Notas iniciais
Estou feliz por terem comentado, gostei bastante e desejo que continuem. Beijinhos, e bora ler o capítulo.

A professora olha fizamente para a Paulinha, que estava aos prantos a sua frente. Pensava:

"como uma menina tão pequena, pode sofrer tanto assim? Perder a mãe é uma coisa muito dolorida, as pessoas perdem-as naturalmente quando são adultas ou idosas, mas uma criança? Uma criança inocente? Paulinha é uma menina que vale ouro, e nada disso poderá tirar de si."

Paulinha: Professora, eu posso ir para o recreio?

Professora: Pode sim minha pequena, vai brincar com suas amiguinhas.

Paulinha: Eu não tenho muitas amigas, só tenho a Vivi, ela é a melhor amiga que eu já tive, e a única também. Eu vou indo, tchau professora.

Professora: Tchau Paulinha.

Paulinha vai calmamente até o pátio, onde se senta ao lado de sua amiga, que estava sozinha num banco, olhando as crianças brincarem.

Paulinha: Oi Vivi, nós nem se falamos hoje! Aconteceu alguma coisa com você? Por que está assim, tão quietinha?

Vivi: Ai amiga, estou triste.

Paulinha: Por que você está triste?

Vivi: Eu não sei como te dizer isso, mas vou ter que sair dessa escola. Meu pai foi chamado para trabalhar na Espanha, e eu vou ter que ir com ele e com minha mãe.

O chão de Paulinha caiu. Sua melhor amiga, a única que tem, teria que ir embora para sempre. Agora ia ficar sozinha, tão sozinha, sem amigas, sem ninguém para conversar, para desabafar quando está triste, ninguém para brincar quando está feliz. Todas as pessoas que ela gosta vão embora, a vida para Paulinha, é muito injusta.

Paulinha: Você está falando sério Vivi? — Com um ar profundo de tristeza em sua voz.

Vivi: Infelizmente sim Paulinha, não podemos ficar aqui, papai pode perder o emprego, e sem esse trabalho nós podemos passar fome, sabe como é nossa situação, por sorte ganhei bolsa nessa escola. Você tem sorte de ter uma família rica.

Paulinha: Vivi, eu nunca dei importância ao dinheiro, você sabe disso. Nunca fui interesseira, desde o jardim de infância somos amigas.

Vivi: Você fala que não dá atenção ao dinheiro por que nunca sofreu a falta dele. O mundo lá fora é muito complicado amiga.

O sinal toca, o recreio termina e todas as crianças vão para a sala de aula.

Paulinha: Vamos para a sala, amanhã nós conversamos.

Vivi: Está bem.

Na sala, Paulinha continuava tristonha. Só queria naquele momento seu quarto, sua cama, seu travesseiro, seu ursinho e dormir, queria que tudo aquilo que enfrenta fosse um terrível pesadelo, e que pudesse acordar a qualquer momento, se levantar e abraçar sua mãe.

A aula termina, Paulinha se encontra com Raimundo.

Paulinha: Oi Raimundo, a tia Esthefanie vai nos buscar?

Raimundo: Vai sim.

Paulinha e Raimundo vão lhe esperar na calçada da rua. Quando Esthefanie chega, Paulinha sai correndo.

Raimundo: Paulinha! Espera Paulinha, onde você vai? Paulinha!!!

Esthefanie e o filho correm atrás, ela tinha apenas oito anos, qualquer carro poderia a atropelar e causar um acidente. Finalmente Paulinha chega aonde queria, no cemitério. Anda por vários túmulos, não tinha ninguém ali. Estava batendo um ventinho, seus longos cabelos voavam com a brisa. Chega ao túmulo de Paulina. Olha fixamente para a cova, se agacha, põe uma flor e diz:

Paulinha: Eu sinto tanta falta de você minha mãe, não poderia ter me abandonado, minha vida sem você é muito difícil, por favor meu Deus, faz que ela volte, eu já não suporto tanta solidão... Vivo sem ninguém ao meu lado, me dando carinho. Cada dia que passa fica mais terrível de aguentar. Volte mamãe...

