Quem deu permissão para abraçar-me?!
8 Uma descoberta. Muito estranha por sinal
Notas iniciais
— Eu não acredito que você fez isso!! –gritei em plenos pulmões.
— Fiz e faria de novo. –tenho quase certeza que ele estava tentando se segurar para não rir, já que de vez enquanto soltava uns sons estranhos.
— Preciso me lavar! –corri para a cozinha, ligando a torneira e enfiando minha cabeça em baixo.
— Não precisa disso tudo, você sabe. –ele gargalhava ao meu lado.
— Eu só quero saber que merda você tem na cabeça, garoto. –joguei um pouco de água fria nele.
Opa.
Fria?
Tenho a pequena impressão que vou ficar doente depois dessa.
— A questão é: O que VOCÊ tem na cabeça. –riu.
— Só digo uma coisa. –apontei o dedo a sua cara- Se eu ficar doente a culpa será sua! –gritei a última parte.
— Ah Grace. Foi só uma brincadeirinha inocente. –fez aquela voz manhosa e falsa.
— E pra isso você precisava... bem... deu pra entender.
— O que? Só por que eu...
— Não diga! Por favor. –suspirei.
Desliguei a torneira e tirei minha cabeça de lá. Que ótimo. Agora eu estava congelando ali. Tudo culpa desse doente mental idiota do caralho!
— Lewis. –seu tom de voz era mais sério agora- Eu só coloquei um pouquinho de pimenta em você. –falou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Na minha boca! –dei um tapa em suas costas.
— Agora sim você está vermelha. E muito. –riu que caiu no chão.
— Hahaha. E a culpa é de quem? –cruzei os braços e fechei os olhos, por conta da água que escorria.
— Você mereceu.
— Não use esse tom fresco comigo Tyler Martinez. –ameacei- Passar bem. –dei-lhe as costas e fui para o meu quarto.
— Grace? –veio atrás de mim.
— O que é agora? –o encarei.
— Não fuja mais de mim. –suspirei.
— Olha aqui. Se eu faço isso é por que tenho meus motivos. –abri a porta e entrei- Tenha uma boa noite. –e bati a mesma na sua cara.
(...)
— Eu te disse. –o encarava mortalmente.
— Quem mandou você não se cuidar? –me encarou de volta.
— A culpa foi toda sua! –joguei um travesseiro em sua cara amassada.
— Ok. Ok. Agora me deixe dormir. –se enrolou, deitando novamente.
— TYLER! –gritei e comecei a tossir.
— Grace, eu quero dormir porra! –levantou-se irritado.
— Ahh... Agora você ficou irritadinho foi? –cruzei os braços.
— Foi. –falou ríspido.
— Eu já disse que a cul...
— Eu sei, eu sei. Foi minha não é? –passou a mão pelos cabelos.
— Totalmente. –bufei irritada.
— Amanhã eu resolvo isso. Deixe-me dormir por agora, ok? –tentou se acalmar.
— Eu já devo estar morta até lá mesmo...
— Grace...
— Aí você não vai mais precisar se irritar no meio da madrugada...
— Grace...
— E ainda se livra de um atrapalho de vida...
— Grace.
Nossa. Nunca pensei que minhas próprias palavras fossem me afetar tanto. Vai ver é porque no fundo é tudo verdade e eu não passo de uma garota irritante e hipócrita, um verdadeiro atrapalho de vida.
Eu não mereço a sua preocupação.
— Ei. Ei. Vem cá. –me chamou.
— Não. Eu sou um atrapalho de vida.
— Não é não. E por que começou a falar isso do nada?
— Porque... Porque... Eu não sei... –minha voz já saia meio embargada.
— Vem cá. –chamou novamente.
— Pode dormir. Eu vou indo. –girei a maçaneta da porta atrás de mim e estava pronta para sair.
— Espera. –não sei quando ele chegou aqui, só senti meu corpo sendo virado e meu corpo de encontro ao dele.
— Me desculpa. Eu não queria te culpar. –comecei a chorar.
— Mentira. Queria sim. –me abraçou pela cintura e começou a me balançar discretamente de um lado para o outro.
— Eu sou uma idiota.
— Bem que você tinha dito que estava na TPM. –sorriu.
— Isso não está ajudando em nada. –passei meus braços por suas costas, o abraçando.
— E ainda está com febre. –apoiou a testa em meu ombro.
— Hmm.
— O que disse? –riu.
— Melhor eu ir. –afrouxei meus braços, mas ele não.
— Agora vai ter que ficar. Para que eu possa ficar de olho em você. –fechou a porta e me guiou até sua cama.
— Eu não quero dormir aqui.
— Então fica acordada.
Ele se deitou ainda agarrado a mim, quase me derrubando, e nos cobriu. — Seu lençol é fino. –resmunguei.
— Não é não, o seu que é grosso demais. –me virou para que eu ficasse de frente para ele.
— Vou ter que ficar te olhando é?
— Eu sei que sou lindo, então se quiser pode ficar babando aí por mim. –sorriu e eu tive que dar um tapa nele.
— Nem um pouco idiota também ne. –revirei os olhos.
— Durma agora sua coisa chata. E não espere que eu vá acordar outra vez às 2:00 da manhã para cuidar da carência de uma garota irritante.
— Eu não pedi pra ficar aqui. –suspirei.
— Não foi isso que eu quis dizer. –fez um caminho com uma das mãos, da minha cintura, braço, até chegar aos meus cabelos, onde começou a acariciar, enrolar, bagunçar, entre outros.
— Pervertido.
— O que?
— Imagina o que você faz com as garotas...
— Como assim?
— Acredito eu que nas garotas apaixonadas vadias você não faça só um cafuné gostoso né? –prendi a respiração quando percebi o que tinha feito, ou melhor, falado.
— Por que acha que eu faço alguma coisa com alguma garota. –sorriu divertidamente.
— Tiro por aquela garota do supermercado outro dia. –respondi.
Ele parou de fazer a carícia e me olhava divertido e com um sorriso no rosto.
— Está me olhando assim por quê? –eu já estava me sentindo incomodada.
— Por que você está bem vermelha, estou começando a achar isso charmoso. –apertou minha bochecha.
— Sai. –senti meu rosto esquentar mais ainda.
— Se sente constrangida perto de mim? –acariciou meu rosto, arrancando um suspiro de mim e uma risada dele.
— De vez enquanto. Você é idiota, sabia?
— Sou muitas outras coisas também.
— Tipo?
— Inteligente, bonito, carinhoso... E muitas outras qualidades.
— Pervertido, mandão, irritante... Entre outros defeitos.
— Tenho um defeito que acho o pior de todos.
— Ah é? E qual seria? –confesso que estava até interessada em saber.
— Receoso. Tenho medo de machucar as pessoas, mas tem uma em especial. –me encarou com aqueles seus olhos verdes brilhantes.
— Quem?
— Você.
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