Quem Nós Somos?

21 E - Encantadoramente frustrante?


Notas iniciais
Reta final da fic, HAUHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAH Brinks... quer dizer, mais ou menos. Depende do ponto de vista, tipo, vou fazer até o cap 30 (máximo), então é reta final? Oh, God... i dont know Enfim, vai ler o cap, que tá tri. U_U

"Eu venho perambulando por aí, sempre menosprezando tudo o que eu vejo
Caras pintadas, preenchem os lugares que eu não consigo alcançar

Você sabe que eu poderia ter alguém (...)

Alguém como você, e tudo que você sabe, e como você fala
Inúmeros amantes escondidos na rua

Você sabe que eu poderia ter alguém como você (...)

Saio andando pela noite, enquanto você vive, eu vou dormir
Começando guerras para sacudir o poeta e a batida
Espero que faça você notar
Espero que faça você notar
Alguém como eu."

Kings of Leons — Use Somebody

Por Eadlyn Schreave

Durante o outro dia uma chuva forte castigou a fazenda dos Campestro. Como se o aguaceiro não fosse o suficiente, o vento uivava do lado de forta, e eu me abracei para manter o calor do meu corpo. Fico ali, durante não sei quanto tempo, observando as copas das árvores balançando de forma caótica, como se tivessem dançando algo em câmera rápida.

Estou sozinha no quarto abarrotado, com três camas, onde duas delas estavam completamente desorganizadas. Claramente, a única que está com os lençois terrivelmente esticados, e os cobertores dobrados com perfeição acima dos travesseiros, é a minha e de Kile. Não que eu tivesse arrumado, até porque não me importo de dormir em cama bagunçada, mas o Woodwork fazia questão de arrumá-la todo santo dia. Lembro-me vagamente de como o quarto dele é organizado... será que ele tem TOC? Balanço a cabeça de um lado para o outro, fazendo com que uma mecha de cabelo caísse sobre um dos meus olhos. Abro um sorriso singelo. TOC não deve ser, mas que o cara é irritantemente bem organizado, isso é. Acho que a única coisa que ele deixa pra escanteio quando o assunto é arrumação e limpeza, são os tênis.

Pensando nele, acabo suspirando baixinho. Escoro a lateral do meu rosto no vidro gélido da janela, e meu hálito acabou esbranquiço-o. Ultimamente, ando me sentindo estranha quanto a ele. Não só porque eu queria beijá-lo novamente — o que é incoerente, porque eu não sinto nada demais pelo o Kile-, mas porque a cada dia que passa, sinto que estou desenvolvendo algum tipo de simpatia pelo o imbecil. Reviro os olhos. Meu Deus, isso é tão esquisito, que chega a ser patético. De tão patético, só fui confirmar realmente ontem a noite, quando Fernanda veio falar comigo.

—Oi, Ead — balbuciou ela, os olhos me analisando atentamente.

Me virei para ela vagamente, e então continuei o que estava fazendo. No caso, era extremamente importante. Pintar as unhas com uma cor de rosa linda e maravilhosa é importante, não é? Bom, pra mim sim. Como a ignorei, Fernanda puxou uma cadeira da cozinha, e sentou-se de frente para mim. Seus cabelos estão com um rabo de cavalo na lateral da cabeça, e seus lábios com um batom alaranjado. Ela pisca pra mim, e eu fico a encarando, minha expressão de poucos amigos.

—Você ainda está de mal comigo? — Me pergunta.

Inclino a minha cabeça para o lado, franzo os lábios, e aí concentro a minha atenção novamente nas minhas belas unhas. A garota faz um barulho desagradável, que parecia que tinha vindo do fundo de sua garganta.

—Sério, Eadlyn. Não acredito que está me tratando assim só por causa do que disse sobre Dandara! — Continuou ela, como se não tivesse sido ignorada por mim. -Não sabia que eram tão amigas a ponto de você se sentir ofendida — concluiu, inclinando-se para trás na cadeira e cruzando os braços.

Resolvo agraciá-la com a minha linda voz.

—Dandara? Quem é essa? — Retruco, com um sorrisinho maroto arqueando o canto dos meus lábios.

Fernanda fecha a cara.

—Para com isso, você sabe muito bem.

