Quem Tem Medo do Lobo Mau?
21 Twenty One
Notas iniciais
Será que alguém ainda lê isso aqui?*espana as teias de aranha e sopra a poeira*
Sei que demorei para postar, mas como todos sabem o que a administração do Nyah decidiu acho que eu não preciso explicar que isso meio que me esfriou neh? Acabei travando.
Bom o que interessa e que o chapie chegou e está enorme *maior do que qualquer um que eu tenha escrito até agora* e Adivinhem? Tem lemon!!! Lemon este que é totalmente dedicado a NinfaNegra que fez aniversario mês passado *estou atrasada neh linda?* E me pediu um lemon de presente.
Então tai linda espero que você goste e embora seu aniversário tenha sido mês passado eu te parabenizarei hoje, te desejando muitos e muitos anos de vida e muitos dias felizes e iluminados. Queria te mandar de presente o Aoi ou o Hiroto, mas como não posso.... rsrsrs.
Boa Leitura.
Twenty One
Narrador on.
Yuzo, um dos capangas de Ryu, estava parado ao lado de uma arvore grande e frondosa. Estava frio, mesmo para os padrões de um vampiro, e por isso Yuzo estava com extremo mal humor. Esperava que o idiota com quem iria se encontrar viesse rápido, mas o felino parecia não se ater aos horários combinados.
- E ai sanguessuga! – Ouviu a voz irritante do homem que esperava e teve que se conter para não estragar os planos de seu mestre acabando com o pequeno leãozinho metido a esperto. Pessoas como o leão o irritavam com sua arrogância e soberba. Como se fosse dono do mundo quando na verdade não tinham nada.
- Porque demorou tanto? – Perguntou entre dentes.
- Houve uma reunião do orgulho e meu tio quis conversar comigo depois. – Fez uma careta á menção do tio. – O idiota se acha no direito de controlar minha vida. – Bufou revirando os olhos. – Não vejo a hora de colocá-lo preso em uma de suas próprias celas. – Seu rosto demonstrava o quanto estava ansioso para colocar o plano em pratica.
- Isso irá acontecer em breve... – Yuzo disse. Ele não era um homem de muitas palavras, sabendo muito bem que quem falava demais acabava sempre soltando coisas que não devia. – Seu tio tem uma informação que meu chefe quer muito e é só por isso que aceitamos te ajudar em seu plano.
- Eu sei muito bem disso! – O leão se defendeu. – Mas não me culpe por estar ansioso. Afinal espero há muito tempo tirar meu tio do poder do orgulho para poder tomar o seu lugar. Lugar esse que é meu por direito e não dele. – Yuzo observou o leão, mordendo a língua para não dizer que dificilmente alguém como ele seria um líder de alguma coisa. Sabia que para conseguir a informação que queria, teria que concordar com o playboy ridículo que estava parado a sua frente.
- Olha estaremos aqui no dia marcado. – Disse querendo encerrar de vez a conversa e voltar para sua casa – Você em certeza de que conseguirá neutralizar as sentinelas?
- Isso não vai ser difícil. Tenho aliados. – Leãozinho respondeu com um sorriso. – Meu tio realmente ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que consegui trazer para o meu lado bem debaixo de seu nariz.
- Se você diz... – O som que queria sair de sua garganta era de pura descrença, mas conseguiu segurá-lo no ultimo segundo – Esteja com sua parte pronta, porque assim que terminarmos com seu tio, ele não servirá mais para ser líder de nada. – Sorriu, deixando que seus caninos descessem e o outro deu um passo para trás. – E você terá o que quer.
oOo
Hiroto estava observando Yuzo de dentro de seu carro parado há alguns metros do carro do vampiro. Sabia que estavam no território de um orgulho e franziu o cenho: O que será que Yuzo queria ali? Viu que o vampiro estava conversando com alguém, mas não podia ouvir o que era falado. Sabia que podia ser importante, mas estava em uma área aberta, sem muitos esconderijos. Não poderia chegar perto da dupla de homens sem chamar atenção para si. Ele poderia tentar mudar para um coiote, mas essa opção não era segura. Primeiro porque ele nunca havia conseguido uma mudança completa e segundo porque mesmo que conseguisse tanto o vampiro quanto o lobo perceberiam que ele era um shifter.
Contentou-se em observar de longe, seguindo o carro de Yuzo quando este terminou a conversa. Sabia que Yuzo e seus comparsas estavam planejando algo e também sabia que não iria gostar nada disso.
Narrador off.
oOo
Hiroto on.
Eu estava com um problema.
Um problema bem grande. Tentei me mexer, mas as cordas que estavam atando os meus pulsos juntos não folgaram nem um pouco, me fazendo bufar abafado contra o pano que cobria a minha boca. Tentei novamente, mas a minha posição contra a viga em que eu estava atado, não me dava liberdade alguma de movimento para que eu pudesse ter sucesso em desfazer os nós de meus pulsos.
Suspirei e fechei os olhos por um momento longo, tentando colocar as minhas ideias em ordem. Eu precisava sair dali, rápido, mas as minhas opções estavam limitadas, exatamente como os meus movimentos.
Suspirei de novo tentando não deixar que o medo tomasse conta da minha mente, eu não poderia me dar ao luxo de entrar em desespero, porque se eu o fizesse as minhas chances de escapar, que já eram poucas já que eu não conseguia mudar, cairiam para nada.
Tudo por culpa da minha ansiedade! Se eu tivesse esperado o momento certo, provavelmente não estaria ali, amarrado e ao dispor dos meus algozes.
“Se você tivesse investigado melhor, teria descoberto antes de entrar nessa enrascada!” – Uma voz em minha cabeça disse e tive que concordar.
Após ter seguido Yuzo no dia anterior, logo depois do bar, eu sabia que Ryu estava tramando alguma coisa. Acabei voltando sozinho pela manhã, depois de informar as minhas descobertas para Reita.
O que eu não contava era que o rapaz que eu havia visto conversando com Yuzo, me pegasse espionando. Eu realmente havia me surpreendido um pouco por ter chamado sua atenção, afinal eu sempre havia tido sucesso em passar despercebido. Mas pelo jeito não seria assim dessa vez.
Mesmo contra todos os meus instintos, eu havia entrado no território do orgulho. Normalmente os territórios governados por Shifters, fossem eles, leões, lobos, vampiros ou qualquer outra espécie, eram como cidades pequenas. Havia varias casas, comercio e etc. Isso acontecia para que os membros não precisassem se esconder e nem correr riscos desnecessários.
Eu havia acabado de entrar em um café e me sentado quando o leão em questão me abordou. Ele não disse nada mesmo quando eu perguntei quem ele era e o que queria, só continuou a me apertar o braço enquanto me puxava em direção à casa maior, provavelmente a casa do líder.
Meu captor não parou por nenhum momento e nenhuma das pessoas pelas quais passamos disse nada, mesmo enquanto viam que eu estava lutando para me soltar. Somente abaixavam os olhos como se estivessem receosos. Ele me arrastou até o interior da casa, passando por alguns corredores, até que chegamos a uma biblioteca.
