Quebrei minha casca
35 Às claras...
Meia hora depois, o carro do policial Taylor para diante da mansão. Outra policial estava com ele e os dois se aproximam do portão principal, sendo recebidos por dois seguranças.
— Sou o policial Taylor e esta é a policial Sarah. – ele mostra seu distintivo. – Estamos atrás de um jovem de nome Yose Dimarco, dançarino da boate do Sr. Mason. Fui informado na boate que ele estaria aqui para uma festa.
Os seguranças se entreolham.
— Podem me dizer algo aqui ou podem dizer algo na delegacia. – ele dá de ombros.
— A festa acabou. Soubemos que Yose sacou de uma arma e fugiu com uma das convidadas no carro dele. Outro dançarino dirigia o veículo. Fomos orientados a não dizer nada para a polícia, porque o dono da casa não quer mais escândalos. Ele enviou seguranças atrás do carro que levou a mulher.
Taylor apanha seu celular. Precisava comunicar Regina sobre o ocorrido, porque um policial estava em perigo. Ele pergunta:
— Isso aconteceu há quanto tempo?
— Uns vinte e cinco ou trinta minutos.
A policial Sarah retorna para o carro e faz um alerta para as unidades espalhadas pela cidade, informando sobre o modelo do carro vermelho de Yose, apelidado como nave espacial. Seria fácil conseguir a placa e as características.
Já no hospital, Yose emite um alerta aos seguranças do lugar e exige a chamada urgente de policiais para a proteção do dançarino ferido e de todos os pacientes. Ele sabia que estava sendo perseguido por seguranças da festa e temia algum confronto dentro daquele prédio, provocando mortes e ferimentos.
Sergio estava estático, sentado intimidado ao lado da mulher refém. Ela estava drogada e mal conseguia manter-se alerta sobre o que estava acontecendo ao seu redor. Apenas chorava.
— Preciso que chamem a polícia imediatamente! Comuniquem perseguição a um policial e risco iminente de mortes!
A recepcionista obedece rapidamente, tentando controlar o movimento de seus dedos nervosos.
— Quero que você fique na porta do quarto do homem que eu trouxe! – Yose segura a gola do paletó de um dos seguranças do hospital. – Eu o autorizo a atirar em quem tentar invadir o quarto para machucá-lo ainda mais!
Yose aponta para a mulher trazida como refém.
— Esta mulher precisa ser medicada porque está inábil devida a tanta droga ingerida! Quero que seja vigiada e algemada à cama para não fugir! – ele se volta para Sergio que apenas arregala ainda mais os olhos. – Você será arrolado como testemunha e vou mandar levar você para depoimento, cara!
— Policial...você é policial mesmo...
Apavorado, furioso, irritado e irracional, Yose não responde ou quer explicar-se. Observa a chegada de policiais fardados e percebe alguns homens com ternos escuros se dispersarem pelas saídas laterais do saguão do hospital. Eram os seguranças da festa que já estavam apostos para o ataque.
— Graças aos Céus... – Yose consegue relaxar.
Ao ser comunicada sobre a chegada de Yose à delegacia, Regina não titubeia e vai recebê-lo. Toma-o nos braços sem qualquer pudor e o beija com o mais amoroso dos beijos, dado somente por aqueles que imaginam ter perdido seu ente querido. Mas ele estava li, dentro de seus braços, com os lábios colados aos lábios dela. Depois se abraçam.
— Tive tanto medo de perder você.
— Eu também tive medo de me perder. – ele sorri. – Tive de me revelar para Sergio.
— Não há problemas. Onde ele está? O que houve com ele?
— Está apavorado, na sala com Ruby. Ela irá colher o depoimento dele como testemunha do ocorrido.
Os dois são interrompidos com a chegada de uma policial com um recado escrito em um pequeno papel. Entrega-o para Regina, que lê o conteúdo.
— O juiz Norton autorizou os pedidos de prisões temporárias das pessoas que aparecem nas imagens do vídeo de tortura ao dançarino morto. – ela sorri. – Vamos fazer a força tarefa para efetuar as prisões.
— A mansão precisa ser vistoriada, Regina.
— O policial Taylor e a policial Sarah estão lá. Outros carros já foram enviados como apoio e já receberam a autorização para entrar no local e vasculharem tudo. Inclusive com peritos. – ela segura o rosto do jovem amado. – Akin foi atacado em nossa sala e está hospitalizado.
— Como?
