Quem deu permissão para abraçar-me?!
14 Decisão
Notas iniciais
(...)
— Vai me odiar se eu realmente te beijar?
— Hum... Não sei. Por quê não tenta e descobre?
Tive uma súbita vontade de engolir tudo o que eu disse. Senhor! Eu não sou assim! Pareço uma oferecida desse jeito.
— Err... Não foi bem isso que eu quis dizer e...
— Tarde demais.
O loiro me puxou com força e colou nossos lábios novamente. Levei alguns segundos para reagir e fechar os olhos. O que há de mal em aproveitar, hein?!
(...)
— Você gosta de mim?
Pisquei várias vezes.
Oi?
Como assim?
— Is- Isso não é pergunta que se faça. E q- que eu saiba, o único que ia dizer alguma coisa aqui, era você. -desconversei.
— Isso foi um não? Ah... Então esquece. -soltou um riso nervoso e encarou a parede.
— O que? Mas...
(...)
— Estou sem ar. -sussurrei.
Ele me deitou no chão e subiu em cima de mim, enfiando uma de suas pernas entre as minhas, e beijando meu pescoço.
Sua respiração em contato com minha pele estava me arrepiando.
— Hmm... Tyler...
Um toque chamou nossa atenção. Nos encaramos assustados e meu rosto ficou quente.
O Tyler só suspirou pesadamente e saiu de cima de mim, indo atrás do aparelho, enquanto eu ficava ali, atordoada com tudo o que estava acontecendo.
(...)
Ai meu Deus. Estou. Ferrada.
Peguei meu celular e liguei para minha irmã, Lorena, ela atendeu no terceiro toque.
Sabe que horas são?
— Lorena...
Lorena? Grace? Aconteceu alguma coisa? Você raramente me chama pelo nome.
— Eu acho que... eu... bem...
O que foi? Fala logo garota!
— O Tyler me be... bei- Ahh! Nada não, Lana! Tchau!
Ahn? Grace! Gra-
Desliguei antes que ela fizesse alguma pergunta. A palavra "beijo" parecia não querer sair da minha boca. Nossa relação de amigos provavelmente foi por água a baixo agora. Demorou tanto tempo para nos entendermos, e agora mais essa.
Será que ele gosta de mim?
— Claro que não. -bati em minha própria testa.
Deitei na minha cama, com a intenção de dormir, mas a única coisa que consegui foi virar de um lado para o outro, pensando. Sempre que fechava os olhos, lembrava do nosso... quer dizer... dos nossos beijos lá na sala.
Pois é. Quando o celular tocou, o loiro foi atendê -lo na cozinha, e eu aproveitei para vir para o quarto. No fundo eu sabia que quando ele voltasse, depois da ligação, aconteceria tudo novamente, talvez rolasse até mais alguma coisa... mas aquelas sensações estranhas que eu senti quando ele me beijou, também voltariam, e eu não estava muito confiante em querer saber o motivo de tudo aquilo. Não mesmo.
...
Acabei acordando cedo demais, me arrumei e vim para o colégio, e aqui estou, esperando o portão abrir.
— Presidente?
— Ahn... -olhei para cima- Oi Ally.
— O que faz aqui? Quero dizer... tão cedo?
— Fugindo. -sorri.
— Do Tyler? -sorriu também — Meu Deus, presidente, você está vermelha!
— Cla- Claro que não, Ally!
— Vocês dois fizeram alguma coisa ontem?
— Ele meio que... me be- bei-... jou...
— Finalmente! -exclamou.
— O que?
— Desculpa, presidente...
— Grace.
— Então, Grace, é bastante óbvio perceber o que acontece entre vocês.
— E o que acontece entre a gente?
— Vocês se gostam, presidente!
— Sério?
— Não sei qual a surpresa. -alguem falou atrás de nós.
Nos viramos quando a pessoa terminou a fala.
Não acredito!
— Tyler...
— Podemos conversar? -olhou para mim- Bom dia, Ally. -acenou para a garota.
— Bom dia.
— Podemos conversar? -falou novamente.
— Eu acho que...
— Ela pode sim!
— Posso, é, Ally?
— Sim! -me empurrou até o loiro.
— Obrigado. -ele falou, rindo.
— Disponha. -sorriu- E boa sorte com a presidente! -acenou.
— Eu vou matar a Ally! -resmunguei.
— Você não vai matar ninguém. -riu.
