Quem Nunca Amou Um Idiota?
4 O acampamento militar
Notas iniciais
Peguei a primeira coisa que vi na frente, no caso um travesseiro que puxei debaixo da cabeça de uma menina loira que dormia, taquei o objeto na parede. Eu tinha dormido no dormitório feminino vermelho, ou seja, havia dormido com minhas rivais, e nenhuma delas havia feito a caridade de me acordar, e só tinha eu e uma loira no lugar, ela acabara de acordar assustada.
— O que aconteceu? Terremoto? Tsunami? — olhei séria para a garota que me olhava do mesmo modo— Argh, esquece.
Me levantei bruscamente da cama, quando a monitora do time vermelho apareceu na minha frente.
— Samantha e Lissy, como vocês foram as ultimas a se levantar a louça é toda de vocês, boa sorte! — ela riu de canto enquanto ia saindo.
— Eu é que não vou lavar essa louça. Vem Lissy— puxei a menina pelo pulso e fui arrastando ela até a saída do dormitório.
Pensei que Lissy fosse reclamar, mas ela parecia estar pouco se importando, ela apenas me seguia enquanto eu marchava para o refeitório, mas ao chegar lá, surpresa: não tinha mais comida. Me enfureci. Como assim, sem comida?
— Estou com fome — Lissy leu meus pensamentos.
— Vem, eu vou dar um jeito para a gente comer.
Avistei de longe no quintal do acampamento, uma macieira formosa.
— O que você acha de umas maçãs, Lissy? — eu a olhava diabolicamente e ela assentiu com a cabeça.
— Fique a vontade para escalar— Eu apontava para uma maçã que estava bem no alto, ela era tão perfeita que parecia de plástico.
— O quê? Eu? Mas... —eu a interrompi.
— Ah qual é Lissy, você é mais alta, e é loira, as maçãs gostam de amarelo!
— É... né? — ela sorriu confiante e eu assenti.
Lissy se aproximou da arvore, e vi um bando de campistas do grupo verde passando, ignorei seus comentários sobre nossas “belas pernas”. Sim, estávamos de pijama e totalmente descabeladas.
Minutos depois, a loira descia com as maçãs num “cestinho” que ela havia feito com sua blusa ao dobrá-la. Lissy ia me uma das maçãs quando uma voz rimbombou minhas costas.
— Vocês duas ainda não foram lavar a louça?!
Girei nos calcanhares e vi a monitora nos olhando brava.
— Louça? Mas nós nem comemos! — repliquei impaciente. Aquela mulher queria mesmo discutir comigo quando eu estava com fome?!
— Não interessa, é seu dever fazer o que eu lhe digo.
— Não vou fazer nada, eu não comi— repeti entre dentes.
— Olha só mocinha, você vai fazer ou então vai ficar de castigo.
— Me obrigue!
Quando ela ia falar alguma coisa, eu puxei Lissy pelos braços e saímos correndo em direção ao rio. Tínhamos que correr o mais rápido possível, não queria ouvir mais uma bronca daquela instrutora.
Meus pés se moviam mais rápido que eu conseguia, tentando comer, correr, e não cair, tudo ao mesmo tempo. Lissy era um tanto quanto ágil também, me acompanhando facilmente.
E num momento eu girei a cabeça para ver se ainda éramos perseguidas, pisei em falso e no instante seguinte eu escorregava por um barranco, levando Lissy comigo, e eu já conseguia pensar que seria um desperdício se toda as maçãs se perdessem. Quando a queda parou, minha perna doía, e eu vi que eu estava arranhada e agora estava numa enorme poça de lama, com a loira.
— Puta merda! — eu tentava me levantar, mas parecia inútil, comecei tentando limpar meu rosto e cabelos. Só então que eu percebi que uma dúzia de bonitões sarados nos observava com espanto.
— Que isso? Eu estou dormindo? NÃO ME ACORDE! — gritou Lissy.
— Calada Barbie Malibu— resmunguei para Lissy, mas seus olhos estavam focados nos rapazes. Tentei me levantar novamente, mas foi em vão.
— Desculpe-me a falta de educação dos meus companheiros, sou o soldado Simmer, ou Peter—um dos rapazes me estendeu a mão e eu aceitei. Um amigo dele ajudou Lissy a se levantar.
— Soldado? — foi a primeira coisa que eu disse.
— É, nosso sargento achou que seria engraçado montarmos literalmente um acampamento militar.
— Ah... — agora esta explicado toda a testosterona que exalava daqueles homens— Obrigada pela ajuda, sou Samantha, e essa aqui— indiquei a loira que babava descaradamente em um dos soldados— é a Baribie Malibu... — balancei a cabeça— digo, Lissy.
Peter riu e me soltou delicadamente, fiz careta e levei uma mão à perna ao senti-la arder pelos arranhões.
— Vem vamos ajuda-las— disse o rapaz que havia ajudado Lissy.
Eles indicaram uma trilha e todos os rapazes seguiram por lá, assim como eu e Barbie Malibu.
No caminho, Lissy contou que éramos do acampamento do colégio Outside e que estávamos fugindo da nossa monitora porque não queríamos lavar a louça, e eles riram com a historia. Então chegamos ao acampamento militar, que se encontrava na margem de um rio raso.
— Vocês podem se limpar no riacho— disse James, um dos soldados.
— Vamos arranjar umas roupas do soldado Leger, que é o menor daqui, para vocês — disse Peter.
