Quem Diria?
24 Capítulo 24
Notas iniciais
– Bella!!! — Alguém gritou do meu lado e puxou minha coberta, fazendo eu me estatelar no chão.
– O quê? Incêndio? — Levanto-me alarmada.
– Bom dia – Vejo meus amados primos sorrindo para mim, ou melhor, de mim.
– O que vocês querem a uma hora dessas? — Eram 8:00 horas no meu relógio encima do criado mudo.
– Vamos fazer uma brincadeira bacana no lago, estamos todos de pé, só falta você.
– Ah não, sério que tem que ser agora?
– Sim, vai se arrumar ou você sabe o que acontece – Caminharam até a porta – E nem pense em trancar a porta, sabe que isso não nos impede.
– Bundinha legal, priminha – Mostro o dedo para ele e saem rindo. Ok, está um lindo dia hoje, vai ser bom aproveitar. Coloco uma roupa legal, faço um coque e sento na cama para calçar o tênis. Miro meu celular e percebo que não recebi nenhuma ligação do Edward desde a última vez que o liguei. Seguro-o em minhas mãos e fico pensando se ligo ou não, talvez depois do café.
– Bom dia, pessoal – Falo ao ver todos na mesa.
– Ainda bem que acordou, coma logo que temos que aproveitar o bom sol.
Assim que terminamos, fomos todos instruídos a ir para o lado de fora da casa. Vovô já estava no deck, com meu pai ao seu lado e riam para nós. Só eu estou com medo/animada para o que esses dois estão aprontando?
– Olá, família Swan e Cullens, também – Os que estavam de bom humor, não eu, sorriram – Ontem eu e meu pai bolamos uma brincadeira bem divertida. É o seguinte: Temos aqui 7 canoas...
– Você e a vó não vão participar? — Pergunto.
– Não, vamos ficar aqui esperando por vocês. Continuando: Vocês vão formar duplas e vão escolher uma canoa. O objetivo do jogo é vocês remarem até aquela bandeira dourada bem ali no meio do lago, pegá-la e trazer para mim. O primeiro que chegar com ela em mãos estará doando os dois mil reais que tenho aqui para alguma caridade.
– Pode ser a caridade da minha conta? — Roy faz graça.
– Muito engraçado, claro que não. Entendidos até agora? — Fizemos que sim.
– Agora o mais importante, as regras. E as regras são: tudo é livre. Você pode derrubar a pessoa do barco, estarão usando coletes para isso, puxá-las, enfim, qualquer coisa.
– Eu gosto assim – Emm dá um pulo de alegria.
– Ah não, a água deve estar muito fria.
– Deixa de frescura, Rosie – Tia Brooke a repreende – É só água, você logo estará sequinha e segura dentro de casa.
– Podemos começar? — Levanto minha mão – O quê?
– Posso fazer uma ligação, rapidinho?
– Argh, ok. Mas não demore, temos que fazer isso enquanto o sol nos favorece – Saiu correndo até a casa e pego meu celular na mesa. Nenhuma ligação do Edward! Respiro fundo e disco seu número, ligo umas três vezes e nada dele atender. Ia largar o celular no canto, mas ele tocou.
– Oi, está vivo?
– Desculpe, acho que dormi demais.
– Edward, como assim dormiu demais? Você ainda não está vindo? — Uma mistura de raiva e tristeza tomam conta de mim.
– Sobre isso – Percebo que ele exita – Bella, eu sinto muito, não me mate, mas eu não vou poder ir. Não consegui um voo para hoje.
– Edward, já era para você ter feito isso. É claro que não ia conseguir um voo em cima da hora – Murmuro um pouco alterada.
– Sinto muito, acho que só consigo chegar amanhã.
– Ótimo, Edward, você simplesmente acabou de ferrar com meu dia – Desligo na cara dele e jogo o celular no sofá. Passo a mão no rosto e respiro várias vezes antes de voltar ara o outros. Lembre-se Bella, eles não tem culpa de nada. Tomo um pouco de água e vou ao encontro deles.