Estranhei bastante o fato de que não havia ninguém em nosso caminho. Era pressuposto que sempre houvesse sentinelas para vigiar a casa do líder, tanto para a proteção deste quanto para a proteção da família governante.
Meus pensamentos foram interrompidos, quando ele deu a volta na mesa que estava no centro do cômodo, tateando por debaixo dela, sem largar o meu braço. Segundos depois ele soltava um som de satisfação e uma porta se abriu na parede. Naquele momento enquanto ele me arrastava pela escada abaixo, tive certeza de que o orgulho estava sendo atacado e que meu captor sabia.
Vi-me dentro de um tipo de calabouço e contra qualquer tentativa minha para me soltar era recebida com uma risada irônica. Mesmo lutando minhas mãos foram fortemente amarradas uma a outra e logo depois a uma viga que estava estrategicamente posicionada no centro da sala. Estremeci só em imaginar para que aquilo era usado. Meu captor simplesmente me deixou ali, sozinho, após dar um sorrisinho que me causou arrepios.
Retomando as forças, forcei mais as cordas contra a viga em que ele havia me amarrado e estava quase parando novamente quando senti que o nó afrouxava. Olhei por sobre o ombro, tentando enxergar alguma coisa, mas a posição me impediu. Tomei mais uma respiração e forcei contra as minhas restrições, sentindo que pouco a pouco a corda cedia. Minhas mãos estavam ficando escorregadias por causa do sangue que descia de meus pulsos arranhados e maltratados pela corda áspera e pelas minhas tentativas de me soltar. Fiz uma careta ao constatar que iria doer como o diabo depois. Mas no momento tudo o que me importava era estar livre. Eu já havia passado por coisa pior e havia conseguido lidar com a dor e dessa vez não seria diferente.
Eu sempre conseguia lidar com a dor, de uma forma ou de outra.
Hiroto off.
oOo
Tora on.
Eu podia sentir que havia alguma coisa errada assim que coloquei meus pés no território de orgulho. Meu tigre estava inquieto, desconfiado e isso não prenunciava nada de bom.
- Você pode sentir isso? – Um dos lobos que haviam me acompanhado me perguntou e eu somente assenti. – Reita tinha razão.
- É o que parece. – Respondi, observando as arvores que nos rodeavam. – Vamos seguir com o plano original. Eu irei sozinho e vocês ficam. Se eu ver que existe algo errado, ligarei para Kouji ok?– Falei apontando para um dos lobos que havia me acompanhado, e que era o meu segundo naquela missão. Todos os outros lobos balançaram a cabeça concordando. – Farei o possível para me comunicar com vocês se algo der errado, mas pode ser que eu não consiga, por isso fiquem atentos. Se eu demorar muito para sair ou ligar, vocês devem avisar ao Reita e entrar. – Todos assentiram novamente.
Caminhei para dentro do orgulho, tentando controlar meu tigre que estava cada vez mais incomodado e inquieto. Estranhei o fato das ruas estarem vazias. O ar estava cada vez mais saturado. Não havia ninguém em nenhum dos lugares para quais olhei.
Não demorou muito e eu já podia ver a grande casa do líder do orgulho eu franzi o cenho. Meu tigre se retorceu quando senti cheiro de vampiros.
Reita realmente estava certo em sua suposição e eu amaldiçoei por isso. Eu ainda tinha a esperança que todos estivessem enganados, pois eu sabia que este só era o primeiro passo para Ryu, logo mais matilhas, orgulhos e covens seriam invadidos. Embora uma coisa ainda me deixava em duvida. Porque começar com este orgulho? Balancei a cabeça, sabendo que poderia analisar os motivos de Ryu mais tarde, agora tinha coisas mais importantes para fazer.
Com um suspiro conformado, comecei a dar a volta na casa. Não podia ver quaisquer movimentos e isso estava me deixando cada vez mais tenso. Se esta era uma invasão porque estava tão silencioso? Porque não havia ninguém vigiando as portas da casa? As perguntas rodavam por minha mente enquanto com o Maximo cuidado possível entrei na casa, tomando o cuidado de manter os meus passos leves para fazer o mínimo de barulho possível.
Abri a porta detrás e entrei no cômodo, que revelou ser uma cozinha, passando os olhos pela bagunça reinante. Havia copos e pratos quebrados no chão, alguns utensílios sobre uma mesa e sobre a pia.
Andei pelo cômodo evitando os cacos no chão. O cheiro de vampiro, no entanto, estava cada vez mais forte e eu ouvi um barulho ao longe, como se pessoas estivessem conversando. Com cautela fui até a porta, que se abria para outro cômodo, de repente me vendo em uma grande sala de jantar, que incrivelmente estava organizada e limpa, mas então não havia muitas coisas para quebrar ali.
“Será muito mais fácil se você me der à informação que preciso.” – A voz que ouvi me causou arrepios. Era fria, quase como se o dono dela fosse desprovido de sentimentos.
“Você só pode estar sonhando se pensa que facilitarei alguma coisa para Ryu” – A segunda voz era o oposto. Continha uma força e autoridade que era muito difícil de ignorar.
“Você não tem escolha líder... Estamos com seu povo como refém e meus homens não hesitarão em torturar e matar um por um até que você decida nos falar o que queremos.” – Havia um toque de zombaria em sua voz.
“Meus homens são fortes... Sairão dessa.”
“E suas mulheres e crianças? Elas estão em desvantagem leão. Quanto mais demorarmos aqui, mais impaciente meus homens ficarão. E eu não acho que você quer um monte de vampiros nervosos em volta de alguma mulher não é? Coisas... Ruins podem acontecer” – Estremeci de puro ódio quando meu cérebro traduziu o que ele quis dizer: Estupro. – “Com toda certeza eles começaram com as mais importantes: Suas filhas” – Meu tigre estremeceu quando um forte rugido retumbou pelas paredes da casa.
“Eu vou me libertar desgraçado... E quando isso acontecer eu irei te matar.” – As palavras mal eram distinguíveis por causa dos rosnados do leão. “Mas não irá ser uma morte rápida... Não, irá ser lenta e tortuosa.”
“Você não irá se libertar leão. Eu irei sair vitorioso dessa.”
Eu já havia escutado o suficiente, precisava de reforços. Sacando o telefone liguei para Kouji.
Tora off.
oOo
Hiroto on.
Foi com um imenso alivio que senti a corda em volta dos meus pulsos se soltar de vez. Com um gemido flexionei os dedos, fazendo uma careta ao constatar que os meus pulsos estavam muito machucados. Iriam ficar doloridos depois, mas no momento eu tinha coisas mais importantes para fazer do que prestar atenção naquilo, como por exemplo, como iria sair dali.
Andei pelo cômodo, indo até a porta e torcendo para que meu captor tenha confiando que as cordas iriam me conter e tivesse deixado à porta destrancada. Suspirei de alivio quando constatei que ela realmente estava destrancada e sai para um corredor. Percebi então que ali devia ser o local onde o líder o orgulho mantinha seus prisioneiros.
O corredor era longo e havia varias portas de um lado e de outro. Dei alguns passos em direção as escadas, mas o barulho abafado de alguém chorando me fez parar. Fiquei dividido entre ir e olhar quem estava chorando, mas por fim a minha parte humana se sobressaiu contra o meu instinto animal de sobrevivência.
