Quatro da Manhã
1 Capítulo Único
Abriu os olhos verdes se deparando com os números luminosos do relógio, eram quatro horas da manhã.
Ficou a observar esse pequeno foco de luz vermelha por alguns segundos antes de sentir o familiar vento gélido que passou por seu rosto.
Um vento que não poderia estar lá pois tanto a janela quanto a porta estavam fechadas.
A pequena garota se sentou na cama e olhou para a figura parada a frente da cama, cabelos, pele e vestimentas, tudo branco, com apenas dois belos e intensos olhos castanhos para quebrar a brancura e dar vida àquele belo jovem.
-Boa noite – ele cumprimentou sussurrando e uma brisa doce passou pelo rosto dela, que tremeu – também não vai falar nada esta noite?
-Estou com medo – a voz dela saiu tão fraca que se não fosse pelo completo silencio do quarto teria sido inaudível.
-Não tenha medo, não vou lhe fazer mal nenhum.
-Então por que estou com medo? O que é o medo? – ela perguntou com a voz fraca, mas um pouco mais vivaz.
-Medo é apenas uma reação do seu corpo, seu cérebro mandando um aviso através da falta de ar, suar, tremores, calafrios, surtos de adrenalina, coração disparado, paralisia, apenas uma reação contra o desconhecido ou contra o que ele considera perigoso – o homem explicou calmamente caminhando pela lateral da cama até para do lado dela.
-Você é... – ela parou por alguns instantes ponderando se devia ou não continuar, porém escolheu por terminar sua pergunta – perigoso?
-Não à você, já lhe disse que nunca te faria mal, só quero te fazer companhia nessa noite escura de inverno.
-Você já sentiu medo – a voz dela estava mais firme, porém infantil e delicada, como suas faces.
-Já senti – parou por um segundo enquanto encarava o nada – mas há muito tempo, hoje não sinto mais.
-E porque não? – a curiosidade natural da idade fascinava-o o brilho do olhos dela sempre que perguntava e a falta de hesitação, deixava-o encantado.
-Porque eu morri – e de súbito como ele apareceu o vento gélido voltou, a pequena garota fechou os olhos por uma fração de segundo e quando os abriu ele não estava mais lá e o vento parou tão repentinamente como começou.
Deitou-se novamente e fechou os olhos esperando o sono voltar para ela poder dormir novamente, para sonhar com olhos castanhos e cabelos brancos, que lhe faziam companhia durante a noite.
Caminhou lentamente para a terra dos sonhos, sorrindo pois sabia que no dia seguinte, às quatro horas da manhã o veria novamente.
Notas finais
E não se esqueçam das reviews
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