Quebrei minha casca
20 Revelando-se
Sem ter resposta, Yose permite que Regina o empurre devagar. Acha interessante como ela conduzia a tensão sexual daquele momento. Ele olha para baixo e sente que deve concordar com a opinião de determinada parte de sua anatomia. Bate levemente em sua testa com as pontas dos dedos.
Quando Regina chega à portaria do prédio do arquivo, encontra-se novamente com Taylor e o seu sorriso irônico exibido maldosamente em sua direção.
— Namorando um menino surdo, Regina? Então, este é o seu garanhão de pênis descomunal? Pensei que ele fosse gay? Ah! Ou na relação, você é o homem?
Antes que ele alargasse mais a boca num sorriso, sente o peso do punho fechado de Regina contra o queixo. Ele se desequilibra e ao retornar para a mulher, leva outro golpe e acaba caindo sentado.
— Você e você, quero que levem este ordinário para uma cela! – Regina aponta para duas policiais. – Caso ele reaja, autorizo o uso de choque elétrico. Quem sabe, assim, o pinto dele cresce com a descarga.
— O que é isso, Regina? Você não é minha líder e não pode decretar minha prisão!
— Mas eu posso. – a voz suave de Kane é ouvida. – Podem levar esse saco de merda, daqui.
O homenzarrão se volta para Regina e sorri.
— Vamos conversar enquanto caminhamos. Mas não me bata, por favor. Ainda somos amigos.
— O que quer? Determinar o fim de minha equipe?
— Estou adorando o empenho de vocês. Vejo muita dedicação e gostaria de saber detalhes. A Prefeita fez uma cobrança, mas agradeceu pela intimidação ao criminoso.
— Ou criminosos, Kane. Estamos fazendo o cruzamento de ligações e tenho forte inclinação a acreditar que é uma equipe que fez o trabalho das mortes. Matam a pessoa num local e transladam para outro, a fim de criarem um cenário para confundir a polícia.
Kane concorda com cabeça.
Ela continua:
— Investigamos todos os dançarinos e o currículo deles no mundo criminal é imenso. São pessoas sem famílias, moram todos num condomínio pertencente ao Manson e os mortos não foram reclamados. Não foram enterrados como indigentes porque tinham referência, mas não provocaram falta.
— Por isso são retirados do sistema carcerário. Para suprirem o mercado do sexo e não causarem comoção em famílias que exigirão indenizações. As pessoas que frequentam a boate são maníacas por demonstrações sexuais e não me admiraria que as vítimas tivessem sido abatidas em orgias sexuais.
— Creio que motivo deva ser outro. Não foram espancados ou violados sexualmente. Ainda penso em queima de arquivo com alguma fantasia para nos distrair. E a saída do sócio de Manson?
— Não sabia que ele tinha um sócio.Ela responde com um movimento de cabeça.
— Temos informações de que esteja na Romênia, neste momento. – Regina mostra uma mensagem telefônica que havia acabado de chegar. Ela exibe a tela do celular. – Agora, estarei trabalhando na quebra de sigilo telefônico dele.
— Boa sorte!
Mais tarde, Akinnagbe faz uma parada para descansar os olhos. Queria urgentemente encontrar algum deslize dos criminosos, para não ficarem apenas nutrindo convicções de suas teses.
— Consegui um mandato para que o sigilo do tal Vladimir seja quebrado. – Yose coloca o papel sobre a mesa.
— Como fez isso em poucas horas? Quem você matou?
— Falei com um amigo, que conhece uma pessoa, que conhece um cara que sabe de um juiz que deve um favor para...
— Mentiroso.
Yose sorri.
— Pedi a intervenção de meu pai.
Indignado e furioso, Akinnagbe agarra o braço de Yose e o leva para um canto da sala. Empurra-o contra a parede.
— O que pensa que está fazendo? Aonde você quer chegar?
— Vou fazer de tudo para provar que não sou o incapaz transferido para o arquivo! Eu sou um ótimo policial e acidentes acontecem até com pessoas que escutam! Eles apenas não queriam o carinha surdo na equipe Mega Ultra Power Plus! E usaram o motivo daquele acidente para me tirarem de lá!
— Quando Regina descobrir que você promoveu a retirada do traficante daquela comunidade e que interferiu na prisão do cafetão que feriu Lacey, além de ter pagado a transferência dela para um hospital particular, inventando que foi apenas um favor, vai ficar furiosa!
— Por que ela ficaria furiosa, amigo? Eu apenas tirei entraves que provocaram mortes e ferimentos em quem não tem como se defender. A comunidade está livre dos traficantes locais e os traficantes de outras áreas não se atreveram a tomar o território. Os cafetões das regiões vizinhas da universidade, deixaram o local temendo mais represália. Consegui o mandato para a quebra do sigilo do cara. Que mal estou cometendo?
— Está escondendo a verdade de Regina e todos daqui de dentro! Acha mesmo que pensarão que você é um bom profissional sem a ajuda do papai?
— Não precisarão saber. Meu pai sequer me reconheceu como filho!
Akinnagbe emite alguns muxoxos.
— Mas está propenso a fazer, por isso atende todos os seus pedidos! Sugiro que pare com isso ou irá provocar problemas para a reputação de Kane! Você está passando por cima da autoridade dele, principalmente agora, que a Prefeita quer resultados em nossa investigação!
— E em nome de nossa investigação, vou usar as armas que tenho. E a ajuda de meu pai é uma arma poderosa.
— Prometa-me que não fará mais isso, Yose! Fico feliz que a comunidade esteja limpa, que Lacey esteja protegida e que tenha conseguido um mandato em tempo recorde, mas precisa me dar sua palavra de honra que não usará mais sua influência.
— Não vou prometer nada.
— Então, vou contar para Regina e ela irá decidir se o manterá na equipe ou não.
Yose sorri e exibe todos os dentes grandes e brancos.
— Mas antes, use o mandato e descubra com quem nosso romeno conversou. Agora, tenho de ir, porque hoje a noite serei leiloado e atrairei a atenção de alguém. – ele mexe todos os dedos e arregala seus olhos celestes, numa careta de simulação de medo. – Deseje-me sorte!
— Desejo que crie juízo, cara!
— O que ele come?
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