Quebrado
1 Prólogo
"Vamos, doc!" Os gritos engenheiro vermelho ecoavam, sufocados, sobre os sons da tempestade "Vamos doc, fique comigo!" Flocos incontáveis de neve caiam pesadamente sobre suas cabeças, o vento cortante chicoteando suas peles expostas. Mas o médico não se importava, ele sempre amara o frio "Vamos, DOC !!" o engenheiro gritou novamente, desta vez mais alto, mas recebendo apenas o silêncio como resposta "Porcaria, porcaria, porcaria ... !!" chingava ele ao tentar ajudar o doutor. Médico estava com as costas apoiadas na parede, a cabeça tocando ligeiramente a superficie dura, seu corpo praticamente jogado na neve fria. O que restara de seu corpo se encontrava terrivelmente frio, e por causa disso ele não conseguia nem sentir suas palpebras. No entanto o lugar onde sua perna direita um dia estava agora pulsava dolorosamente. O sangue esguicha do coto sangrento, o restante de seus músculos queimando com dor. Mas apesar do desconforto do membro ausente, o frio severo e da própria dor, Médico não se sentia inclinado a gritar. Bem, ele gritou, sim, no momento sua perna fora arrancada — por causa da dor, obviamente, e também por causa do terror de ver a si mesmo sendo dilacerado — mas depois de alguns minutos ele se acalmou, alcançou a estrutura de madeira, ajeitou-se da melhor maneira possível. E esperou. Tera feito aquilo devido à perda de sangue? Provavelmente. Mas o que realmente importava é que ele ficou em silêncio, e só foi notado por seu colega engenheiro graças ao rastro de sangue que pintava a neve.
E lá estavam eles agora, o engenheiro lutando para manter o homem vivo; e o médico lutando para manter os olhos abertos. A única coisa que o pobre doutor pode ver são grandes, coloridas, sombras desfocadas. Sua mente estava flutuando para longe, então como ele poderia se concentrar em alguma coisa? No entanto a dor intensa ajudava-o de várias maneiras — por causa da dor ele não podia se mover ou falar ou ouvir – mas, de certa forma, o estava mantendo vivo. O doutor só poderia existir uma espécie de existência limitada, ele estava destinado a ficar ali, na neve, sangrando, sem força – e sem a perna — para se levantar.
"VAMOS, DOC, NÃO DESISTA AGORA !!" a voz do engenheiro de vermelho de repente se tornou incrivelmente distante, bem como a sua figura. O médico não tinha certeza, mas ele podia sentir suas pálpebras se fechando lentamente sem sua permissão. A escuridão se aproximou, cercando sua vista já turva, e não havia nada que ele pudesse fazer para combater as sombras. Na verdade, ele não queria combatê—las. Em sua opinião a morte era a melhor opção naquele mundo caótico "DOUTOR!! ACORDE!! "o engenheiro grita novamente" DEUS MAS QUE DROGA!!! "ele amaldiçoa.
Em seguida a escuridão toma o controle, e a única coisa que lhe resta é a dor. Médico podia sentir o coto onde sua perna direita uma vez se encontrava, uma sensação falsa de um membro fantasma caçando sua mente. Ele sabia que não havia nada lá, ele mesmo vira sua perna sendo arrancada, e sabia que aquilo que era apenas uma impressão superficial do corpo.
Tinha tanto sangue ... ele pensa, seu cérebro meio-danificado procurando entre suas memórias a origem de toda essa loucura em que eles se encontravam. A imagem de sua perna sendo dilacerada veio para a luz de sua mente como um flash, e ele sente tudo uma vez mais. A quebra do osso e, em seguida, o sangue começou a vir, mas não por um ferimento visível, não, isso seria mais fácil demais de corrigir, mas em vez disso vindo do dano interno catastrófico que foi feita em sua coxa, logo acima do joelho. Essa foi a parte onde ele gritou, ele podia sentir cada última parte de seus músculos da perna sendo rasgado. É claro que ele iria gritar, quem não iria? Após o desesperado grito de dor que saiu dos seus lábios é que a dor realmente começou. Tão lentamente quanto aquele bastardo poderia ir, o robô puxou o membro ferido do corpo do médico. Tecido, carne, ossos e veias soltaram-se muito facilmente, e ele se lembra de pensar naquele exato momento, entre a dor e surpresa, como o corpo humano era frágil e delicado. O sangue saiu, litros e litros de sangue que pintaram a neve com um tom doentio de vermelho. Ele então gritou novamente, seu atacante olhando para ele com zombaria, os olhos brilhantes. O desgraçado nada fez enquanto o médico se contorcia na neve longe dele, gritando e xingando. Mesmo em meio a dor o médico vermelho chingava seu inimigo, amaldiçoando-o e enviando-o para o inferno. O doutor vermelho sempre tivera uma personalidade muito forte.
O engenheiro quase cai para trás quando percebe corpo do médico tremendo. Ele não sabe mas o médico estava tremendo e suando por causa de suas memórias escondidas e não por causa da dor que ele estava sentindo no momento. E ele chama de novo.
"Doutor, você está me ouvindo?" Ele grita sobre a tempestade branca.
Sim, eu estou ouvindo, embora Médico não pudesse responder, pelo menos não de uma forma que poderia ser ouvido pelo Engie desesperado, ele ainda poderia pensar em uma resposta. Ele simplesmente não conseguia fazer seus lábios se moverem.
"Doc, por favor, se você estiver me ouvindo, responda!!" Engie grita novamente, fazendo pressão no coto feio do médico. Um grande pedaço de osso saía da carne rasgada, fazendo o pobre engenheiro quase vomitar.
Você não está fazendo bastante pressão, sabe? O doutor pensa com o que resta de sua sanidade. Ele realmente queria que o engenheiro pudesse ouvi-lo.
"Doc, ouça" Engie diz ao homem meio inconsciente com seu forte sotaque texano "Tudo vai ficar bem, ok?" De certa forma o engenheiro está apenas tentando confortar-se. No fundo de sua mente ele sabia que o médico já estava morto. Mas ele continua assim mesmo "Você vai ficar bem, Doc. Você vai ficar bem e voltar para aquele laboratório desagradável, o seu "
Médico escuta atentamente, incapaz de responder. "Nós vamos sair daqui!!" Sua voz uma vez segura e confiante agora desaparecera a e se tornara nada mais do que um sussurro inquieto, e ele continua se repetindo "Nós vamos sair desse buraco e vamos pra casa! "
Você realmente acredita nisso? O desejo voltou forte novamente, Médico daria a perna esquerda para poder conversar com o engenheiro.
"Doutor, você tá escutando?" Engie chama "Nós vamos nos livrar dessa e sair desse buraco infernal!!!" Sua voz ficou mais alta, mas o médico não conseguia mais ouvi-lo. A inconsciência tinha se estabelecido, deixando-o em um estado de limbo completo. Ele não podia nem sentir seu corpo mais, ele sentia como se flutuasse. A dor e o frio eram constantes, mas pelo menos ele não tinha mais esse vento terrível soprando em seu rosto.
A mente do Médico começa a voltar para suas memórias novamente, mas, desta vez, para o início.
O calor do sangue de repente pareceu confortável em meio ao frio.
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