem da sua vida, teve um aborto, pois era muito nova e não queria ter um bebe.
Porem isso veio ter conseqüências agora, prejudicada por causa daquilo teria dificuldade em ter outro filho, imagine dois ao mesmo tempo, Frederico até cogitou em ela não ter, mas a mulher olhou para seu marido e apertou sua mão com a maior determinação – Não vou cometer o mesmo erro, quero que... Thiago nasça e viva feliz com seus irmãos, que os dois cresçam felizes e diga que os amo muito meu amor- Mesmo com dor no coração Frederico respeita a escolha de sua mulher.
Então foi a vez de Thiago, depois disso levam as duas crianças para mãe segurar, chorava e sorria ao mesmo tempo – Desculpem-me talvez eu não fique aqui para vê-los crescer- levam os bebes para maternidade do hospital. Frederico vai lá para ver seus filhos, Thiago e Leonardo a princípio estavam bem calmos, mas começam a chorar de repente, enquanto isso uma das enfermeiras vem até ele querendo dar uma noticia, pena que não era boa, sua mulher tinha morrido pouco tempo depois de ter pego as crianças no colo.
— E foi isso, essa é a desgraça da minha vida- fala Thiago.
— Não entendo...
— Imaginei.
— Não é isso, é que mesmo sabendo de tudo isso você ainda ache que matou sua mãe.
— Mesmo vocês não querendo aceitar... – levanta – Essa é a verdade.
— Não... – levanta também, aumentando seu tom de voz — Foi escolha da sua mãe, ela queria que você nascesse e crescesse feliz, sabe Thiago desculpe-me dizer isso... Mas você está desrespeitando sua mãe.
— O que? – fala confuso e indignado.
— Você está a desrespeitando... — fala firme – Ela lutou para te ter, ela quis isso, em troca você fala que a matou, não sei como exatamente é amor de mãe, mas aposto que deve estar chorando no céu agora.
Thiago fica sem reação, pois não sabia o que fazer, se chorava, ou falava algo – Alem do mais – o abraça – Se você não tivesse nascido, talvez Leo não seria um desnaturado e mandado Lena sair naquele dia, nem consigo pensar aonde estaria- Os olhos de Thiago brilham por causa das lagrimas que queriam sair, descansa sua cabeça no ombro da loira, ficam assim por um tempo, quando a loira vai se afastar, Thiago a abraça pela cintura a impedindo e finalmente diz algo – É parece que valeu a pena eu nascer então, principalmente na parte de conhecer você – fala sorrindo, Agatha acaba ficando um pouco corada (Agora vai *-* — ajudante).
— Eu sei que isso não tem nada haver com o assunto, mas posso ter dizer o que quero de aniversario?
— Cla... Claro – diz nervosa.
— Tem certeza? Só você poderá me dar isso.
— Tenho Thiago, fala logo estou curiosa.
— Ok então – pensa um pouco – Mas hoje estou impaciente vou pegar ele logo.
— O que?
Sorri, o rosto corado e curioso da garota o deixava com mais vontade, põe a mão no rosto da loira depois encaminha para seu queixo, Agatha se toca no que estava acontecendo a deixando mais envergonhada, mas não tinha vontade de pará-lo, sendo mais clara queria também, fecha os olhos com a intuição de dar seu presente, acaba surpreendendo Thiago, que fica vermelho também (*-* vou explodir de tanta fofura- ajudante), vai se aproximando cada vez mais.
Poucos Minutos antes...
— Parece que eu não sou o único a conseguir irritar a loira ao ponto de ela dar um tapa na cara – Daniel fala jogado no sofá.
— Cala boca Daniel... – Diz Leo irritado – Que merda o Thiago deve ter dito?
— Nem imagino...- fala Frederico sentado em sua poltrona – E não use esse palavreado Lena está aqui.
— Espero que eles não briguem mais do que isso – Diz Lena com as mão juntas rezando por isso.
