Quem é você?
11 Descoberta
Ao abrir os olhos a cena do abraço na noite passada atormentava sua mente. Sacudia a cabeça e respirava fundo tentando se esquecer daquilo. Olhava para o chão e verificava se Akio dormia bem, dessa vez havia pegado cobertores que ninguém estava usando e dado a ele.
—Como você consegue dormir nesse chão tão duro?... eu deveria comprar um futon? — Ao se levantar, começava a espirrar novamente, parecia que dessa vez a gripe estava mais forte. Seu corpo também estava dolorido e mais quente que o normal.
Luna ia ao banheiro e logo após terminar seu banho, se joga na cama novamente.
—Acho que não vou sair da cama hoje... — Olhava para baixo de novo e Akio continuava a dormir, seu rosto era tão angelical e sereno que agarrou Luna por alguns segundos.
—Você não costumava a dormir tanto assim... — O deixou dormindo e se levantou outra vez. Ajeitou sua cama e fechou porta do quarto ao sair.
—Mãe, preciso de algumas coisas para a gripe, vou até o mercado e já volto — Sua mãe ainda estava na cozinha terminando os acompanhamentos para o café dá manhã.
Ao sair, o clima ainda era inverno e o vento batia sem piedade no corpo de Luna, o fazendo estremecer. Nem o casaco era o suficiente para se livrar do frio. Seu nariz escorria e sua garganta pegava fogo a incomodando. Na farmácia comprava várias pastilhas, alguns remédios e compressas.
— Até que o inverno não é tão ruim... — Estendia a mão para cima tentando alcançar os pequenos flocos de gelo. As árvores eram carregadas de neve por seus galhos, o sol era gentil e as pessoas andavam mais próximas às outras. Tudo aquilo deixava o inverno mais bonito para a Luna, fora os festivais que aconteciam, como a Tokyo Midton, que consistia em um show de luzes em um parque.
Luna ao chegar em casa, não foi capaz nem de parar para comer, seus pais vendo sua situação aconselharam-na que ficasse em casa. Seguiu direto para seu quarto e quando chegou se deparou com Akio que parecia ter acabado de acordar pela situação do seu cabelo.
—Bom dia para você — Ela se deitava e deixava a sacola ao seu lado. Se cobria novamente e fechava os olhos.
—Comida.
—É Akio, comida, agora você precisa aprender outras palavras.
—Comida...
Luna juntava as sobrancelhas e quando via que ele havia se quietado voltava à tentar ter um cochilo.
—Luna, comida — Akio continuava a insistir na palavra e segundos depois, ouviam sua barriga roncar.
Luna arregalava os olhos curiosa e se virava para onde o garoto estava sentado.
—Você sente fome? — O olhar de Luna era compreensivo. Não era como se esperasse uma resposta, então se levantou pelo outro lado e se dirigiu até a cozinha. Sua mãe já havia limpado a mesa e saído de casa, então buscou algo na geladeira, achando uma tigela de ramén.
Deixava a tigela sobre sua mesinha junta de dois pauzinhos.
—Venha comer — chamava Akio para a mesa.
Ele se juntava e continuava a encarar Luna, o cheiro do tempero o chamava a atenção o fazendo aproximar o rosto da comida. Ao sentir a essência mais de perto, dessa vez se distanciava e colocava o dedo indicador dentro da tigela e depois levava até os lábios. Aquela atitude admirava Luna, pouco à pouco ele se parecia mais com uma pessoa normal, ou talvez nem tanto.
—Você deve usar os palitinhos, Akio — Luna começava a tossir, mas se recompunha, usava os palitinhos uma vez e provava do ramén — Agora é você.
Ela o estendia para ele que os pegasse, mas sem jeito, não conseguia os fechar e apanhar o macarrão. Luna revirava os olhos se reprendendo por não ter trago uma colher.
—Não se acostume com isso, tá bom? — tomava os palitinhos da mão de Akio com um pouco de agressividade e juntava a comida, a enfiando seguidamente na boca do garoto. Seu rosto ficava corado e também um pouco constrangida com aquilo.
Akio apreciou a tigela inteira, em menos de 3 minutos. Ele devorava a comida rapidamente e parecia nunca se saciar.
—Você parece ter um buraco negro no estômago...
Cansada, deixou a tigela de lado e voltou para a cama. Tomava um de seus remédios e colocava as compressas nas costas e no peito. Ia na cozinha e trazia um balde com água quente, junto de um pano. O fantasma, apenas a observava do chão.
—Você trate de se cuidar para não ficar igual eu — deitava novamente na cama, colocando um pano molhado em sua testa. Repetia o processo quando a água esfriava, até que acabou por adormecer.
Akio se aproximava do seu rosto com cuidado, parecia checar se estava acordada. Vendo que Luna trocava o pano algumas vezes e dessa vez deixava de o fazer, pegava o tecido delicadamente da testa de Luna e o molhava novamente na água quente, o repondo de novo. Ele o repetiu até que a água ficasse gelada e Luna acordasse.
— Akio? Quantas horas? — Se levantava meio atordoada, com a garganta a incomodando e deixando sua voz rouca.
Alguém subia as escadas e entrava no quarto de Luna.
—Você tem uma visita do colégio — Atrás de sua mãe, surgia Emy que ao dar as caras, levava as mãos imediatamente à boca com uma expressão pasma.
Fale com o autor