Termino de pincelar a minha última unha, e então fecho a tampa do esmalte calmamente, antes de sacudir minhas mãos no ar — para estimular o esmalte a secar mais rápido — e finalmente digo:

—Achei extremamente idiota o que você disse sobre a Dandara, até porque você sabe tanto quanto eu como a garota sofreu por estar acima do peso — começo, tentando manter minha voz em nível baixo, pois alguns dos meus amigos estavam ali mesmo, na cozinha, preparando algo para jantarmos, e o restante na sala, que ficava a poucos metros dali.

—Sim, eu sei... mais foi divertido, confesse — diz, abrindo um sorriso malicioso e divertido pra mim. Não vou negar que muitas vezes Fernanda e eu nos juntávamos com algumas outras meninas, e falávamos mal dos outros, mas acontece que dessa vez eu não vi graça alguma, apenas maldade. Não que eu fosse um doce de candura, como o Kile adora observar, mas naquele momento eu percebi o quanto aquilo era idiota, até porque eu mesma já havia passado por isso. Fiz tanta questão de me esquercer de como era que, como consequência, acabei esquecendo também de como é ruim ser maltratado pelo os outros. Provavelmente continuarei zoando os que são desafortunadamente menos populares que eu, mas posso tentar evitar de fazer quando se trata de amigos. Ou quase amigos, enfim.

—Com licença que eu ainda não terminei de falar — eu digo, fingindo que não escutei o que ela acabara de murmurar. -Mas a questão toda, é que você estava dando em cima de Kile escancaradamente na minha frente. E você tem que dar graças a Deus por eu não ter batido na sua cara — termino, e então abro um sorriso inocente e pisco os cílios algumas vezes.

Fernanda se inclina ainda mais para trás, arrastando um pouco a cadeira. Ela faz uma careta.

—Não sou a Julieta pra você achar que tem o direito de bater na minha cara — retruca.

Eu poderia cuspir nos olhos dela, que são grandes o suficiente pra eu conseguir acertar de onde estava. Talvez eu pudesse fazer um certo esforço e ir até o outro lado da mesa, para ela sentir o quão macia é a palma da minha mãozinha — graças aos cremes importadados que faço questão de usar todos os dias. Mas como os avós de Micaela estão ali, e eu não queria que eles pensassem que eu era barraqueira, resolvi deixar passar e dar atenção a outra coisa:

—Julieta contou que eu bati nela? -Pergunto surpresa e incapaz de controlar o sorriso que deixou todos os meus dentes à mostra. Será que ela não tem vergonha na cara e contou pra todo mundo?

Fernanda parece confusa com a súbita mudança de assunto, e então seu corpo, que até então parecia tenso e preparado para se defender de alguma agressão, relaxou diante de mim. Ela balança a cabeça em concordância.

—Sim, mas foi porque eu a vi praticamente correndo por um dos corredores do prédio do domitório feminino com uma mão tapando a lateral do rosto.

Meu Deus, aquilo apenas melhorava.

—Chorando? -Não que eu achasse possível, mas meu sorriso alargou-se ainda mais.

—Aham.

—Bom saber — murmuro, enquanto cruzava os braços, tomando o cuidado de não borrar o esmalte. A encaro com uma expressão de posso-saber-porque-ainda-está-me-importunando?

Um silêncio pairou no ar por alguns segundos, até que Fernanda diz:

—Desculpe — fala, parecendo incomodada.

Franzo a testa.

—Pelo...? Sobre Dandara, deveria pedir desculpas a ela. Se não reparou, não fazemos parte do mesmo corpo.

—Não, sobre Kile. Não havia me dado conta de que estava te incomodando.

Ah tá, né.

—Não sou cega, graças a Deus.

—Mas com o Eikko você não dava bola.

Fito para além de seus ombros, refletindo com o cenho franzido. Ela também dava em cima do Erik debaixo do meu nariz? Assim como fez com o Kile? E eu não percebi?

Mas tem garotas que o nível de putaria chega a mil, que é o caso da pessoa que está sendo abençoada por respirar o mesmo ar que eu. Como fico quieta, ela continua:

—Você me desculpa? -Pede de novo. Com um suspiro rápido, e me erguendo graciosamente da cadeira, olho para ela de soslaio e murmuro:

—Terá que se esforçar muito mais que isso para que eu pelo o menos cogite a possibilidade de te pedoar — digo, jogando meu cabelo para o lado e lhe lançando uma piscadinha antes de me retirar.

