Quem Diria?
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O Edward está a caminho da minha casa, vamos dar inicio ao nosso trabalho. Continuo não acreditando que vamos ter que passar quase o dia todo juntos, para nos conhecermos melhor. Claro, só vou fazer esse sacrifício por causa da nota. Estou me preparando psicologicamente, é claro, porque eu não suporto ficar perto dele. Ele é tão... Tão sorridente e bem-humorado. Tã...Gostoso e lindo! Credo, parece até a Rose! Escutei a campainha tocar e deixei que minha mãe fosse atender.
– Olá Edwin, pode entrar – Prendi o riso.
– Obrigada senhora...
– Renée, a mãe da Bella.
– Já sei de onde a Bella puxou tanta beleza – Ai que clichê – E meu nome é Edward.
– Ah, me perdoe. A Bella disse para chamá-lo assim – Gargalhei só de imaginar sua cara – Venha, ela está na cozinha – E eles apareceram no meu campo de visão – Você quer beber ou comer alguma coisa?
– Não mãe, ele não quer.
– Quer saber, eu vou aceitar algo – Sorriu cínico.
– Idiota folgado – Resmunguei.
– Então, é verdade que vocês vão ter que passar um tempo juntos? — Renée puxa assunto.
– Sim, foi ideia do nosso professor. Eu não vejo problema algum, sua filha é tão adorável – Sorriu de lado. Claro que isso é para me tirar a paciência. Meu Deus, o que eu não faço para ganhar nota? Fechei os olhos e respirei fundo.
– Eu achei esse tipo de projeto bem legal, é sempre bom a gente conhecer melhor as pessoas. Eu adorava quando o professor fazia isso na nossa turma. Tinha um menino...
– Mãe, a gente não quer saber da sua vida – A interrompi.
– Eu gostaria – Falou Edward.
– Escuta aqui, você veio para fazer a droga do trabalho e só. Então, não tente fazer amizade com minha mãe e nem com ninguém. Eu ainda tenho muito trabalho para fazer, vamos adiantar isso logo.
– Tecnicamente, eu já sou “amigo” dos seus irmãos – Abri a boca para responder, mas deixei quieto.
– Bella, deixa de coisa. O que tem demais a pessoa conversar?
– Vamos pro jardim, podemos fazer tudo lá – Saí sem esperar por ele e ocupei o meu lugar – Vamos colocar regras aqui, eu trabalho e não estarei disponível toda hora. Eu trabalho cinco horas e depois da faculdade. Então, vamos nos encontrar apenas dois dias de semana e nos sábados e domingos – Disparei.
– De acordo, eu também trabalho. Se as coisas ficarem apertadas demais, podemos repor em outro dia – Disse. Apenas concordei, peguei meu caderno e suspirei. Eu realmente estou odiando ter que fazer isso.
– Bella, o que você gosta de fazer?
– Não te interessa.
– Será que você pode cooperar? — Bufei de raiva.
– Vou falar o básico, minha vida não é da conta de ninguém. Eu gosto de escutar música o quanto que eu puder, amo ler – Escutei um latido – Amo aquele cachorro mais que tudo – Quase sussurrei. Era o cachorro que o Jake tinha me dado, o Lion, um buldogue preto. Vi que Edward me encarava e quando percebeu, fez que anotava alguma coisa.
– O que mais? Manias, tem algumas?
– Vem cá, isso era para você está estudando e não me perguntando.
– Mas não custa nada. Eu posso responder algumas também, se você quiser. Manias? Algumas eu já notei, como por exemplo o fato de sempre morder os lábios, passar a mão no cabelo e balançar as pernas inquieta – O olhei abismada. Como ele sabe disso tudo? — Sou um bom observador – Sorriu – Pode me dizer mais algumas?
– Se você é tão bom assim, então as note – Debochei – Minha vez. As mesmas perguntas para você.
– Bom, eu amo tocar violão e piano – O encarei com a sobrancelha erguida – É sério. Gosto de cantar também. Ler não é muito meu forte, mas leio de vez em quando – Fiquei de cabeça baixa, apenas anotando o que dizia – Quanto a manias, não tenho muitas. Eu tinha uma péssima mania de fumar, estou parando agora. Também tenho mania de sentir atração por mulheres branquinhas e difíceis e de cabelo cor de chocolate – Parei por um momento. Isso foi uma cantada? Ainda bem que ele não pode ver meu rosto agora – O que foi, ficou sem fala? — Sorriu debochado.
– Cala a maldita boca. Edwin, se você ficar se engraçando ou fazendo piadinhas, eu juro que não penso duas vezes e largo essa droga de trabalho. Eu tenho muitas notas boas, agora não sei você.
– Desculpa – Fez sinal de rendimento – Não está mais aqui quem falou.
[…]
– Eu acho que já é o suficiente por hoje – Falei me levantando – São 20:00 horas, a gente continua amanhã.
– Mas já? E se a gente conversar só mais um pouco?
– Eu não chamaria isso de conversa, o fato de você ficar vinte e quatro horas dando em cima de mim – O olhei debochada.
– Eu sinto que a gente vai se dar tão bem, Bella – Debochou da minha cara.
– Se quiser desistir...
– Não, claro que não. Amanhã a gente continua, então – Suspirou e foi indo para a saída – Não vai me levar até a porta?
– Ah, isso eu faço com maior prazer – Abri a porta e o esperei passar.