– Que demora, pensei que tinha ido cagar.
– Não enche, Beckan – Ele faz sinal de paz.
– Agora será que podemos começar?
– Vão sem mim – Todos me encaram sem entender.
– Como assim?
– Não é óbvio? Eu não tenho uma pessoa para fazer dupla.
– Quem disse que não? — Viro-me bruscamente ao ouvir a voz de Edward atrás de mim – Surpresa – Abre os braços, sorrindo para mim. Fico um tempo apenas o encarando sem saber ao certo o que faço, indecisa entre matar ou abraçar e beijar.
– Problema resolvido – Fala meu pai – Podem agora, pelo amor de Deus, pegarem seus lugares e se prepararem para a largada? — Ainda sem reação alguma, caminho com os outros e entro na canoa que o Edward escolheu. Tomamos nossos lugares e o meu pai dá a largada. Todos começaram a remar, somente eu e Edward continuamos no mesmo lugar.
– Bella, começa a remar.
– O que danado está acontecendo aqui?
– Desculpe, eu quis fazer uma surpresa, eu estava aqui o tempo todo, escondido atrás da árvore e te observando.
– Você estava aqui desde quando?
– Cheguei cedo o suficiente para te ver dormir – Sorriu – Vamos lá, desculpa, foi só uma surpresa.
– Não estou brava, só surpresa – Riu.
– Então eu causei o efeito certo. Podemos remar, agora? — Botei meus braços em movimento e logo começamos a nos locomover. Levantei o remo e bati em sua cabeça.
– Ai, isso machuca.
– É para aprender a nunca mais fazer isso. Eu já estava planejando um homicídio – Gargalhou.
– Eu também te amo – No meio do caminho, vimos Rosie e Emm, rodando no mesmo lugar igual perus bêbados e rimos muito. Os outros estavam eram devagar demais, conseguimos os alcançar em poucos minutos. Alguns ficaram para trás, a disputa estava entre minha dupla, a dupla da tia Brooke e os meus primos.
– Vai comer poeira, família – Escutei Beckan debochar.
– Vamos Edward, taca fogo nesse braço – Edward já bufava e mal conseguia me responder pela sua falta de ar.
– Sua...Família... É bem competitiva – Ofegou.
– Menos conversa e mais braço – Acelerei as remadas e meus braços protestaram por estar fazendo tanto esforço, mas não dei a mínima, continuei remando com toda força que ainda me restava.
– Bella, isso é só uma brincadeira.
– Diga isso no dia que você tiver que ficar escutando esses dois no seu ouvido, dizendo que você é perdedora.
– É só não ligar para seus primos.
– E quem disse que estou falando deles? — Edward encara meus tios e eles lhe mostram o dedo.
– Eita família estranha que eu vim me meter – Sussurrou e fiz de conta que não escutei. Vi que estávamos se aproximando da bandeira dourada e minhas mãos suaram com a adrenalina aumentando.
– Edward, estamos chegando. Vai, rema mais rápido – Escutei ele resmungar algo baixo, mas nem dei ouvidos. Estava tão focada com o alvo a minha frente, que quase caiu na água com a pancada repentina que recebemos.
– Mas o... — Edward olha pasmo para os meus tios, que se encontram ao nosso lado e com um sorriso debochado em suas faces – Meu Deus, estão loucos?
– Vocês estão fritos – Tio Apollo passa seu dedão na garganta, em sinal de que nossas gargantes estão sendo cortadas. Sério? Me diz para que isso tudo? Ok, ok, eu também estou sendo bastante competitiva, mas não estou apelando para derrubar ninguém. Esse povo é maluco.