- Tem alguém ai? – Gritei meio hesitante. Poderia ser uma armadilha, não poderia? O choro silenciou abruptamente e eu fiquei preocupado que estivesse ouvindo coisas. – Hey! – Gritei novamente e tive a impressão que ouvi alguém fazer um “Shhhh...” – Eu só quero ajudar. – Falei alto enquanto andava pelo corredor, abrindo as portas tentando ver de onde o som vinha. – Por favor, fale comigo! Eu quero ajudar. – Repeti. Eu sabia que ficar ali não era seguro, mas não consegui pensar em ir embora e deixar uma pessoa indefesa aqui em baixo.
- Quem é você? – Quase saltei quando de repente uma garota de mais ou menos quinze anos de idade, apareceu em uma das portas mais a frente.
- Eu me chamo Hiroto e você? – Me aproximei devagar, não querendo assustar mais a garota que tinha os olhos arregalados. Ela era bonita, mas estava extremamente pálida e tremendo de medo.
- Meu nome é Akemi. – Respondeu com a voz tremula, me olhando com uma expressão de desconfiança. – O que você está fazendo aqui?
- Eu fui preso... Mas isso não importa agora. – Anunciei. Estávamos no encarando quando o choro recomeçou. – Quem está aqui com você?
- Minha irmãzinha está comigo. – Falou e quando cheguei á porta pude ver que dentro da sala em que ela estava, havia outra garotinha que estava toda encolhida contra a parede. – A nossa babá estava conosco, mas saiu para ver se estava tudo bem para que pudéssemos voltar. – De repente seus olhos se encheram de lagrimas. – Eles pegaram o meu pai, mas Ayumi, nossa babá conseguiu nos alcançar antes que alguém viesse atrás de nós. Ela disse que aqui ficaríamos seguras.
- Vamos fazer o seguinte... Você e sua irmãzinha ficam comigo até a sua babá chegar ok? – Ela me olhou por alguns segundos antes de concordar com a cabeça.
Meu plano de fuga havia ido por água abaixo, mas eu não podia deixar as duas meninas sozinhas. Entrei dentro da cela em que elas estavam fechando a porta. Procurei com os olhos, algum móvel que eu pudesse colocar para escorar a porta, mas não havia nada exceto um pequeno armário embutido na parede. O jeito seria ficar por ali e torcer para que os bandidos não nos encontrassem.
- Você se machucou? – A voz infantil da outra menina que parecia ter uns oito anos de idade, se sobressaiu tímida enquanto ela me perguntava, parecendo mais calma por ter um adulto por perto. Akemi continuava calada, se abraçando sentada no chão de frente para mim e a irmã.
- Foram só alguns arranhões. – Tentei sorrir para ela, mas não tenho certeza se saiu como deveria afinal eu estava tenso. – Eu me curo rápido de qualquer forma.
- Eu também saro rápido quando me machuco. – Ela se aproximou mais de mim. – Otoo-san diz que isso acontece porque sou especial. – Revelou inocentemente enquanto se sentava ao meu lado.
- Ele está certo. Isso só acontece com quem é muito especial. – Concordei ganhando um enorme sorriso de volta. Dessa vez o meu sorriso era sincero quando correspondi.
- Quando poderemos sair daqui? – Ela perguntou depois de um momento.
- Eu não sei... Só espero que seja logo.
Hiroto off.
oOo
Tora on.
Ordenei que os lobos entrassem e vistoriassem a cidade. Queria achar onde os vampiros mantinham os membros do orgulho para me assegurar que eles estavam seguros. Eu, em contrapartida, iria resgatar o alpha.
Subi as escadas em silencio, tomando cuidado de não fazer nenhum barulho. Quando cheguei até lá em cima observei o local. As escadas davam para um corredor com varias portas, mas as vozes e barulho que eu podia ouvir vinham da ultima. Eu me aproximei da porta sabendo que precisava ver quantas pessoas estavam dentro do quarto.
A porta estava somente encostada, deixando uma abertura pequena, mas perfeita para observar. Olhei para dentro do quarto, vendo dois homens, ambos rodeando um terceiro que percebi ser o leão líder do orgulho. Havia mais um homem parado a sua frente com a pose ameaçadora. O leão estava sentado enquanto o resto somente o rodeava.
Respirei fundo e empurrei a porta assustando as pessoas que estavam lá dentro.
- Que feio gente! Nem me convidaram para festinha. – Deixei que minhas palavras saíssem carregadas de ironia. Todos na sala me olharam assustados.
- Quem é você? – Eu somente sorri para a pergunta.
- Ah... Vocês já devem ter ouvido falar de mim. – Me aproximei de outra cadeira, me sentando.
- Olha, eu não sei quem é você ou o que quer, mas vou logo avisando que seu lugar não é aqui. – O maior deles praticamente grunhiu chegando mais perto de mim. Não movi nenhum músculo, mesmo enquanto meu tigre se ouriçava. – Isso não é assunto seu.
- Pois eu digo que é sim assunto meu. – Deixei que meus olhos trocassem parcialmente e mostrei minhas presas.
- Ah... Já vejo. – Ele se afastou alguns passos tentando esconder o seu nervosismo com um sorriso irônico. – Você tinha razão: Ouvimos sobre você.
Mantive-me quieto esperando o ataque verbal que eu sabia bem que viria.
- O tigre que se esconde junto com os vira-latas. – Sorriu de um jeito cruel. – Todos no mundo sobrenatural sabem sobre você, mas devo dizer que esperava mais do tão temido tigre branco que tanto falam por ai.
Aqui cabe um esclarecimento: Eu sou um tigre asiático, mas não me encaixo muito bem nas comunidades felinas dessa espécie que existem no Japão. Sou de uma linhagem mais antiga, mais poderosa do que os shifters tigres normais. Eu sou único sobrevivente da minha linhagem e por isso sou considerado quase uma anomalia. Por isso a minha preferência em ser um tigre solitário. A maior parte do mundo shifter ou tinham medo do que eu representava, ou achavam que eu era inferior aos outros.
- Mas você ainda está longe de ver o meu tigre, sanguessuga. – Levantei-me da cadeira. – Mas isso não interessa no momento. Quero saber o que vocês tanto querem aqui.
- Não é da sua conta. – Os outros vampiros estavam calados, provavelmente esperando alguma ordem do grandão.
- O líder da matilha Suzuki quer que seja da minha conta. – Respondi. Eu não queria estar papeando ali, mas sabia que precisava distrair os vampiros por tempo o suficiente para que os lobos encontrem os reféns da matilha.
- E você acha que o que aquele vira lata velho quer me interessa? – O vampiro grunhiu. – Eu só sirvo a um líder e o meu está e clara vantagem em relação ao seu.
- Líder? – Não pude deixar de rir com essa. – Ryu não é líder de nada. Ele só quer desesperadamente ser um rei enquanto não passa de um pequeno príncipe mimado e egoista. Ele só acha que tem muito poder... E pior de tudo é que egocêntrico demais para sequer perceber que na verdade o poder passa longe dele. – Os olhos do vampiro se escureceram e seu rosto se transformou em uma expressão única de raiva – Está mais do que na hora de alguém tomar os seus brinquedos ensiná-lo uma lição, o castigar como merece.
