Quatro Estações

12 Esqueci de te esquecer


Notas iniciais
Boa noite gurias ❤ bom, vim com esse capítulo que está bem mais tranquilo que o anterior... cheio de descobertas, e incertezas. Dedico ele a Mírley, não só ele, o anterior também, assim como a história inteira, depois do que descobri. Agradeço a Melissa Alves, por me apresentar esses belos poemas... A Nat, por sempre betar rapidamente a fic, e aguentar meus surtos, e a Gina pelos mesmos motivos. Desculpem se esqueci de alguém... (são muitos nomes...) Claro, que também dedico ele a todas vocês, aproveito o momento para agradecer pela repercussão do capítulo anterior, sou muito grata. Toda a euforia de vocês teve retorno, e a fic ganhou mais leitoras. ❤ Obrigada por isso. Enfim, gostaria de ter postado esse capítulo no meio dessa semana, de modo que, na Terça, eu conseguisse atualizar de novo, e normalizar o dia de postagem...mas, como tudo não é perfeito, e nem sempre temos surtos de inspiração...eu não consegui, sabia o que queria escrever, mas as palavras certas não vinham em minha mente. Como vocês estavam pedindo por atualização, resolvi postar hoje, e vou tentar, postar mais um ainda essa semana, já que o próximo acredito, que não será muito grande... (já falei demais, e o capítulo, está grande) Boa leitura! ❤ Ps: Escutem as músicas, link nas notas finais.

“ O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p’ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer

Fala: parece que mente...

Cala: parece que esquece...

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ousa contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar... “

Fernando Pessoa

Robin

Duas semanas depois...

—Sua alma bondosa;

—Seu rosto perfeitamente delineado;

—Seu sorriso deslumbrante;

—Seu toque;

—Seu beijo;

Pouco mais de meia noite, e eu continua fazendo essa lista mental, de tudo que mais me agrada em... Regina. Meus olhos estão estagnados encarando o teto. Meu corpo está relaxado sob a cama. Mas, a minha mente... esta, pensa nela! A todo momento.

Dias se sucederam desde seu gesto nobre para comigo. De todo modo, ela não sai de meus devaneios. Ainda mais depois de vê-la hoje à tarde, com ele.

Horas antes

Estou dirigindo rumo a cafeteria que Marian e eu costumamos frequentar. Vou encontrá-la. Um ramalhete de flores me acompanha no banco do carona. Iria pedir uma chance a ela. Reaver meus erros do passado.

Por instinto, dobro na esquerda, com o propósito de vislumbrar a casa branca, no fim da rua. No entanto, para minha surpresa, uma grande placa de vende-se decora o quintal do recinto. Parei com o carro no meio da rua, fitei atentamente a informação que eu acabei de descobrir.

Regina colocara à venda a casa, onde em um passado, esquecido por mim, constituiríamos um lar. Por outro lado, minha mente questionava: se vou reaver com Marian nossa união, por que me importo com as escolhas de Regina?

Sou desperto pela buzina de um veículo que estava atrás de mim. Segui o meu caminho. Em momento algum deixei de pensar naquele vende-se.

Na cafeteria, esperei por Marian cerca de duas horas. Preocupado com a demora, resolvi ir até a casa dela. Chegando em meu destino, ainda dentro de minha caminhonete vejo ela nos braços de outro, trocando beijos e carícias.

Minha respiração falhou por poucos segundos, abri a boca surpreso. Depois disso, nada mais.

Eu não sinto nada.

Deveria estar bravo, querer espatifar o rosto do homem que a acompanhava, tinha que sentir vontade de surrá-lo. Mas, não tive. Nem mágoa fui capaz de sentir. Acredito que eu não amo mais a minha ex-mulher. Na verdade, começo a considerar que nunca a amei de fato.

Tenho pensado no significado do amor desde que Regina provará o seu a mim. Esse sentimento que tanto lhe acometeu e que a mesma pode sentir...É completamente desconhecido para mim. Tão misterioso quanto as memórias que perdi.

Encarei o ramo de flores ao lado e não foi a figura de Marian que vislumbrei. E sim a de –hesitei... –Regina. Pude ver suas característica física e personalidade, em cada flor que ali constava.

Nas rosas vermelhas vi seu lábio carnudo, cujo beijo selado era agridoce;

Nas tulipas brancas, notei sua pureza. Sempre de prontidão para perdoar;

As margaridas me lembram seu sorriso inocente;

Por fim, os girassóis... estes representam a lealdade. Lealdade deste amor que ela manteve por mim, durante a minha ausência, sendo o mesmo capaz de fazê-la lutar pelas minhas memórias.

