Era fim de tarde, quando Patrick chegou em casa animado, dizendo que tinha boas novas. Ele contou que havia sondado a juíza Raquel mais cedo, e com isso descobriu que eram grandes as chances de ela conceder a Clara a guarda de seu filho, Tomaz. A notícia deixou a moça tão feliz, que em um impulso, ela beijou Patrick apaixonadamente. Ele correspondeu, e por alguns segundos, os dois se entregaram completamente àquele beijo. Quando se afastaram, ambos estavam atordoados e sem graça um com o outro.

— Isso... não devia ter acontecido — falou Patrick. Ele não havia se arrependido do beijo, mas disse isso por medo de estragar a amizade

— É... E-eu acho que foi o entusiasmo — concordou Clara

— Não precisa falar mais nada Clara, e-eu entendo, para você eu sou apenas u-um amigo...

— Um amigo... Para você também eu... sou só uma amiga?

— Você é a maior... a maior amiga que... Você é muito bonita Clara!

— Você também Patrick é... muito atraente!

Nesse momento os dois estavam se olhando intensamente, com os corações acelerados, quase cedendo ao desejo de se beijarem outra vez, mas Clara recuou.

— Eu... eu vou subir — falou ela

— Tá... A gente pode jantar mais tarde? — perguntou ele

— Eu ia adorar, mas já combinei com o Renato...

— Ah, Renato... — disse ele, morrendo de ciúmes por dentro

Clara então subiu as escadas e foi para seu quarto sem dizer mais nada. Ela não conseguia tirar aquele beijo da cabeça, estava tentando entender o que estava sentindo, se estava se apaixonando por seu advogado e grande amigo, e de repente se viu com um sorriso bobo no rosto. Enquanto isso, Patrick estava no andar de baixo, se perguntando se havia perdido uma oportunidade de se declarar para sua amada, e por mais que ainda tivesse dúvidas quanto aos sentimentos dela por ele e por Renato, chegou à conclusão de que não podia deixar aquele momento passar. Rapidamente ele subiu as escadas, e bateu na porta do quarto dela.

— Oi Patrick, o que foi? — perguntou ela, surpresa

— Eu retiro o que eu disse Clara, você não é apenas uma amiga para mim — respondeu ele

— O que eu sou então?

— Você é... uma pessoa que está se tornando cada vez mais importante na minha vida, que eu quero cuidar proteger, estar sempre junto...

— Você já faz tudo isso por mim, eu nem sei o que seria de mim sem você.

— Mas quero fazer mais! Eu estava com receio de te falar isso e acabar estragando a nossa amizade, mas depois do que aconteceu lá embaixo, não posso mais esconder. Eu te amo Clara, estou completamente apaixonado por você!

— Patrick, eu... eu nem sei o que dizer!

— Só diz se esse beijo significou alguma coisa para você.

— Significou sim, lógico... Mas... Eu estou um pouco confusa, preciso entender melhor o que estou sentindo. Me dá um tempo para pensar?

— Claro, o tempo que você precisar.

— Obrigada — disse ela, e eles sorriram um para o outro

Terminada a conversa, Patrick se dirigiu para seu quarto e Clara foi se arrumar para o jantar com Renato. No restaurante, embora ela tentasse conversar com o médico, quem não saía de seus pensamentos era o advogado, aquele beijo realmente tinha mexido com ela.

— Clara, o que você tem hoje? — perguntou Renato, percebendo que ela estava aérea

— Nada — respondeu ela, tentando disfarçar — Porque?

— Eu estou aqui falando, e você parece que não está ouvindo nada.

— Desculpa Renato. Eu estou cansada, só isso. Podemos ir embora? — disse ela, escondendo dele o que realmente tinha acontecido

— Tudo bem, vamos.

Renato deixou Clara em casa, e ela foi direto para o quarto. Precisava ficar um pouco sozinha, para organizar sua cabeça e seus sentimentos.

As horas foram passando e ela não conseguia dormir, então decidiu ir até a cozinha beliscar alguma coisa, e quando chegou lá, encontrou Patrick. Ele estava sem camisa e aquilo a deixou um pouco desconcertada.

— Sem sono também? — perguntou ela

— Pois é — respondeu ele rindo — peço desculpas por estar assim descomposto, é que está fazendo tanto calor. E além disso eu só vim pegar um copo d'água, não esperava te encontrar aqui.

— Tudo bem, eu não me incomodo, está quente mesmo.

— Bom, vou voltar para a cama. Boa noite.

— Boa noite.

Patrick foi para o andar de cima, e Clara ficou na cozinha. Depois de fazer um lanche e refletir um pouco, ela tomou uma decisão, subiu e bateu na porta do quarto do advogado.

— Te acordei? — perguntou, quando ele abriu a porta

— Não, eu estava lendo — respondeu ele

— Ah que bom. Eu queria falar com você.

— Estou aqui, pode falar.

— Eu queria dizer que... se aquele convite para jantar ainda estiver de pé, eu aceito.

— Claro que está de pé — disse ele, com um sorriso — Pode ser amanhã?

— Combinado — falou ela

Houve uma troca de olhares por alguns segundos, depois Clara e Patrick foram para suas respectivas camas. Ambos sabiam que depois daquele dia, tudo seria diferente entre eles.

Notas finais
Aguardem a continuação :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.