- Não se atreva a insultar o mestre! – Somente levantei as sobrancelhas enquanto me aproximava mais ainda do vampiro.
- E se eu quiser insultar o seu mestre? – Sussurrei enquanto me aproximava. – vai fazer o que comigo? – Ele rosnou deixando que suas presas descessem. Eu não recuei um passo, mas seus colegas resolveram me rodear, o que era exatamente o que eu queria. Deixei que minhas garras descessem e antes que qualquer um da sala conseguisse piscar, girei, deixando que minhas garras atingissem o pescoço do vampiro que estava a minha direita.
Houve um momento em que o ar parou, mas logo todos reagiram ao mesmo tempo. O leão se levantou e veio para o meu lado, ficando de costas para mim.
- Pelo jeito você faz parte da cavalaria? – Ele perguntou, mas não tive a chance de responder, pois logo todos nós estávamos lutando. Lutando não só pela nossa sobrevivência, mas também pela sobrevivência de um orgulho inteiro.
Tora off.
oOo
Hiroto on.
Eu perdi a noção de quantos minutos nós três ficamos ali, encolhidos e assustados, antes que um barulho chegasse aos meus ouvidos. Passos, na escada e logo depois no corredor. Eu torcia para que fosse a babá das meninas, mas pelo som de passos pesados, sabia que não era. O problema é que eu mal estava apto para cuidar de mim mesmo naquele momento, quanto mais para proteger outras duas vidas. Mas não havia como escapar então faria tudo que eu pudesse para tirar as meninas da linha de fogo.
- Akemi, eu preciso que você faça um favor para mim ok? – Pedi puxando a adolescente, que descobri ter treze anos, para que pudesse olhar para mim. Ela somente balançou a cabeça concordando. – Quero que segure sua irmã e fique quietinha dentro daquele armário. – Apontei para um armário que ficava no canto direito do quarto. Eu havia revistado o quarto mais cedo. Não havia muitos lugares para esconder, alias o armário era o único lugar. Era pequeno, mas caberiam as duas com perfeição. Mesmo enquanto ajudava as meninas a se acomodarem no chão do armário, eu ainda rezava para que fossem os nossos salvadores e não nossos algozes. Mas eu sabia que era bem pouco provável que isso acontecesse. E se era para alguém sofrer alguma coisa, que fosse eu. – Não importa quais barulhos vocês escutem, não saiam até que eu possa ir até vocês, está bem? – Ele concordou com um aceno de cabeça, os olhos arregalados. Fechei a porta do móvel depois de fazer um carinho no rosto das duas.
Não demorou e os passos não eram mais ouvidos, mas eu podia ouvir a respiração alta do outro lado da porta. Dois segundos depois a porta foi aberta com um estrondo.
Engoli em seco quando percebi que meu captor havia voltado.
- Eu sabia que você não era inteligente suficiente para sair daqui mesmo que conseguisse se libertar das cordas. – Seu sorriso era maldoso. Pelo cheiro eu sabia que ele era um leão, mas ainda não havia entendido o que ele queria comigo.
- O que você quer? – Forcei minha voz a sair, mas ele somente sorriu. – O que você quer de mim? Porque me trouxe aqui? – Repeti a pergunta dessa vez com mais firmeza. Eu nunca havia sido uma pessoa violenta, sempre negando os meus instintos animais, não querendo machucar, consciente ou inconscientemente outras pessoas. Sou um pacifista e essa foi uma das muitas razões para que meus pais me mandassem embora da matilha. Isso junto com o fato de eu não conseguir mudar de forma e ser gay. Mas este homem estava me tirando do sério.
- Então o pequeno coiote encontrou sua coragem? Se é que eu posso te chamar assim não é? Afinal nem poder mudar você pode. – Demorou um segundo para que eu realmente absorvesse o que ele havia acabado de dizer antes que meu sangue realmente começasse a ferver com seu tom de zombaria. – Mas de qualquer forma... Mesmo que conseguisse não iria servir para lutar contra um leão. – Ele deu alguns passos para frente, me pegando pelo braço e me forçando a ir para mais perto dele. Resisti no começo, mas ele era mais forte do que eu. Minha raiva se converteu a pavor quando senti o cheiro de sua excitação.
- Me solta! – Grunhi me debatendo, mas ele somente riu, me pegando pela cintura e apertando.
- Os lobos vieram em favor do meu tio, o meu plano já se foi por água abaixo. – Falou enquanto me apalpava. – Mas eu ainda terei o prazer de machucá-lo. – Fiquei confuso, em que me estuprar iria machucar seu tio? Eu nem sabia de quem o leão estava falando!
- Me solta! Eu não entendo do que está falando! – Lutei e chutei, mas ele prendeu as minhas pernas com as dele.
- Você era preferido dele, mesmo quando não estava aqui. – Esse cara só podia estar louco. Não havia outra explicação. – Mas agora eu irei fazê-lo sofrer. Ele irá se arrepender por tudo o que me fez passar.
- Você é louco! – Consegui soltar as minhas pernas e acertei sua virilha com os joelhos. Ele me soltou na hora uivando de dor.
- Eu vou matar você. – Grunhiu enquanto me empurrava, fazendo com que eu caísse sentado no chão, se jogando em cima de mim. Senti suas mãos rasgarem a camisa que usava. – Mas antes vou me divertir bastante. – Ele me olhou nos olhos quando disse isso e eu não pude ignorar que estava realmente perdido. Seus olhos eram vazios. Ele definitivamente estava louco. E eu estava muito ferrado.
Hiroto off
oOo
Tora on.
Não demorou para que derrotássemos os vampiros. Logo tínhamos dois corpos para nos livrar e um prisioneiro.
- Espero que você não tenha vindo sozinho. – Ele falou depois que prendemos o vampiro grandão que estava desacordado, com algemas especiais que o líder tinha guardadas. Vários machucados decoravam seu rosto e corpo.
- Não. – Respondi simplesmente. – Os meus companheiros devem estar lá fora com seu orgulho.
- Tora não é? – Ele perguntou e eu simplesmente o olhei com o cenho franzido.
- Não me olhe assim, todos no mundo sobrenatural já o conhecem Tigre. – Ele disse. – Você sempre foi noticia, mais ainda quando passou a morar com os lobos.
- Eu imaginava. – Na maior parte do tempo eu simplesmente queria esquecer a minha condição de único da linhagem e dava graças a Kami porque na matilha ninguém me incomodava por isso. Mas o fato de eu esquecer não queria dizer que as outras pessoas fizessem o mesmo. – Mas temos coisas mais importantes para pensar no momento.
- Minhas filhas! – De repente o leão parecia apavorado.
- Vamos encontra-las. – Falei e ele assentiu.
A primeira coisa quer fiz foi ligar para um dos lobos, precisava que alguém subisse e ficasse com o vampiro. Não queria que ele fugisse.