– Diz a sua mãe que deixei um abraço, foi um prazer conhecê-la. Tchau, Bella – Tentou descaradamente dar um beijo na minha bochecha, mas me afastei a tempo.
– Adeus – Bati a porta na sua cara. Que cara mais insuportável. Fui até a cozinha pegar algo para comer e minha mãe me encarou da mesa.
– Filha...
– Ah não, mãe. Essa cara com esse sorriso para cima de mim, não.
– Mas ele me parece um bom rapaz. E melhor, está te aturando mesmo você dando patadas nele. Isso já é uma grande prova – Sorriu.
– Não começa, esse menino é um inferno. Mãe, ele é o maior garanhão que conheço. Ele só continua insistindo porque quando o rejeitei, ele viu isso como um desafio. Assim que eu ceder, ele cai fora. Eu conheço bem esse jogo – Sentei ao seu lado.
– Eu não acho que ele seja assim, vejo o jeito como ele te olha.
– Mãe – A cortei – Já deu! E eu nem gosto dele. Não quero discutir com você, então não toque mais nesse assunto. Você sabe muito bem que não quero esse tipo de envolvimento agora. Tenho que focar nos meus estudos.
– Não é porque você está pensando em ir estudar fora, que precisa viver agindo desse jeito. E se ele estiver mesmo gostando de você?
– Mas que droga, eu não quero ter que decidir entre ficar com meu namorado ou viajar. Porque é claro que eu vou escolher a viagem. Então, azar o dele se isso for verdade – Joguei a colher na mesa e fui pro meu quarto – Eu decido o que fazer da minha vida – Gritei batendo a porta.
[...]
– Você tinha que ver Charlie, ela ficou toda nervosa quando falei sobre o garoto da escola dela.
– Renée, deixe a menina em paz.
– Essa menina me preocupa, é a única adolescente que não se preocupa em ter um namorado.
– E eu agradeço por isso – Falou.
– Mas em compensação, ela sai ficando com um e com outro. Você acha isso bonito? — Sorri só de imaginar a cara do meu pai.
– Vamos encerrar esse assunto, ela já é bem grandinha e sabe o que faz. Tenha paciência, mulher. Se ela gostar realmente dele, um dia vai dar certo – Vai sonhando. Sai de trás da parede e entrei na cozinha.
– Bom dia mãe e pai, tchau mãe e pai.
– Espera, não vai comer nada?
– Não pai, estou atrasada. A gente se vê depois, beijos.
[…]
– Olá classe, como está indo o trabalho de vocês? — Ouvi um burburinho na sala e Edward me olhou sorrindo, revirei os olhos e fingi que ele não estava ali – Estou muito feliz que estejam se dando tão bem – Sorriu – A aula hoje vai ser um ensaio do que eu quero. Vou escolher uma dupla, e eles vão ter que improvisar algo para agora. Preparados? — Todos sorriram animados. Como podem ficar animados com isso? — Deixa eu ver... Peter e Tiffany, venham aqui e nos mostre como se faz – Eles foram lá pra frente e se posicionaram esperando – Quero que vocês se virem um para o outro e olhando nos olhos, digam o que quiserem um sobre o outro. Comecem, por favor – Ficaram em suas posições e sorriram embaraçados ao se olharem.
– O Peter – Tiffany começou – Bom, eu o conheço a algum tempo, e conheço boas coisas sobre ele. Sei que ele tem um sorriso maravilhoso, ele anda meio desgovernado quando fica com vergonha, se algo o deixa nervoso ele tenta disfarçar coçando os olhos... — Os fiquei encarando, eles são tão bons com isso, nunca eu e Edward teríamos essa química toda. Ela deu seu discurso por terminado e o Peter começou. Também não polpou elogios a sua amiga. Quando ambos terminaram, todos começaram a aplaudir, outros assoviaram e tiraram sarro da cara deles.
– Lindo, magnífico, foi maravilhoso. Vocês prestaram atenção, pessoal? É exatamente assim que eu quero suas apresentações, cheio de faíscas e muito amor – Estou começando a achar que esse professor gosta da mesma fruta que eu. Prendi o riso – Comecem a treinar logo se não quiserem pagar mico aqui na frente, porque eu não vou poupar ninguém – Pagar mais do que já vamos? Misericórdia! Pouco tempo depois, chegamos ao final da aula e logo estávamos indo pra cantina. Os meus irmãos e amigos não vieram hoje, estou sozinha.
– Bella! — Ah claro, se não fosse por esse ser me perseguindo a cada momento que pode. Respirei fundo e levantei a cabeça – Posso sentar aqui com você? — Perguntou já se sentando.
– Claro, pode sentar.
– A apresentação de hoje foi muito boa, não achou?
– Tanto faz, eles foram legais.
– Temos que ser melhores.
– Vem cá, esse sorriso não some do seu rosto, não?
– Sou uma pessoa bem-humorada, muito obrigado – Revirei os olhos – Que horas vamos nos ver hoje?
– Eu chego do trabalho ás cinco da tarde, apareça lá pras sete ou oito horas.
– Estava pensando, podemos fazer algo diferente, sair, sei lá.
– Não começa, Edwin.
– Bella, é Edward.
– E foi o que eu disse. Fique feliz de eu deixar você entrar na minha casa. Enfim, tenho que ir senão eu vou me atrasar. Até a noite.
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