Notas iniciais
OLÁ JOVENS Primeiramente, eu tenho explicações da falta de capítulos: eu estava viajando, então não consegui postar. Segundo: Stuart cresceu nesse capítulo - apenas nos últimos parágrafos do capítulo, aliás. Terceiro: A fic está meio que na reta final. Acho que terá mais uns seis capítulos. Não é tão grande. Quarto: pretendo iniciar uma nova história logo. Vou começar a escrever tragédias. Essa história será um drama total. Quando postar, anuncio para vocês. Boa leitura ;)

As mãos de May tremiam sem parar. Sua respiração estava acelerada, e ela olhava de um lado para o outro, tentando encontrar algo reconfortante para observar. Seus olhos pousaram sobre um quadro pendurado na parede. Um quadro pintado por Grace há alguns meses. Sempre admirei esse quadro em silêncio. Era realmente lindo. Um simples nascer do sol que, com poucas cores, conseguia representar muitas coisas.

Olhei para May novamente, e sorri quando nossos olhares se encontraram.

– Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você – falei para ela, abraçando-a forte.

– E se ele enlouquecer? – disse ela, suspirando entre uma palavra e outra. – Não estamos preparados para isso, Stuart.

– É uma pena que vocês não tenham pensado em prevenção na hora. Sabe que existe camisinha, não sabe? – falei para ela. – E vamos combinar que você já tem vinte e cinco anos. Você sabe cuidar muito bem de uma criança, May. Você cuidava de mim, tenho certeza.

– Isso é diferente – falou ela, balançando a cabeça e andando de um lado para o outro, nervosa. – Essa criança será minha total responsabilidade. Tenho medo de não conseguir e estragar tudo.

– May, porra, cala a boca – suspirei, ficando surpreso comigo mesmo por falar um palavrão. – Tá, desculpa. É que você está me deixando mais nervoso que você. Olha, Colin vai amar você ainda mais, eu o conheço. É provável que ele fique chateado com você por causa dessa chatice toda. Fique quieta, tudo bem? As coisas vão acontecer, e sua vida vai ser incrível, não tenha dúvidas.

Ela sorriu, mas começou a suar ainda mais quando Colin entrou pela porta e lhe deu um beijo nos lábios.

– Puxa, May, você está fedida – disse ele, balançando a cabeça. – Sem ofensas.

May o encarou, e depois olhou para mim.

– Tudo bem, estou saindo – falei, levantando-me, mas sendo puxado novamente em direção ao sofá.

– Não, você fica! – disse ela. May estava louca com tudo isso.

Concordei com a cabeça.

May olhou para Colin. Ele parecia preocupado.

– May, tem alguma coisa que você... – perguntou ele, não terminando a frase.

O silêncio tomou conta da sala. May olhava de um lado para outro, menos para Colin. Sua expressão era de cansaço. Ela não estava bem.

– Estou grávida – sussurrou ela, ou pelo menos foi isso que eu acho que ela disse.

– O quê? – perguntou Colin, aproximando os ouvidos. – Brava?

– Grávida – falou ela novamente, mais baixo que na vez anterior.

– Brava? Você está brava?

– Porra, ela está grávida! GRÁ-VI-DA. Grávida! – gritei, não aguentando o nervosismo de May e contando eu mesmo o que estava acontecendo.

Silêncio. Pausa. Silêncio.

– Grávida? Você está grávida? – falou Colin, abrindo a boca em forma de O. – Você está... Grávida? Vamos ter um bebê?

– Eu sinto muito. Não sei como isso aconteceu. Acho que escorregamos um pouco e... Oh, me desculpe, Colin! Isso é...

– Ótimo! – gritou ele, saltitante e sorridente. – Incrível, maravilhoso!

– O quê? – falou May, olhando para ele fixamente. – Não está bravo comigo?

– Bravo com você? – ele se abaixou na frente de May, olhando fixamente para ela e sorrindo. – May, isso é maravilhoso! Estou a algum tempo tentando conversar com você sobre isso, mas não tenho coragem. Eu... Eu... Eu quero muito ser pai! Isso é incrível!

May parecia pasma, mas seus músculos haviam relaxado um pouco. Sua tensão havia diminuído, e sua chatice provavelmente havia ido embora. Dei um beijo em sua bochecha e sorri para ela, confirmando para mim mesmo que eu estava certo: no fim das contas, as coisas sempre se encaixam.

Mas Tiffany e eu já tivemos nosso final, e as coisas entre nós não haviam se encaixado.

Alguns meses se passaram desde a última mensagem dela. Nada mais que um ‘eu amo você’ foi enviado depois. Nem mesmo um oi, uma vírgula ou um ponto. Nada. Eu não conseguia mais abrir meus e-mails ou minhas mensagens no celular. Tudo me lembrava ela. Eu sentia a necessidade de descobrir quem era a garota na qual conversei durante meses, meses e meses. Pensei que nos conhecíamos, mas eu estava errado. Tiffany e eu nunca nos conhecemos de verdade. Essa é a nossa história.

Já a minha história com o passar dos anos foi sempre a mesma. Com vinte e um anos, eu nunca tive um trabalho fixo. Normalmente, faço alguns pequenos trabalhos em diversos lugares, mas nada que dure muito. Atualmente, estou trabalhando na bilheteria do cinema, e quando reencontro alguns colegas de escola, eles me olham de lado e com um olhar zombeteiro. Nem todos se dão bem na vida, afinal de contas.

Contei a May sobre Tiffany, e ela disse que já viveu algo parecido quando tinha entre dezoito e dezenove anos. May conheceu um garoto na internet chamado Olavy, e os dois se ‘apaixonaram profundamente’. May, na verdade, descobriu que Olavy era uma garota chamada Cecília e que tinha perto dos quarenta anos.

Isso tudo me faz pensar sobre Tiffany. Talvez ela seja como Cecilia, mas talvez ela seja a garota com quem realmente conversei durante todo aquele tempo. E sei quer quero descobrir sobre tudo isso, e vou descobrir. Algum dia, Tiffany e eu nos encontraremos, e eu saberei quem ela é de verdade.