- Onde eles estavam mantendo o orgulho? – Perguntei a Kouji quando encontrei com ele no andar de baixo, depois de deixar dois lobos vigiando o vampiro lá em cima.
- Separaram mulheres e crianças dos homens. – Começou a explicar. – Mas quem estava vigiando para que não fugissem não eram só os vampiros. – Senti que Hiroshi, o líder do orgulho que estava ao meu lado se enrijecer. – Vários dos guardas eram leões.
- Havia alguém ferido? – Perguntei ignorando o grunhido que o homem ao meu lado deu.
- Não. Eles mantiveram os homens sob controle com ameaças de machucar as mulheres e vice e versa. – Kouji informou. – Os homens mais jovens que poderiam ser uma ameaça foram presos e mantidos separados dos outros dois grupos.
- Quem tramou isso, conhecia a dinâmica e rotina do orgulho. – Falei e Kouji concordou. – Havia muitos vampiros?
- Alguns, mas demos conta deles. – Mostrou as presas caninas em um sorriso satisfeito. – Prendemos os leões, no entanto, não queríamos passar por cima da autoridade do líder.
- Eu agradeço pela consideração. – Hiroshi disse ao meu lado. – Vou me certificar de dar um castigo exemplar para eles
— Agora seria melhor você nos levar até onde as mulheres e crianças estão. O líder quer ver suas filhas. – Anunciei e imediatamente ele nos levou até onde havia varias mulheres e crianças.
- Elas não estão aqui. – Hiroshi murmurou nervoso. – Ah! Mayumi! – Praticamente gritou quando avistou uma senhora no meio das mulheres. – Onde estão Akemi e Aya? – Segurou a pequena senhora pelos ombros.
- Eu... Eu juro que achei que iria protegê-las senhor, eu juro – Se apressou em responder, parecendo estar a um passo de se derramar em lagrimas.
- Onde elas estão Mayumi? – Sacudiu um pouco a mulher que murmurou algo. – Diga coisa com coisa Mayumi!
- Eu me lembrei dos antigos calabouços e as levei para lá. – A mulher parecia nervosa. – Achei que seria mais seguro para as duas. Mas depois de um tempo eu tive que sair para ver se estava seguro voltar e antes que eu desse dois passos para fora da biblioteca eles me pegaram. – Antes que as palavras terminassem de sair de sua boca, Hiroshi já havia se afastado dela e ido em direção a sua casa novamente. Apressei meus passos para acompanhá-lo, logo me vendo dentro da casa novamente. Hiroshi não parou em nenhum momento enquanto se guiava para o lado oposto das escadas.
- Onde ficam os calabouços? – Perguntei.
- Subterrâneo. – Explicou. – Fica debaixo da casa e era usado na época da grande guerra.
- E agora? – Perguntei enquanto o acompanhava.
- Está vazio. – Explicou. – Eu não mantenho prisioneiros aqui.
- Se está vazio porque a pressa? Suas meninas devem estar perfeitamente bem. –Falei.
- Não vi Hayato em lugar algum e não ficarei tranquilo enquanto não tiver minhas meninas comigo. – Estava claro que os vampiros haviam tido ajuda de dentro e pelo o que eu havia entendido Hayato, sobrinho de Hiroshi, era o mais suspeito. – Ele conhece os calabouços e é um dos poucos que sabem como pode chegar até lá. – Explicou enquanto passávamos por alguns corredores. – E ele é bem ressentido comigo.
- Por quê? – Ele parou por um momento antes de continuar o caminho. – Seu pai era o antigo alpha do orgulho e eu o desafiei e matei. – Eu não comentei e na verdade não era exatamente uma surpresa. Era bem comum que mortes ocorressem em desafios pela posição de líder. Como eu não disse nada, ele também se manteve calado.
Chegamos a um cômodo, que parecia ser uma biblioteca. Havia estantes que chegavam até o teto em todas as paredes e uma mesa no meio do cômodo. Hiroshi rodeou a mesa, tateando por debaixo desta e logo uma prateleira em uma das paredes se deslocou revelando uma porta. Ouvimos gritos, mas no momento nada poderia desviar minha atenção do cheiro que exalava de lá de dentro.
- MEU!
Desci rapidamente as escadas, deixando um Hiroshi assustado para trás. Mas eu não me importava. Meu companheiro estava em algum lugar ali em baixo e eu podia sentir o cheiro de seu medo.
Quando consegui chegar até onde o cheiro me chamava, meu tigre rosnou. Um homem prensava outro no chão. Segurando seus braços e sujeitando suas pernas com suas próprias. Estava bem claro para quem quer que fosse que o homem maior estava tentando estuprar o menor. Não demorou nada para que eu distinguisse qual dos dois era o meu companheiro pelo cheiro. Assim que o reconheci meu tigre assumiu.
Tora off.
oOo
Hiroto on.
Eu me debatia, tentando de todas as formas fazer com que o louco que me segurava me soltasse. Mas o desgraçado era forte o suficiente para que meus esforços passassem despercebidos, quase como se eu não estivesse fazendo esforço nenhum.
- Me solta desgraçado! – Gritei mais uma vez, mas ele somente riu.
- Quem diria hein? Que você fosse tão fraco... – Me debati ainda mais, mas continuou não tendo efeito nenhum. Suas pernas prenderam as minhas e suas mãos foram parar ao redor de meus punhos com força suficiente para fazer meus olhos lacrimejarem pela dor da pele áspera contra os machucados que já estavam ali antes. Gritei de dor e meu captor riu enquanto me encarava, me fazendo estremecer de medo e de nojo enquanto ele passava os olhos por meu corpo semivestido somente com as calças já que a blusa ele havia rasgado. Ele olhou os meus olhos enquanto passava meus dois pulsos para uma só mão e descia a outra pelo meu corpo até o botão da minha calça. Eu sabia que não tinha força nenhuma para me livrar do homem que me segurava, então fechei os olhos, rezando para aquilo ser rápido e para que nenhuma das meninas tivesse resolvido espiar pela fresta da porta. Ouvi um grande roncar e abri os olhos de uma só vez. O leão havia sido tirado de cima de mim e jogado do outro lado da cela, enquanto um maravilhoso tigre branco parava a minha frente rosnando para o outro. Havia mais um homem, que parecia estar meio assustado com tudo, parado em frente à porta. Olhei para onde o corpo do meu captor havia caído, vendo que ele estava em um ângulo estranho, a garganta aberta.
- Q-quem são vocês? – Perguntei enquanto me ajoelhava no chão, me odiando por minha voz estar tão fraca.
- Eu me chamo Hiroshi e sou o alpha do orgulho. – Ele me explicou calmamente enquanto entrava devagar na cela encarando o tigre. – O tigre que está na sua frente é Tora. Ele veio ajudar a resgatar o orgulho a mando da matilha Suzuki. – Meu corpo relaxou instantaneamente ao ouvir sobre a matilha. Eu havia conhecido Aoi pessoalmente e conversado com Reita varias vezes por telefone. Sabia que eu podia confiar neles. – Você está muito machucado? – sua voz sova preocupada e eu o encarei desconfiado.