– É guerra que eles querem, então vamos dar para eles – Edward se aprumou mais no seu lugar, segurou firme o remo e passou a acelerar mais seus movimentos. Gostei do que vi e segui seu exemplo. Estávamos a uns 3 metros da bandeira e olhei para o lado para ver o pessoal chegando. Foi tudo muito rápido, tipo, muito rápido mesmo. Só deu tempo de eu ver minha canoa se chocando com as outras duas que vinham em direções diferentes. Meu corpo, junto com o de Edward e os outros, foi lançado canoa a fora e me choquei contra a água gelada. Engoli um pouco de água ao gritar com o susto que tive, mas logo emergi. Olhei ao redor de mim e vi os outros aparecerem no meu campo de visão. Meus primos empurravam um ao outro, se culpando por terem virado tão próximo a vitória. Meus tios não estavam muito diferentes, até que pararam de falar e miraram a bandeira. Capitei o que eles tinham em mente e comecei a nadar em direção a bandeira também.
– Edward, a bandeira, nada o mais rápido que você puder – Como se tivesse levado um choque, ele, e agora todos os outros, seguiram a nós. E agora estava a disputa de quem conseguiria nadar mais rápido até lá. Uma canoa, do nada, apareceu e passou por nós, nos fazendo parar e observar atônitos e sem expressar qualquer reação a não ser ficar parado e esperar a pessoa pegar a bandeira ao invés de nós.
– Com licença, perdedores – Emmett passou por nós na maior tranquilidade e Rosie fez o favor de pegar a bandeira. Logo eles remaram para longe de nós, enquanto ficávamos lá, os vendo partir com a maior cara de bunda do mundo.
– Como... Mas... — Edward tentava falar.
– Eles estavam rodando iguais perus logo no começo do lago, como podem ter nos alcançado tão depressa? — Tia Brooke estava revoltada.
– Talvez eles tenham ganhado vantagem a partir do momento que estávamos mais preocupados em nos matar do que pegar a bandeira – Resmunguei. E assim, do nada, olhamos um para a cara do outro e caímos na gargalhada.
– Bom, vamos logo sair daqui antes que peguemos um resfriado – Cada um subiu na sua canoa e remamos até a terra firme. O pessoal já estava nos esperando para concluir a disputa.
– Como já chegaram todos, já sabemos quem foi os vencedores: Emmett e Rosalie.
– Eu ainda exijo uma investigação, para quem estava remando super mal, chegou muito rápido até nós – Cruzo meus braços em frente ao peito e ergo uma sobrancelha, os desafiando.
– Aceita que é melhor, Bella. Esse ano, não foi exatamente alguém da família que levou a melhor – Todos riram e revirei os olhos.
– Ótimo, acho que vou tomar um banho com o meu namorado, é o melhor que posso ganhar hoje – Peguei Edward pela mão e o puxei até meu quarto.
– Não fica assim, é só uma brincadeira – Edward tenta amenizar minha cara de chateada.
– Desculpe, eu sou muito competitiva, não consigo me controlar – Passo os braços ao redor do seu pescoço e ele ri.
– Eu percebi, não só você como toda sua família.
– Vai me largar por causa disso?
– E deixar de perder meu juízo ao seu lado por causa deles? — Bufou – Mas é claro que não – Ri e ele me beijou.
– Vamos tomar um banho bem caprichado, agora? — Sussurro em seu ouvido.
– É para já – E tomar banho foi o que menos fizemos naquele momento.
[…]
– Casal, levanta ai, a gente vai dar uma saída – Acordo sobressaltada pelas batidas fortes na porta.
– Vamos, vocês tem o resto da noite para fazerem suas coisas – Escutei a voz do Beckan do outro lado.
– O que é isso? — Edward pergunta sonolento.
– Eles vão derrubar a porta se não dermos sinal de vida – Ouvimos batidas mais fortes – Falo sério.
– Vou ter que derrubar?
– Já estamos indo, calma – Levanto e destranco a porta – O que vocês querem? — Não faço questão de mostrar minha cara de emburrada.
– Estamos indo para o Parque de Diversões que tem lá no centro, o vô disse que é ótimo, tem até um barzinho com música ao vivo.
– Tudo bem, eu já perdi meu sono, mesmo.
