Quem Diria?
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Sabe aquele momento constrangedor em que você fica em um mesmo ambiente que outra pessoa, mas não faz a mínima ideia do que dizer? Eu odeio me sentir e estar numa situação desse tipo, não é como se não nos conhecêssemos.
– O que foi aquilo? — Pensei ter ouvido coisas, mas realmente era ele se comunicando com minha pessoa.
– O que você quer dizer?
– O que foi tudo aquilo? Você subir no “palco”, cantar, se declarar. Onde pensa que quer chegar com isso?
– Até você, achei que já fosse meio óbvio – Dei de ombros. Esfreguei minhas mãos suadas uma na outra e depois as enxuguei em minha calça.
– Foi um showzinho e tanto – Murmurou debochado.
– Eu só quero conversar com você como dois adultos.
– Adultos – Pareceu degustar, tentar sentir o gosto da palavra – Não achei que existia essa palavra em nosso vocabulário. Pelo menos não da sua parte – Caramba, ele bebeu um pouco e sua língua fica bem mais ácida quando faz isso.
– Edward, por favor.
– Por favor, por favor! É só o que sabe falar.
– Vem cá, se você não quer falar comigo ou não quer me perdoar, para quê subiu naquela droga de palco e cantou pra mim, olhando nos meus olhos e na frente de todo mundo?
– Porque tudo o que eu cantei naquela droga de música é verdade – Gritou sem paciência – E às vezes eu me odeio por isso. Eu queria tanto poder te da um pé na bunda, dizer que te odeio e que nunca mais quero te ver. Mas sabemos que isso não é verdade – Virou para mim e me encarou – Sua desgraçada, você sabe que eu te amo e que uma hora ou outra eu vou acabar te perdoando.
– Eu também te amo, eu deixei meu medo, minha vergonha de lado para te provar isso – Falei me aproximando dele.
– Às vezes é melhor não darmos ouvido ao coração, você não acha?
– Não, eu não acho – Exaltei-me – Você disse que eu desisto das coisas muito rápido. Mas, quem está desistindo agora?
– O corpo cansa um dia, Bella, esse é o problema.
– Você não cansou de mim, não teve tempo suficiente para isso – Falei com amargura.
– Será?
– Para, para de tentar me magoar. Isso não vai funcionar, eu sei o quanto você está magoado, quebrado. Mas eu vim aqui convencida a lutar, a te fazer entender que o seu lugar é comigo, ao meu lado e de mais ninguém.
– Será? — Puxei meus cabelos já perdendo a paciência. Senhor, eu não sabia que falar com uma pessoa irônica era tão irritante assim.
– Ed... — A porta foi aberta, me impedindo de falar mais alguma coisa.
– Ah, ai está você. Estive te procurando por toda a casa – A Tânya, ex-namorada e com certeza vadia, adentrou o quarto sem sequer notar que estávamos tendo uma DR.
– Oi Tânya – Para minha felicidade, ele não pareceu nenhum pouco satisfeito de termos sido interrompidos.
– Estou querendo falar com você desde que cheguei, é um assunto muito importante – Sentou na cama e fez sinal para que ele sentasse ao seu lado. Meu, esse povo tem uma mania ridícula de me ignorar. Ele foi, andou relutante e me olhou antes de sentar.
– Pode falar...
– Você não pode pirar! Está pronto? — Balançou a cabeça – Estou noiva! — Disse animada.
– Nossa e de quem é? — Ele não estava animado, só que a anta não percebe.
– Ora, como de quem é? Do Tobias, Edward – Fez cara de ofendida.
– Tobias da faculdade?
– Isso mesmo, não nos separamos desde...Ah, você sabe – Deu de ombros – Mas, se prepare que o melhor ainda está por vir.
– Hum – Era perceptível que ele não estava nada feliz com ela ali.
– Eu quero, não, eu amaria que você fosse meu padrinho de casamento – Não, não, não, não, não!!! A nojenta não está convidando ele para ser padrinho do casamento dos traíras. Quanta cara de pau.
– E por que você quer isso ? — Ele agora parecia tão chocado quanto eu.
– Porque eu e o Tobias devemos tudo isso a você. Se não tivesse nos apresentado, eu não seria a pessoa mais feliz do mundo agora. Eu sei que rolou toda aquela confusão, mas eu sei que você já me perdoou, né? — Ele abriu a boca, mas ela não lhe deu chance – Eu sei, você me perdoou – Sorriu. Alguém me segura ou eu vou bater nela. Cadela!
– Eu preciso pensar – Oi? Olho para a cara dele sem acreditar no que ouvi.
