Que Droga, Cas!
14 A Morte De Um Anjo
Notas iniciais
O homem caminhava apressadamente pela calçada. Esbarrando em pessoas e ouvindo xingamentos de baixo calão. Nem ligando para estas pessoas, continuou sua caminhada pelas ruas da cidade. Pois ele não via a hora de finalmente rever o amor de sua vida.
Fazia tempos que ele não o via. Por motivos não tão pessoais assim, ficara meses longe dele.
Mas agora, finalmente, iria poder passar o resto da noite agarrado a ele e sentindo o cheiro que tanto lhe agrada.
Esbarrou com força novamente em alguém, dessa vez um garotinho que passou perto dele encantado com seu novo balão. Ao contrario do que sua natureza diria pra fazer, nem se quer olhou pra trás para ver se o menino estava bem. Continuou a passos rápidos sua pequena jornada que terminava em 2 quarteirões.
Quando pode ver o prédio onde estava o motivo do coração acelerado, passou a correr em direção a simples construção de 5 andares amarela. Era como se estivesse nos últimos 10 metros de uma corrida de 15 quilômetros. Não iria parar agora.
Já adentrado ao prédio, bateu na porta do apartamento numero 200, ansioso e ofegante. ouviu-se uma resposta de dentro do apartamento. Isso só fez o coração do homem acelerar ainda mais. A euforia era estupidamente alegre. Quando a porta se abriu, não deu nem tempo de ver o choque no rosto da pessoa atrás da porta em vê-lo ali, pois já estava sendo esmagado por um forte abraço.
Longe dali, outro homem estava com o coração acelerado. Mas por razões diferentes.
— Você está pronto Castiel? — Mesmo ele tentando manter sua pose de durão e decidido em sua escolha, quem de fato o conhecia, podia ver uma ponta de medo transparecer naqueles olhos claros. Dean reconheceu isso na hora. Uma parte dele queria dizer para Castiel desistir daquilo e continuar sendo anjo. Mesmo que para isso, o anjo tivesse que vê-lo morrer e mesmo assim continuar a viver eternamente. Mas a outra parte queria que ele finalmente tivesse paz ao lado do anjo. Dean achava essa parte meio narcisista, mas era verdade. Dean não conseguiria viver em paz sem Castiel. Não agora.
Castiel balançou a cabeça concordando. Talvez não conseguisse falar agora ou não quisesse falar.
— Ótimo. Mas devemos ir para um lugar mais seguro. Para as outras pessoas, claro.
— Outro lugar?
— Eu irei ceifar um anjo, Dean. Não vai ser nada bonito de se ver. Principalmente com humanos ao redor.
— E onde sugere? Uma praia paradisíaca no Hawaii? Ou debaixo da Torre Eiffel? Soube que ela é linda nessa época do ano...
— Ótimo jeito de disfarçar o medo, Dean. Sarcasmo é um ótimo remédio. — Morte e sua voz inabalável. Na cabeça do Winchester, ele não estava demonstrando nenhum resquício de medo aparentemente. Mas parece que ele se enganou. E feio. — Uma floresta no meio da Albânia deverá servir.
Outro turbilhão negro e Dean se encontrava no meio de uma floresta densa e silenciosa. Não se via nada, nem a um palmo de distancia do rosto. Era como estar de olhos fechados. ‘’ Isso é a Albânia?’’
Com o pouco que conseguiu enxergar com seus olhos adaptados ao escuro, pode ver que não estava numa floresta densa, e sim numa clareira enorme a sua frente. E atrás ficava a floresta densa( e assustadora).
— Para o meio. — Falou Morte. Sua voz os guiaria naquele lugar. E ele obedeceu, mas antes procurou Castiel aos sussurros e ao encontra-lo, segurou firme sua mão, entrelaçando os dedos. Não era o momento para explicar a si mesmo por que queria segurar a mão do namorado. Apenas fez.
— Isso não parece bom, Cas. — Ele sussurrou no ouvido do anjo, tomando cuidado em ouvir os passos do Cavaleiro a sua frente.
— Foi o que você disse da primeira vez que tentei cozinhar. — silêncio.
Dean sentiu o coração apertar. Mesmo com tudo aquilo, Castiel ainda tentava faze-lo sorrir. E de repente, toda realidade acerta Dean em cheio no estomago. Como se só agora tivesse 100% de ciência do que estava prestes a acontecer. E isso quase o paralisou de medo.
