Quem é você, Tiffany?
3 Incondicionalmente
Notas iniciais
Dizem que quando você sente a falta de alguém, olhar as fotos da pessoa ajuda com alguma coisa. Tenho algumas dúvidas sobre isso ser verdade. Por algum motivo, eu sentia a falta de Addie. Eu sentia a necessidade de estar ao seu lado agora, querendo que ela me abraçasse. Olhar fotos para mim não era o suficiente, mesmo que ajudasse um pouco.
Peguei algumas fotos que estavam em cima da escrivaninha e deitei na cama. Sorri ao ver a foto de quando viajamos juntos pela primeira vez. Tínhamos treze anos. Ou quando fomos obrigados a dançar juntos na festa de aniversário de quinze anos da minha irmã, May. Eu nunca imaginei que tive tamanha sorte em um simples momento.
– Addie, Addie – suspirei entre palavra e outra. Eu devia estar delirando. Eu só podia estar delirando. Pensar tanto em Addie nunca foi uma opção para mim. Nunca era para ninguém, na verdade. – O que está acontecendo comigo?
Essa era uma pergunta retórica. Eu realmente sabia o que estava acontecendo comigo; eu apenas não queria admitir.
Certamente, eu estava apaixonado por Addie. Eu estava apaixonado assim como uma criança gosta de chocolate. Eu estava apaixonado assim como um leitor viciado sorri lendo cada momento de um livro. E eu estava apaixonado assim, retoricamente, gradativamente, incondicionalmente. E admito: isso, dependendo do ponto de vista do apaixonado, pode ser uma droga. Outro grande problema é que quando se está apaixonado, qualquer coisa que o seu alvo faça é motivo para se pensar que ele gosta de você. Essa é a maior ilusão de todas.
Minha irmã mais velha, May, costumava pensar assim. A coisa mais incrível é que isso deu certo com ela. Há pouco mais de um ano, May estava oficialmente namorando Colin Jackson, seu melhor amigo desde o jardim de infância. Gosto de ouvir essa história porque é legal ouvir a alegria na voz de ambos. E é legal saber que, talvez, algo do tipo possa acontecer comigo. Nunca se sabe, afinal de contas.
– Stuart? – May entrou no quarto, vestida com roupas quentes de inverno. – Posso entrar?
– Já entrou – falei, sentindo um arrependimento na consciência por ter dito isso de um jeito grosseiro. – Desculpe.
– Ah, tudo bem. Percebi que você está se sentindo mal, então vim aqui – ela se aproximou, sentando-se ao meu lado na cama.
– Porque está usando roupas de inverno? – perguntei.
Ela olhou para as próprias roupas e passou as mãos pelo casaco, alisando-o um pouco mais.
– Colin e eu estamos indo patinar no gelo. Obviamente, não há gelo por aqui agora. Ele descobriu um evento que contará com patinação no gelo. Não é gelo de verdade, mas é gelo. E então, estamos indo para lá.
Balancei a cabeça, franzindo a testa.
– Não parece muito animado – disse ela, olhando atentamente para mim. – O que está acontecendo, Stuart?
Suspirei. Aliviaria um pouco caso eu contasse o que estava sentindo para alguém, mas eu não queria contar. Talvez May gostasse de Addie – até porque não havia como não gostar de Addie. Mas talvez May e Addie não se dessem muito bem e eu não havia percebido isso.
– Promete que não vai rir de mim? – perguntei. – Ou até mesmo me jogar da janela ou algo do tipo?
– É, acho que sim – disse ela, e sorriu.
Diversas coisas passaram pela minha cabeça agora. O que eu diria para May? Que eu estava perdidamente apaixonado pela minha melhor amiga há algum tempo e que seria totalmente errado contar isso a alguém? Provavelmente, ela riria de mim e diria que eu sou um garoto idiota. Um garoto totalmente idiota. E estúpido.
– May, eu... Eu... – gaguejei, tentando encontrar as palavras certas para dizer.
– Está apaixonado, não está? – disse ela, fazendo arregalar os olhos. May sempre fora uma boa leitora, mas era surpreendente a facilidade com que ela fazia isso.
– Como você...?
– Você é um livro aberto, lembra? – ela deu uma piscadela, fazendo-me rir um pouquinho. – Você está apaixonado e, provavelmente, é por uma garota linda e incrível chamada Addie, acertei?
Suspirei, franzindo a testa e arregalando os olhos. Não havia como esconder nada de May. Ela era minha irmã mais velha, e sabia tudo sobre mim. E eu sabia que confiava nela.
– De uns dias para cá, quando Addie se aproxima, minha barriga começa a doer, eu não consigo pensar direito e eu sinto uma vontade incontrolável de beija — lá. Eu até fiquei imaginando que ela pode ser sexy. Não que ela não seja. Quer dizer, ela não é. É que...
– O amor é assim. É estranho no começo, machuca depois, mas em seguida, tudo é como um mar de rosas. Se você for correspondido, é claro – ela sorriu, levantando-se da cama e indo em direção a porta. – Mamãe está chamando para o jantar. Bife acebolado hoje.
Quando May desapareceu no corredor, levantei e puxei meus pés em direção a cozinha. O cheiro de bife acebolado subiu pelo meu nariz, fazendo-me finalmente sentir fome. Sentei ao lado de minha mãe, olhando atentamente para qualquer coisa, menos ela. Tive que olhar para o lado. Na minha frente, como em todas as outras refeições, estava sentado Phill, meu padrasto. Nós nunca trocamos palavras. Apenas olhares.
Não costumo chamar minha mãe de mãe. Soa esquisito para mim. Normalmente, chamo-a de Grace, que é seu primeiro nome. Nós não somos muito próximos. Desde que ela e meu pai se separaram, não conversamos mais. Vez ou outra, na verdade, mas isso é algo raro. Prefiro manter distância de alguém que mantenho rancor.
Comemos todos em silêncio, como nas diversas vezes em que comíamos juntos. Vez ou outra Phill pigarreava, tentando engolir algum caroço de feijão preso em sua garganta.
– Sabem, eu estive pensando... – Grace interrompeu o silêncio, batendo no copo de vidro com a colher de sobremesa. – Poderíamos organizar alguma viagem em família. Seria divertido.
– Não – respondi imediatamente.
– Mas as férias estão chegando, e pensei que seria divertido se...
– Pensou errado – levantei, pegando meu prato e copo e colocando dentro da pia. Subi até meu quarto, sem olhar para trás.
Eu apenas queria sumir por um momento, passar um único dia sem preocupações. Eu tinha a hora de dormir para isso, e ajudava um pouco. Deitei na cama ainda com meus chinelos de dedo e dormi profundamente como sempre fazia após uma discussão.
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