É fácil vê-la nesse buque, essa explosão de cores. Assim como ela que é; uma explosão de sentimentos. Por que penso frequentemente em Regina? Nossa história devia ter terminado no momento em que a deixei partir.

Sigo até o mercado, preciso comprar guloseimas, meu filho passará comigo o fim de semana. É a primeira vez que ficaremos sozinhos. Estou no corredor, tentando decifrar qual é a marca favorita de cereal de Roland. Quando ouço aquela gargalhada que reconheço, ela me encanta.

Começo a seguir o som dela, até ficar ofegante. Meu coração que passou os últimos dias sereno, quase que adormecido –servindo apenas para me manter vivo -saltitava. Sentia a necessidade de encontrar com o olhar dela novamente. Saber como ela estava.

Para minha surpresa, o motivo do sorriso genuíno que florava de seu lábio, era causado por um homem que acariciava sua mão. –ela não hesitava-Doutor Graham a acompanhava. Meu consciente fez questão de lembrar que aquele homem era apaixonado por ela. Antes mesmo dela ser minha. Digo... do homem que eu era.

Fiquei estagnado, encarando a ambos. Eu queria me aproximar, mas não sabia como. Olhei mais uma vez para Regina, cuja aparência estava ótima. Até demais para quem romperá um relacionamento em duas semanas...Pensava em retornar e não interrompê-los. Afinal, pela primeira vez pensei que agora Regina é uma mulher livre.

Perdi muito tempo pensando, ela me viu. O sorriso em sua face fora desfeito tão rapidamente, que cheguei a cogitar que ela sentirá desprezo ao me ver. Regina acenou brevemente com a cabeça. Não havia desprezo em seu olhar, ela parecia surpresa e... e ferida.

—Tenente Locksley.-Graham disse, o mesmo estava de costas, porém ao vislumbrar Regina estática, virou-se de imediato. Sua voz era carregada de escárnio. –certamente, ele não gostara de me encontrar no mercado.

—Doutor Humbert. –Neste instante, fiz questão de cessar a distância entre todos nós. Percebi que Regina parecia espantada. Talvez, pela grande coincidência de nos encontrarmos no mercado. No mesmo horário, como se o destino fosse nosso aliado.

O doutor e eu esboçávamos pequenos sorrisos. Já Regina permanecia estagnada.

—Como tem passado? –Graham me perguntou.

—Bem... –respondi ele, mas fitava ela –E você? Como está? –inquiri, sem deixar de encará-la nos olhos um segundo sequer.

Talvez a minha pergunta tenha sido estúpida, ou trivial. Eu queria apenas continuar aqui, desfrutando de sua companhia.

—Estou bem. –ela respondeu.

O silêncio predominou, mas nossos olhares conversavam entre si. A dúvida que as íris castanhas dela emitiam, me acometia. Meus olhos admiravam a respiração suave dela, a medida que seu peito subia e descia. Meu olhar apreciava o rosto dela, cujo a pele era tão macia...pude sentir no dia que a toquei enquanto nos beijávamos. A partir daí, fitei seu lábio rosado e delicado, o mesmo que possui um beijo casto.

Afrontava cada detalhe até chegar a sua mão direita, onde havia a ausência de seu anel de noivado. Logo, encarei o cesto que Regina carregava consigo, neste continham; vinho tinto, morangos, macarrão instantâneo, todos os ingredientes necessários para preparar um molho... havia uma refeição completa. Questiono qual seria o gosto de sua comida?

Não terei a resposta, outro terá. Será um jantar para outro homem, o mesmo que a acompanha agora. Eu não pedi que ela ficasse. –meu pensamento enfatizou.

Perdido em meus devaneios, sou desperto pela voz dela.

—Lucky Charms, -Regina disse encarando a minha mão esquerda. Sorri ao olhar o cereal em minhas mãos. –é o favorito do Roland.

Ela é até mesmo capaz de conhecer os gostos do meu filho. Ainda reconhece minhas indecisões. Regina lê a minha mente.

—Obrigado, eu realmente estava indeciso. –agradeci, um sorriso bobo surgiu em meu rosto, sem que eu percebesse.

—Ele gosta desse, porque tem pedacinhos coloridos, Roland é apaixonado pelas cores. Ah, e pelos marshmallows. –comentou sorrindo, linda.

