Dul descia do taxi em frente ao hotel. Não acreditava que iria ver todos os antigos companheiros no dia seguinte. Já nem tentava controlar a ansiedade mais, pois sabia que seria em vão.

Agradeceu ao motorista e adentrou o saguão. Pegou as chaves e localizou seu quarto. Não pretendia fazer nada pelo resto do dia. Estava exausta pela viagem e não conhecia nada nas redondezas. Decidiu ficar quieta, seria bom para colocar os pensamentos em ordem.

Caiu na risada ao lembrar o jeitinho de Anahí: ela sempre fora aquela que fazia questão de ver todos juntos, para tudo. E mesmo agora, dez anos depois, era ela a responsável por juntar os seis de novo.

Foi em busca de um filme quando começou a ficar emotiva demais.

Dulce acordou assustada, com os créditos do filme passando na tela. Sabia que estava cansada, mas não imaginava que era tanto. "Cansada e faminta", pensou.

Decidiu sair para comer algo, na esperança de achar algo bacana e bem perto do hotel.

Tomou um banho, vestiu uma roupa confortável e foi. Não demorou até achar um restaurante bem pequeno, mas muito aconchegante. "Perfeito", pensou. Apesar dos próximos dias serem uma pequena fuga da rotina, a garota ainda era famosa e não queria ser atacadas por flashes naquele momentos.

Sentou-se numa cadeira ao fundo do local e fez o pedido. Caiu em devaneios observando as pessoas que lá estavam. Todo mundo parecia tão mais relaxado que ela. Parou pra pensar no quanto trabalhara desde o fim de Rebelde. Não havia, sequer, tirado férias mais longas que três semanas. Não gostava de admitir, mas estava cansada. Resolveu voltar para o hotel. Amanhã o dia seria longo e — torcia muito — divertido.

Quando estava chegando, Dul avistou uma silhueta familiar saindo de um táxi.

— Chris!! — Não se conteve e foi correndo encontrar o amigo.

Não se decepcionou, ele não havia mudado nada, com exceção da aparência. Ao contrário da época da novela, na qual Christian aparecia com o cabelo colorido a cada quinze dias, agora ele estava com as madeixas escuras em um corte militar. "Mais maduro", pensou.

Foi o abraço mais apertado que recebeu, em anos.

— Como senti saudades de você, ruiva.

— Ei, você está vendo alguém ruivo aqui? — a garota perguntou.

— Você pode até estar morena agora, o que ficou ótimo, a propósito, mas seu apelido sempre será "Ruiva", para mim.

Dulce sorriu.

— Como consegui ficar tanto tempo longe de você, Chris?

— Eu também me pergunto isso todos os dias. Olhe para mim, deve ser impossível para vocês! — Gabou-se o garoto.

— Havia me esquecido de como você é convencido! — Brincou.

— Dul, não quer subir comigo? Temos muito para conversar, mas é melhor sairmos do meio da rua.

— Também estou hospedada aqui, vou colocar a minha bolsa no quarto e nos encontramos no bar, pode ser?

E no fim, o que era para ser apenas uma conversa rápida, se tornou horas regados a drinques, muitas risadas e lembranças de como cresceram e amadureceram juntos, sempre apoiando uns aos outros.