Quebrando O Gelo

2 Academia de Dragões


Notas iniciais
Vou postar todos os que já estão prontos e postados em outras plataformas, assim, quando for atualizar, atualizo todas juntas \0/

Segunda-feira, 14 de Outubro

7:47am


— Você só pode estar brincando… — murmurou Astrid, encarando a fachada da escola.

Logo abaixo do letreiro com o nome Berk Academy, uma enorme faixa preta, branca e vermelha ostentava os dizeres "Academia de Dragões". Ao lado, a silhueta de um dragão negro, com uma marca vermelha na cauda, destacava-se como um emblema.

Ela piscou, tentando processar aquela visão absurda. Então, lançou um olhar longo e significativo para o tio, esperando que ele suspirasse e dissesse: "Brincadeira, querida! Agora vamos para a escola de verdade."

Mas Finn não fez isso. Em vez disso, cruzou os braços e disse:

— Não me olhe assim, Astrid. Tive muito trabalho para te colocar aqui. Só a elite de Berk estuda nessa escola.

Definitivamente, não era a resposta que ela queria ouvir.

— A elite de Berk... Isso me assusta um pouco.

Ela já tinha percebido que Berk era, no mínimo, obcecada por dragões. Praticamente todos os prédios pelos quais passaram tinham cartazes e faixas exaltando os "Dragões de Berk", o que quer que isso fosse. Mas o fato de que a toca oficial desses tais dragões era a escola onde ela teria que estudar... bom, isso já era outra história.

— Os filhos das pessoas mais influentes da ilha estudam aqui — explicou Finn, como se aquilo fosse algo impressionante. — Vamos, querida. Você prometeu que ia tentar, lembra? Pelo que ouvi, os Dragões são o orgulho da ilha.

— Tá… — respondeu, sem entusiasmo. Mas ele tinha razão. Naquela manhã, ela havia prometido que faria o possível para se adaptar.

Mais importante que isso: prometeu a si mesma que tentaria ser feliz ali. E Astrid Hofferson sempre cumpria suas promessas.

Soltando um suspiro, ela pegou a mochila, deu um aceno breve para Finn e caminhou rumo à escadaria do prédio. Entrar no covil dos dragões não poderia ser tão ruim, certo?


8:01am


Errado.

Aquele lugar era um manicômio disfarçado de escola.

Astrid caminhava pelos corredores e, em cada canto, alguém vestia uma camiseta, boné ou jaqueta que fazia referência aos Dragões de Berk. Um detalhe que, por sinal, ela descobriu não se tratar de criaturas mitológicas, mas sim do time de hóquei da escola.

E não bastava só os alunos usarem o tema: os corredores eram forrados de cartazes exaltando o time. "Vamos, Dragões!", "Campeões invictos!", "Os Dragões rugem mais alto!"

Sim, Berk era completamente obcecada por hóquei no gelo. E, mais do que isso, idolatrava aquele time como se fosse uma religião.

Como se não bastasse, ela se perdeu duas vezes.

A primeira culpa foi de um garoto loiro de cabelos longos, trançados e cheios de contas, que lhe deu uma direção errada quando perguntou onde ficava a sala de Biologia.

A segunda foi de outro garoto de cabelos loiros longos — que era idêntico ao primeiro, exceto pelas três tranças que prendiam seu cabelo. Ele a enviou para a ala errada da escola, o que fez Astrid dar a volta inteira no prédio.

Para sua sorte, uma garota de olhos verdes e cabelos escuros, também presos em uma trança (aparentemente, tranças eram moda ali), ofereceu-se para ajudá-la.

— Você também tem aula de Biologia? — perguntou Astrid, desconfiada.

— Sim, estou indo para lá agora. Pode me acompanhar.

Dessa vez, ela aceitou sem questionar.


8:15am


— Com licença, professor. — a garota de cabelos escuros bateu na porta aberta. — Desculpe o atraso…

— Sem problemas, Heather — disse o professor, sem nem erguer os olhos do quadro. Então, completou, num tom casual: — Aposto que foi culpa do Dagur.