—Ahh, os marshmallows! Preciso tomar nota disso. –disse alegre, me sentia feliz por vê-la sorrir.

O riso, juntamente com a nossa troca de olhares, fora interrompido por Graham, com sua voz cortante.

—Regina, é melhor a gente ir. Temos um jantar para fazer. –ele fez questão de confirmar minhas suspeitas.

—Claro. –ela respondeu, já sem o sorriso no rosto.

—Tchau, Robin. –o doutor me disse, se opondo a mim e Regina. Ficando ao seu lado. Ela não contestou.

—Tchau. –respondi frustrado. Olhei para Regina, e acenei como despedida. Ela fez o mesmo.

Ambos se viraram e seguiram em passos lentos pelo corredor. O pior de tudo, foi vislumbrar as mãos de Graham percorrer as costas dela, chegando por fim em sua cintura. Acariciando-a.

Eu definitivamente não gostei dessa atitude.

Meu impulso era correr até eles, e depositar murros fortes em seu rosto. Senti raiva, culpa, remorso... uma variedade de sensações, porém uma sobressaltou sobre as demais, eu senti ciúmes de ver Regina com outro homem.

( Bruno Mars – When I Was Your Man )

Sem perceber, deixei que Regina ocupasse um lugar importante na minha vida. E, agora, sinto falta dela, de sua gargalhada preenchendo o ambiente enquanto me narrava alguma situação do nosso passado... Sinto falta de seu abraço aconchegante. O mesmo que ela depositou em mim quando voltei da Síria. Almejo beijar seu lábio novamente, quero segurar sua mão, assim como fizemos enquanto admirávamos o pôr do sol.

Pela primeira vez, noto que na tentativa de resgatar as memórias que perdi, nós construímos novas, as mesmas que me fazem falta. Por vezes, algumas de suas palavras me aturdem durante a noite.

“... é isso que você significa para mim, uma salvação.”

Não existiu ninguém na minha vida esse tempo. Fica difícil se apaixonar por alguém quando seu coração pertence a outro. “

Seu coração ainda pertenceria a mim? Ou, outro homem começou a ocupar o meu espaço?

Resolvo tomar uma ducha, na tentativa de conter esses pensamentos. Entretanto, os mesmos me acompanham simultaneamente. Em nenhum momento desta noite, deixei de pensar no jantar. O que ambos estariam fazendo, o que ele sussurraria em seu ouvido... Como eu gostaria de estar no lugar dele.

Vislumbro facilmente Regina em um vestido preto, moldando as curvas de seu corpo. Um jantar à luz de velas, com o vinho tinto, uma música lenta para dançarmos até deixarmos os pés cansados. Ela recostaria sua cabeça em meu peito, e sentiria meu coração bater descompassado. O sabor de seu macarrão, só não seria melhor que o de seu beijo.

As chamas da lareira só não nos aqueceriam mais que o calor de nossos corpos, a cada caricia... Seria perfeito, se ela não estivesse com outro homem.

Meu coração clamava por ela, eu não sei o que está acontecendo. Em um dia queria reconstruir minha vida, ter a minha família unida novamente. Afinal, quem não quer isso? Uma segunda chance? Para mudar o passado e os erros cometidos nele?

Eu desejei isso durante tanto tempo, para somente agora perceber que talvez eu tenha buscado a segunda chance no lugar errado. Que homem compra o buque de flores para uma mulher pensando em outra? Que homem liga para uma mulher desejando ouvir a voz de outra?

Ver Marian com outro homem hoje fora surpreendente, não sabia que ela estava saindo com alguém... entretanto, vislumbrar Regina com outro, fora doloroso. Bastou para que eu pudesse constatar meus sentimentos por ela. Meu coração já sabia o que sentia, desde que a vi partir, porém, eu e os meus pensamentos demoraram para decifrar o que sentia.

Me apaixonei pela mesma mulher duas vezes.

Não quero vê-la chorar, sinto a necessidade de protegê-la, ampará-la nos momentos de dificuldade. Quero ser o motivo de seu sorriso, quero ser alguém em quem ela possa confiar. Desejo continuar sendo o homem que ocupará seu coração.

Será tarde demais para viver ao seu lado? Será tarde demais para pedir que ela fique?

Então recordo-me das mãos de Graham percorrendo suas costas... sim, já era tarde. Além do fato, deste possuir memórias que eu desconheço. Ele é capaz de conhecer os gostos dela, saber quais lugares gostava de frequentar, quais eram seus desejos... Humbert tem vantagens que são enigmáticas para mim. Se eu tivesse me interessado mais... talvez, ainda ocupasse o coração dela neste momento. Acertei em punho a parede, enquanto a água banhava meu corpo.