— Não se preocupe Lena aposto que vão se acertar logo- Gustavo acaricia a cabeça da irmã.
Todos ficam em silencio, e não se escutava nada. Leonardo já não estava se agüentando (vai sair do modo responsável já, já, mas é assim que o povo gosta- autora), queria subir e dá uns cascudos no irmão. Ficam esperando por um tempo e o silencio continua, Leo decide não ficaria mais ali, sobe correndo, todo mundo(menos Daniel) tenta impedi-lo, vai direto para seu quarto e entra derrubando a porta. Agatha e Thiago desgrudam-se na hora, e ficam de costas para não mostrar seus rostos corados (não o beijo T-T- ajudante) ( *risada Maligna*- autora).
— Thiago – ele pula no irmão.
— Thithi – Lena vem atrás.
Os dois o abraçam, Thiago pega a Irma no colo enquanto Leo dá cascudos em sua cabeça. Gustavo e Frederico entram no quarto. Daniel, que so subiu para ver o que iria acontecer, fica na porta. Thiago pede desculpa pelo susto que deu em todo mundo. Começam a dar risada. Daniel olhava enojado, não entendendo aquilo passar tão rápido. Vai para seu quarto, pois não queria ver aquela felicidade gratuita.
Lena vê o irmão saindo da porta, como os outros também estava brava com ele, mesmo assim estava preocupada. Vai atrás de Daniel, o mesmo não fecha a porta e se joga em sua cama, logo aparece Lena.
— DanDan- Lena o chama – Posso entrar?
— Não.
— Ok – ela entra – DanDan você está bem?
— Vai embora pirralha, vai ficar paparicando o Thiago.
— Deveria mesmo...- se aproxima- Thiago também disse uma coisa que te machucou muito, mas foi só porque você disse aquilo.
— Não to afim de ouvir sermão de uma anã de 7 anos.
— Não vim para te dar sermão, vim porque estou preocupada com você DanDan- fala fazendo bico.
Daniel bufa, se senta na cama na frente da irmãzinha, segura suas bochechas e começa a esticá-las.
— Para de me chamar por esse apelido idiota pirralha.
— Dandan isso dói- fala estranho.
Estica mais as bochechas da menina, mas depois solta, Lena faz um bico enorme enquanto massageia suas bochechas, Daniel acaba rindo disso, porem era uma risada diferente, nem cínica, nem idiota, mas sim alegre e confortante. Na porta, escondido, Frederico observava tudo. Sorri e balança a cabeça negativamente “ Se agisse mais vezes assim com as pessoas que nem faz com Lena seria uma pessoa melhor meu filho” pensa.
Vai para sala, lá vê Thiago, Gustavo e Leonardo conversando, passa reto. Vai direto para cozinha encontrando Agatha que bebia um copo de água, nota sua presença, o cumprimenta com um sorriso frouxo, ao notar isso pergunta se estava bem – Sim só estou com um pouco de vontade de chorar – Fala tirando seu sorriso do rosto, voltando mostrar sua expressão comum sem vida, Frederico sorri pondo a mão no ombro da garota.
— Aguentou firme não?- a garrota assentia.
— Imaginei que chorar não seria a solução.
— As vezes não.
— Falando nisso, e o senhor? isso tudo deve ter trazido lembranças horríveis.
— Trouxe, mas não é nada que não possa suportar.
— Imagino... Agora eu me sinto tão fraca perto de vocês, pois parece que perdi as memórias por causa de um trauma e vocês se matem forte, tento ser forte porem meu verdadeiro eu deve ser tão fraco quanto papel.
— Do que eu vi até agora, não acho que seja uma menina fraca.
— O eu de agora pode ser assim, a Agatha pode ser assim, mas... Esqueça estou pensando demais estou fazendo drama de uma coisa que nem faz sentido, temos que focar em Thiago- Fala cerrando os punhos fazendo uma cara determinada.
Frederico sorri com sua determinação, então os dois a voltam para sala.
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