Quem é você, Tiffany?
13 A Busca
Notas iniciais
– Tiffany?
Por algum motivo, eu estava na casa da apenas Tiffany. Ela era uma garota muito, muito sinistra. Mas eu não me importava.
Há algumas semanas, resolvi pesquisar um pouco mais. Foram semanas longas e tensas, mas que deram bons resultados. Três Tiffany’s foram encontradas, e eu estava com um bom pressentimento sobre elas.
Tiffany um morava em uma rua deserta, com apenas algumas poucas casas ao redor. Era visível um galpão velho ao fundo de sua casa. Velho e assustador apenas por se olhar para ele. Franzi a testa ao encará-lo. Minha Tiffany nunca frequentaria um lugar como aquele. Ela não era capaz de algo do tipo.
Uma garota abriu a porta. Ela tinha definitivamente muitos piercings no rosto e tatuagens pelo corpo todo – pelo menos nos dois braços. Seu cabelo estava solto em frente a seu rosto, e suas roupas eram pretas.
– O que você quer? – perguntou ela, olhando para mim enquanto mascava um chiclete.
– Ti-tiffany? – gaguejei, e ela suspirou.
– É mais um daqueles panacas da escola?
– O quê? Não sou um panaca – retruquei, dessa vez olhando para ela.
– Que seja – disse ela, encostando-se na soleira da porta. – O que quer? Estou com pressa.
– Você é a Tiffany, não é?
Ela abriu um pouco a boca e começou a mascar seu chiclete com a boca aberta.
– Você é um idiota mesmo – disse ela, aproximando-se um passo. – Você sabe meu nome. Por que está perguntando, afinal?
– Bem, eu... – bufei. – Tudo bem, eu vou embora. Você não é a pessoa que estou procurando.
Caminhei com passos longos e rápidos até o outro lado da rua. Quando Tiffany um entrou em casa, saí correndo o mais rápido que pude. Risquei seu nome da minha lista. Definitivamente, ela não era minha Tiffany, e estava longe de ser.
•••
– Tiffany?
Dessa vez, eu estava me aventurando um pouco mais fundo nessa história. A Tiffany número dois é Tiffany Back. Back não era muito conhecida no colégio. Na verdade, ninguém sabia de sua existência nos tempos de colegial. Alguns diziam que ela era uma bruxa. Outros diziam que ela era estranha de nascença. Resolvi nunca me intrometer no assunto. Siga aquele ditado: não faça aos outros o que não quer que façam com você.
– Sim? — ela abriu a porta, e sua expressão estava pior do que na última vez em que a vi na escola. — Stuart?
Fiquei surpreso por descobrir que ela sabia meu nome. Talvez ela realmente fosse uma bruxa, ou estivesse próxima disso.
– Co-como sabe meu no-nome? — falei, amedrontado.
– Sei o nome de muitas pessoas — respondeu ela, em um tom assustador. — O que quer aqui?
– Eu... Eu... — eu não conseguia fazer aquilo. Mesmo que ela fosse minha Tiffany, eu não conseguia olhar para ela. Eu sentia medo, e não me importava com isso. Dei meia volta e desci as escadas de sua casa correndo. — Quer saber, vou embora. Obrigado.
Ela fez uma careta e olhou para o chão.
– Garoto estranho — sussurrou, mas mesmo assim consegue ouvi-lá.
Ouvi a porta atrás de mim se fechar, e corri mais rápido do que na casa da Tiffany número um. Será que toda Tiffany que eu conhecia acabava sendo esquisita no final?
•••
Eu estava de saco cheio. Duas Tiffany's, e nenhuma delas era a que eu procurava. Nenhuma delas era minha Tiffany. E talvez a Tiffany número três não fosse verdadeira. A quem eu estava tentando enganar, afinal? Era impossível encontrar Tiffany agora, após anos e anos sem contato.
Bati na porta da casa da Tiffany três. Uma garota loira de cabelos longos e lisos atendeu.
– Tiffany? — perguntei, olhando para ela com a expressão cansada. — Você é a Tiffany, não é?
– É, acho que sim — respondeu ela, sorrindo. — O que deseja?
– Eu... Tudo bem, não sei nem por onde começar. Tive um dia exaustivo hoje e estou procurando alguém que talvez possa ser você — ela me encarou e franziu a testa. — Tá, sei que isso é MUITO estranho de se entender, mas preciso conhecer alguém. Será que podemos conversar?
Ela me encarou fixamente, observando-me dos pés a cabeça. Eu estava exausto. Procurar por alguém nunca havia sido tão cansativo.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, e então disse:
– Talvez eu possa ajudar você — e sorriu.
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