Quatro Garotas e o dilema da escova azul
1 Go away
Notas iniciais
Nós éramos um quarteto.
Annabeth, a mandona. Silena, a doce e tímida. Thalia, a rebelde. E eu, Rachel, a artista.
Desde que eu me entendia por gente, eu as conhecia. Quer dizer, desde antes de nascer, pois nossas mães não tinham NADA em comum. A senhora Chase era séria e completamente responsável. A Senhora Beuregard, era “animada” e seu passatempo favorito era fazer compras. A senhora Grace, era irresponsável e permanentemente bêbada, sendo mais jovem das quatro mães, com seus 27 anos, ela parecia mais uma adolescente do quê Thalia. E a minha mãe, a Senhora Dare, que era extrovertida e educada, um “exemplo” perfeito na minha vida, segundo ela mesma.
As quatro se conheceram numa aula aeróbica especial, uma espécie de exercício para preparar as grávidas a lidar com o nascimento do seu bebê em situações de risco. Uma coincidência: Duas semanas depois de ter começado as aulas, numa segunda feira, Annabeth nasceu. Na semana seguinte, na terça, Thalia nasceu. Na quinta foi Silena, e eu no sábado. Desde então, é sempre Annie a primeira a dar as opiniões, e eu a última á dar a palavra.
Bem, vamos às aparências.
Annabeth é a típica loirinha bonitinha, com cabelos sempre bonitinhos, que parecem ficar enrolados ou lisos conforme a sua vontade. Olhos cinza, 17 anos.
Silena, ou simplesmente Lena, é a mais arrumadinha. Tem aquela aparência de garota popular, mais quem a conhece sabe que é simplesmente tímida. Tem olhos azuis um pouco esverdeados, cabelos castanhos longos, e bochechas levemente rosadas. Magra, baixinha. 17 anos.
Thalia, ou popularmente conhecida como Lia, é aquele tipo sortudo que não liga pra beleza, e é bonita, sem precisar ter cuidados muito excessivos. Tem olhos azuis da cor do céu, em dia de tempestade. Seus cabelos não tem um formato muito regular, mais vão até um pouco abaixo dos ombros, e são negros, com algumas mechas azuis. Nem muito magra, nem muito gorda, 17 anos.
E tem eu, Rachel. Olhos verdes da cor do mar, altura mediana, cabelos ruivos encaracolados, um pouco pálida e leves sardas nas bochechas. Só. Não sou do tipo que liga muito pra vestimentas. Geralmente uso calças jeans (manchadas de tinta) e camisetas de cores variadas. Sou muito simples.
Desde o dia do nascimento, nunca tínhamos nos separado. Não ao pé da letra, mas toda vez que uma ia viajar pra um lugar, convidava a outra. Mais claro, tudo tem uma primeira vez.
~*~
“Ei Annie” chamou Silena, naquele seu tom baixinho. “o quê acha daquele vestido ali?”
Estávamos na lojinha numa área mais afastada do shopping, procurando alguma coisa especial.
“É claro que não” resmungou Thalia. “eu ficaria parecendo uma...” Ela ergueu a sobrancelha, confusa. Voltou-se pra mim: “Ei Rachel, como é mesmo o nome daquele bicho preto e branco?”
“panda, Lia.”
“Ah, sim. Eu fico parecendo um guaxinim! Se bem, que eu acho que guaxinim tem pelo castanho, ou...”
Revirei os olhos. Annabeth fez o mesmo.
“Caramba” exclamou Annabeth. “Já rodamos oito lojas e até agora nada agrada vocês. Se não entrarem em um consenso, vou pegar uma lingerie ali e...”
“NÃO!” exclamamos todas juntas.
“Olha” murmurou Silena, naquele seu tom de voz baixo. “nós só vamos viajar! Tem que ser alguma coisa especial, uma coisa que podemos usar na hora que quisermos pra lembrarmos uma da outra!”
“vocês vão me abandonar” corrigiu Thalia, irritada.
“qual é, Lia” Annie sorriu. “eu só vou passar algum tempo em Vancouver. Não é tão longe daqui. Rachel vai passar um tempo na casa de verão da mãe, na Califórnia. E Silena vai para New York, fazer compras com a Sra. Beuregard.”
“Aliás, você que quis ficar por aqui pra trabalhar naquele Starbucks medonho” completei.
A morena suspirou. Percebi que tinha tocado num assunto delicado, pois imediatamente os olhos de Thalia encararam o chão; Ela só fazia aquilo quando estava triste e preocupada.