Assenti e eu e Lissy nos dirigimos ao riacho enquanto os rapazes voltaram para o acampamento.
A água estava fria, mas já estávamos empedrando por estarmos cobertas de lama e tanto tempo, então nos afundamos na água de uma vez, ainda de roupa é claro. Depois de tirar a lama de nossos cabelos e roupas, saímos do riacho ao ver James se aproximar com uma pilha de roupas em mãos. Primeiro ele nos estendeu toalhas e nós nos enrolamos nelas, e nos secamos, então pegamos as roupas das mãos de James.
— Tem uma tenda para vocês se trocarem ali— disse James apontando para a maior cabana do lugar. Peter e outro soldado tiravam um homem de meia-idade da tenda.
— Ande sargento, as damas estão com frio! —Peter dizia num tom brincalhão.
O sargento olhou sonolento para mim e para Lissy, fez uma referencia e saiu da cabana, segurei um riso e entrei com a Barbie Malibu no lugar. As roupas fardadas caíram muito bem em nós, eram bem largas e conseguiram ter um cheiro masculino característico.
Eu e Lissy fomos para fora, onde os rapazes já estavam reunidos ao redor de uma fogueira apagada. Como estávamos mancando, um deles nos ajudou a sentar num tronco caído que serviu de banco.
— Cadê o cabo Joshua? Peça para ele cuidar da perna das meninas — instruiu o sargento.
Peter foi chamar o tal Joshua, e eu e Lissy ficamos lá sentadas esperando. Pouco depois o tal Joshua apareceu e nos pediu para erguer a barra da calça, e assim fizemos. Ele limpou o lugar machucado e colocou um curativo.
— Então senhor...?
— Colins— o sargento me respondeu com um sorriso de canto.
— Colins! Diga-me, você já matou algum homem?
— Não, na verdade eu só mato mulheres— a seriedade dele me gelou a espinha.
Acho que fiz uma cara de cachorro que caiu da mudança pois todos caíram na gargalhada.
Lissy tinha realmente acreditado na história do sargento. Ela já estava em pé e andava mancando em direção ao nosso acampamento. — Vamos Samatha! Esse homem é perigoso— Ela gritava esbaforida enquanto ia se afastando.
— Lissy! — gritei incrédula e fiz mesura de me levantar mas James foi mais rápido correndo até ela e a colocando em um dos ombros enquanto vinha em minha direção.— O sargento estava brincando.
— Estava nada, olha a cara de Serial Killer de mulheres que esse homem tem! Sabia que Colins significa matador-de-mulheres em italiano? — ela gritou exasperada e agarrou-se ao meu braço.
— Não significa não, pare de inventar coisas— ralhei.
— Quero ir embora— ela choramingou.
— Sua perna está machucada menina. Olha... Se você ficar aqui eu te dou aquela linda blusa rosa do Piu-Piu.
— Mas ela já é minha!
— Exato. Ela já é sua, porque você é uma linda que vai ficar aqui quietinha até estarmos curadas.
— Venha aqui, sente-se. — James puxou Lissy para sentar no tronco mais próximo a mim. James ficou acalmando a menina.
— Já pensaram em se alistar meninas? — indagou o sargento.
— Não, nunca. — Respondi
— Eu já mas tinha acabado as vagas— disse Lissy
— Acabado as vagas? — perguntou Peter confuso.
— Eu fui me alistar para ser líder de torcida, mas tinham fechado as vagas— lamentou a loura.
— Lissy— chamei, ela me olhou— calada.
Ela fez careta mas se calou.
— E ai? Hoje a gente vai jogar vôlei? — perguntou Joshua.
— Estamos com visitas, hoje não Josh— disse Peter
— Ah não, não se prendam por nós— falei sorrindo
— É mesmo, amamos assistir jogos de volêi de sarados gostosos— apoiou Lissy e eu assenti em concordância.
Eles riram e se levantaram, um deles saiu correndo para algum lugar, e o sargento falou que voltaria a dormir, porque segundo ele “O único esporte de homem é Futebol Americano”. Os garotos nos pediram licença, e tiraram os troncos onde estávamos sentados, alguns limparam o lugar da fogueira, e Joshua e Peter apareceram com uma rede.
Eu e Lissy nos acomodamos ao redor dos limites do “campo”. Eles se dividiram e então começaram o jogo.
[...]
— Seu ruim! Dou uma surra em você com o mindinho! Não creio que você perdeu essa bola! — eu gritava sem acreditar pela milésima vez durante aquele jogo.
— Chega! — Lissy me interrompeu, achei que ela estava falando comigo, mas seus olhos estavam colados nos jogadores. Ela se levantou e me puxou. — Vocês são muito ruins, vamos ensiná-los a jogar, Sam.
Concordei com a cabeça e nós duas entramos no time que estava perdendo de dois sets a zero. Tiramos dois jogares que sequer questionaram antes de ir para o canto. Em pouco tempo, havíamos virado o jogo, e vencíamos.
— Isso que elas estão machucadas— comentou James olhando de cima a baixo para Lissy, fingi que não ouvi.
Depois do jogo acabar — com a nossa vitória— Peter perguntou se queríamos companhia para voltar ao acampamento e como não tínhamos a mínima ideia de como voltar, aceitamos a companhia.
Nos despedimos de todos os soldados e do sargento, então já era fim de tarde quando pegamos a trilha de volta ao acampamento Outside.
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