- Eu já sofri pior do que alguns arranhões e curei. – Dei de ombros. – Apesar de reconhecer que se vocês não tivessem chegado a tempo eu teria o inferno a mais do que somente alguns arranhões. – Eu disse. Curiosamente a minha maior vontade era de me aproximar mais do tigre que não havia relaxado em nada a sua postura, vigiando o outro leão que estava desacordado, sangue empapava a sua camisa.
- Você pode agradecer ao Tora quando ele perceber que você já não estão mais em perigo e voltar a sua forma humana. – Seu tom era levemente divertido. E eu não entendi o motivo – ele foi quem correu para cá quando escutamos seus gritos.
- Pode deixar que eu irei. – Minha atenção se voltou para o tigre, que se sentou sobre as próprias patas, agora de frente para mim. Piscou e antes que eu sequer pensasse no porque, cedi a minha vontade inicial e toquei hesitante em sua cabeça fazendo um carinho e quase caindo para trás quando um som reverberou por todo o corpo do tigre me assustando um pouco. Demorou um pouco para que eu percebesse que ele estava ronronando. Igual a um gato.
- Ele está feliz com seus carinhos. – Hiroshi comentou enquanto checava a pulsação do outro homem. – Precisamos te tirar daqui. – Ele disse. – Não é um bom lugar para conversar.
- As garotas! – Praticamente gritei quando me lembrei que as garotas ainda estavam presas no armário. Contornei o tigre que rosnou com meu movimento se colocando em alerta de novo. Apenas revirei os olhos enquanto continuava o meu caminho. De uma estranha forma, eu não tinha medo dele, muito pelo contrario, tinha a sensação de que ele me protegeria. Cheguei até o armário soltando a tranca e abrindo a porta. Ambas gritaram de susto e eu me senti bem culpado por ter me esquecido delas. – Desculpem-me lindas. – Pedi enquanto as ajudava a sair.
- Otoo-san! – Ambas gritaram ao mesmo tempo em que se jogavam nos braços de seu pai.
- Minhas meninas... Eu fiquei tão preocupado com vocês. – Ele murmurou enquanto as segurava o mais perto possível.
- Hiroto nos ajudou depois que Mayumi saiu. – Akemi disse.
- Obrigado por ter ajudado minhas princesas. – O leão me agradeceu e eu desviei os olhos.
- Eu não iria deixar as duas sozinhas aqui. – Falei simplesmente, meio desconfortável pelo olhar de agradecimento. – Será que poderíamos sair daqui?
- Claro. – O líder me respondeu, dando uma olhada de esguelha para o corpo do outro leão no cômodo. Provavelmente pensando que era uma boa ideia tirar suas filhas do mesmo cômodo que um homem morto. Como se ecoando os meus pensamentos colocou a meninas mais nova no chão e mandou que as duas subissem as escadas.
- Hummm... – Pedi quando tentei ir atrás dele e o tigre começou a rosnar. – Será que seu amigo aqui irá me deixar passar? Porque ele não parece que irá.
- Se aproxime dele, faça carinhos em seu pelo, deixe que ele sinta que você está realmente bem. – Hiroshi me comandou suavemente. – Ele deve estar muito assustado em quase perder seu companheiro. – Eu estava a um passo de fazer exatamente aquilo que ele falou quando suas ultimas palavras afundaram em meu cérebro. Companheiro?
oOo
Ainda estava sendo extremamente difícil para eu realizar que eu realmente tinha um companheiro, que ele era um tigre branco e que agora estava deitado aos meus pés, vigilante como se estivesse preocupado de que alguém iria tentar me machucar.
- Você está bem? – Hiroshi perguntou sentando-se á minha frente. Estávamos em seu escritório após ele fazer os arranjos necessários e a casa aparentava um pouco de normalidade depois que os presos foram movidos para as celas e o vampiro que eles haviam capturado estava em outra cela reforçada com alguns lobos como guardas. Em nenhum desses momentos Tora me deixou sozinho e tampouco fez qualquer tentativa de mudar para a forma humana. Eu ainda estava chocado por quase ter sido estuprado e as palavras do leão que havia me atacado não saiam da minha cabeça. Como ele sabia que eu não podia mudar? O que ele quis dizer com tudo que jogou em cima de mim? Não ter essas respostas estava me incomodando, mas preferi me calar, sabendo que aquela não era a hora de encher o leão mais velho de perguntas.
- Sim. – Respondi, mas podia perceber que o leão não havia acreditado em minhas palavras. Não que eu o culpasse afinal tremores percorriam meu corpo de tal forma que estava sendo inútil tentar escondê-los. O tigre ao meu lado rosnou quando sentiu meu nervosismo e eu automaticamente passei minhas mãos pelo seu flanco, um toque que descobri que me acalmava da mesma forma que o acalmava. Agradeci mentalmente por ele ainda estar em sua forma de tigre, pois não sabia como iria lidar com sua forma humana ainda.
- Você não parece bem, mas acho que é compreensível. – Ele disse me observando. – Mas ainda não entendo o que você estava fazendo dentro daquela cela.
- Eu segui um dos vampiros que estavam planejando invadir. Fui inconsequente o suficiente para entrar aqui sem investigar mais profundamente. – Respirei fundo e expliquei. – Seu sobrinho me abordou e me levou para aquela cela. Prendeu-me e me deixou ali. Consegui me soltar e estava saindo de lá quando ouvi o choro de sua filha, e bom... Nós ficamos ali por um tempo até que seu sobrinho entrou novamente. Mandei as meninas se esconderem e o resto você viu. – Terminei o relato em modo automático tentando não me lembrar da sensação de quase ter sido forçado a fazer sexo com uma pessoa.
- Obrigado por salvar minhas filhas. – Ele disse assim que terminei e eu somente dei de ombros.
- Qualquer um faria a mesma coisa que eu. – Respondi.
- Não qualquer um. – Seu sorriso foi doce e o tigre ao meu lado se levantou e rosnou alto fazendo com que o leão levantasse as sobrancelhas. – Se acalme Tora, eu não tenho a mínima intenção de roubar seu companheiro. – Falou brevemente olhando para o tigre e depois voltou sua atenção para mim. – Desculpe se a próxima pergunta vai parecer grosseira, mas... Qual shifter você é? – Perguntou sua expressão mudando para a curiosidade. – Eu não fui capaz de distinguir seu cheiro, mas sei que não é humano.
- Você pode perceber que eu não sou um shifter comum. – Não pude evitar que um toque amargo saísse em minha voz. – Fui criado por coyotes, mas realmente não consigo fazer uma mudança completa. Meu cheiro não é facilmente discernível para os shifters também. – Dei um sorriso pequeno e ele foi gentil o suficiente para não fazer nenhum comentário.
- O que me intriga é o fato de meu sobrinho saber que você estava por aqui. – Fez uma careta.
- Isso também está me deixando com um pé atrás. Eu não acho que o vampiro sabia que eu o estava seguindo. – Falei.
- E não podemos perguntar nada para o meu sobrinho. – Balancei a cabeça concordando com o obvio afinal mortos não falam não é? E meu companheiro se certificou que o leãozinho não iria me machucar mais. Automaticamente apertei minhas mãos em seus pelos.
