Notas iniciais
POV Edward

Edward

05/07/1883. Quinta-feira.

─ Queres saber? Acho que estamos os dois com cara de abobalhados! – Falo enquanto me penduro no galho da árvore próxima ao lago. Estava mesmo precisando de bons alongamentos.

─ Mas onte a noite foi... foi...

─ Perfeito. – completo.

─ Você não ia entender...

─ Entendo perfeitamente meu amigo. Não é por que não há sexo, que uma noite na companhia de quem amamos, não pode ser maravilhosa. Sabes muitíssimo bem que se Isabella não me quisesse dessa maneira, eu a amaria do mesmo jeito.

Jasper abre a boca para dizer algo, mas para. Emmett aparece por trás da cerca de bambu e está vindo em nossa direção. Ele coça a cabeça e senta ao nosso lado sem dizer nada.

─ O que foi hôme? Por que tá acabrunhado desse jeito? – Jasper pergunta.

─ Ôces guardam segredo?

Franzo o cenho. Emmett não é de falar muito, mas percebo que algo o incomoda e muito.

─ Claro, irmão. – digo e bato em seu ombro.

Ele inspira e fita o lago.

─ Não sei se fiz certo... ontem à noite a senhora Jéssica me fez um pedido estranho...

Paro e me lembro de que Isabella comentara sobre ter visto Jéssica puxar Emmett para seu quarto. Na hora disse que ela deveria estar enganada, pois o marido dela estava no aposento, mas agora minha curiosidade aguça.

─ Desembucha de uma vez!

─ Na verdade o pedido não era dela, era do marido dela. Eu deveria... – ele abaixa a cabeça ligeiramente envergonhado. – Copular com ela na frente dele.

Jasper quase fica branco de tão assustado. Mas de alguma forma eu já imaginava que o senhor Tyler teria gostos exóticos para o sexo.

─ Vixi...

─ Ele pediu que você o tocasse também?

─ Não! Sai de ré! – nós rimos – Ele ficou de longe, no fundo do quarto de dormir, só olhando. No início fiquei sem jeito, mas senhora Jéssica estava muito à vontade. Quando acabei, ela se vestiu, me deu umas moedas de ouro e me mandou embora. Será que ele tem doença?

─ Acredito que não. Isso é um tipo de fetiche chamado voyeurismo. É um ato muito comum desde a antiguidade, entre os gregos e romanos.

─ Pois eu acho que é doente sim! Imagina se vou quere fica olhando outro hôme possui minha Alice? De jeito maneira!

Penso em Isabella e em seu passado. Só de imaginar que outros homens a tocaram antes de mim, já me sinto mal. Não vou julgar, e nem posso, julgar os fetiches dos outros, mas o que faço pode ser feito com amor, Isabella me provou isso. Talvez agora eu entenda o porquê senhora Jéssica se envolve tanto com escravos, não é por ela, é por ele. Ela o deve amar muito.

Estamos distraídos quando ouvimos alguém chegar trotando a cavalo. Levanto-me rápido quando o reconheço. Riley.

─ Boas tardes. – ele acena e assim que ele pula do cavalo o puxo para longe. Jasper sabe do que se trata, mas não quero que Emmett escute.

─ O que ele disse? – preciso urgentemente saber a resposta do general do Quilombo.

─ Tem de ser hoje. Não vai ter ajuda pra sua fuga com a sinhazinha se não libertar os escravo daqui.

Riley era um dos outros príncipes e já resgatara muitos dos que viviam nas fazendas daqui, mas o Engenho do Comendador Carlisle era meu, eu mesmo havia pedido isso.

Olho para ele e pelo seu olhar sei que essa é a decisão final.

Escrevo um bilhete para Isabella e peço que Jasper a entregue por meio de Alice. Não poderei ir a seu quarto hoje e não quero que ela se preocupe ou fique alvoroçada. Há de ser rápido, os escravos já estão esperando por isso. Será meu último trabalho como príncipe do Quilombo.