Notas iniciais
Todo mundo tem um dia dos sonhos, aquele dia que foi planejado, organizado mas que infelizmente quando chega o tal dia esperado tudo dar errado, mas não pela parte da sua organização, ou do seu planejamento, mas pela parte do destino estar conspirando contra você, e aquele dia que seria perfeito, aquele dia tão aguardado acaba sendo o pior dia da sua vida. Com várias revelações dos seus ditos amigos, Alice passa a encarar a nova realidade da sua vida.

Olá, eu me chamo Alice e pra que você entenda a minha história terei que voltar no tempo, exatamente quando eu tinha 14 anos e namorava o Léo, amor de infância sabe?! Ele chegou na minha vida quando eu tinha apenas 7 anos, era meu vizinho e estudava comigo, nós só andávamos juntos, perdi o meu bv com ele em uma daquelas brincadeiras bobas de criança e quando eu tinha 14 anos ele me pediu em namoro, me lembro como se fosse ontem, ele deixou uma de papel em cima da minha mesa, ele sabia fazer cada rosa de papel uma mais linda que a outra, e toda vez que ele me deixava uma rosa eu tinha que abri-lá, pois sempre tinha um poema escrito, fiz como de costume, abri e me deparei com um: você quer namorar comigo? E eu sorrindo sai da minha sala e fui de encontro a ele que estava na cantina encostado na pilastra ao lado do Matheus, da Amanda e do Joca, todos com aquelas caras de que já sabiam de tudo. Abri um sorriso enorme ao avista-ló e fui gritando até ele: sim sim sim sim, e quando o abracei sussurrei em seu ouvido: sim meu amor. Então a partir deste dia, estávamos namorando.
Bom, uma coisa que preciso deixar bem claro pra vocês, eu sou uma garota normal, consideravelmente bonita, cabelos castanho escuro na altura do meio das costas, possuo 1.65 de altura, tenho um corpo normal com peitos e bunda proporcional ao meu tamanho, sou classe média e nunca precisei de nada ou sofri bullying na escola, era até uma das mais inteligentes, porém como faço amizade muito fácil ninguém nunca me fez nada. Estou deixando isso claro porque não tem uma desculpa pra o que estar por vim, se fiz eu fiz porque eu quis e assumo meus atos, espero que quando você acabar de ler não me julgue.
Voltando ao meu relacionamento com o Léo, tínhamos um namoro perfeito, nem brigávamos muito, só o saudável para uma relação. Quando fiz 15 anos minha mãe resolveu fazer uma mega festa com tudo que se tinha direito e o Léo seria meu príncipe é claro, já que ele é meu namorado.
Usei um vestido rosa longo tomara que caia bem rodado, meus cabelos estavam soltos com cachos bem definidos nas pontas, usei um salto alto preto e sinceramente eu estava linda, os detalhes de pedraria do vestido estavam sensacionais, mas isso não vem ao caso. Na festa o Léo perguntou se eu estava preparada, já que estávamos juntos a um ano e eu ainda era virgem, e ele também, mas vocês sabem como são os homens né?! Porém eu ainda não estava preparada e foi o que eu disse, que ainda não estava pronta e então ele falou que queria me dá um presente e se eu confiava nele era pra fechar os olhos, e então eu fechei e ele colocou um remédio em minha boca e sussurrou em meu ouvido: chupe como bala. Foi o que fiz. Vocês devem achar que eu sou louca né?! Chupo um remédio e nem pergunto o que é, mas eu confio ou confiava plenamente no Léo e sinceramente foi uma das melhores sensações da minha vida! Eu costumava beber com o Léo até ficarmos altinhos com aquela vontade de uma preliminar mais quente, mas aquilo ali era algo de outro mundo. Eu quis dançar, dançar, dançar tanto, mas logo depois eu queria levar o Léo pro banheiro, na verdade eu não estava me importando com que lugar eu o levaria, eu apenas queria fazer e acho que vocês sabem o que eu queria fazer no fim das contas, mas o problema chega agora, eu não achei o Léo, ele saiu pra buscar água pra mim justamente na hora que me deu vontade, eu estava tão louca que fui para o banheiro pra me masturbar. Vocês não imaginam a situação em que eu estava, não me aguentava de tanta vontade, eu queria e tinha que ser naquele momento.
Quando cheguei no banheiro me deparei com a Bruna que estava chorando em um dos box, como eu sei? Reconheço aquele choro baixinho, apesar de não sermos amigas hoje, já fomos muito amigas quando eu era mais nova, se você me perguntar por que paramos de nos falar eu vou dizer que não sei e não sei mesmo, mas voltando a ela eu bati na porta do banheiro e falei baixinho: Bru sou eu Alice o que aconteceu? E pra minha surpresa ela não respondeu, nessa hora a vontade que eu estava já tinha meio que passado, porém voltei com a vontade de dançar loucamente, eu estava dançando com a porta do banheiro já, então eu resolvi voltar pra pista de dança e falei pra Bruna: olha eu estou indo dançar, caso você precise de algo ou queira que eu fique é só falar. E então quando eu estava prestes a sair do banheiro ela me puxou pelo braço e disse: espera!