– Mas eu não – Escuto Edward murmurar da cama e riu.
– Vamos descer em alguns minutos, nos deixem em paz – Volto a fechar a porta e encaro o moço desmaiado na cama.
– Eu não quero ir – Resmunga.
– Vai ser divertido – Beijo suas costas.
– Somos obrigados?
– Não, mas até que eu quero ir. Gosto de ir à Parques.
– Mas eu não, não tenho boas lembranças – Jogo a cabeça para trás e solto uma boa e alta gargalhada.
– Prometo que vai ser diferente dessa vez – Mordo seu bumbum nu e ele geme – Anda, levanta daí que eu vou colocar alguma roupa – E como se fosse um zumbi, ele se levantou e ficou me observando enquanto eu me arrumava. Tive que escolher suas roupas diretamente da mala e jogar em sua cara.
A situação estava tão precária que tive que o ajudar a calçar o tênis e subir a calça. Tadinho, ele estava mesmo cansado. Encontramos um pessoal apressado e falante na sala, nos dividimos para os carros e seguimos para o centro. Não era uma noite muito movimentada, mas tivemos que esperar um bocado na fila.
O Parque era lindo, muitas luzes brilhantes, barracas bem decoradas com brinquedos enormes, inclusive ursos. Fiquei mais animada ainda ao ver o barzinho com música ao vivo e ele estava bem movimentado. O pessoal se dividiu, cada um queria ir em um brinquedo e não chegaram em um acordo, então, cada um seguiu seu rumo.
Eu quis logo ir ao barzinho, queria colocar algum álcool no corpo. Meus primos viram umas meninas sozinhas na mesa e resolveram nos seguir, revirei os olhos para eles, mas não reclamei. Sentamos em uma mesa vazia no meio do salão, a música estava bem agradável e ficamos apenas observando a banda no palco. Edward então me olhou com um olhar de quem estava pensando em algo e eu tive que rir, porque sempre vinha algo engraçado dai.
– O que é que está passando na sua cabeça?
– Sabe o que eu lembrei? Que você me deve uma revanche, uma chance de recuperar minha masculinidade – Gargalho.
– Ok, estou a todo ouvido – Inclino-me em sua direção e ele faz o mesmo. Penso que ele vai me beijar, mas ele chama o garçom que passa ao nosso lado.
– Garçom, nos traga 24 doses de tequila, limão e sal, por favor – Seu sorriso aumenta ao ver meu olhar de surpresa.
– Você quer mesmo fazer isso? Da última vez isso não deu muito certo.
– Ah, se eu quero. Pode se preparar que a pessoa a sair carregada daqui vai ser você.
– Não tenho tanta certeza disso – Riu.
– Veremos – O garçom chega e coloca tudo a nossa frente – Primeira rodada – Ele coloca o sal em nossas mãos, esprememos o limão logo em nossa boca e tomamos a primeira dose, seguida do sal.
– Nossa, essa aqui é forte – Falo.
– Acho bom você estar preparada – Bebemos outra dose – Eu andei treinando – Ri da minha cara.
– Ok, baby, vamos terminar isso aqui, assim como começamos – O fuzilo – Bebendo todas.
– Uou, pessoal, se aproximem que vai começar uma grande e feia aposta aqui – Beckan grita e até a música para. Logo estávamos rodeados de gente e mais uma vez nos vimos sendo apostados pelos outros.
– Isso vai ser divertido – Viramos mais uma dose.
– Eu te amo – Edward sussurra para mim.
– Eu te odeio – Falo de volta e ele ri.
– Essa é a minha cookie – E assim continuou a disputa e sinceramente? Só Deus sabe quem vai sair ganhando essa noite. Mas eu não me importo, porque diferente da outra vez, eu não vou voltar/estar sozinha esta noite, eu vou voltar com o maior prêmio que eu podia ganhar: o Edward. E isso para mim já é o suficiente, o resto é apenas a vida, é apenas diversão.
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