Quebrados

14 Cibele - Parte 2


Notas iniciais
A pedido de uma nova leitora, consegui escrever e terminar este aqui um pouquinho mais rápido... Não tenho certeza se com o próximo vai ser tão rápido quanto este, porque de semana eu simplesmente não tenho tempo para escrever. P.s: Obrigada pelos comentários. ;)

Eu resolvi me levantar, com as minha próprias pernas e com os meus próprios braços. Eu pedi para os dois me largarem, porque eu precisava de espaço e os dois estavam agarrados á mim. Eu precisava entrar lá e encarar a verdade, foi isso o que eu fiz.

Eu dei um passo para aquele lugar, o meu quarto, o nosso quarto. Eu me senti sozinha estando parada no meio e embaixo de um delicado lustre de cristal preso no teto; reparando em cada móvel sofisticado de madeira maciça, que um antigo eu escolheu há muito tempo atrás. Sim, eu conseguia me visualizar pedindo ao Dante para me arranjar algumas flores para o vaso em cima da escrivaninha que tinha ali do lado esquerdo da cama, ou para me ajudar a escolher a cor dos edredons. Decorar o quarto seria fácil, porque era uma das coisas que eu também gostava de fazer além de cozinhar.

Sentei na cama, olhando de um lado para o outro, vendo a realidade, vendo o que eu não podia enxergar antes dele abrir a porta para mim. Ele me observava, como sempre faz quando eu peço para me dar um tempo ou deixar que eu reflita com calma antes de perguntar ou decidir alguma coisa.

Eu aprendi a prestar atenção no Dante nestes três meses, mesmo quando ele não falava nada, ou quando eu estava de costas e sentia o seu olhar em mim. Agora ele apenas me observava, ainda parado no batente da porta, segurando Dyl nos braços. Ele sabia que esse momento era apenas para mim, para eu ver aquela parede coberta de fotografias nossas em todos os lugares, de todas as formas. As fotografias cobriam a parede inteira, do chão ao teto, de uma extremidade à outra... Nós em Vegas, eu na formatura, ele sorrindo para mim no iate, na praia, na piscina, nos Andes, no Parthenon, na muralha da China, na Catedral do Sangue Derramado, no Templo Branco, visitando o deserto do Saara, abraçando uma criança africana praticamente desnutrida e eu chorando quando Dante se agachou e beijou a minha barriga. A barriga de grávida, com o meu bebê. O meu pequeno filho que me pediu várias vezes para não ir embora; que me prometeu ir à escola se eu ficasse aqui para sempre; que chorava quando dormia, pedindo por mim; que adorava me abraçar e me chamar por todo canto. Ele estava dentro de mim, ele era uma parte de mim e eu o esqueci por completo...

—Dylan. — Chamei-o em voz alta, o nome do meu bebê. — Dyl. — Eu só podia levantar os braços e pedir por ele, pela criança que eu deixei e esqueci por muito tempo... O meu filho, o garotinho que saiu do colo do pai com uma pressa absurda e veio correndo até mim, sorrindo como a felicidade em pessoa e pulando no meu colo.

—Eu te amo, mamãe.

—Eu te amo mais, Dyl. — Beijei a cabeça dele, sentindo o cheiro de shampoo de criança e gostando muito disso. Eu não o abandonaria nunca mais, era uma promessa. Ele não viveria sem uma mãe nunca mais. — Dyl, fala para o papai que ele já pode entrar no quarto, tudo bem? — Cochichei no ouvido dele, sabendo que uma vez esse cochichar me levou à merda, mas agora revertemos os papéis. Dante era o que não escutava.

—Ok, mamãe, mas não vai brigar com ele. — Ele me olhou desconfiado, falando baixinho. — Papai disse que precisava te proteger, por isso ele mentiu.

—Você é muito esperto para a sua idade, meu amor, agora vai chamar o seu pai ou ele vai ficar nos encarando com aquele olhar preocupado no rosto por mais algum tempo...

—Sim, senhora. — Eu ri com a resposta. Ele gostava de imitar o pai mesmo.
Dyl foi arrastando Dante para dentro do quarto, trazendo ele para mim.