- Olha Hiroto, acho que você precisa de um tempo sozinho com seu companheiro. – Hiroshi pareceu desconfortável quando o tigre soltou um som que poderia parecer um gemido. – Vocês se conheceram em uma forma que poderia ser considerada traumática. – Eu não sabia se estava preparado para conhecer meu companheiro em sua forma humana. Com certeza estava apavorado diante de tantas possibilidades. E se ele tivesse decidido me rejeitar porque havia escutado o quanto eu sou danificado? Afinal de que serventia teria um companheiro que nem poderia mudar para sua forma animal? O que ele ganharia com um companheiro como eu que mal podia se virar sozinho?
Estremeci somente com a ideia de que ele iria se mudar para a forma humana somente para me dizer que não me queria. Eu estava tão compenetrado em meus pensamentos que não vi que o leão já tinha deixado à sala.
Hiroto off
oOo
Tora on
Eu podia sentir o nervosismo de meu companheiro quando Hiroshi falou que precisávamos de um tempo sozinhos para conversar e de certa forma entendia o que ele estava sentindo, pois estava sentindo a mesma coisa. E se não nos déssemos bem? E se ele não me quisesse? E se agora quando nos acasalarmos ele corresse perigo apenas por ser meu companheiro?
Balancei a cabeça tentando fazer com que aquelas questões sumissem e suspirei sabendo que um de nós teria que dar o primeiro passo e que este teria que ser eu. Concentrei-me e deixei que meu corpo se modificasse alcançando a minha forma humana ajoelhado a sua frente. Nos encaramos por vários minutos. Minutos esses que me pareceram horas, antes que ele levantasse uma de suas mãos e acariciando o meu rosto.
- Você é tão bonito... – Sua voz não saiu mais alta do que um sussurro quando ele disse isso.
- Você que é lindo! – Disse de volta e ele sorriu para mim.
- Acho que a visão de um tigre não é tão boa afinal. – Brincou.
- A minha visão é perfeita. – Retornei a caricia segurando seu rosto. – Você é realmente lindo. – Ele desviou o olhar do meu, obviamente sem graça, mas tentando não demonstrar seu desconforto.
- Obrigado por me salvar. – Mudou de assunto ainda mantendo os olhos afastados dos meus.
- Acredite em mim se eu pudesse ressuscitar o cara eu faria só para mata-lo novamente. – Respondi por pouco não rosnando quando me lembrei da cena lá embaixo. Ele também se lembrou porque seu corpo foi sacudido por um arrepio. Eu automaticamente enrolei meus braços a sua volta para um abraço, o apertando de encontro ao me corpo, o conhecimento de que eu o poderia ter perdido antes de ter a chance de conhecê-lo afundando em meu ser, me fazendo apertá-lo mais forte.
- Eu não consigo acreditar que eu finalmente encontrei meu companheiro. – sua voz saiu abafada e eu não pude deixar de concordar com o sentimento. – Eu cheguei a achar que não o encontraria nunca.
- Eu também pensei a mesma coisa. – Respondi o soltando um pouco para que pudesse olhar em seus olhos. – Mas não posso deixar de me sentir agradecido por ter estado errado. – Nos olhamos por um momento e só então percebi o quanto estávamos próximos um do outro, nossas bocas somente a centímetros uma da outra, nossas respirações se chocavam – Eu... – Minha boca secou tornando difícil para as palavras saírem, mas no final nenhuma palavra precisou ser dita. Meu companheiro se abaixou, pois eu ainda estava ajoelhado a seus pés, e colou seus lábios aos meus e o mundo deixou de existir... Peguei seu rosto entre minhas mãos e aprofundei o beijo, meu tigre rosnando diante do primeiro gosto.
O beijo me levou de zero a cem em segundos, um gemido escapando de meus lábios. Meu corpo estava quente, o calor do acasalamento tomando todas as possibilidades de ir devagar. Levantei-me, levando o meu companheiro junto. Ele era mais baixo que eu e por isso teve que se firmar em meus ombros e se colocar nas pontas dos pés. Ele gemeu e eu o apertei ainda mais de encontro a mim. Eu não podia me ajudar. Precisava reivindicar meu companheiro naquele instante.
Tora off
oOo
Hiroto on.
Eu não conseguia me mover, eu mal conseguia pensar. A única coisa que me guiava eram os meus instintos e esses estavam apontando que ali era o lugar onde eu deveria estar; nos braços de meu companheiro. Agarrei-me a seu pescoço quando beijo evoluiu para algo quase selvagem e choraminguei enquanto sua língua saqueava a minha boca. Mas não era o suficiente... Eu precisava de mais, o que era no mínimo incomum já que eu nunca fui muito entusiasmado quando o assunto era sexo. Mas naquele momento não importava, nada importava... Eu só precisava sentir mais do meu companheiro. Senti que era levantado do chão por braços fortes, a falta de ar fazendo com que desfizéssemos o beijo, mas não o contato entre nossos corpos.
- Nós deveriamos ir mais devagar. – Ele disse não muito firme enquanto me encarava ofegante. Não respondi verbalmente, somente abaixei a cabeça, distribuindo beijos por seu pescoço. Eu não queria ir devagar, eu precisava dele naquele momento mais do que precisava de ar. Ele gemeu em resposta aos meus beijos e se moveu, comigo ainda em seu colo, me virando e me prensando na parede ao lado da porta, forçando a minha cabeça para cima, reivindicando meus lábios novamente. Apertei ainda mais as pernas a sua volta.
Gemi em protesto, quando seus lábios se afastaram dos meus novamente, mas logo estava gemendo de prazer, pois senti beijos em meu pescoço. Minha cabeça caiu para trás contra a parede com um baque pequeno enquanto tentava dar ao meu companheiro mais acesso. Cada osso em meu corpo parecia estar derretendo diante da intensidade de suas caricias. Minha pele formigava por onde quer que suas mãos me tocassem, enviando um estremecimento de necessidade interior por mais. O engraçado era que eu normalmente não agiria assim se fosse com outra pessoa, mas com meu companheiro tudo o que me importava era tê-lo.
- Por favor... Eu preciso de mais... – Meus gemidos foram somente ofegos e eu realmente não sei se ele me entendeu. – Eu quero ser reivindicado meu companheiro.
Hiroto off.
oOo
Tora on.
Ouvir da boca de meu companheiro que ele precisava ser reivindicado acabou com qualquer ilusão de controle que eu estava tentando manter até o momento. Apertei-o ainda mais de encontro a mim, reivindicando novamente seus lábios. Naquele momento nada me importava além dele. Nem o fato de termos acabado de sair de uma luta, nem o fato de que havíamos acabado de nos encontrar e muito menos o fato de que estávamos em um orgulho de leões e no escritório do líder desse orgulho. Nada disso passava por minha cabeça. Firmando seu corpo contra o meu e sem interromper o beijo, nos guiei
às cegas até que senti que nos chocávamos contra a mesa no centro do cômodo. Em um único movimento, passei uma de minhas mãos na superfície, retirando os itens que ali havia. Fiz com que ele se deitasse na superfície e tomei um momento para admirar o meu companheiro, lindo e disposto para mim, mesmo depois de tão pouco tempo.