– Ok – Suspira como se toda aquela conversa lhe cansasse – Mas não demore muito, tudo bem? Você tem tipo, até hoje para me dar a resposta – Levantou-se e me olhou – Oh queridinha, eu atrapalhei alguma foda de vocês?
– Não – Meus olhos quase saltam da cara.
– Tânya, não comece com suas escrotisses.
– Tudo bem, tudo bem. Eu estou de saída, desculpe atrapalhar vocês – Pegou a bolsa encima da cama e saiu batendo a porta. Virei imediatamente para Edward e ele fitava a porta.
– Sério? Você namorou mesmo com isso? — Apontei para a direção onde ela tinha saido.
– Cometemos muitos erros, Bella.
– E é sério que você está considerando ser padrinho de casamento das duas pessoas que te traíram?
– Hei, como sabe disso?
– Tive tempo de conversar com outras pessoas quando você me largou naquela sala.
– Tânya – Resmungou.
– Tanto faz – Falei.
– Bella, da minha vida cuido eu, ok? Se eu quero ser padrinho do casamento deles, do que te importa?
– Você é insuportável às vezes – Solto um rugido e agarro novamente meus cabelos e com força.
– Vai ficar careca desse jeito – Mirei-o e vi que estava rindo – Nunca me canso de te ver tendo crise de ciúmes, fica tão linda. Já te disse isso? — Ia responder, mas ver que ele estava baixando a guarda, me fez engoli-la e respirar fundo.
– Não ferra, Edward – Escondo o riso que tenta aparecer em meus lábios. E como nos clichês, um silêncio horroroso se instala no quarto e eu fico cansada, minhas pernas começavam a protestar. Então, fui até a cama e sentei. Ele com um tempo fez o mesmo. E com isso, acho que já tinha se passado uns 20 minutos de silêncio. Eu e ele olhávamos para nossas mãos, que mexiam e remexiam em nosso colo em sinal de nervoso. Se fosse cena de filme, ia ser daquelas onde um casal de virgem não sabe o que falar ou por onde começar. Ou então onde o casal sabe que está ferrado e está pensando em uma maneira de contar aos seus pais que estão grávidos. Riu em silêncio com meus pensamentos ridículos e abano a cabeça.
– Então – Prefiro ser a primeira a falar – Nós vamos nos acertar hoje ou não?
– Eu ainda estou pensando sobre isso – Quão idiotas e crianças estamos parecendo agora? Mas não é isso que o povo diz? Que o amor faz as pessoas serem e agirem como idiotas?
– Hum – Falei e agora adotei o hábito de balançar as pernas.
– Já sei – Falou do nada – Vem comigo – Segurou minha mão.
– Como assim? Espera ai, para onde está me levando? — Tente não cair.
– Apenas me siga – Ele me levou até lá embaixo e levantou sua cabeça, procurando algo no meio das pessoas. E essa festa num acaba hoje não, é?
– Hei, Tânya – Ah não!
– Oi – Nos cumprimentou quando chegamos perto.
– Tobias, que bom te ver – Irônico nem um pouco, né filho?
– Digo o mesmo, Edward – O pobre respondeu com a voz trêmula.
– Bom, eu só vim dizer que aceito ser seu padrinho de casamento – No mesmo instante, eu me engasguei com minha própria saliva.
– O quê? — Falei, ou melhor, quase berrei.
– É isso mesmo que ouviu, eu aceito o convite da Tânya – Encarou-me com um sorriso – Algum problema com isso, amor? — Ah tá, ok, o desgraçado está me testando.
– O quê, em você ser o padrinho de casamento da sua ex-namorada? — Bufei – Imagina, eu até acho lindo o que vocês estão fazendo um com o outro.
– Isso é maravilhoso – Tânya o abraçou – Estou muito feliz que tenha aceitado, é muito importante para mim e Tobias – Sorrio largo – Amanhã temos que nos encontrar para marcarmos sua prova de roupa – Mais gay que isso, impossível.
– Eu vou adorar – Ele fala sorrindo – Eu te ligo – Segurou minha mão e me arrastou para uma mesa com bebidas.
– Que palhaçada foi aquela?
– Simples, se você me quer de volta, vai ter que superar seus ciúmes e respeitar meu espaço, assim como eu aprendi a fazer com você. Tu me dissestes que tinha mudado, que ia ser adulta e madura. Pois bem, eu preciso de uma namorada de verdade, que me acompanhe em meus programas e que goste das pessoas com quem eu ande ou pelo menos consiga fingir.
– Isso é papel de esposa, não de namorada – Resmunguei.
– Se for demais para você, é só dar a meia volta e ir para casa – Sorria. Maldito sorriso!
– Eu, desistir? Paga para ver, querido Edwin – Sua cara fechou na hora e eu sorri com isso. Peguei uma bebida e fui atrás da minha mais nova amiga, a Tânya. A prima, ok, não a vadia!
