Quem é você, Tiffany?
15 Bum
Notas iniciais
É estranha a sensação de sair com uma pessoa que não seja Addie. Faz muito tempo que não penso nela por mais de um minuto, na verdade. Addie e eu sempre tínhamos encontros, mas eles acabavam sendo apenas uma noite entre amigos no final das contas. Era algo normal. E agora, com Alice, seria diferente. Nós teríamos um encontro, e eu nunca fiz isso antes. Minhas mãos estavam suadas. Deitei a cabeça no volante do carro enquanto Alice fechava a porta de sua casa. Respirei fundo assim que ela entrou no carro e sorriu.
– Isso é emocionante – disse ela, fechando a porta. – Nunca fiz isso antes.
As coisas haviam piorado de uma maneira indiscutível. Era o primeiro encontro dela também. Estávamos realmente perdidos.
– Nunca teve um encontro antes? – perguntei, para realmente confirmar se aquilo que ela dissera era verdade.
– Não – disse ela, abaixando a cabeça. – Os garotos nunca me viram dessa forma. Mas o importante é que estamos aqui, e tudo vai ficar bem, você vai ver. Vai ser divertido.
Tentei mostrar um pequeno sorriso para ela. Eu não conseguia ser verdadeiro com alguém que não fosse Addie. As memórias sobre ela estavam cada vez mais vivas na minha mente. Eu nunca consegui esquecê-la de verdade.
Dirigi por alguns poucos minutos até chegarmos ao restaurante. Alice é que escolhera. E era o restaurante.
O restaurante é o nome do restaurante, mas seu nome não significa apenas isso. Addie e eu vínhamos aqui toda semana para esquecer os nossos problemas. Era divertido, mas agora parece mais como um dos problemas que vínhamos esquecer. Tudo isso se tornou angustiante.
Alice e eu nos sentamos justamente na mesa central do restaurante. Éramos como o centro das atenções das pessoas. Olhei para ela diversas vezes, mas ela não parecia se importar com isso.
– O que foi? – perguntou ela, apoiando a cabeça nas mãos. – Parece incomodado com alguma coisa.
– É só... O calor.
Eu realmente não sabia mentir. Estava frio, então o meu problema literalmente não era o calor. Eu devia ter pensando um pouco antes de responder, mas Alice não se importou. Ela fingiu não se importar e decidiu seguir em frente.
– Sabe, os garotos nunca me chamaram para sair. Na verdade, alguns já chamaram, mas eu nunca aceitei.
– Por quê?
– Eles não eram os caras certos – sussurrou ela, dando uma piscadela.
Engoli em seco. Alice parecia estar me paquerando, e eu estava me sentindo incomodado com isso. Não deveríamos ter combinado de nos encontrar. Ela não pode ser a Tiffany. Tiffany não consegue ser tão direta desse jeito.
– Alice, você já namorou alguma vez? – perguntei, querendo chegar logo aonde eu queria para ir embora daqui.
– Oh, sim, algumas vezes – Alice começou a dizer alguma coisa, e então virei o rosto e me deparei com a mesa em que Addie e eu costumávamos nos sentar. Me lembrei de todos os momentos divertidos que tivemos aqui. Tudo era tão incrível e tão fácil. Pergunto-me o que ela anda fazendo atualmente. Será que ela se esqueceu de mim, ou será que às vezes a imagem do meu rosto surge na sua cabeça de repente, assim como acontece comigo?
– Stuart? Stuart?
Olhei para Alice, piscando rapidamente os olhos.
– Desculpe. Eu estava distraído.
Ela balançou a cabeça e fez um pequeno bico. Isso me lembrava Addie. Ela sempre fazia isso e sorria em seguida.
– No que está pensando? – perguntou Alice, acariciando minha mão levemente.
– Não vai querer saber – respondi.
– Pode apostar que eu quero – ela sorriu.
Suspirei e olhei para qualquer outro lugar que não fosse para ela.
– Eu costumava vir aqui com Addie, minha melhor amiga de anos atrás. Não é nada demais, é só que as lembranças acabaram vindo à tona de repente.
Ela balançou a cabeça e bufou. Nossa comida chegou alguns minutos depois. Comemos em total silêncio. Eu me sentia mal por não conversar com ela sobre alguma coisa, mas eram tantas coisas atormentando minha cabeça agora que eu não conseguia encontrar algo interessante para dizer.
– Então... Addie, não é? – ela cortou o silêncio perguntando a coisa que eu menos queria ouvir agora.
– É... – respondi, desanimado.
– Vocês já tiveram alguma coisa antes? Algum tipo de relacionamento?
Pensei um pouco. Addie e eu trocávamos um simples selinho todo ano, mas isso não era considerado um relacionamento maior que a amizade.
– Não. Éramos apenas amigos, nada mais que isso.
– Huum – foi apenas o que ela disse antes de se levantar e pegar sua bolsa.
– Aonde vai? – perguntei, levantando-me também.
– Vou para casa – respondeu ela, colocando algumas notas de dinheiro em cima da mesa. – Já vi que não vou conseguir nada com você. Foi idiotice da minha parte aceitar vir aqui.
– O quê? – perguntei, parecendo confuso. Ela gostava de mim? Suas intenções eram maiores que uma simples amizade? – O que está querendo dizer, Alice?
– Como você é burro, Stuart! – gritou ela, atraindo alguns olhares para nós enquanto andávamos para fora do restaurante. – Eu sempre fui a fim de você. Sempre. Pensei que poderíamos ter alguma chance hoje, já que nunca mais vi você com Addie. Pensei que as coisas poderiam ser diferentes um pouco, mas eu estou enganada. Você sempre foi apaixonado com ela, e esse tipo de coisa não muda da noite para o dia.
Ela apertou o passo e saiu correndo. Não tentei acompanhá-la. Ela tinha razão. Eu sempre gostei de Addie, e agora essa coisa toda estava vindo à tona de novo.
Entrei no carro e sai a toda velocidade, sem uma direção exata para seguir. Eu estava confuso em relação a meus sentimentos. Eu nunca gostei de Tiffany de verdade. Eu nunca esqueci Addie totalmente. Eu era um idiota. Poderia estar feliz, mas joguei tudo ao vento. Como um idiota. Eu sou um idiota.
Acelero o carro, passando do limite permitido nas placas. Não me importo com o que possa acontecer enquanto faço isso. Quero apenas esquecer tudo o que estou pensando agora. Respiro fundo, lembrando-me do rosto de Addie, feliz e divertido. Não entendo como fui capaz de esquecê-la por tanto tempo.
Pego meu celular enquanto ainda dirijo e procuro o numero de Addie na lista telefônica. O telefone chama algumas vezes, até que alguém atende.
– Alô?
Mas não tenho tempo de responder. Um baque forte joga meu corpo para frente, fazendo minha cabeça bater no volante com força.
Bum.
É a última coisa que escuto antes de tudo ficar escuro.
Fale com o autor