Quem deu permissão para abraçar-me?!
4 Escrotamente irritante/ Presidente?
Notas iniciais
Acordei sentindo um frio do caramba. Que merda! Eu jurava ter ligado o aquecedor noite passada... Pera aí...
–Me devolve! -me levantei num pulo, toda descabelada.
–Vai se atrasar assim. -o cara de pau riu.
–Como entrou aqui? -cruzei os braços.
–Chaves reservas. -se sentou na cama.
–Sempre prevenido. -falei irônica.
–6:30, caso queira saber.
–Mentira! -gritei.
–Sério. -se levantou.
–SAI! -apontei para a porta.
–Ok. Só não se atrase. -saiu rindo.
Entrei no banheiro parecendo um furacão. Não, eu não tomei banho. Podem me achar nojenta, mas não sou, só tenho muito frio e pouco tempo para me arrumar. Fiz minha higiene pessoal às pressas, vesti a primeira calça que eu encontrei, a blusa da farda, jaqueta, tênis, gorro e cachecol.
–Que frio todo é esse? -o demônio loiro perguntou.
–O meu, e não enche que eu to atrasada. -peguei dois pacotes de bolacha e um de cheetos e enfiei na mochila.
–Pode entrar com calça vermelha? -apontou para minha calça.
–Claro que pode. -dei de ombros.
–Só vai comer essas porcarias?
–Aham. Agora tchau porque chegar atrasada no primeiro dia de aula não dá né. -sai desembestada no meio da rua.
Cinco minutos correndo e cheguei no colégio, que bom que é perto de casa. Oh coisa boa. Ironia legal.
–7:08. É, nem tão atrasada assim. -suspirei e, dessa vez, andei até a sala de aula.
–Bom dia. -me cumprimentaram.
–Ah... Bom dia. -respondi.
–Presidente! -gritaram.
–O que?
–Bom dia. -algumas garotas falaram e saíram correndo.
–Povo doido. -dei de ombros e fui até uma carteira qualquer na fila da parede.
Um baque na minha carteira chamou minha atenção. Olhei.
–Ah, você. -revirei os olhos e cruzei os braços.
–Como assim: “Ah, você”. Escute bem... -apontou o dedo na minha cara.
–Muito chato. -apoiei meu cotovelo na mesa deitei minha cabeça no meu punho.
–Como presidente do conselho estudantil... -começou.
–Deveria ser mais responsável para chegar mais cedo e apresentável, pelo menos... -continuei.
–Alem desse ninho de rato que chama de cabelo, olha só o estado disso! -complementou.
–Você REALMENTE não cansa, não é? -encarei o escroto na minha frente.
–Não. -ajeitou os óculos.
–Querido vice presidente... -comecei irônica- por gentileza vá cuidar da SUA vida.
–Ora sua... ainda vou ser o presidente. -saiu pisando duro.
–Que idiota. -gargalhei.
Edward-escroto, quer dizer... Edward ‘não tão escroto assim’ era o vice-presidente do conselho estudantil e vive implicando com minha bela e boa pessoa. Garoto maldito. Pedra no meu sapato.
Quanto ao fato de eu ser a inviolável -só que não- presidente do conselho estudantil... bom, aí já é outra história.
–Sentados. -a professora entrou na sala de aula.
–Grace e Edward, o diretor solicita vossas presenças. -falou rindo.
–Ok. -tirei o cachecol e pus dentro da mochila.
–Problemática. -me cutucou.
Estávamos a caminho da diretoria, andando lado a lado.
–Escroto. -o cutuquei de volta.
–Não sou, pode me chamar de presidente. -falou.
–Só se for num futuro bem distante. -ri da cara de bunda que ele fez.
–Vamos, sem brigas. -um ser de outro mundo colocou a mão em meu ombro.
–AAAAAHHHHHH! -gritamos todos juntos.
–Diretor! -eu e o escroto gritamos juntos.
–Desculpem crianças. -sorriu amarelo- Entrem. -nos empurrou para dentro.
–O que queria? -perguntei.
–Direta como sempre, não é? -riu- Sentem-se.
–Pode falar diretor. -lambidinho falou.
–Já estamos no segundo semestre não é mesmo? Ah, que nostalgia. -falou.
–Diretor.
–Grace má. -o velhote falou.
–Disponha. -ri.
–Bom, a escola está planejando fazer uma viagem e como são do conselho estudantil é tarefa de vocês organizarem tudo. -falou.
–O QUÊ? -gritamos juntos.