– Oi – Achei a mesma perto da escada, observando tudo de longe.
– Oi, apreciando o show?
– Vejo que se reconciliaram – Sorriu – Eu te disse, os clichês nunca falham – Foi minha vez de rir.
– Como você é idiota – Olha só como está o nível de intimidade – Mas obrigada, se você não tivesse me empurrado, eu não teria feito aquilo.
– Eu sei, de nada. Por que ainda estou achando você meio triste?
– O de sempre, Edward ainda não está 100% comigo – Reviro os olhos – Vou provar a ele que eu mudei.
– Bem, espero que esses dois dias tenham te feito mudar mesmo – A fitei – Não me olhe assim, você já o tem, mas é como você disse, ele não está 100% contigo porque ainda está machucado. Às vezes ele é meio boiola assim. Não conte a ele, mas ele chorou um rio assistindo ao filme A Fantástica Fábrica de Chocolate – Gargalhei alto.
– Não ferra comigo!
– É sério, eu tive que trocar de blusa de tanto que chorou no meu ombro – Mexeu o ombro esquerdo – Até hoje o coitado ainda dói – Rimos juntas.
– É muito bom ver que vocês estão se dando tão bem – Edward chega de surpresa – Acho que preferia quando vocês se odiavam – Tânya foi até ele e o abraçou.
– Com licença, Bella – Piscou para mim – Priminho, vamos ser inseparáveis agora.
– Inseparáveis?
– Muito – Falei e ri. Estou tão alegre que me pergunto se é de felicidade ou efeito da bebida.
– Ok, que Deus me ajude – Sussurrou a última parte – Bom, amor, está tarde e sua família já foi — Opa, já está me chamando de amor.
– Mas já? E não me falaram nada?
– Mandaram eu te avisar, eles acham que você vai passar a noite aqui – Ergui a sobrancelha.
– E eu vou?
– Você quer?
– Não, Edward, a pergunta é: você quer? — Mudou bruscamente de brincalhão, para confuso, sem graça.
– Não iria reclamar se ficasse – Deu de ombros e ri.
– Então, eu fico.
– Argh, vocês me dão arrepios de enjoou às vezes – Tânya faz cara de enjoada e rimos.
– Tânya! — Alice grita do outro lado – Está na sua vez de cantar – Faz sinal para que ela vá até lá – Oi casal.
– Vejo vocês depois, beijokas – E nos deixa ali.
– Edward, se importa se subirmos agora? Estou tão cansada – Aconcheguei a ele.
– Também estou, está ficando tarde – Passou o braço por meu ombro e subimos.
– Quer tomar um banho? — Perguntou.
– Não, apenas uma blusa mais confortável – Ele vai até o closet e traz uma camisa larga para mim e uma troca de roupa para ele. Troco de roupa num instante e me deito logo então, ele faz o mesmo e deita ao meu lado. Não perco tempo e o puxo para mais perto, o aperto em mim e suspiro com o prazer e a felicidade que sinto de tê-lo ali comigo.
– Quer se fundir em mim? — Brinca.
– Eu senti mesmo a sua falta, muito – Sussurro e meus olhos marejam. Sinto seus braços me rodearem e amo isso.
– É, eu morri de saudades.
– Isso é tão bom – Aperto-o mais – Estar aqui com você, te sentindo, escutando sua respiração – Levantei a cabeça – Por favor, promete que não vamos mais nos separar, eu não sei se aguento mais isso. É uma dor suportável, ninguém morreria por ela. Mas é a dor mais lenta e dolorosa que eu já senti e nunca mais quero ter que senti-la de novo.
– Vamos fazer o nosso melhor, eu prometo – Beijou meus lábios.
– Eu amo seus lábios nos meus, é bom, parecem que foram feitos um para o outro e somente. Gosto quando me beija assim, com paixão e amor – Sorri – Estou tão gay, hoje.
– Gosto quando você está gay – Rimos – Deveria ser sempre assim.
– Eu não pretendo te deixar ir, nunca mais – Beijei-o mais uma vez – Eu te amo – Sussurro.
– Amo o jeito como isso soa – Sorri para mim com ternura – Eu também te amo, pra caramba.
– É ruim demais se eu disser que não quero mais me separar de você? Amo tanto ficar com você, colada em você que não consigo descrever.
– Você está tão romântica.
– É que eu te amo, Edward, tenho medo que um dia você perceba que eu não valho nada e que pode conseguir algo melhor, é por isso que tenho tanto ciúmes.