Ele me guiou até um parque que ficava perto do colégio, e nos sentamos em um banco de madeira que ficava próximo a uma fonte. Àquela hora, haviam poucas pessoas transitando por ali, e os poucos que tinham, estavam fazendo caminhada, ou passeando com os cães, apenas.
— O que quer falar? -perguntei, fixando meu olhar na fonte.
— Sua irmã me barrou na porta da minha casa hoje, pra perguntar se você estava bem, e se eu... tinha feito alguma coisa. Você falou com ela ontem?
— Aham.
— E você contou tudo?
— Não.
— Bom... O que você achou sobre ontem?
— Que... você é um idiota?
— Grace!
— O que?
— Eu não sou um idiota!
— Claro... -revirei os olhos.
— Então... Lembra que eu tentei te falar algo ontem?
— E desistiu depois? Sim.
— Você gosta de mim?
Senti meu rosto esquentar novamente, e eu engasguei com o ar. Sem mentira nenhuma! Eu engasguei com a porcaria do AR.
— Você está bem? -deu leves tapas nas minhas costas.
— Eu... bem... -pigarreei- Não sei ao certo... -suspirei pesadamente.
— Eu tenho certeza de uma coisa -segurou meu queixo e levantou o meu rosto — E sabe qual é? -fixou o olhar no meu.
Balancei a cabeça, negando.
— Eu gosto de você. -sorriu abertamente.
Ok. Se antes eu era um pimentão, agora passei a ser uma lagosta. Oh my god!
— E tem outra coisa que eu sei, e que quero muito fazer.
— O que? -falei em um fio de voz.
— Te beijar. -colou nossas testas.
Senti sua respiração na minha face, e isso dr alguma forma parecia me acalmar. Sei lá... era como se sua presença fosse o bastante para mim, naquele momento, eu precisava dele perto de mim. Eu também o queria.
Ele aproximou nossos lábios com cuidado, receio, e eu fechei meus olhos, ansiando por aquele toque. Acho que ele entendeu aquilo como uma permissão minha -o que, de fato, era-, e uniu nossos lábios, encaixando nossas bocas, que pareciam se completar. Uma de suas mãos acariciou minha bochecha, enquanto a outra apertou minha cintura. Foi um beijo calmo, mas carregado de sentimentos, estes que há muito tempo estavam escondidos no meu peito, coisa que eu nem sabia que existia, e que agora parecia perfeito para o momento.
Tyler afastou nossas bocas devagar, quando eu já estava sem fôlego, e voltou a unir nossas testas.
— Grace... -murmurou e eu abri os olhos.
— Oi.
— Quer...
— O que?
Vi sua face ficar rosada, e achei aquilo muito fofo.
— Quer ser minha namorada?
— Bem... -fingi pensar.
— Pelo amor de Deus, garota! Por que você está me fazendo sofrer assim?
— Ok. Eu aceito. -falei, o abraçando.
Ele soltou o ar com força, me apertando entre seus braços.
— Acho que tinha esquecido de respirar. -afundou o rosto em meu pescoço.
— Ownt, que fofo. -o belisquei de leve.
— Sabe o que eu acho? -saiu do abraço, e me beijou rapidamente.
— Que está muito apaixonado por mim?
— Também. -sorriu — Mas não é isso.
— E é o quê, então?
— Estamos atrasados.
— Ah droga! -levantei em um pulo — Vamos logo!
Ele segurou minha mão, enlaçando nossos dedos.
— Vamos, minha namorada. -piscou para mim, me puxando.
— Ok. Meu namorado. -o imitei, em um tom meio debochado.
— Grace Martinez... já imaginou? -falou.
— Menos, por favor. -revirei os olhos, mas acabei sorrindo- Parece até nome de bebida.
— Claro que não! É um sobrenome muito legal!
— Aham. Claro.
— Não use esse tom sarcástico comigo, mocinha.
— Vou tentar. -pisquei para ele.
— Chegamos. Nós vemos no intervalo? -perguntou.
— Pode ser.
— Então tchau. Se comporte!
— Eu sei me comportar. -resmunguei.
— E fique longe do babaca do Martin.
— Ciumento.
— Claro! Você é minha, Grace. -piscou e saiu correndo.
— idiota.
Ok. Confesso que eu não estava conseguindo conter um sorriso bobo no rosto. Tyler realmente é um idiota! Um idiota gostoso. E meu primeiro namorado.
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