–Como assim nosso dever? Você só está querendo jogar toda a responsabilidade pra cima da gente, não é? -me inclinei sobre sua mesa e apontei o dedo em sua cara.
–Não é. -fez um biquinho horrível.
–Diretor! -o repreendi.
–Tá bem, tá bem. Saibam que isso valerá pontos na média. -nos encarou com um sorriso no rosto, um sorriso maldoso.
–Ai. Isso não se faz. -me sentei novamente.
–Logo essa aí. -o escroto apontou para mim- Por ela já está fechado o acordo.
–Calado escroto. -dei um tapa estralado em sua nuca.
–Cobra maldita. -rosnou.
–Você que é. -rebati.
–Crianças...
–Que é? -gritamos juntos- Ah, desculpe.
–Podem voltar. -se levantou e nos empurrou para fora.
(...)
Assistimos entediantemente as aulas e na hora do recreio fomos para a sala do conselho estudantil dar a nova noticia a todos. Uau. Essa sala está mais arrumada do que de costume.
–Bom dia presidente. -alguns falaram.
–Ah... bom dia. -respondi e me sentei à minha mesa. Mwahahahahahaha.
–Presidente, o que devemos fazer com o caderno de gastos do ano passado? -Ally perguntou.
Ela era a contadora do conselho, cuidava de todos os gastos daqui e de algumas outras coisas que o diretor deixava ao nosso cargo. Baixinha, branca, olhos castanhos e cabelos pretos e lisos. Uma fofa, digamos assim.
–Jogue fora ou pode arquivar, você que sabe. Pessoal. -chamei a atenção de todos.
O conselho era basicamente formado por mim, a presidente, Edward o vice, Ally a contadora, Tony do comitê de disciplina, Tainá a tesoureira... e acho que só.
–O que foi dessa vez? -comentou Ally.
–O diretor planeja uma viagem escolar -alguns comemoraram- e nos deixou encarregados de tudo. -suspirei.
–COMO?? -gritaram.
–Aquele velho louco... -rosnou Tony.
–Bom, se precisarem de mim vou estar na sala de aula. -avisei a todos.
–Pode deixar com a gente. -Edward falou.
–Ok. Conto com eles. -ri da cara do ruivo.
É, o escroto era ruivo. Branquelo, cabelos super laranjas, olhos azuis, quase que imperceptíveis sardas no rosto. É, escroto, você não é tão escroto assim. Usa aqueles típicos óculos de idiotas, mesmo não tento, você consegue imaginar aqueles redemoinhos nas lentes.
–Posso tomar um pouco de seu tempo? -olhei para cima e me engasguei com o cheetos.
–Tyler? -arregalei os olhos.
–Calma. Isso tudo é emoção ao me ver? -puxou uma cadeira qualquer e se sentou ao meu lado.
–Claro que não. -revirei os olhos- O que faz aqui?
–Estudo aqui agora. -riu.
–Só pode ser brincadeira. -espalmei as mãos na carteira e me levantei.
–Não é não. -colocou as mãos em meus ombros e me sentou novamente.
–Pra que isso? Não dava pra ter esperado até o próximo ano? -continuei comendo minhas batatinhas.
–Não, eu queria ficar perto de você. -bati em sua mão quando ele tentou pegar minha batata.
–Stalker? -arqueei uma sobrancelha.
–Claro que não.
–Aham sei. -amassei o pacote e ia jogá-lo no lixo.
–Espere. Aonde vai? -segurou meu pulso.
–Ia voltar ao trabalho.
–Trabalho? -se levantou e se aproximou de mim.
–É. Não se aproxime mais. -ameacei.
–Por que não? -riu e me abraçou pela cintura.
–Para com isso e me largue. -comecei a bagunçar seus cabelos.
–Presidente, o que eu faço com... -parou de falar.
–O que era, Ally? -me virei -tentei- com o traste ainda me agarrando.
–D-D-Desculpa interromper. -gritou e saiu correndo.
–Tá vendo? Ela entendeu tudo errado. -balancei a cabeça de um lado para o outro.
–O que tem de errado? -sorriu divertido.
–Isso não tem graça, agora todos vão pensar que somos namorados. -suspirei.
–Os deixe pensarem a vontade. -respondeu.
–Claro que não. Você é idiota ou o que? -o belisquei.
–Por que? Presidente. –sussurrou ao pé de minha orelha.
–Sai.
–Está toda arrepiada. -riu e beijou minha bochecha.
–Que pouca vergonha é essa?
–Oh não. -falei.
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