Então eu vi seus olhos vermelhos e um pouco inchados, sabia que ela estava chorando e com aquilo apenas tive a certeza. Quis abraçá-la, mas a gente não se falava à tantos anos que eu achei meio que uma invasão trazê-la pros meus braços e ficar em silêncio, apenas ouvindo seus soluços como eu sempre fiz; eu simplesmente fiquei ali quieta olhando pra ela e queria que aquele momento durasse um pouco mais, mas aí aquela burra começou a me bater e me chamar de drogada gritando que minhas pupilas estavam dilatadas. Eu sei que eu não estava no meu estado normal, mas aquela vagabunda precisava me chamar de drogada? Naquele momento eu tinha perdido a vontade de dançar, perdi o meu tesão, só tinha vontade de fazê-la calar a merda daquela boca, e foi o que eu fiz até agora eu não entendo muito bem o que eu fiz, puxei ela pelos braços com força e praticamente joguei ela na parede e aos gritos eu disse: CALA A SUA BOCA, NÃO SOU DROGADA, NÃO SOU COMO VOCÊ! E no momento de pura raiva acabei dando um tapa no rosto dela que logo em seguida veio pra cima de mim me dando tapas e gritando que ela não usava mais drogas.
É, a Bruna já usou drogas, foi uma fase da sua vida em que tudo estava ruim o pai dela tinha abandonando ela e a mãe que mal tinha o que comer em casa, minha mãe ajudou e tal só que elas passaram por necessidade e a mãe da Bruna fez uma coisa que não se faz com uma filha.
A Bruna tinha me dado tantos tapas que meus braços estavam vermelhos, meu rosto só não estava assim porque eu estava me defendendo com os braços, ela tem uma mão bem pesada, finalmente a raiva dela passou e ela parou de me bater, então eu perguntei o que ela estava fazendo no meu aniversário já que ela tinha parado de falar comigo e então a resposta foi surpreendente, ela me disse: preciso fazer uma coisa, a única que eu considero que faça um sentido em minha vida. E eu sem entender nada perguntei: o que? E sem esperar ela me beijou, um beijo de língua, um beijo calmo como se não tivesse acontecido todo aquele ataque de raiva. É ela me beijou e eu nunca tinha beijado uma menina e por mais estranho que pareça eu continuei os primeiros minutos e depois parei, empurrei ela chamando-a de louca e sai daquele banheiro sem olhar pra trás, como pode a Bruna minha amiga, minha ex-amiga, minha ex-amiga de infância me falar aquilo e me beijar, ela some da minha vida e aparece me beijando? E desde quando ela é lésbica? Nossa, eu preciso achar o Léo, perdi a noção de quanto tempo fiquei no banheiro com aquela louca, meu namorado deve estar me procurando como um maluco. Eu sai atras do Léo, as pessoas falavam comigo eu parava pra beija-las e sempre perguntando sobre o Léo, e então eu lembrei que ele tinha comentado com a minha amiga a Amanda, a mesma que estava presente quando eu respondi que aceitava namorar com ele, que tinha preparado um lugarzinho nos fundos com vista pro mar, já que ele achava que na minha festa de 15 anos eu estaria preparada, bem no meio da minha festa, sem noção o meu namorado só que isso não vem ao caso.
Eu me livrei daquelas pessoas, consegui sair a francesa e fui caminhando até os fundos e uau aquela vista era maravilhosa, fui me aproximando mais e vi que ali tinha uma pessoa, eu sou míope e estava sem óculos, então eu não sabia quem era, mas imaginava que fosse o Léo, quanto mais eu me aproximava eu percebia que não era só uma pessoa, eram duas pessoas e elas estavam se pegando eu choquei né e como sou muito curiosa quis saber quem era, fui me aproximando escondida e não acreditei no que vi, era meu namorado, o meu Léo com o Matheus, é isso mesmo que você leu, meu namorado estava pegando o Matheus o cara que anda conosco no colégio, e não era um beijinho, o Matheus já estava sem calça e o Léo sem camisa com aquele abdome começando a ficar definido roçava o mesmo do abdome do Matheus enquanto acariciava o pênis do mesmo por cima da cueca, eu não queria acreditar naquilo que vi, aquela cena, aquele beijo tão quente; ele disse que tinha preparado tudo aquilo pra mim, ele estava me traindo e pelo que vi provavelmente até a virgindade ali ele iria perder. Mas sabe o que é pior? Não senti raiva, não quis chorar, não sei se ainda era o efeito daquilo que ele tinha me dado, mas eu não senti absolutamente nada, simplesmente sai dali e voltei para a festa, me bati com a Amanda e ainda sem acreditar puxei-a e sussurrei no seu ouvido: o meu Léo está beijando o Matheus. Ela virou pra mim rindo e disse: você só descobriu agora? Eu fiquei mais chocada ainda com a reação dela, ela sabia, todo mundo sabia, menos eu.

