Quebrando as correntes do destino
21 O amor supera tudo?
Notas iniciais
Isabella e Edward estavam de olhos fechados, abraçados e naquele momento onde o corpo relaxa depois de obter muito prazer. Assim que Isabella gozou e ainda por cima esguichou, coisa que ela só tinha conseguido uma vez e sozinha, Edward a penetrou com vontade e depois de apenas algumas estocadas, já havia se segurado muito, explodiu de prazer desabando sobre ela. Há essa hora todo o açúcar já estava espalhado e, misturado à transpiração dos dois, em minutos viraria melado.
─ Edward?
─ Hum. – murmurou sem abrir os olhos.
─ Preciso saber... essa Rosalie...
Edward puxou o ar e beijou o topo da cabeça de Isabella. Não fugiria do assunto por muito tempo, o jeito era falar de uma vez.
─ Rosalie é uma amiga, companheira. Ela foi comprada por seu pai há uns três anos mais ou menos. Ficamos juntos na primeira festa de senzala que ela participou. O engraçado é que ela nem gosta muito dessas festas, diz que não gosta de se misturar. – Edward ri, mas Isabella permanece quieta. – Confesso que, tirando as damas da corte, era com ela que eu ficava aqui na chácara. Ela...
─ Continue.
─ Bem... é isso. Não tenho mais o que falar.
Isabella olhou para ele com o cenho franzido.
─ Não é só isso! Ia falar mais alguma coisa.
─ Não era nada, meu rouxinol. Rosalie agora não representa mais nada para mim, aliás, antes mesmo da sinhá... de você, Isabella, aparecer, eu já havia me afastado de Rosalie. Mas ela insistia, me rondava, até que eu acabava me deitando com ela. Só isso. – ele deu um beijo casto nos lábios de Isabella e a ajeitou para tirar os braços.
─ Ela gosta de você. – Isabella o observava ficar de pé.
─ E eu gosto dela. Mas como amigo. Só isso. – Edward começou a catar as roupas pelo chão. – Vamos. Já estamos quase passando da hora do almoço! O que diremos para madrinha?
─ Nossa! É verdade! E mamãe queria que tu fosses à vila! – Isabella levantou de pressa e começou a se vestir. Virou as costas para que Edward amarrasse seu espartilho.
─ Ainda posso ir à vila. Depois do almoço. – ele sorri.
─ E hoje tu almoças conosco. – ela fala se virando e ajeitando o cabelo.
─ Isabella, creio que não...
─ Não aceito não como resposta. Ou será que preferes outras companhias? – Isabella ergueu uma sobrancelha. Edward balançou a cabeça sorrindo.
─ Ciúme não combina com uma mademezinha tão petulante como a senhorita. – ele calça suas botas e pega o casaco do chão.
─ Já disse que não tenho ciúmes! – Isabella fala amarrando seu chapéu.
─ Acredito. – ele prende um sorriso. – E... aceito com todo prazer almoçar com vossa senhoria.
─ Infelizmente, prazer é algo que terás mais tarde, bem depois do almoço.
Edward gargalha alto jogando a cabeça para trás. Isabella sempre o surpreendia.
─ Aguardarei ansioso por esta promessa... sinhazinha.
─ Já disse que me chames pelo meu nome! Ou mesmo Bella! – ela dá um tapinha nele.
─ Sinhazinha... – ele ri e sai correndo em direção aos cavalos.
Isabella puxa a saia do vestido e corre atrás dele. Quem olhasse de fora não veria dois amantes ardentes e apaixonados, mas sim, dois jovens brincando de maneiras infantis.
Assim era essa paixão entre eles, forte, poderosa e intensa, que arrebatava seus corações, almas e corpos. E ao mesmo tempo trazia vida e colorido, leveza e doçura. Prisão e liberdade se misturavam nesse sentimento arrebatador.
Os dias passavam assim: Isabella corria para o casebre de Edward assim que sua mãe se recolhia e voltava antes do amanhecer. Edward passou a fazer as refeições na casa grande, menos o café da manhã, não conseguiam mais acordar cedo depois de passarem a noite até tarde juntos. Seguia-se quase uma rotina.
Musicas ao piano e mais leituras com interpretações apaixonadas e ardentes. Dona Esme estava tão contente com a presença e entrosamento dos dois, que nem se dava conta, ou não queria se dar, do clima de romance que os envolvia. Eles tinham encontros furtivos em todos os cantos da chácara, até no pomar e no jardim. Na cachoeira, no riacho...
─ Assim não, Isabella! – Edward já estava quase perdendo a paciência tentando ensinar Isabella a nadar.
─ Agora vou. – ela esticava os braços e tentava prender o ar para boiar. Edward mantinha os braços embaixo dela.
─ Isso... isso... – lentamente ele ia retirando os braços.
Não adiantava, ela dobrava o corpo, soltava o ar e ria e afundava.
─ Isso não é nadar! – ela ria e jogava água em cima dele.
─ Mas é preciso aprender a planar na água primeiro se queres aprender a nadar!
E assim eles brigavam e depois riam e se agarravam. E ali, debaixo d’água, eles faziam o que melhor sabiam fazer juntos: se amar.
Edward tivera uma conversa séria com Rosalie e chegou até dizer que estava de namoro com uma moça de outra fazenda. Rosalie não acreditava, sabia que ele não se envolvia sério com nenhuma moça branca, assim que elas descobriam sua condição de escravo elas o despachavam. A não ser aquelas casadas que pagavam pela companhia dele. Ficava a espreita, mas ele se tornara até grosseiro no agir com ela, então ela resolvera deixar as coisas esfriarem.
Outra que sabia que alguma coisa estava acontecendo debaixo da barra dela era Renée. Dona Esme podia não perceber, mas ela estava percebendo tudo...
─ Olha aqui mininu! – Renée encurralou Edward na cozinha enquanto ele pegava uma fruta. – A sinhazinha num é pa tapá teu bico não! – ela sacudia uma mandioca apontando para ele.
─ Não sei do que estás a falar, Renée. Deixe-me...
─ Num dexo não! Ocê vai me ouvi mininu danado! Edward... – ela abrandou ao falar o nome dele. – Ocê pode ter a mulhé que quisé, até as moça da corte, inté as escrava mais atrevida! Não se mete cu a sinhazinhabella, Edward....
Edward olhava com atenção e ouvia as palavras de Renée. Sabia que ela se preocupava com ele, mas também se preocupava com Isabella. Renée já curara muita bebedeira de farra, já o vira às voltas com muitas mulheres e sabia que o coração dele nunca fora de ninguém.
─ Renée, eu a amo... – resolveu confessar de todo seu coração.
─ Num fala uma coisa dessa! – ela quase bate nele com a mandioca, de tão exaltada. – Tu acha o que? Dona Esme pode gostá muito docê, mar num é ocê que vai casá com sinhazinha, mar num é mermo! Acorda, mininu! Escuta o que tô te dizendo, para cu isso inquanto é tempo! Inquanto é tempo! Comendadô tá vortando, Edward... To falando pro bem docê, escuta tua véia...
E com essas palavras Edward saiu meditabundo da cozinha. Pegou seu cavalo e passou a tarde toda pelas redondezas. Parou em algumas estalagens, bebeu um pouco, conversou e pensou. Renée tinha razão, ela era a sinhazinha e ele um escravo. Pensou muito, mas não conseguia chegar a uma solução. Estava preso, preso a essa paixão. Somente Isabella tinha a chave para libertá-lo e ela não parecia estar disposta a isso também. Não poderia o amor mudar de vez sua condição? O amor não supera tudo?
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