Olhando mais atentamente, Astrid notou que o professor ostentava um bigode loiro tão longo que poderia ser trançado dos dois lados. Antes que ela pudesse refletir sobre isso, ele finalmente notou sua presença.

— Ora, vejam só o que o iaque trouxe! Você deve ser Astrid. Bem-vinda à Berk Academy!

Ela interpretou isso como um sinal de que deveria entrar, e assim o fez.

Parou ao lado dele e esperou que dissesse algo sobre ela.

— Pessoal, esta é Astrid Hofferson. Ela veio de… — ele fez uma pausa dramática. — Oslo!

A turma soltou um longo “ooooh”, em um tom exageradamente sincronizado.

Astrid não soube dizer se era real ou apenas zoação coletiva.

— Bem, quer falar algo sobre você? — perguntou o professor.

— Não.

Resposta curta e grossa. Ela só queria se sentar e ser esquecida pelo resto da aula.

— Certo… então pode se sentar ali, entre o Soluço e o Melequento.

Por um momento, Astrid congelou.

“Desculpa… entre quem e quem? E que raios de nomes eram aqueles?!”

Seu choque fez a sala explodir em risadas, o que a irritou profundamente. O professor — que também estava rindo — simplesmente pegou-a pelo braço (de maneira surpreendentemente delicada para um homem tão grande) e a guiou até a quinta fileira.

— Tudo bem, menina, você se acostuma. — disse ele, ainda sorrindo. — A propósito, sou o professor Bocão. Prazer em conhecê-la.

Ela apenas assentiu, tentando processar tudo. E se perguntando se queria entender que critério os moradores de Berk usavam para nomear seus filhos.

Assim que se sentou, um garoto à sua esquerda, forte e de cabelo escuro, virou-se para ela.

— Ei, psiu. — sussurrou, tentando chamar sua atenção.

Ela ignorou.

— Psiu! — insistiu ele.

Antes que Astrid pudesse revidar (e de maneira nada educada), outro garoto — um rapaz louro e atarracado, sentado à frente do primeiro — se virou e bufou:

— Melequento, será que dá para calar a boca? Ela claramente não quer falar com você.

— Cala a boca, Cara-de-Peixe! — rebateu o moreno.

Mas o rapaz atarracado apenas sorriu e virou-se para Astrid.

— Perdão pelo meu amigo sem noção. O pai dele o deixou cair de cabeça quando bebê.

As risadas ao redor foram inevitáveis.

— Meu nome é Perna-de-Peixe Ingerman.

Astrid piscou.

— Seu nome é mesmo Perna-de-Peixe?

A sala toda explodiu em risadas.

— Mas que algazarra é essa aí no meio?! — a voz de Bocão ecoou, enquanto ele erguia algo que Astrid só agora percebeu.

Um gancho.

Sim. O professor não tinha uma mão. E, para completar, também tinha uma perna de pau.

Astrid ficou olhando tempo demais, porque Bocão riu e ergueu o gancho.

— Isso aqui? Obra de um tubarão-da-groenlândia. Aconteceu quando eu trabalhava num pesqueiro na Islândia…

Ele começou a contar uma história longa e cheia de gestos animados. Mas Astrid não ouviu nada. Sua mente estava ocupada imaginando o monstro que poderia ter arrancado uma mão e uma perna daquele homem.

— ...mas isso é conversa para outro dia. Agora prestem atenção no quadro. E Melequento, deixe a moça em paz!

Constrangida, Astrid olhou para o lado oposto.

Foi quando viu um garoto magro, de pele pálida e cabelos castanhos bagunçados.

Ele parecia completamente diferente de Melequento.

E então, como se sentisse o peso do olhar dela, ele virou a cabeça lentamente.

Seus olhos verdes encontraram os dela.

Aquele, sem dúvida, deveria ser Soluço.

Notas finais
Espero que tenham gostado!