— A pessoa que o agrediu, também quis destruir o computador dele. Algo que estava lá, iria incriminar alguém. Mas Akin está protegido e atendido, embora ainda inconsciente. – Regina acaricia o rosto bonito do rapaz. – Manson quer fazer um acordo para entregar os nomes e funções. Ele assumiu participação na morte dos dançarinos e quer aliviar a condição da irmã. Conseguimos colocá-lo em outra carceragem para protegê-lo.
— Alguém aqui dentro está envolvido... – Yose cochicha.
— Sim. E ainda teremos de lidar com o afastamento de Kane. Mas não saberemos quem será o interino, até amanhã cedo.
Ruby se aproxima do casal e os abraça coletivamente. Parecia exausta, mas se mantinha firme e destemida.
— Querida, providencie a convocação dos dançarinos para depoimento sobre o ocorrido na festa.
— Sergio pediu um advogado e vou aguardar a chegada de um, para continuar colhendo o depoimento dele. Emiti um alerta na delegacia para vigilância total, depois da agressão a Akin. Temos um traidor aqui dentro e vamos colocar as mãos nele, assim que as imagens das câmeras de segurança, identificarem quem entrou em nossa sala. – Ruby acaricia o rosto de Yose. – Não se atreva a morrer, para que Regina não morra também.
Regina sorri e bate palmas para dispersar a emoção e o cansaço.
— Providencie os endereços para que a diligência seja iniciada pela madrugada, Ruby. Agora, preciso ir para a mansão e saber o que Taylor e Sarah conseguiram. – mais um beijo possessivo é dado contra os lábios de Yose, que apenas se mostra submisso e encantado. – Você ficará encarregado da coleta do depoimento de Sergio e ofereça a ele, proteção para testemunha. Faça o mesmo com os outros dançarinos que forem chamados a depor.
— Vou pedir para que liguem e os convidem para depor, assim, evitaremos mais pedidos de mandatos e intimações. Estamos batendo o recorde de pedidos. Daqui a pouco teremos de conseguir uma sala para o juiz Norton, aqui dentro. – Yose tenta amenizar a tensão com uma brincadeira.
Na mansão...
Regina fica impressionada com o luxo da decoração do lugar. Detalhes ricos causavam espanto para cada canto que olhasse. O valor daquilo deveria ser bastante alto e para sua manutenção também deveria ter um gasto significativo.
— O que encontraram?
— Muita droga, mesmo! – Taylor aponta para os lados. – Quando saíram, não tiveram tempo de limpar. Cocaína, êxtase líquido, comprimidos diversos, adesivos, bebidas sem rótulos...havia sangue na sala principal.
Regina toca o ombro de Taylor e sorri amável.
— Quero lhe agradecer o empenho. Seu alerta facilitou o encontro com Yose.
— Ele é sortudo por ter a sua preocupação, Regina.
— Não. Eu tirei a sorte grande ao ser aceita dentro da vida dele. – Regina calça as luvas. – O que mais encontraram aqui?
Taylor aponta para um corredor na lateral da sala grande.
— Um subsolo na casa, abrigava um salão para as orgias. Têm mais drogas lá embaixo, câmeras de filmagens profissionais e instrumentos de práticas sado masoquistas. Há muito sangue fresco, provavelmente do dançarino que conseguiu fugir ou que foi solto.
O quadro que se revela aos olhos de Regina é quase cinematográfico. Vermelho e preto nas paredes, camas grandes, correntes, brinquedos eróticos, e no centro da sala havia uma coluna circular, com grilhões para mãos e pés. Também suja de sangue.
— Os peritos recolheram chicotes horrendos. Estão vasculhando com mais minuciosidade, porque há a possibilidade de haver algum corpo enterrado por aqui.
— Podem continuar, embora Manson nos tenha dito que o corpo do dançarino morto no vídeo, foi devolvido ao presídio para ser considerado morto por briga de gangues.
— Eu sempre admirei o Diretor Enos do presídio estadual. Tinha lisura nos atos e premiações...mas fazer parte de uma quadrilha de tráfico humano...é horrível. Será que ele somente abastecia o mercado do sexo, para repor os jovens que morriam nas orgias? Ou também vendia órgãos de presidiários para ricos que estavam podres em vida?
O questionamento de Taylor causa horror em Regina. Ela o encara com os olhos arregalados e começa a imaginar mais trabalho para investigações futuras. Quem daria falta de presidiários sem família ou oriundos de outros Estados ou países? Assim como os dançarinos eram escolhidos pela sua aparência, outros poderiam ser escolhidos pela sua saúde. Misericórdia! Quanta podridão!
Fale com o autor