Que Droga, Cas!
3 Preciso de Uma Cerveja
Notas iniciais
– Dean. É bom vê-lo novamente. – cumprimentou o anjo. Ele estava igual às visões de Dean. Sujo, barba espessa, cabelo desgrenhado e roupas aos trapos. Seu costumeiro sobretudo estava faltando pedaços na barra e parecia que alguém o lavou na lama.
Dean trincou suavemente o maxilar, olhando direto nos olhos do Anjo do Senhor, para logo depois acompanhar com os olhos os estragos do Purgatório em seu amigo. Mas vê-lo ali, mesmo daquele jeito, era melhor do que não vê-lo ou ficar tendo visões dele por ai. Ele trincou o maxilar mais uma vez antes de ceder e ir abraça-lo. Mesmo ele correspondendo de um jeito engraçado, de um jeito bem Castiel.
– Cass, eu... Quase morri de preocupação com você cara.
– Me desculpe Dean, eu tentei me comunicar, mas, não estava tão forte assim.
– Como assim se comunicar? Quer dizer que minhas alucinações não eram alucinações?
– Creio que sim. – Isso muda as coisas, ele não estava ficando maluco, era apenas seu amigo anjo tentando se comunicar com ele depois de escapar do Purgatório. Nada de loucura.
– Eu pensei que estava assim pelas saudades... ’’morrendo de saudades’’ ou coisa assim. – disse ele meio bobo tentando colocar os pensamentos no lugar.
– Você sentiu saudades? Não parece coisa do Dean que conheço. – Sorriu o anjo. Ao longo dos quatro anos de convivência, ele se tornou menos robótico e mais humano. E Dean gostava disso. Castiel também.
– Sim, quer dizer... Você e Sam é minha única família...
– Onde está seu irmão por falar nisso? – Dean desviou o olhar antes de responder:
– Nós... brigamos, de novo...
– E porque dessa vez?
– Não estamos bem desde que eu voltei... – Castiel ia soltar algum comentário, mas antes se ouviu um ruído na porta e Sam entrou com tudo, logo soltando palavras em cima de Dean sem nem notar a presença do Anjo.
– Escuta aqui Dean, eu sei que eu te deixei lá ok? Nós prometemos lembra? Sinto muito, mas não podemos mais continuar com essas briguinhas bobas! Parecemos crianças!
– Você não tentou salvar seu irmão Sam? – Sam se assustou ao ouvir a voz profunda e grave de Castiel. Ficou pasmo por alguns segundos antes de dirigir o olhar ao seu irmão em buscas de respostas às suas perguntas silenciosas.
– Eu sei. É o Castiel! Vivo e um pouquinho sujo.
– Mas... Como...? Como você saiu de lá? – Dean se tocou que até agora não tinha notado isso. Como ele saiu de lá sem o portal?
– Boa pergunta, como você saiu Cass? – Castiel considerou a pergunta por um breve momento antes de trincar o maxilar e soltar um audível suspiro. Sentou-se na cadeira em frente à janela e olhou para fora com um olhar vago e respondeu tranquilamente a pergunta.
– Eu não sei... – Os irmãos se entreolharam antes de Dean continuar insistindo a pergunta.
– Como assim não sabe?
– Eu não sei Dean, só me lembro de sair numa floresta e andar e andar. E depois você.
– Qual é Cass, pode confiar em nós! Não precisa esconder nada da gente! – Castiel continuou a olhar para a janela com o olhar vago. Estava tentando se lembrar de como? Ou perdidos em outras memorias? Antes de responder a pergunta do loiro, focou o olhar no mesmo.
– Eu realmente não sei Dean. –Ele olhou diretamente nos olhos de Dean. Um olhar que dava para transparecer a verdade naqueles olhos azuis, que por mais que negasse, Dean se perdia neles em momentos como esse. Ele preferia dar seu Impala a falar isso em voz alta.
– O importante é que você tá vivo, não é Dean? – Isso tirou Dean de seu pequeno transe. Ele concordou com um breve aceno de cabeça.
– Bem se não se importarem, eu preciso de um banho. Estou imundo. – E assim o Anjo se dirigiu ao banheiro. Ao ouvir o som da fechadura do banheiro, Dean se sentou próximo do irmão e falou um pouco baixo por via das duvidas.
– Você não engoliu essa historia não né Sam?
– Ele parecia dizer a verdade Dean, Porque ele mentiria para a gente? – Dean suspirou antes de tentar responder.
– Eu não sei. É isso que me preocupa. Eu me lembro de cada segundo que passei naquele lugar, cada segundo esta gravado bem aqui na minha cabeça. Acho difícil ele não se lembrar de como saiu. – Sam olhou para o irmão e viu quase que nitidamente preocupação, certo quê de raiva e medo. Medo de Castiel estar escondendo algo deles de novo. Para Sam isso doía claro, mas para Dean, a dor era muito maior.
– Melhor? – Castiel disse ao sair do banheiro com seu costumeiro sobretudo, agora limpo. E cabelo e barba cortados como sempre. Voltara a ser o Cass de costume. Dean sorriu levemente de contra vontade. Pois sua vontade era de fazer Cass abrir a boca e contar a verdade de uma vez por todas.
Devia estar um clima realmente tenso entre os dois, pois Sam pigarreou e se ofereceu para comprar comida a todos, pois segundo ele, Castiel devia estar morrendo de fome. Mas Castiel era um anjo, ele não come! Sam saiu, se livrando de ficar naquele clima pesado. Que só piorou com sua saída. A tensão entre eles era tão grande, quase palpável. Um desviava o olhar do outro, respirações ruidosas e movimentos inquietos. Dean se dirigiu até sua cama, sentando na beira da cama e chamou Castiel para conversar francamente.
– Qual é o problema Dean?
– Por favor, Cass, pare de me olhar desse jeito okay?
– Assim como?
– Esquece. Agora que somos só nós dois aqui e como você mesmo disse, nós temos uma ligação mais profunda. Me diga a verdade Castiel, você já escondeu coisas de mim e doeu, muito. Por favor, não faça isso de novo.
– Eu sinto muito Dean, se eu já causei isso em você. Mas você tem que acreditar em mim! Eu realmente não sei! Você deve acreditar em mim...
– Eu tento Cass, eu tento mesmo, mas é difícil acreditar. Eu não queria duvidar de você!
– Então porque continua duvidando?
– Que droga Cass! Você vai me fazer falar não vai? Seu Anjo filho da mãe... okay, é isso que você quer, lá vai: eu não aguento ver você mentindo para mim! Dói Castiel! Dói mesmo! Mais do que o inferno e o Purgatório. Porque não é dor física seu bundão! Ver a pessoa que você ama escondendo as coisas de você não é fácil sabia? Ver a droga do amor zombando da tua cara não é legal... Ver você trabalhando com Crowley doeu mais que qualquer dor que eu já tenha sentido. Você olhar nos meus olhos e mentir... Eu quero acreditar em você, quero mesmo. Porque eu... Eu te amo! Droga...Eu preciso de uma cerveja bem gelada!
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