E foi a partir dessa conversa que eu soube que simpatizava o um pouco com Kile, a ponto de prestar atenção nele o suficiente para reparar nas piranhas que estão sempre ao redor. Não que fosse ciúmes, longe disso... sério, nada a ver isso aí, mas ele era meu, e eu sou possessiva. O que me pertence, sempre irá me pertencer até eu me enjoar e jogar fora. No caso, eu jogaria mais ou menos daqui 4 meses e meio, quando acabaria o contrato.

Sinto um arrepio erguer os pelinhos dos meus braços, me fazendo dar alguns passos para trás, as frestas da janela deixavam entrar a friagem de fora. Me viro para a frente, ainda de cabeça baixa, até que esbarro em algo. Na verdade, em alguém. Era Kile Woodwork, com uma camisa escura e de gola, usando jeans claros e skinny, com tênis escuros também. Ele está de óculos, e seus cabelos emolduravam seu rosto de forma caótica. Estava quase na hora de cortar, mas não que ele ficasse feio assim. Sua barba também havia crescido nesse pouco tempo que havíamos chegado aqui na fazenda. Kile segura os meus ombros, e então me afasta cautelosamente, e ergue uma de suas sobrancelhas.

Um sorrisinho divertido pairou em seu rosto.

—Estava pensando na morte da bezerra? -Solta ele. Reviro os olhos e coloco alguns fios de cabelo atrás das orelhas.

—E você estava o quê? Me espionando? -Retruco, ao fazer cara de tédio.

Ele riu um pouco.

—Você quando está quieta, parece até uma santa — e então para, olha para o teto, para mim e continua: -o que é improvável, todos sabem que você está longe de ser uma santa -e aí ele dá mais uma risada. -Mas que tem a beleza de uma... ah, isso é fato.

—O que aconteceu? Trocou o grau dos seus óculos? Anda fazendo tantas observações de como eu sou bonita — retruco. Não que ele precisasse me dizer isso, porque eu já sabia.

Kile parece refletir por um momento.

—Você tem razão. Será que você fez uma lavagem cerebral em mim? — Me indaga, fingindo uma exagerada expressão de terror no rosto, e colocando as mãos no alto da cabeça. — Será que é essa a hora que eu saio correndo, fugindo de você e finalmente me desprendo dos feitiços de encantamento da bruxa, que no caso é você? — Seus olhos arregalaram-se de forma dissimulada.

—Você é tão detestável, Woodwork — resmungo, ao passar por ele, mas ele me impede de seguir adiante, pois segura meu pulso, fazendo com que eu me virasse pro seu rosto novamente. — Que que foi dessa vez? Mais alguma piadinha sem graça? -Pergunto, meio irritada. Kile tinha o dom de mexer com o meu humor, que já era bem instável por sinal.

Ficamos nos encarando. Kile está sério, me observava atentamente, e então me solta. Sem mais e nem menos. Às vezes eu fico com a impressão de ele desiste quando está prestes a dizer ou fazer algo, e isso apenas serve para me irritar mais.

—Você está gelada -observa, caminhando até sua mala que está abaixo da cama. Fico olhando enquanto ele abre o zíper da grande bolsa que trouxera consigo. -Não trouxe roupas quentes ou de meia estação? -Questiona, ainda de olho no conteúdo dentro da bolsa.

—Estava calor, não imaginei que a temperatura iria cair -resmungo, ao sentir um arrepio tremer o meu corpo por um momento.

Kile volta trazendo um moletom vermelho, me estende a roupa, a expressão séria. Quando hesito por tempo demais, ele diz:

—Vai pegar logo ou vou ter que eu mesmo enfiá-lo pela a sua cabeça?

—Seu ogro — falo ao revirar os olhos e praticamente puxar o moletom da sua mão. Passei desajeitadamente a gola pela a minha cabeça, e os braços pela as mangas, que ficaram grandes demais. Eu estava quase navegando ali dentro. Assim que ergui a cabeça, dei de cara com um Kile se esforçando para manter a expressão neutra. -Você é maior que eu... claro que ia ficar grande... — digo, enquanto puxava o capuz para cima da cabeça. — Mas, como você deve saber, eu fico linda com qualquer roupa, mesmo sendo um trapo como esse.