– Acredite quando eu digo, você é tudo e o melhor que eu poderia ter ou conseguir. Nunca ouviu a expressão que se melhorar, estraga? — Concordo com a cabeça – Por isso mesmo, você é o suficiente para mim – Por que eu ainda não me sinto perto o suficiente dele? Passo minha perna direita pelas suas, entrelaço nossas mãos e ainda não me sinto perto o bastante.
– Está tentando me matar sufocado? — Gargalha – Eu não vou fugir.
– Eu sei, eu só senti muito a sua falta, ainda dói.
– Não chora, eu vou ficar aqui para sempre se quiser.
– Parece ótimo para mim.
~.~
Senti algo se mexer embaixo de mim e gemi em protesto. Eu não quero acordar agora, está maravilhoso do jeito que está.
– É sério, Bella, estou derretendo de calor e preciso ir ao banheiro – A voz agoniada de Edward me faz abrir os olhos. Dou um sorriso sem graça quando percebo que estou deitada encima dele, literalmente.
– Desculpe – Rolo para o outro lado e tapo meus olhos com o braço.
– Hey – O tirou na mesma hora – Vou pedir a Deus que você sinta minha falta assim, todos os dias.
– Tudo bem – O empurro – Agora vai esvaziar sua bexiga que o seu amigo está me cutucando sem parar – Ele gargalha alto. Sai da cama e o puxo de volta – Volta logo.
– Sim senhora – Bate continência e sai andando. Acho que cochilei de novo, quer dizer, tenho certeza, porque quando abri os olhos vi o Edward e uma bandeja recheada de comida bem na minha frente.
– Podemos passar o dia todo na cama, mas temos que comer – E só com o cheiro, minha barriga roncou na última escala. Ele ligou a TV e ficamos comendo, como sempre, eu comi mais do que ele. Ficamos na cama até o meio dia, apenas curtindo e aproveitando a presença um do outro. Mas fomos forçado a comparecer na cozinha quando deu a hora do almoço.
– Odeio sua família nesse momento – Falo emburrada.
– Tenho certeza que isso é coisa da Tânya, ela é uma versão feminina do Emmett – Gargalho e concordo com a cabeça. Visto a mesma roupa de ontem e descemos.
– Olá, pompinhos – Já fomos recebidos com olhares de malícia da parte do Emm e da Tânya – Estranho, não ouvi barulho algum essa noite. Não consegue ficar em pé, maninho?
– Para sua informação, Emm, uma relação não se dá a base só de sexo – Falei e percebi a presença de meus sogros ali – Perdão Esme e Carlile – Murmuro sem graça.
– Não se preocupe, esse cabeça de vento precisa ouvir umas verdades de vez em quando – Riem.
– É tão gratificante ver a mesa cheia – O sorriso de Carlile contagia a todos – Principalmente por vocês dois estarem aqui.
Quando terminamos de almoçar, Edward me levou mais uma vez até o quarto e fecha a porta.
– Quero te fazer uma proposta – Ele diz animado – Que tal passarmos esse final de semana juntos, sem nada nem ninguém para nos atrapalhar, em meu apartamento?
– Eu acho uma ótima ideia – Sorriu – Espera, mas é o casamento da Tânya?
– É só no domingo, vamos ter muito tempo para aproveitarmos.
– E a sua prova de roupa?
– Vai ser daqui duas horas, ela me ligou mais cedo – Ele não me pareceu muito feliz com isso – Você vai até sua casa, pega as suas coisas e me espera lá no apartamento.
– Eu não tenho as chaves, vou ter que te esperar – Faz sinal para que eu espere e corre até a sua comôda.
– Problema resolvido – Segura minha mão e deposita um chaveiro escrito “You belong to me now”.
– Edward, você sempre pensando em tudo – Passo os braços pelo os seus ombros – Obrigada, eu adorei.
– Sem mais desculpas, te encontro no meu apartamento às 16:00 horas, tudo bem?
– Tudo bem – Lhe dou vários selinhos até ele segurar minha cabeça e me beijar de verdade – Cuidado com aquela lá, não quero ter que ser presa tão jovem – Falo sério, mas ele sabe que eu estou brincando. Ele acha, eu não.
– Fica tranquila.
Descemos até o carro e ele me deixa em casa em poucos minutos. Nos beijamos como despedida e abro a porta.
– Bella, hey – Baixa o vidro e me chama.
– Já está com saudades?
– Só mais uma coisinha – Faz suspense – Nem pense em dar bola para o senhor Morais quando passar pela portaria.
– Claro, vou tentar controlar o meu lado tarado por senhores de 80 anos – Ele ri da minha cara.
– Acho bom, não sei se tenho potência para ganhar dele – Reviro os olhos e sorriu.
– Vai embora logo, seu bobo.
– Te vejo daqui algumas horas, esteja lá quando eu chegar.
– Eu vou – Mando um beijo para ele e entro.
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