Notas iniciais
Aproveitem!

ONE-SHORT

Edmundo havia marcado uma reunião com o contingente do exército narniano que não havia ido com Pedro para o norte lutar com os gigantes. Bruxas remanescentes estavam provocando uma rebelião perto do Ermo do Lampião, onde estão a maioria das árvores sagradas de Nárnia que deveriam ser altamente protegidas delas. Eu tive uma ideia enquanto olhava para o mar no terraço de Cair Paravel, nosso castelo, e fui em direção a reunião.

Abri a porta sem nem mesmo ter batido. Eu já estava irritada com o fato de Edmundo não ter me permitido estar nessa reunião, então minha paciência com protocolos estava pouca.

— Rei Edmundo? – disse com o máximo de ironia na voz. – Soube dessa reunião e, como sou uma das rainhas, resolvi participar. Alguma objeção? Claro que não, imaginei.

— O que está fazendo aqui, Lúcia? – Edmundo estava de cara fechada para mim.

— Vim propor um ataque rápido e imediato, aproveitando o elemento surpresa, já que elas conhecem suas táticas de guerra e sabem que você pensaria muito antes de agir.

— E o que você sabe sobre guerras? – se eu não fosse a rainha e ele o rei, eu juro que pegava uma espada de um dos comandantes que estavam aqui e atirava nele.

— Absolutamente nada. Claro que eu não estive na guerra contra Jadis, estava ocupada demais ajudando Aslam a juntar o exército narniano.

— Lúcia, faça o favor de se retirar. Essa reunião é só para alguém que possa dar uma real ajuda sobre o fato.

Saí bufando da sala. Mas se ele pensa que venceu alguma discussão, ele está redondamente enganado. Eu tenho uma parte, uma grande parte diria, do exército ao meu lado e eu vou dar um jeito nessas bruxas. Do mesmo jeito que Aslam deu um jeito em Jadis.

Mas antes de contar o que fiz quero explicar que Edmundo não é esse ser seboso e chato e irritante e sabe-tudo que esse fato mostra. Ele mudou de fato após a experiência com a Feiticeira Branca, mas ele em alguns momentos sofre uma recaída. E fica o Edmundo de onze anos de idade. E eu o odiava quando estava assim.

Desci até o portão do castelo. Lá estava Rodrick, um grande centauro, que era um dos capitães.

— Minha rainha. – ele se curvou.

— Olá, Rodrick. Gostaria de te pedir uma coisa. Tem que prometer que estará do meu lado mesmo que mais nenhum rei esteja.

— Estou sempre ao seu lado, majestade.

— Ótimo. Vamos fazer o seguinte.

Quando anoiteceu, Edmundo já tinha planejado atacar na manhã seguinte. Isso era tudo o que eu precisava. Essa informação chegaria a elas e não estariam prontas para mim. Reuni cada arqueiro que estava no castelo, juntamos os centauros que estavam no destacamento de Rodrick e fomos em direção ao Ermo.

Tudo estava quieto e escuro ao redor do Lampião. Mas perto dele, a coisa era outra. Bandos e bandos de, além de bruxas, seres medonhos estavam ali. Pude ver algumas tríades presas, amarradas longe de suas árvores e um ódio me tomou conta, mas tínhamos um plano a seguir. Comecei a subir em uma das árvores com minha roupa preta. Os demais arqueiros também subiam nas árvores adjacentes, pude perceber. Cada um deles com uma roupa preta tal como a minha para nos camuflar. Atiraríamos ao mesmo tempo para que não descubram nossa localização, estaremos atacando de vários lados ao mesmo tempo.

Do alto da árvore, atirando, eu funcionava em modo automático. Pegar flecha, armar, mirar, soltar. Enquanto eu estava assim, os centauros estavam aterrorizando abaixo. No meio da madrugada, eu já estava soltando as tríades para que voltassem para suas árvores. Mas eu não ia voltar pro castelo como se nada tivesse acontecido. Iria mostrar para o Edmundo que eu também sei guerrear. Então simplesmente sentei em frente ao lampião de frente para onde sabia que ele chegaria. Estava amanhecendo quando ele e sua frota chegaram. Me controlei muito para não rir do espanto estampado em sua face.

— Não esperava por essa, maninho? – me levantei.

— O que está fazendo aqui, Lúcia? Não ordenei que ficasse no castelo? – ele ainda olhava para os lados, esperando uma bruxa surgir subitamente.

— Na verdade, só me ordenou que saísse da sala de reuniões. Eu saí. E conversei com Rodrik para resolvermos isso logo. – falei como se nada estivesse acontecido.

— Lúcia, você não pode ficar entrando em guerras assim... – Edmundo falou mais baixo.

— Ora, por que não? Por que sou uma garota?

— Não. Porque você é minha irmã. É meu dever protege-la.

— Ok. É porque eu sou uma garota. Olhe bem, rei Edmundo, não me machuco a toa. Sou uma boa guerreira tanto com o arco quanto com a espada e você sabe disso. Não vou deixar que me superproteja só porque você acha que deve para compensar o fato de ter ido pro lado da Jadis.

Ele estremeceu com o nome dela. Percebi que na verdade ele só tentava reverter o mal que ele havia feito. Que ele estava tentando se redimir. E não pude deixar de sentir remorso por ter sido tão grosseira com esse assunto. Era nítido que ele ainda sentia por ter nos traído.

— Desculpa, não deveria ter falado com você assim. – o abracei.

— Está tudo bem, Lu – ele me abraçou de volta – Só me prometa que não vai mais agir sem pelo menos me avisar. Não me assuste desse jeito de te encontrar numa luta sozinha, ok?

— Ok, Ed. Prometo pelo menos te avisar. Não prometo te obedecer se eu perceber que é sua super proteção.

— Acho que posso conviver com isso.

Naquela noite nós voltamos para o nosso castelo. Estávamos conversando tranquilamente, como se nosso desentendimento não tivesse acontecido. E isso era o que eu mais amava no meu relacionamento com Edmundo: nós brigávamos, mas nossa amizade e companheirismo sobrepujava qualquer coisa. E estava tudo as mil maravilhas até que Susana chegou.

— Olá, meus irmãos queridos. – disse ela sorrindo.

— Não me venha de charme, Su, fale logo o que você quer. – Edmundo respondeu por nós dois. Toda vez que Susana chegava com “meus irmãos queridos” daí vinha alguma coisa.

— Rabadash esteve aqui, certo? – nós assentimos – Creio que já esteja na hora de irmos para Calormânia para retribuir o favor e marcar o noivado.

— Tudo bem, rainha Susana. Já que você quer ser tão diplomática pelo seu amado, marque um dia para nossa viagem. Aproveite que Nárnia está em paz. – Susana deu um beijinho na bochecha do irmão e saiu saltitando.

— Só eu acho que isso não vai dar certo? – Me levantei e fiquei ao lado de Edmundo.

— Não. – ele se virou para mim – Peça a Aslam que eu esteja enganado, mas ele é um farsante. Conheço bem essa laia, você sabe disso.

— Edmundo...

— Não, não estou falando triste. Eu realmente fui um deles e por isso os reconheço. Espero muitíssimo estar errado dessa vez.

— Bem – suspirei – Só nos resta esperar. E que Aslam esteja conosco.

Nesse momento, num lugar bem mais ao sul, um certo cavalo decidira falar com um órfão.

Notas finais
E então? Gostaram? Não esqueçam de comentar, mesmo sendo uma one, adoro ficar lendo os comentários mesmo os negativos! Beijo grande!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!