—Mal agradecida — rebate.

Dou de ombros.

—Sou mesmo.

—E aí?

—E aí o quê?

—Não vai me agradecer? — Um pequeno sorriso despontou em seus lábios.

Faço uma careta.

—Obrigada — resmungo.

—De nada. — E então ele passa por mim, mas antes de sair pela a porta, ele conclui:-Na verdade, deveria agradecer à nossa viagem a Londres. Depois daquilo, aprendi que devemos sempre levar algum agasalho, mesmo que seja verão.

Reviro os olhos.

—Ok, Kile-o-manjador-dos-paranaues — digo, e ele abre um sorriso maroto antes de desaparecer porta a fora.

Lá pela a metade da tarde, estávamos todos sentados na sala dos avôs de Richard e Micaela. O lugar até que era espaçoso, mas mesmo assim Pietro, Fernanda e Josafah tiveram que sentar no carpete marrom no chão, com as costas escoradas no sofá. Katherine sugeriu um filme para assistir, e Louise encheu o saco dizendo que queria uma comédia romantica. E o pior é que o filme era meloso demais, mesmo que desse para dar várias risadas ao decorrer dele. Era tipo uma versão moderna de um conto de fadas, e eu acabei me lembrando de quando era mais nova e desejava ardentemente que um príncipe viesse com o seu cavalo branco — poderia ser uma moto, ou um carro branco também — e me transformasse em sua princesa. Rídiculo.

Agora sei que principes não existem. Garotas, principes não existem. Não adianta chorar e esperniar, o cara perfeito e rico e lindo e maravilhoso está somente nas cabecinhas férteis.

Se contentem a achar um amor de verdade. E isso quer dizer que não vai ter nada a ver com livros e filmes de princesas. Aceitem.

Eu já aceitei, há muito tempo, quando nenhum garoto nunca me convidava pra sair.

Durante o filme, me espichei para o lado, e sussurrei para Miecaela:

—Como vai o seu romance juvenil? -Quis saber.

Ela quase marejou os olhos. E eu estou falando sério.

—Ele é muito tímido -desabafa enquanto repousava a cabeça no meu ombro.

—Chama ele pra um jantar, então — digo, fazendo cara de "hello, acorda pra vida".

—Isso é o cara que tem que fazer — diz, ao erguer o rosto para me olhar, seus lábios formando um beicinho.

—Isso é tão anos 50 — retruco.

—Queria ser corajosa como você — choraminga.

—Coragem a gente desenvolve, poucos nascem com ela. Agora chame o Josafah ou então eu irei tomar as minhas próprias atitudes quanto a isso — falo, séria. Micaela abriu muito os olhos, e então fez uma careta frustrada.

—Você não pode fazer isso. Pare de fazer isso. Não, não, não. Pare.

Abro um sorriso de canto.

—Você não me deixa alternativas.

—Você é a pior amiga do mundo.

—Eu sei.

Ela se vira pra grande TV na estante de carvalho, e cruza os braços firmemente diante do corpo. Alguns minutos depois, Micaela olha pra mim, e murmura baixinho:

—Acho que ele não gosta de mim.

—Ele não é tarado como o Pietro, ele deve gostar de você do jeito dele. Você é linda... só não mais do que eu, mas é.

Ela riu um pouco, e eu acabei abrindo um sorriso.

—E se ele não se ligar em aparência? Preferir conteúdo? E se eu não tiver o perfil dele? — Micaela faz todas essas perguntas rapidamente, num jato. As palavras emabaralhando-se uma na outra.

—Parece o Kile falando isso -digo com desdém. — Só se o Josafah for igual o Woodwork, daí isso pode ser uma verdade. Mas geralmente, os caras normais dos 13 ao 27 anos só querem saber de gostosas. E você pode fazer o tipo de qualquer um — digo, com um tom de voz que sugeria que eu realmente sabia do que estava falando... o que não é necessariamente verdade.

—Da onde veio isso? — Pergunta ao franzir a testa.

Dou de ombros.

—Inventei agora — digo. E aí nós duas rimos baixinho.

