Quem deu permissão para abraçar-me?!
13 O beijo
Notas iniciais
(...)
— Eu queria saber se você sairia comigo... Vai ter um pequeno show de uma banda local no sábado e... -ela mexia nas pontas de seus cabelos curtos e enrolados.
— Tudo bem. -falei sem interesse.
— Sério? Que ótimo! -sorriu, seus olhos azuis brilhando.
Os olhos azuis da Alice eram muito claros, talvez mais claros até que os olhos azuis da Grace... E essa sua mania de mexer no cabelo toda hora já estava me dando nos nervos.
— Podemos nos falar depois? Estou um pouco ocupado agora... -desconversei.
(...)
— Estou com fome. Peça uma pizza, ok?
— Não. Peça você. Ah. E pague por ela também. -já estava subindo as escadas, indo para o quarto.
— Tyler! -a encarei- Por favor. -fez bico.
— Não.
— Eu faço qualquer coisa. Por favor. -fez cara pidona de novo.
— Ok. -suspirei.
Droga! Ela sempre conseguia tudo comigo!
(...)
— Sabe... -começou- O Martin me beijou. -falou sem me encarar.
— O que? -pisquei algumas vezes.
— Não me faça repetir. Eu sei que você vai sair com aquela garota. -me encarou, parecendo irritada.
(...)
— Sei lá. Percebi agora que estava com vontade.
— De?
— Beijar.
— Oi? -ficou vermelha.
— Beijar. Você.
Levei uma de minhas mãos até a nuca dela, quase a segurando pelos cabelos e a outra segurava sua cintura. Ela arfava.
Eu já não sabia mais o que estava fazendo. Só... Queria fazer.
— Não me mate por isso. -sorri.
(...)
Aproximei nossos lábios com rapidez, ansiando por aquele momento.
Mas que merda estava acontecendo comigo?
(...)
— Isso foi um beijo? -o encarei, meio sem jeito.
— Não. Só um roçar de lábios. -sorriu de canto.
— Não use o que eu falei contra mim.
— Vai me odiar se eu realmente te beijar?
— Hum... Não sei. Por quê não tenta e descobre?
Tive uma súbita vontade de engolir tudo o que eu disse. Senhor! Eu não sou assim! Pareço uma oferecida desse jeito.
— Err... Não foi bem isso que eu quis dizer e...
— Tarde demais.
O loiro me puxou com força e colou nossos lábios novamente. Levei alguns segundos para reagir e fechar os olhos. O que há de mal em aproveitar, hein?!
Senti ele prender meu lábio inferior entre os dentes e abri a boca para reclamar. Grande erro. Ele invadiu minha boca com sua língua e a única coisa que eu consegui foi ficar estática no meu lugar, sentindo aquela língua masculina cheia de saliva explorar minha boca até encontrar a minha própria.
A única coisa que eu pensei. Que nojo. Aquilo era nojento. Um beijo de aproximadamente meia hora equivale a um copo de saliva, ou seja, eu só estava engolindo a saliva alheia.
Ele me prensou contra seu corpo e afundou mais sua língua na minha garganta. É, estou exagerando, mas daqui a pouco eu me engasgo!
Timidamente comecei a correspondê-lo, enlaçando sua língua com a minha. Ou virse versa, nem sei. E tentei acompanhar seu ritmo lento com a boca. Não sabia se respirava durante o beijo ou prendia a respiração, mas meu fôlego já estava acabando, de qualquer forma.
Puxei seus cabelos com força, o afastando de mim.
— E é assim que se beija. -sorriu de canto e piscou para mim.
Sinto que eu abri a boca diversas vezes, tentando pronunciar algo, mas o máximo que consegui foi ficar ainda mais vermelha de constrangimento.
— Está com vergonha? -afastou-se um pouco de mim, me encarando, e começou a sorrir.
— Não vejo graça. -resmunguei e o empurrei, desviando o seu olhar de mim.
Ele caiu para trás. Na verdade, deitou, apoiado no chão pelos cotovelos e olhando despreocupadamente para o teto.
— Ei Grace.
— Oi? -ele não me olhava.
— O que você faria se eu... -me encarou- Nada não.
— O quê? Não pare no meio de uma frase. Diga logo o que é!
Ele se sentou rapidamente e me puxou para perto. Claro que eu me assustei e dei um gritinho, mas não consegui olhá-lo nos olhos.
— Olhe para mim, Grace.
— Não.
— Você quer saber o que eu tinha a dizer, ou não?
Droga. Droga. Droga. Maldita curiosidade humana. Não olhe, Grace, resista à tentação. Não olhe. Não olhe. Não...
— O que era? -encarei aqueles olhos verdes profundos.
— Você gosta de mim?
Pisquei várias vezes.
Oi?
Como assim?
— Is- Isso não é pergunta que se faça. E q- que eu saiba, o único que ia dizer alguma coisa aqui, era você. -desconversei.
— Isso foi um não? Ah... Então esquece. -soltou um riso nervoso e encarou a parede.
— O que? Mas...
— Posso te beijar de novo? -me encarou, estreitando os olhos.
— Ah. Sei lá... -me senti um pouco constrangida.
— Isso foi um sim.
— Não foi uma pergunta.
— Não mesmo.
Ele segurou meus pulsos, apoiando meus punhos fechados no chão, paralelos ao meu corpo. Pois é, não sei como, mas viemos parar aqui no chão, minhas costas apoiadas na base do sofá.
— Tyler o q...
Ele avançou sobre mim novamente. Mas, diferente da primeira vez, ele foi bruto, faltava arrancar meus lábios com seus movimentos ferozes.
Senti seu cabelo roçando no meu rosto e senti vontade de tocá-lo, mas eu estava presa. Forcei um pouco e o Tyler apertou ainda mais meus pulsos, então, quando ele pareceu perceber que eu não sairia dali -o que eu, incrivelmente, não queria-, ele me soltou.
Agarrei seus cabelos da nuca com ambas as mãos, rodeando seu pescoço com os braços e ele rodeou minha cintura, me apertando contra si.
Na boa, Tyler, já estava ficando um pouco doloroso para mim.
Fiquei agoniada com minha falta de ar e acabei puxando seus cabelos com muita força.
Sério. Ele gemeu. De dor, claro.
— Estou sem ar. -sussurrei.
Ele me deitou no chão e subiu em cima de mim, enfiando uma de suas pernas entre as minhas, e beijando meu pescoço.
Sua respiração em contato com minha pele estava me arrepiando.
— Hmm... Tyler...
Um toque chamou nossa atenção. Nos encaramos assustados e meu rosto ficou quente.
O Tyler só suspirou pesadamente e saiu de cima de mim, indo atrás do aparelho, enquanto eu ficava ali, atordoada com tudo o que estava acontecendo.
Não era pra isso ter acontecido! Agora não vou conseguir nem encará-lo! Droga. Isso foi excitantemente bom! Meu interior ainda está revirando.
Ai. Que. Merda.
Grande merda! Não! Não goste dele, coração, por favor! Não se apaixone só por que ele foi seu primeiro.
Eu imploro, meus sentimentos, não se apaixonem por ele!
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