- Você pretende continuar só olhando ou vai fazer alguma coisa? – Ele disse me surpreendendo um pouco. Ele não parecia nada tímido olhando dessa perspectiva. Ergui uma sobrancelha.
- E se... – Passei a mão por suas coxas antes de segurar com força, o puxando de encontro a mim, fazendo nossas ereções se chocarem, arrancando gemidos sôfregos de nossos lábios. – E se... Eu decidir que quero só olhar? – Minha voz saiu muito mais rouca e instável do que deveria e ele sorriu me mostrando definitivamente ele não era nada tímido quando o assunto era sexo.
- Então eu posso ter que me virar sozinho... – Abriu mais as pernas, me fazendo gemer novamente. Eu até tentei me segurar em qualquer fiapo de sanidade, mas com ele olhando para mim daquele jeito... Fechei os olhos e respirei fundo tentando encontrar algum controle, afinal eu não queria machucá-lo.
- Você não vai ter que se virar sozinho... – Minha voz era quase irreconhecível, com um tapa afastei suas mãos que estavam em seu membro, acariciando. – Basta ter um pouco de paciência.
- Eu não quero ter paciência! – Ele fez um leve bico. – Eu quero você. Agora. – Praticamente exigiu. E de repente era muito para resistir. Um homem tem o mínimo de provocação que pode aguentar certo? Eu queria ir devagar, mas já que ele queria diferente, o meu trabalho era tê-lo feliz e satisfeito. Abaixei a cabeça, tomando seus lábios nos meus novamente, deixando que a luxuria e os desejos transparecessem em meu beijo. Agarrei sua mandíbula, o obrigando a ficar parado enquanto eu o beijava. Deixei que minhas mãos vagassem, afastando de vez o cobertor que, não sei como, ainda estava em volta de seus ombros. Minhas mãos automaticamente foram para seus mamilos, puxando e torcendo-os, fazendo com que ele arqueasse a coluna acima da mesa, um gemido baixo de necessitado saindo de seus lábios. Puxei com mais força, fazendo com que os gemidos saíssem mais altos. Continuei o meu caminho, passando por seu abdômen e parando em sua virilha, acariciando lentamente seu membro por sob a calça que ele ainda sustentava, por pouco tempo, pois logo eu a estava tirando, precisando sentir mais pelo dele. Desviei meus lábios por seu pescoço e peito me deleitando com a visão de seus lábios entreabertos, seus olhos fechados... Pequenos gemidos e suspiros saindo de sua boca enquanto eu continuava acariciando-o
- Eu preciso... – Pediu com voz sumida pela falta de ar e eu aumentei os movimentos em seu membro com uma mão enquanto levantava a outra até a altura de seus lábios. Não tínhamos lubrificante então saliva teria de servir. Ele pareceu me entender, pois tomou meus dedos em seus lábios sugando, os deixando molhados e levando qualquer senso de razão que eu ainda conservava. Depois de alguns minutos de pura tortura, mandei que soltasse meus dedos enquanto terminava de tirar suas calças. Como eu havia acabado de trocar de forma, roupas não eram um empecilho no meu caso. Nada mais estava entre nossas peles e soltei um gemido abafado somente com a sensação de pele com pele. Deitei-me parcialmente por cima dele, a posição um pouco desconfortável em um primeiro momento, mas somente sentir o seu calor fez com que qualquer sinal de desconforto sumisse. Tomei seus lábios nos meus mais uma vez. Eu não me cansava de beijá-lo... Seu gosto era maravilhoso. Ele era maravilhoso, lindo da cabeça aos pés. Suas mãos foram ao redor do meu ombro e pescoço, passando as unhas de leve, enquanto gemia em minha boca. Aproveitei-me de seu prazer envolvendo novamente minha mão redor de seu membro, o fazendo arquear sob meu toque enquanto meus dedos foram de encontro a sua entrada. Circulei com meu dedo indicador por um tempo, saboreando antecipadamente o prazer que teria ao estar dentro dele. Com cuidado inseri um dedo só para ser preso no calor forte de resistência e empurrei devagar, me deleitando com a sensação de calor e aperto.
Seu corpo se tencionou por um momento, mas logo relaxou, possibilitando que eu inserisse outro dedo, mergulhando mais, tesourando os dedos, esticando os músculos para fora. Eu observava o seu rosto de perto para detectar quaisquer sinais de desconforto ou dor e não o achei nenhum. Meu companheiro olhou de volta para mim, suspiros e ofegos deixando seus lábios. Em nenhum momento nossos olhares se desviaram um do outro. Era um momento único e mágico e só nosso. Deslizei mais um dedo para dentro alargando o canal apertado ainda mais.
- P-por favor – Ele gemeu, os olhos fechados, empurrando seus quadris para frente de encontro aos meus dedos. – Eu preciso de você dentro de mim... Por favor... – Sua voz era baixa e ofegante e eu estava desamparado para fazer qualquer coisa além do que ele me pedia. Respirei fundo enquanto tirava meus dedos de dentro dele e me posicionava colocando a cabeça do meu membro pressionando sua entrada. Eu sabia que deveria ir com calma, mas não tinha certeza se poderia me frear agora... Não com meu companheiro daquele jeito: exposto e desejando... Desejando-me. Isso era quase demais para suportar. Empurrei lentamente na estreita passagem, fechando os olhos para saborear a sensação de calor e o aperto aveludado. Abri os olhos para encontrar meu companheiro me encarando com a mesma expressão maravilhada que tenho certeza estava refletida em meu próprio rosto. Fechando os olhos, pedi aos céus por paciência, pois não queria nada mais do que me mover dentro dele e marca-lo como meu. Mexi os quadris experimentalmente em torno de seu tecido sensível. Deixei que saísse um gemido quando ele também se mexeu, fazendo com que choques de prazer percorressem meu corpo. Toda vez em que escorreguei de volta para seu calor fiz questão de apontar e empurrar contra sua próstata. Meu companheiro gemia suas mãos agora descansando em volta de meu pescoço, se segurando mais apertado quando devagar não era mais possível e meu ritmo mudou par algo mais selvagem, meu tigre rosnando em aprovação. Continuei empurrando e sentindo-me cada vez mais perto de meu ápice, mas eu não queria que fosse assim... Eu queria dar prazer a ele primeiro. Como um homem em uma missão, escorreguei uma de minhas mãos para se envolver em torno do seu eixo cronometrando junto com meus movimentos, empurrando profundamente. Consegui arrancar mais e mais gemidos e não demorou muito antes que meu pequeno companheiro chegasse ao seu ápice, gemendo de tal forma, me fazendo sentir o homem mais feliz e sortudo do mundo. Como o músculo de meu companheiro convulsionando em torno do meu membro, não demorou muito para que eu encontrasse meu próprio ápice.
E ali naquele momento eu me dei conta de que havia encontrado o meu companheiro e que ele era perfeito para mim, lágrimas vieram aos meus olhos, pois me lembrei de que sempre me imaginei terminando sozinho e isso não iria acontecer nunca. Eu tinha um companheiro. A solidão não era mais uma opção.
oOo
Fale com o autor