—Sério, tomara que o Josafah seja como o Kile. Ele é tãããããããão fofinho, e quando vocês interagem fica mais fofinho ainda — diz, enquanto se abraçava e balançava o tronco.

—Menos, Micaela, menos.

—Shhhhiu! — Diz alguém, e eu não soube dizer quem era. Micaela e eu nos entreolhamos, fazendo cara de nojo, e então ficamos em silêncio.

Quando finalmente o filme acabou, eu dei a ideia de jogarmos Uno. Todos gostaram da ideia, mesmo que tenhamos discordado quanto as regras antes de começar. E diga-se de passagem que essa coisa de "discordar" fez a gente perder uns 30 minutos para escolher qual regra iriamos seguir para dar inicio ao jogo. No fim, ficou uma mistura de todos. Eu poderia ter mencionado que as regras do Uno estavam dentro da caixinha, mas estava mais divertido ver Diogo e Fernanda quase pulando em cima da cabeça um do outro para ver qual que estava certo.

Cerca de uma hora mais tarde, Pietro diz:

—Não quero mais sentar ao lado da Eadlyn — murmura, parecendo chateado. — Ela só me manda o +4, isso é injusto! Como vou vencer essa porcaria?!

—Me poupe, querido. Se você não sabe lidar com isso, não jogue.

—O quê? — Kile se manifesta. — Não faz nem meia hora trás e você mesma estava reclamando que eu só jogava cartas ruins pra você — rebate ele, dando risada em seguida.

—Eu posso, ele não.

—Por quê, Eadlyn? Quero trocar de lugar — Pietro avisa. — Alguém se manifesta?

Todos se entreolharam, porém ninguém deu sinal de que aceitaria a troca.

—Calma, Pietro — Kile diz, enquanto observava suas 3 cartas organizadas em forma de leque em sua mão. Ele abre um sorriso maroto. — Aqui, um reverte. Agora é você que vai jogar pra Eadlyn.

—E agora eu que vou jogar pra você — digo, olhando para o Woodwork com um sorrisinho divertido.

—Iiiiiiiih, chamou pra Fight! — Gritou Diogo e então Richard começou a bater na mesa.

—Se eu fosse você Kile, não deixava assim!

—Obrigada por se sacrificar por mim, irmão — murmura Pietro, inclinando-se para o lado pra poder dar um soquinho na mão de Kile. — Essa garota tem muita sorte pra pegar as cartas certas pra te ferrar.

—Eu sou a diva que você quer copiar, Pietro — falo, olhando pra ele com uma sobrancelha erguida.

Kile olhou de Pietro pra mim, e então começou a gargalhar, fazendo um gesto meio "aboiolado" com uma das mãos e fingindo que jogava os cabelos invisiveis de um lado para o outro.

E aí eu comecei a rir também, e fiquei surpreendentemente feliz em ouvir a risada dele. Porque eu sabia que era de verdade, Kile não fazia nada somente para me agradar — ou qualquer outro que fosse -, e isso era, estranhamente, reconfortante... essa coisa de poder acreditar que alguém elogiava ou ria ou concordava com você, porque simplesmente te acha bonita, te achou engraçada e concorda contigo de verdade, sem nenhum outro motivo oculto.

Eu ainda o achava irritante, mas estou aprendendo a gostar dessa parte de sua personalidade. Um pouco pelo menos... e quando ele não está me ofendendo.

De repente, todos estavam rindo. Rindo da minha risada, porque eu, infelizmente, puxei a forma de rir escandalosa do meu pai. Evitava rir alto, mas quando dei por mim, já comecei a gargalhar. Quando finalmente me acalmei, me sentindo leve — há quanto tempo eu evitava rir dessa forma por vergonha da minha risada? Um bom tempo, sem duvida — e contente, me deparei com Kile me olhando fixamente, sorrindo tanto que aquele ditado de "sorrindo de orelha a orelha" poderia se encaixar aqui. Ele se inclinou para mim, ainda me olhando e mostrando os dentes, colocou as mãos uma de cada lado do meu rosto, e murmurou com os lábios próximos dos meus:

—Você é tão frustrante. Encantadoramente frustrante.

Notas finais
Ta, tá... não ficou TÃO tri assim, mas deu pro gasto q ahauhauha