—Papai, a mamãe disse que não vai te dar bronca... — Eu quase ri com isso. Os papéis se reverteram mesmo. Dante não olhava para mim, ele sabia que era hora das perguntas, mas continuava se aproximando mesmo não querendo porque Dyl o empurrava pelas pernas. Relutância estava escrito na testa dele. Depois que chegou perto o suficiente, eu pedi para Dyl ficar em seu quarto até nós terminarmos de conversar e ele obedeceu. Não querendo, mas obedeceu.

Eu não tinha saído do meu lugar ou movido um centímetro, sentada na cama, olhando para o homem alto na minha frente abaixar a cabeça e cruzar os olhos com os meus, pedindo desculpas quieto e desviando rapidamente, apertando os punhos. Eu peguei as mãos dele, desfazendo a tensão que estava ali e beijando cada uma. Eram mãos fortes, que passaram por dificuldades e decisões que ele precisava fazer ao longo da vida e eu estava beijando-as, querendo tranquilizá-las, porque eu amava aquelas mãos. Eu amava as mãos que cuidou do meu filho sozinho por tanto tempo, que gentilmente agraciava a minha pele quando eu precisava delas, que construiu uma família comigo e que continuava me protegendo mesmo quando eu não me lembrava delas. Essas eram as mãos do homem que eu escolhi para ter um filho, que eu escolhi para viver comigo até eu morrer.

—Eu te perdoo, Dante. — Eu o peguei desprevenido e ele recuou, abanando a cabeça levemente e puxando as mãos que eu beijei suavemente um minuto atrás.

—Não, Bele, você não pode me perdoar. Nunca. — Ele tinha levantado um muro, um que eu não conseguiria derrubar ainda.

—Eu posso, Dante, eu quero e eu estou disposta a fazer isso. Eu estou te perdoando seja lá do que você tenha feito, então aceite.

—Não, meu amor, você não pode. — Ele estreitou os olhos, fechando-os devagar. — Você não vai me perdoar quando souber.

—Então me conte e vamos ver se eu perdoo ou não! — Falei, ficando cara a cara com ele. Eu estava perdendo um pouco a paciência. — O quê eu não posso perdoar?!

—Eu ainda não posso te contar, Bele. Faça outra pergunta, qualquer outra pergunta e eu te respondo, menos esta.

—Ótimo, então por que você nunca me disse que Dyl era o meu filho?! Por que eu não me lembro de nada?! Por que você mentiu?!

—Porque você sofreu um acidente de carro e perdeu a memória, meu amor. Eu não podia te trazer de volta para a casa ou você não se recuperaria, não como está agora.

—Mas eu fiquei 2 anos vivendo sozinha, Dante! Isso não faz nenhum sentido! Você não foi me buscar, você não se deu o trabalho de ir me dizer "oi" ou que era o meu marido ou que eu tinha um filho!

—Como eu poderia... Você iria me chamar de louco se eu aparecesse na sua porta e dissesse que éramos casados e tínhamos um filho! Eu não podia, não quando você estava indo tão bem, Cibele. Você estava melhor sem nós, eu sei que estava.

—Não, Dante, você não sabe! — Apontei o dedo no peito dele. — Eu tinha apenas Peter e ele não precisava tomar conta de mim, depois fui morar com uma puta em um fodido dormitório e sentir medo de todos que se aproximavam demais de mim! Eu quase fui assediada pelo namorado daquela garota e você não sabe se eu estava bem ou não, porque você nunca se deu o trabalho de perguntar ou aparecer na minha vida, então não diga que sabe! — Ele ficou furioso, eu sei que ficou, porque uma veia saltou do seu pescoço.

—Cibele, eu vou acabar com ele.

—Foda-se, Dante, eu não estou te pedindo para acabar com ninguém agora!

—Você nunca me contou isso e eu estive te vigiando todo esse tempo, todos esses anos! Eu sei como você estava. Eu estava te protegendo, eu tinha uma pessoa te vigiando 24 horas. Eu pedi a Peter para cuidar de você também, até que ele disse que estava com câncer e precisava da minha ajuda, então eu tive que entrar na sua vida.

—Você pediu?! — Dei um tapa no rosto dele. — Você não se deu o trabalho de cuidar de mim quando eu precisava de você e pediu a Peter para fazer isso?! Depois ajudou ele, antes de à mim?! — Eu ia esbofeteá-lo mais uma vez, mas ele me impediu, segurando o meu braço. — Se ele não estivesse com câncer, então você nunca ia aparecer na minha vida?! É isso o que você disse?!