Como pude ser tão burra e não percebi o que estava na minha frente o tempo todo? O Matheus andava com a gente, mas ele não tinha os três jeitos nem nada, até aparecia com umas namoradinhas, e o Léo?! Meu Deus, o meu namorado é gay e provavelmente estava só me usando pra esconder as aparências. Quer saber de uma?! Eu não vou ficar aqui imaginando mil e uma coisas, eu vou é curtir porque o dia é meu, é minha noite de brilhar e comemorar mais um ano de vida. Pra afastar esses pensamentos sobre o meu namorado, que já nem sei mais o que ele era meu, peguei uma garrafa de vodka do bar escondida e saí daquele ambiente nojento, com aquelas pessoas falsas. Depois do que a Amanda me falou eu já não sabia mais distinguir quem era meu amigo, quem era ou não verdadeiro comigo ali, eles estavam me dando nojo.

Ao sair da discoteca me bati com a Bruna, que percebeu que eu escondia algo, ela perguntou se estava tudo bem e eu meio grossa falei: me deixa, eu cansei de vocês, todos vocês sendo gays e eu sendo a última a saber, me deixa, por favor. E sai dali com tanta raiva que nem olhei pra trás e sinceramente eu queria que naquele momento, somente naquele instante ela me esquecesse, todos me esquecessem. Não queria pensar no beijo que ela me deu, nem no beijo que o meu namorado dava no meu amigo, no cara que eu considerava um dos meus melhores amigos, eu simplesmente queria beber pra esquecer, a verdade é essa.

Então eu achei um canto, uma varanda com a vista para o nada, o lugar menos privilegiado do salão de festas inteiro, e como não tinha privilegio de vista ou algo parecido, sabia que ninguém estaria ali. Me sentei no chão e comecei a beber, meu vestido já estava podre, mas sinceramente?! Eu não estava ligando mais pra nada. Entre um gole e outro, depois de já ter consumido quase metade da garrafa ouvi alguns barulhos, eu achava que o local estaria sem ninguém, porém esqueci de verificar isso. Não queria que ninguém me visse ali, não queria responder a perguntas, eu queria fingir que eu estava na festa curtindo e meus amigos não lembram de ter me visto por estarem bêbados demais, ou inventar uma desculpa que eu estava passando mal, qualquer coisa menos responder o porquê eu estava com uma garrafa de vodka em um canto escondido e com o vestido podre, eu sequer tinha trocado o vestido da valsa por um vestido de balada, tudo tinha acontecido de forma tão louca que as horas passavam e parecia que tinha passado apenas minutos. Levantei com certa dificuldade por já estar meio bêbada, fui me apoiando na parede até sair dali, tentando ao máximo não fazer barulho. Pra minha surpresa a Bruna estava ali, na verdade ela estava ali o tempo todo, mas eu estava tão estressada que eu simplesmente não reparei em nada. Quando ela veio pra me ajudar a sair daquele lugar, ela não brigou por eu estar bêbada ou perguntou o motivo, ela simplesmente passou meu braço pelos seus ombros e me ajudou sem falar absolutamente nada, me levou para o jardim, trouxe um copo de refrigerante e água pra tentar tirar o efeito do álcool. Bebi a água bem devagar, minha cabeça não parava, vários pensamentos, várias perguntas, eu já não aguentava mais, eu precisava saber e então após minutos fitando ela com os olhos perguntei: por que você me beijou? Vi que ela estava sem graça e que provavelmente não queria falar sobre aquilo, mas pra minha surpresa ela me respondeu, ela se sentou do meu lado e olhando nos meus olhos falou: Alice, eu me afastei de ti por não aguentar mais querer ficar contigo por achar que beijar meninas era algo errado e por você ser a única pessoa que me conhece de verdade, achei que mesmo que você ficasse comigo, você jamais iria me querer pra algo sério, por saber de tudo que passei e saber das coisas que fui obrigada a fazer.

