Queen Of Spring
1 Prólogo
Notas iniciais
P R O L Ó G O
Valentina sentiu sua criada abrindo os botões de seu vestido. Para a sua sorte, o evento tinha acabado mais cedo do que o previsto. Logo que o vestido foi tirado, ainda tínhamos que tirar o resto dos acessórios reais.
A crinolina também foi tirada, o que fez que eu me sentisse mais livre. O resto dos acessórios que também me deixavam angustiada, finalmente foram removidos de meu corpo e agora eu me sentia mais livre do que nunca.
A outra criada trouxe uma camisola, feita com um dos tecidos mais caros de todo o reino. Eu respirei fundo, e deixei que elas ajudassem a me vestir. Normalmente, eu tomo um banho sempre que acabo um evento importante, mas hoje eu não estou tão disposta a isso.
Assim que eu já estava vestida e com meus cabelos escovados, as criadas perguntaram se eu quereria mais alguma coisa. Assim que neguei, as duas saíram andando apressadamente. Talvez fossem encontrar minha mãe.
Deitei-me em minha cama e tampei meus olhos com um braço. O evento tinha sido cansativo, e era o quarto essa semana. E ainda estamos na quarta-feira, o que me desanima pensando aos outros eventos.
A rainha da primavera, uma celebração que todos esperam o ano inteiro. O rei geralmente espera um herdeiro, e não uma herdeira, por isso toda a primavera ele pede que seu filho mais velho se case com uma bela dama do reino que transmita a beleza da primavera. O objetivo é que a dama engravide até a próxima primavera chegar.
Caso ele tenha um filho, ele herdará o filho e a mão não poderá ter contato com ele. Caso ele tenha uma filha, ela será mandada para o reino junto a sua mãe. A diferença, é que as damas escolhidas para ser a rainha da primavera, ganham uma bela fama depois.
Homens nobres tentam a atenção dela. Eles chegam ao ponto de paga-las apenas para conseguirem tê-las por alguns dias em sua casa.
E é por isso que eu odeio esse evento.
Quando o príncipe tem um filho, ele não procura mais uma rainha da primavera. Ele fica com o filho e se casa com outra pessoa que o pai dele escolherá. Eu não quero isso para mim, muito menos para os meus filhos ou filhas.
O problema, é que minha mãe não pensa assim.
Ela é ambiciosa e gananciosa. Está pensando em sua fortuna, caso acabe. Aproveitou que ela tem o total direito sobre mim ainda, e me candidatou para que eu concorresse à rainha. Eu neguei claro, mas ela nem ouviu.
O governo nunca muda. Nós nos casamos com um príncipe durante um ano, engravidamos dele e depois somos largadas. Isso é simplesmente a coisa mais injusta que existe. Se existir algo pior que isso, eu vou me assustar.
Não gosto de ser tratada como uma a mais no reino. Geralmente nós, mulheres, somos vistas como a companhia do homem, mas eles nunca são vistos como a companhia da mulher, e sim como o dono dela.
Não conseguimos trabalho. O nosso dinheiro depende do homem que nos casarmos. E por isso eu não suporto esse reino, essa sociedade, essas pessoas... Garanto que algum dia farei algo para tentar mudar tudo.
Nem todos os homens são assim. Existem os justos, que lutam pelo direito da igualdade de gêneros, e esses eu admiro com todo o meu coração. Mas infelizmente, nem todos pensam como eu.
Ouvi batidas vindas da porta. Mas antes que eu pudesse responder, ela já tinha sido aberta.
Loira, alta e olhos castanhos escuros. Essa é a minha mãe, Aurora Reymond. Ainda não tinha tirado o vestido que usou no evento, porque ao contrário de mim, ela gostava dessas coisas. Mas não é por isso que eu tenha que gostar.
—Pensei que já estava dormindo. –ela falou se aproximando da minha cama. Eu não a respondi- Não adianta fingir que não está me ouvindo. Eu lhe conheço muito bem, Valentina.
Respirei fundo.
—Estou cansada. –falei calmamente- Será que a senhora poderia se retirar, assim estarei com mais energia quando o Sol amanhecer?
Percebendo o meu tom de ironia, ela cruzou os braços, mas não falou nada. Apenas saiu andando, indignada com o jeito que eu estava agindo. Eu a respondi com educação, não entendo a raiva que ela tem.
Na verdade, eu não entendo muitas coisas.
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