—Não, você entendeu errado. Cibele, pare com isso! — Eu estava me jogando contra ele, tentando machucá-lo.

—Eu não vou parar, Dante! Você é um idiota, um retardado, um estúpido! Como você pôde?! — Gritei, querendo bater nele de novo e basicamente tentando e não conseguindo. Fiquei mais nervosa ainda por não conseguir. Eu estava com muita raiva. — Eu não acredito que você é tão frio! Você deixou a sua mulher com outro homem! Você, Dante Kannenberg, meu marido?! Eu quero um divórcio agora mesmo e Dyl vai viver comigo!

—Cibele, se acalme! — Ele estava me apertando forte, fazendo eu me sentar. — Eu não vou te dar nenhum divórcio.

—Dante, você está me machucando! — Resmunguei. — Me largue, seu animal! — Eu cuspi nele, literalmente, desafiando aquele olhar mortificante que ele me deu. Ele me soltou e eu congelei, mas não ia pedir desculpas. Não agora.

—Nunca mais faça isso, Cibele. — Sua voz saiu com um tom ameaçador.

—Então me dê o divórcio e acabamos com isso. Limpo e tranquilo, MEU AMOR. — Cruzei as pernas e os braços. Eu não ia me fazer de fraca, mesmo deixando-o puto da vida.

Ele bufou, puxando os cabelos para trás e dando meia volta, indo em direção á parede com as fotografias. Ficou encarando-as, puxou uma dali, descolando cuidadosamente para não rasgar e voltou com aquilo para mim.

—Você não se lembra, mas os votos que eu fiz ainda estão em pé até hoje. Até quando você cospe em mim. — Ele ergueu aquela foto, a do nosso casamento, eu em seu colo e usando o vestido de noiva na igreja. Nós estávamos muito felizes naquele dia. — Eu não vou te dar nenhum divórcio, minha esposa.

—Então é bom você me aguentar, meu marido. — Ele sorriu de canto, achando engraçado o quê não era para ser.

—Eu sempre te aguento. Sempre, minha Bele, até nas piores situações e quando você cospe em mim, eu te aguento, porque você é a mulher que me salvou quando eu estava perdido. — Ele agachou e pegou as minhas mãos, passando um anel no meu dedo anelar esquerdo. — Isso te pertence. Eu te aguento, porque você é a pessoa que me deu um motivo para viver e continuar sorrindo, e é a pessoa que eu machuquei profundamente também. Eu não posso te pedir perdão pelo que eu fiz , mas me desculpe por demorar tanto tempo para te dizer o quanto eu precisava de você e a queria ao meu lado nesses últimos anos.

—Você não me disse isso, Dante.

—Então eu estou te dizendo agora. Eu preciso de você e eu te quero ao meu lado, meu amor, novamente. Eu sempre quis, Cibele, eu só não podia te ter comigo depois do acidente. — Ele apoiava a testa nas minhas mãos. — Me desculpe. — Beijou a minha aliança e mostrou as covinhas que eu adorava tanto ver. — Eu ainda vou te aguentar por muito tempo se você deixar, Cibele.

—Venha aqui, Kannenberg. — Puxei ele para os meus lábios, deliciando-me com a boca do meu homem e depois lambendo as covinhas quando ele voltou a sorrir.

— Eu sempre quis fazer isso.

—Lamber a minha bochecha? — Ele riu docemente, não mais bravo ou estressado ou triste ou se lamentando. Ele era apenas o Dante, o meu marido com as covinhas mais fofas e os olhos mais azuis que o oceano, rindo com a voz sexy e rouca dele.

—Sim e eu adorei. Você é delicioso, meu marido. — Mostrei a língua para ele.

Notas finais
=> Para os que chegaram até aqui, recomendo lerem a história novamente desde o começo para terem uma noção das ações que o Dante tomou ao longo da história. Bom, apenas se quiserem... Fica a critério de vocês :p Te vejo na PARTE 3! Beijinhos! XD P.S: Se gostaram da história até o momento, por favor divulguem e mandem comentários. ^.^