Ele estava andando numa floresta no meio do nada.
Estava confiando a vida de seu namorado nas mãos de um dos que seriam responsáveis pelo Apocalipse.
Ele iria ver seu Castiel renegar sua natureza, num ritual que pode ou não dar certo. Mesmo com Morte falando que ele não morrerá, era difícil acreditar.
Ele iria passar o resto da vida com ele.
Se sobreviver.
— Dean? — Castiel o chamava. Tentando tira-lo do pequeno mundo recluso em sua mente.
— Cas? — ele murmurou.
— Você precisa dar uns passos para trás. — Ele nem vira, mas já haviam chegado ao meio da clareira.
— E com passos, ele quer dizer metros. Vários. — Ele ouvira o que os dois disseram, mas por um segundo não fez absolutamente nada. Não moveu um músculo. Antes de finalmente se afastar dos dois, seguiu com a mão em direção ao rosto de Castiel. Queria poder vê-lo antes disso, mas estava escuro demais. Então passou os dedos suavemente pela face do anjo. Passou pelo queixo, seguiu para o nariz e bochechas. Sentiu a barba pinicar em deus dedos. E com as mãos paradas aos lados do rosto do anjo, trouxe-a para perto e o beijou. Um beijo lento e triste. Como se aquilo fosse uma despedida para os dois. E ao mesmo tempo em que ele queria lembrar-se de cada sensação de ter a língua entrelaçada na de Castiel, de poder ter o anjo sob controle e vice-versa, ele queria acabar com aquilo tudo o mais rápido possível. De preferencia com Castiel vivo.
Separou-se de Castiel e sussurrou algo em seu ouvido. Castiel sorriu e sussurrou de volta um ‘’ Eu também’’. E com a vontade de ver os olhos azuis pela ultima vez, seguiu correndo para o mais longe possível dos dois.
Correu como se não houvesse amanhã. Como se corresse muito iria conseguir sair dali. Como se seus problemas não fossem alcança-lo.
Mas ele sabia que estava enganando a si mesmo. Não importava o quanto corresse o perigo sempre o alcançaria. Pois o medo sempre esteve dentro de sua própria cabeça.
Chegou à orla da floresta. Atrás de si parecia que a escuridão ficava mais escura ainda! Questionou-se se já estava distante o bastante dos dois, mas não conseguira ver onde os dois estavam. E rezava para que não tenha corrido em círculos. Enquanto tomava folego da sua recente corrida, pelo breve momento em que a escuridão e o silencio prenominaram naquele lugar, Dean tentou pensar positivo e tentar dizer para si mesmo que daqui a alguns minutos eles iriam sair dali juntos e vivos. Nada iria acontecer com o anjo. Ou então ele iria virar o mundo de cabeça para baixo e descobrir um jeito de matar Morte. Fazendo isso sentido ou não.
Ao longe, uma tímida luz branca piscou. Dean ergueu a cabeça com rapidez, para vê-la logo apagar.
Não tinha notado antes, mas a lua estava no alto do céu, brilhando friamente. Mesmo com a luz do luar, aquele lugar era dominado pelas trevas. Como se a luz da lua não conseguisse penetrar àquele lugar.
Outra vez uma luz no horizonte piscou. Dessa vez mais forte e mais duradoura. Junto à luz, Dean pensou ter ouvido um trovão ao longe, mesmo com o céu sem nuvem alguma.
Mais alguns minutos até a luz retornar a brilhar; dessa vez fora rápida como um piscar de olhos. Mas o resultado dela fora surpreendente.
O céu, antes apenas habitado pela lua e tímidas estrelas, agora, violentas nuvens escuras de tempestade se formavam no céu. Pareciam descer em espiral até o centro do lugar, como um tornado prestes a tocar o chão. E a lua lutava para não ser engolida pelas trevas, que agora dominavam também os céus.
Outra rajada de luz; dessa vez não veio do centro da clareira. Partira do céu até o ponto onde os dois estavam há vários minutos. Seguiu-se um trovão. Uma tempestade havia se formado acimas deles.