“Não é exatamente por que eu quero.” Ela disse, mexendo numa pilha de acessórios, provavelmente para não demonstrar fraqueza. “Bem... Você sabe como é o negócio quando o assunto é o seu pai. Mamãe quer que eu vá ajudar o filho do melhor amigo do papai e ... Bem, pelo que eu ouvi falar dele, não deve ser um garoto muito responsável.”
Silena olhou para Annabeth, que olhou pra mim. Ninguém queria encarar Thalia, pois todas sabiam que ela estava chorando, e isso não era normal, mais vinha acontecendo frequentemente nos últimos meses.
“Mais quem sou eu pra dizer isso de um garoto que eu não conheço?” Prosseguiu ela, numa voz meio bêbada, que lembrava a da Sra. Grace. “Eu, Thalia Grace, a garota que já pôs fogo acidentalmente na casa de verão com seu pai dentro, julgando a responsabilidade alheia. Patético.”
“Thalia, você tinha seis anos.” Sussurrou Silena, tentando arrumar a situação.
“Não Lena, eu era uma idiota mirim.”
Silêncio. Olhei para Annabeth, pedindo que ela fizesse alguma coisa. Toda vez que algo dava errado, ela sempre arranjava um pretexto para abafar o clima. Felizmente, ela entendeu.
“Ei Rachel, acho que encontrei uma coisa perfeita!” ela sorriu. “Ali, atrás de você! Escovas de plástico azul!”
Virei-me e peguei uma das que estavam mais próximas. Não passava de uma simples escova de plástico, com glitter em alguns pontos. E pareciam BEM velhas.
“Como isso pode ajudar a lembrar?” perguntei.
Annabeth mordeu o lábio, tentando esconder um sorriso imenso.
“Eu tenho UMA ÓTIMA IDÉIA!”
~*~
“Lia, faça as honra!” gritou Silena, pela primeira vez no dia. Ou talvez na semana, no mês, no ano.
Todas nós segurávamos escovas de plástico azul. Thalia estava diante de um enorme cartela de adesivos de bandas distintas. A ideia de Annabeth era simples: Cada uma ia colar algo na parte de cima da escova, coisas que lembrassem as outras garotas.
Thalia escolhera adesivos de bandas.
Todas nós sabíamos do seu amor por bandas de rock distintas, e que ela nunca deixaria de ouvi-las.
Lia, com uma expressão triunfante, pegou cada escova azul e colou um adesivo do Green Day versão platinado.
“Agora é minha vez!” Exclamou Annabeth, arrastando todas nós para a livraria.
“Ei moça” Chamou ela, falando com uma funcionária do local. “poderia me passar um daqueles marca páginas pequenininhos?” A mulher ergueu a sobrancelha, mais atendeu ao pedido. Segundos depois, a minha escova estava com um adesivo do Green Day e um marca página de cinco centímetros, preso com fita adesiva.
Silena correu até a loja de roupas mais próxima e tratou de pegar um catálogo. Discretamente, esgueirou-se até a mesa do balcão de presentes, e roubou uma tesoura. Recortou a figura da roupa mais glitterizada do catálogo, e tratou de fazer todas nós colarmos na parte de cima das escovas.
Quando chegou minha vez, simplesmente as levei a minha loja preferida de todo o shopping: A pincel dourado. Comprei um pequeno pote de tinta verde e derramei uma gota em cada escova, bem na ponta.
Silena ergueu a sobrancelha, o quê significava que ela não tinha aprovado aquilo.
“Bom” eu sorri, um pouco cansada. “acho que... É hora de se despedir. Amanhã cada uma de nos vai pra um lugar e...”
“MONTINHO!” Annabeth gritou, praticamente obrigando Thalia a nos abraçar. Silena sorriu. Eu também.
“ei, tive um ideia” Gritou Silena, pela segunda vez no dia, com a voz ainda meio abafada pelo abraço. “que tal fazermos um pacto de amizade? Tipo, com as escovas.”
“é uma ideia idiota” afirmou Thalia. “Mais eu gostei”
Parecia besteira, mais falamos coisas banais sobre jurar nunca esquecer uma da outra.
Aquela foi à última vez que nos falamos pessoalmente, num período de algumas horas. Muitas coisas ainda estavam pra acontecer. E enquanto decorávamos uma simples escova de cabelo (azul), nenhuma de nós imaginou o que viria a seguir.
~*~

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