Ela deu uma pausa, respirou fundo e nesse momento eu já não conseguia mais olhar em seus olhos, então ela voltou a falar: Você sempre esteve comigo, sempre me ajudou, brigou com todos por mim enquanto eu sentia um desejo enorme de te tornar minha, mas ao mesmo tempo eu sentia que não podia, que eu não podia te pedir isso, fui covarde por me afastar, porém eu achei que isso fosse o melhor para nós, seria menos doloroso se afastar do que te perder porque eu simplesmente te agarrei e te beijei, e hoje eu te beijei por não ter mais nada a perder, eu sei que você namora e o que eu fiz foi errado, mas foi meu ato desesperado eu já não aguentava mais pensar em você, sinto sua falta, mas ao mesmo tempo não quero ter desejos por ti sendo sua amiga.

Após tudo aquilo que ouvi perdi o chão, não sabia o que responder, mordi o canto da boca, levantei o meu olhar até o dela e falei: Bruna, o que você fez me machucou muito, você simplesmente se afastou de mim sem me falar nada, nem uma mentira qualquer, você simplesmente partiu, ai volta me beijando, não seria mais fácil se você tivesse me contado? E pode ficar tranquila eu não namoro mais. Abri um sorriso forçado quando falei isso, levantei pra ir embora, tentar voltar para o resto da minha festa e então ela falou: e se eu tivesse dito Alice? Você ficaria comigo? Virei pra ela e respondi: Se você tivesse dito as coisas não seriam como são hoje, eu não sei o que eu faria, não posso te dizer que sim eu ficaria com você, mas também não poderia dizer que não ficaria Bruna.

Como sempre, saí dali sem olhar a reação dela, o que eu falei não foi por estar bêbada nem nada eu simplesmente fui sincera, não queria ver sua reação por não querer pensar em mais nada no fim daquela noite, então eu finalmente voltei pra minha festa e vi que todos tinham curtido, e sequer tinham sentido minha falta. Deitei em três pufes que estavam lado a lado e fiquei curtindo a música, pela primeira vez na noite inteira eu queria que aquilo chegasse a um fim, eu precisava, mas querer não é poder, mal fiquei deitada por uns minutos e o Léo apareceu desesperado, se ajoelhou do meu lado e falou que podia me explicar, provavelmente a Amanda tinha contado que eu já sabia de tudo, que tinha pego ele no flagra. Sentei em um dos pufes e comecei a rir, olhei bem pra seu rosto, observei a vergonha em seu olhar, aproximei a boca do seu ouvido e falei bem devagar pra que ele entendesse tudo que eu dissesse: me esqueça Leonardo, você me usou, me decepcionou, me traiu na minha própria festa e agora eu não quero saber de absolutamente nada que venha de você, pois se bem te conheço você só esta vindo falar comigo porque a Amanda te contou tudo, se não você provavelmente teria terminado de chupar o pênis do Matheus e estaria me beijando e com a cara mais lavada do mundo diria que me procurou a festa inteira e que eu sumi. Vi que ele ficou espantado, mas não com o que eu disse, não com a parte que eu estava decepcionada, mas com a parte do boquete, ele apenas me perguntou se eu tinha visto até essa parte, pois ele achava que eu tinha ido embora apenas quando vi o beijo, aaah eu não me aguentei com essa pergunta, o ódio subiu pela minha cabeça, levantei com raiva e meti a mão bem no meio do seu rosto ficando meus quatro dedos marcados naquele rosto que agora eu tinha nojo, logo depois eu gritei sem me importar com quem pudesse ouvir: EU NÃO SABIA QUE VOCÊ TINHA FEITO UM BOQUETE NO MATHEUS, EU APENAS MEU DEUS, VOCÊ É GAY LEONARDO, VOCÊ É GAY! Saí dali, eu não aguentava mais, fui até minha mãe dizendo que estava muito cansada que não aguentava mais, não deixei que ela percebesse que eu tinha bebido, chorado e que estava podre. Minha mãe não me perguntou nada, como de costume, apenas pediu pra que o amigo dela me levasse em casa, e foi assim que acabou minha terrível festa de 15 anos, eu indo pra casa enquanto todos curtiam por mim, mas infelizmente esse dia terrível não acaba ai, tem muito mais por vim.

Notas finais
Essa história não possui vitimas, não possui vilões. Possui jovens que estão conhecendo o mundo e que infelizmente partem alguns corações pra seguir sua própria natureza.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.