Ventos fortes sopravam folhas, galhos e areia para os olhos de Dean. Podia sentir a pressão do ar baixar e seus instintos dizerem para ele correr o mais rápido possível para o mais longe possível dali. Até a floresta atrás dele parecia menos perigosa do que enfrentar uma tempestade daquela a céu aberto. E ele teria feito isso se estive sozinho ali. Era obvio que um grande evento iria acontecer ali.
Mais um raio batera no chão, causando uma explosão enorme de luz. Tão forte que conseguira atravessar toda a extensão do campo e iluminar todo o local, deixando os olhos de Dean cegos por um breve tempo. Aturdido e com as mãos nos olhos, ouviu claramente outro trovão. Mas esse estava diferente. Estava mais nítido do que os anteriores. Então ele soube o que era. Com os olhos machucados, o senso de equilíbrio danificado e o medo aumentando, ele começou a caminhar em direção ao centro. Pois não eram trovões, eram gritos.
Outro raio acertou o chão, fazendo-o retumbar sob os pés de Dean. Mais um grito gutural vindo do centro. Dean com dificuldade começa a correr. A visão estava voltando e pode ver em meio a borrões outro clarão seguido de outro grito. Os raios estavam caindo cada vez mais rápidos. Sem muito espaço de tempo entre um e outro.
Ele quis gritar, mas só o barulho do vento a seus ouvidos já era suficiente para nem ele próprio escutar a voz na sua cabeça. O vento soprava com imensa força, como se ele estivesse caminhando para o olho de algum tornado ou estivesse atrás de uma turbina de um avião. Mas ainda sim ele queria gritar o nome de Castiel. Mesmo sabendo que era inútil clamar por ele nessa situação. Ele queria que o anjo soubesse que ele estava ali para protegê-lo. Mesmo que fosse dele mesmo.
Dean quase fora morto por um raio que atingiu a terra a metros dele. Cada vez que ele chegava mais perto do centro, mais raios caiam perto dele. O cheiro de ozônio dos raios entupia seus pulmões, fazendo-os gritaram por oxigênio em certos momentos. Não demoraria muito para ele cair desmaiado ou eletrocutado por algum raio. Mas sua visão estava voltando e quando estava prestes a acontecer outra explosão, ele colocava o braço protegendo os olhos. Outra explosão de luz tomou conta do lugar, mas desta vez vinda de Castiel. Ele explodia em luz cada vez que Morte dizia as palavras certas. Seu corpo parecia estar prestes a explodir em uma supernova a cada segundo. O Winchester estava próximo de alcança-los. Já dava para ver o contorno dos dois em meio aquele show bizarro e apavorante de luzes.
Já perto o bastante para sentir a áurea de poder que emanava dos dois, pode ver como seu namorado estava. Seu corpo já não parecia estar mais na forma humana, estava mais para uma massa de energia pura que voava a metros do chão e absorvendo a energia dos raios que o acertavam. Morte, por outro lado, mantinha-se imóvel e calmo ao seu lado, apenas com sua bengala erguida no ar e gesticulando-a em algumas direções. Dean estava sentindo sua consciência esvair lentamente, como se estivesse dormindo lentamente e seu corpo estivesse entrando no modo automático. Suas pernas corriam por conta própria, pois já não tinha mais forças para ordena-las que corressem. Era questão de segundo até ele desmaiar. Suas pernas amoleciam a cada passo, seu corpo passou a pesar toneladas e até o ar ficou difícil de respirar, mesmo sem ozônio impregnando o ar ao redor.
Devia estar a cerca de 20 metros dos dois. Quando todos aqueles raios e trovões cessaram abruptamente. Era como se alguém tivesse desligado o interruptor. Castiel absorvera os últimos raios de energia do ar, sugando a luz do lugar. E novamente, a escuridão tomou conta do lugar.
Mas antes mesmo de pensar que tudo havia acabado, uma explosão de enorme proporção o atingiu, fazendo-o voar pelos ares como uma simples e frágil folha levada pelo vento. Sua consciência finalmente se esvaiu com tamanho impacto.
Uma enorme cratera no chão. Monstruosas asas pretas emergiam dela, cravadas no chão como um monstro emergindo das profundezas do Tártaro. A floresta assustadora de outrora, dava lugar a um enorme amontoado de troncos caídos.
Aquele lugar presenciou um dos maiores atos da natureza: A morte de um anjo.
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