Que Noite!

1 Que se passou aqui?


Notas iniciais
Estou de volta!
Desta vez trago-vos um mini-conto que escrevi durante um desafio no ano passado!
Espero que gostem
Beijinhos Xana Mendes

Ela olhou à sua volta e viu dezenas de corpos, estavam todos espalhados pelo chão e pelos bancos, sem vida, se alguém tivesse coragem para tocar naqueles cadáveres poderia encontrar alguns ainda mornos.

Vendo-se, sozinha, no meio daquela cena, perguntou a si própria se teria sido ela a causadora de tamanha matança, mas avaliando o seu passado seria impossível, mas ultimamente Raven não tinha o mesmo controle de sempre sobre ela mesma, cada vez mais havia algo no interior dela que lhe metia medo.

Raven, com o seu longo cabelo preto liso preso num elástico bem atado no cimo da cabeça, baixou o olhar para as suas mãos, estas estavam cobertas de sangue, a sua camisa de manga curta e um branco imaculado estava salpicada com umas gotas grossas de um vermelho escarlate, que só poderia ser sangue.

Dentro da sua mente surgiu um pensamento inundado de puro horror, como é que uma rapariga de 19 anos, que até ali, nunca tinha feito mal a uma mosca, como os seus avos costumavam dizer “ Raven, querida, és demasiado bondosa com as pessoas à tua volta” e de toda a vez que eles lhe diziam isso ela dizia “ mas, avos, tem de haver pessoas assim no mundo.”

A sua mente estava muito confusa, uma vez que Raven era proveniente de uma família religiosa, esperando alguma forma de alivio caiu de joelhos, no chão cinza e frio da abadia em que se encontrava, juntou as mãos na vertical, ainda sujas de sangue, olhou em direcção ao tecto e murmurou uma prece antiga, estava condenada, o homem iria arrasta-la até a esquadra mais perto e só dela sairia quando tivesse a certeza que ela estaria atrás das grades até o resto da sua vida.

Quando Raven abriu os seus olhos verdes, impregnados de medo, o homem já se encontrava de joelhos à sua frente, com a mão quente a limpar as suas lágrimas que lhe escorriam pela cara.

Vendo o seu nervosismo o padre diz — Não tenhas medo minha pequena — ele aparentava ter os seus cinquenta anos, o cabelo já tinha começado a ficar grisalho à uns anos atrás e mais recentemente o cabelo tinha começado a cair, formando uma careca no cimo da cabeça, a pele que rodeava os seus olhos castanhos-escuros, tinha começado a enrugar conferindo-lhe uma expressão, que só um homem sábio poderia ter, mas ainda assim mantinha, no rosto, um sorriso amigável e afectuoso. — A coisa que provocou a morte destas pessoas todas já não se encontra aqui, de certeza. — Então pensava que eu era uma vítima que tinha escapado a um serial killer perverso. — O meu nome é Charles, sou padre nesta paroquia e dou missa aos domingos de manha aqui na abadia. — Disse enquanto me ajudava a levantar, aconchegando-me no seu peito para me acalmar e talvez para me impedir de ver os corpos espalhados pelo chão e pelos bancos, a maior parte deles encontravam-se inteiros, mas havia outros que, digamos, não estavam ligados como estariam em normais circunstâncias.

O Padre encaminhou-me até a saída daquela abadia, mas eu estava completamente perdida, e era em todos os sentidos da palavra. Não sabia onde estava, não sabia como tinha chegado aqui, nem sabia porque raio aquela matança tinha acontecido, nem porque eu estava envolvida.

Passei pelas portas de madeira escura e detalhadas típicas que existiam nas igrejas ou abadias, lá fora o sol estava bem alto no céu, alguma coisa estava muito errada, como é que é possível ser tão tarde se a ultima coisa que me lembrava era de entrar no seat Ibiza preto de três portas com a intenção de ir até a residência de estudantes, onde vivia, da universidade de medicina, ao fim da tarde, depois disso tudo é um buraco negro da qual não tem qualquer recordação.

Nem olhando o que envolvia a abadia, conseguiu deduzir onde estava, tambem não viu o seu carro, sendo assim olhou em direcção do padre e perguntou-lhe, a medo. — Onde estou? — A sua voz estava estranha, estava arrastada igualzinha a voz de uma pessoa que já tinha bebido mais do que a sua conta, mas ela sentia-me totalmente sóbria.

O padre, que continuava com a sua expressão gentil, respondeu de imediato dizendo que eles se encontravam em Nagoa, facto esse que a deixou espantada, pois ela estudava em Karai a poucos km da residência de estudantes e esta vila ficava a cerca de 22 km de distância.


O padre vendo a confusão estampada na sua cara perguntou. — Querida sabes onde estás?

Raven olha para o padre e a expressão na sua face muda, o seu sorriso doce e inocente dá a lugar a um sádico, o brilho nos seus olhos torna-se diferente, um pouco doentio e malvado.

Charles fica chocado a ver aquela transformação, engraçado como pequenas mudanças fazem uma pessoa parecer outra totalmente diferente, ele toca-lhe no ombro perguntando — Raven está tudo bem, querida? — Não deixou transparecer o medo que sentia para as suas palavras. O sorriso dela aumentou deixando os seus dentes brancos e afiados a vista, isto de algum modo ainda a fez parecer mais assustadora.

Numa voz profunda e fria respondeu — O meu nome não é Raven, chamo-me Melaninne White. — Ela virou-se para o padre e as suas mãos digiram-se para a garganta dele, apertando-a até que o rosto de Charles ficasse vermelho e a restrição de ar transforma-se o corpo dele em matéria inerte. Ela deixou o corpo inconsciente do padre cair nos mosaicos cinza que se encontravam mesmo em frente a porta da abadia, ajoelhou-se junto ao corpo, tirando da parte de trás das suas calças uma faca daquelas tipicamente usadas nos talhos, posou a faca no peito do pobre coitado e fez um corte em forma de “y”, fazendo aquela cena macabra, parecer uma autópsia. Tirou os órgãos internos das suas cavidades onde tinhas estado por longos anos e deixou-os dispostos no passeio, como se de um puzzle se tratasse, o seu serviço estava feito. — Pensou em voz alta. — Hora de deixar as consequências para outros, deixou Raven voltar ao control natural do seu corpo.

Os seus olhos ficaram postos na faca que se encontrava na sua mão e no corpo morto do homem que ainda há pouco a tinha ajudado, estendido no chão, aquela cena foi suficiente para a decisão que ela tomou de seguida. Apontando a faca ao seu pescoço, fez pontaria para a carótida, estudava medicina e sabia que a morte seria rápida, enquanto a vida ia sendo drenada do seu corpo, fazia uma prece em silêncio, para que Deus desculpa-se as suas acções, compreendendo por fim que tinha sido ela a efectuar a matança que se encontrava dentro daquela abadia magnífica.


Notas finais
Que acharam da Raven ( O nome dela significa corvo)?
Beijinhos Xana Mendes :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!