Esthefanie e Raimundo estavam atrás. Esthefanie se aproxima de Paulinha, que de novo chorava, e fala:

Esthefanie: Não chore pequena, você pode não ter sua mãe ao seu lado, mas tem toda uma família que te ama demais, e jamais vai te deixar sofrer.

Raimundo: Prima, você é a melhor prima que tenho, a que mais me ajuda quando estou triste, a que me apoia nos momentos de brigas, você é minha melhor amiga na família. Não chore.

Paulinha se levanta, dá mais uma olhada ao túmulo e vai com sua tia e seu primo para casa.

Ao chegar em casa, toma um banho e coloca um vestido preto e um casaco de mesma cor, seu pai disse que tinha que vestir assim. Depois desce, almoça e vai para o jardim. Colhe algumas rosas brancas, via nas fotos que sua mãe adorava, e cheira uma delas:

Paulinha: Você tinha razão mamãe, essas flores são as mais bonitas e as mais cheirosas também.

Ela entra de volta em casa, vai para seu quarto e pega uma folha de papel. Abre uma caixinha cheia de fotos de sua família, pega uma de sua mãe e cola no papel. Em seguida escreve isso:

"para a melhor mãe do mundo, te amo mamãe"

Depois, Paulinha coloca uma de suas rosas num vaso de terra, e a deixa pegar um sol na janela.

Paulinha: Agora tenho que fazer a outra parte.

Paulinha pega a outra rosa e coloca dentro do cartão, e coloca esse cartão dentro de sua gaveta, ao lado do diário.

Paulinha: Enquanto eu tiver esperanças, essa flor não vai murchar. Enquanto eu tiver amor por você, ela vai ficar muito bonita, igual ao que já é.

Paulinha fecha a gaveta e se ajoelha na cama, conseguindo olhar pela janela. Observa o sol radiante dar seus brilhos pela cidade. Pensa consigo, o porquê de não poder passar esses momentos junto com sua mãe.

Paulinha: Mamãe, se a senhora está me escutando, eu queria te pedir para jamais esquecer da gente, da nossa família. Eu te amo mamãe, te amo mais que tudo, meu maior sonho é ter você ao meu lado, você é tudo o que me resta de esperança. Você realmente está morta? Será que não está em algum canto desse mundo? Por que não volta para nossa família, nossa casa? A vida é tão curta mãezinha, não temos tempo para perder, volta pra gente, por favor...

Paulinha nem viu as horas passar, ficava olhando para fora até o sol se pôr. Nos últimos raios de sol, pediu pela última vez naquele dia:

Paulinha: Você Deus, você que fez os céus e a terra, você que criou as plantas, os animais, a vida, não deixe que minha mãe tenha morrido de verdade, não deixe... Eu preciso dela, mesmo não tendo-a conhecido eu a necessito perto de mim, mãe é mãe, não tem como substitui-la. Sei que aqui eu tenho tudo, dinheiro, comida, roupas boas, casa, mas eu não me importo com isso, eu só quero ter minha família feliz, eu só quero ser feliz ao lado da minha mãe...

Nesse momento Lizete entra no quarto da menina e fala:

Lizete: Paulinha, está na hora de ir dormir.

Paulinha: Está bem mana, eu vou ir então.

Lizete coloca a menina para dormir, depois a cobre com o edredom e dá um beijinho na testa.

Paulinha: Tenha bons sonhos lindinha.

Lizete: Obrigada mana, pra ti também.

Assim Paulinha adormeçe, como qualquer outra criança, mas Paulinha não se considerava qualquer outra criança, apenas por não ter uma mãe, uma coisa essencial para a criança se desenvolver e crescer.

Notas finais
Gostaram do capítulo? Comentem bastante!!! bjs