Notas iniciais
Vamos ao primeiro capítulo, se quiserem me achar no twitter: @paulina_vida besos

Era de manhã. Outro dia começava na casa dos Bracho e na de todo o país. Um outro dia bom para as crianças, cansativo para os trabalhadores, mas para a família, um dia de tristeza. Era o dia em que faria oito anos da morte de Paulina, aquela mocinha que passou um ano na casa deles como uma usurpadora, aquela mesma que enfrentou todos os problemas, foi presa, conseguiu a liberdade, casou-se com Carlos Daniel Bracho, seu grande amor, teve uma bebezinha linda chamada Paula, que agora já não era mais bebê, já tinha oito anos. O pior de toda essa morte, é que também perderam o filho que Paulina esperava. Mas afinal, onde estaria o culpado? Vivo vivendo a vida como qualquer vagabundo ou morto? Esse era o pensamento de toda a família.

Paulinha desce as escadas e senta na mesa do café. Resolve não falar nada. Mesmo não se lembrando de sua mãe, sabia que foi uma mulher maravilhosa, com muitas virtudes e elogios, e que seu pai a amava muito. Nunca teve a chance de conhece-la, mas ainda acreditava que tivesse viva, esperando para buscá-los e serem felizes.

Vovó Piedade: Bom dia Paulinha, como passou a noite? — Quebra o silêncio a eterna vovó Piedade.

Paulinha: Bom dia vovó, a noite estava boa. — Fala com um tom de voz triste.

Esthefanie: Você já se arrumou para ir à escola? — Pergunta a tia, que na verdade era como se fosse sua segunda mãe.

Paulinha: Tenho que colocar o uniforme ainda.

Esthefanie: Então depois que tomar o café, você se arruma e eu vou te levar à escola.

Paulinha: Está bem tia.

Paulinha sai da mesa e estava indo em direção ao seu quarto, quando Carlos Daniel falou:

Carlos Daniel: Aonde você vai minha filha, não vai terminar o seu café da manhã?

Paulinha: Não papai, obrigada, estou sem fome. Eu vou para o meu quarto me arrumar.

Carlos Daniel: Está bem então.

Paulinha vai para o seu quarto, coloca a saia vermelha, a blusa de manga curta branca, sapatilha preta e a boina de mesma cor. Estava penteando seus cabelos loiros, quando olha para sua penteadeira e vê uma foto sem porta retratos, apenas em cima da madeira.

Paulinha: Mamãe... Por que foi embora? Eu precisaria tanto de você... Tanto tempo já passou, não sei como eu aguentei tanto tempo assim, mas se eu pudesse escolher em ser feliz ou fazer nossa família feliz, eu escolheria a segunda opção. É muito dolorido vê-los sofrendo tanto por isso... Por que você não volta? Papai um dia disse que você foi fazer uma longa viagem, mas onde está você? Por que não vem de volta para a gente? Essa viagem não vai ter fim?...

Paulinha soltava lágrimas e lágrimas, naquele momento queria ficar em casa o dia inteiro, talvez a vida inteira, mas sabia que não podia, então entrou no banheiro, lavou seu rosto que estava vermelho de tanto chorar, guardou essa foto dentro da mochila e saiu.

Na sala:

Esthefanie: Agora está pronta Paulinha?

Paulinha: Agora eu estou tia, podemos ir então. Tchau gente.

Esthefanie levou Raimundo e Paulinha para o colégio. Carlinhos e Lizete estudavam no outro turno, e naquele horário estavam dormindo.

Paulinha não falava nada, apenas olhava para fora. Estava tão distraída, que nem viu que já estava na escola.

Raimundo: Paulinha, acorde, já chegamos na escola...

Paulinha: Ahhh é, eu não estava prestando atenção. Tchau tia.

Esthefanie: Tchau minha linda, se cuidem, em!

Raimundo: Sim mamãe! Tchau também.

Paulinha observava as crianças dando abraços e beijos em suas mães. Observava aquilo com tristeza, nunca poderia dar um abraço em sua mãe, pois já estava morta.

Raimundo: Vamos Paulinha, o sinal já tocou.

Paulinha: Está bem, vamos.

Na sala de aula, Paulinha se sentou na última mesa. Não conseguia prestar atenção na aula inteira. Na hora do recreio, a professora falou:

Professora: Paulinha, espere, quero conversar com você.

Quando todas as crianças saíram, a professora foi até a mesa da menina, se abaixou e perguntou:

Professora: O que você tem Paulinha? Por que está tão triste? Você não presta mais atenção na aula, está sempre quietinha olhando para o nada, se cabeça baixa, o que você tem?

Paulinha: Eu sinto muitas saudades da minha mãe.

Professora: Por que? Ela viajou para algum lugar muito longe?

Paulinha responde já com algumas lágrimas em seus olhos:

Paulinha: Não professora, ela já morreu...

Professora: Ai meu amor, eu sinto muito.

A professora abraça a menina, era o que ela precisava naquele instante, uma pessou que lhe transmitisse segurança, carinho, atenção.

Professora: Não fique assim Paulinha, você tem muitas pessoas que gostam de você.

Paulinha: É diferente professora, eu posso ter amigos, família, parentes, pai, mas não tenho uma mãe...

A saudade era tanta que Paulinha não se controlava, e precisava desabafar.

Notas finais
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