Perdi muito tempo tentando me lembrar, sendo incapaz de descobrir o que sentia.

—Regina... O que você fez comigo? Posso não me lembrar do nosso passado, e do homem que eu era, que você tanto amou. Mas, agora me esqueci de te esquecer.

Proclamei a mim mesmo, imaginando que ela estivesse em meus braços. Almejando mais uma vez que fosse comigo que ela passasse aquela noite.

Regina

Ao fechar a porta, me jogo no sofá. Graham fora o último a ir embora. Nesta noite, recebi um grupo de médicos, amigos meus do hospital, para jantar aqui no meu apartamento. Alguns, como Emma, trouxeram seus companheiros, outros solteiros, como Humbert, vieram sozinhos.

Foi uma noite animada, com gargalhadas, uma música agradável... conversamos qual o motivo de cada um de nós optar pela medicina. Entre outras coisas mais. Elogios não faltaram da parte de Graham para comigo. Desde que estávamos no mercado. No hospital, combinamos que eu e ele seriamos os encarregados de cozinhar o jantar, devido a isso, nos encontramos para realizarmos as compras juntos.

A vida é imprevisível, fez com eu reencontrasse Robin dias após nosso término, no corredor de um supermercado. Acompanhada de Humbert. Entretanto, a presença deste fora ignorada, a partir do momento que meus olhos se encontraram com os do homem que fazia meu coração disparar todas as noites com a lembrança do nosso último beijo selado.

Reencontrar Robin não fora fácil, eu sofri e fiquei alegre na mesma medida. Manter a minha vida longe da dele é extremamente doloroso. Esquecê-lo é impossível. Amá-lo é inevitável. Estou incompleta. O meu coração é incapaz de seguir em frente. Já disse isso a Graham, que parece desconhecer o peso dessas palavras. No entanto, hoje à tarde, eu não o impedi de me tocar. Preferi deixar Robin pensando que existisse algo entre nós, não para fazer com ele sentisse ciúmes, sei que jamais o sentiria por mim. Mas, sim para que o próprio fosse capaz de resolver sua vida com Marian, sei que ainda não estão juntos, Zelena fez questão de me dizer isso alguns dias atrás. Robin deve se culpar, e está esperando passar um período de tempo para que volte seu relacionamento com ela. Para ela, com o seu amor.

Em respeito a mim. Por conta disso, deixei que pensasse que eu fui capaz de seguir em frente em tão pouco tempo. Para que ele pudesse seguir a vida dele. Mesmo que isso fosse impossível para mim.

Minha mente venera o sorriso radiante que Robin fora capaz de revelar quando disse a ele qual cereal deveria escolher. Foi irremediável não retribuir o riso. Como eu gostaria de ver ele sorridente daquela maneira todos os dias. Infelizmente, esta dádiva já não pertence mais a mim como em outrora. Deixá-lo para outra, fora, para alguns, um absurdo, para outros, necessário, para mim, foi amor.

Neste tempo, tenho me dedicado ao meu trabalho e ao meu pai. Todavia, o rosto de Robin vem a minha mente a todo instante. Enaltecendo cada momento vivido entre nós dois. As lágrimas são minhas companheiras todos os dias. Elas moldam as memórias que eu sou incapaz de deixar serem apagadas.

Lembro-me do cereal em mãos que Robin carregava consigo. Vislumbro nós dois no Domingo pela manhã preparando o café, ao rádio tocaria “Endless Love”, nossa canção. Roland estaria sentado à mesa saboreando seu cereal colorido, escolhendo suas cores prediletas. Enquanto eu prepararia panquecas, Robin, por sua vez, depositaria um beijo casto em minhas bochechas. Acariciando minha cintura, enquanto inalava meu aroma o mesmo ele tanto apreciava.

Exalo um sorriso descrente, é isso que tenho feito, inventado memórias para preencher o vazio presente em minha vida.

Louisa

Manhã de Sábado

Escola de música Isabelle French

(Taylor Swift – Enchanted )

Meus dedos deslizavam sobre as teclas do piano, as mãos de Benjamim estavam sob as minhas, afagando-as, enquanto murmurava em meus ouvidos a partitura da canção. A mesma que ele acabará de revelar que era capaz de me enxergar quando toca o instrumento. Meu coração está saltitante, parece que não cabe no peito. Meu estomago parece criar moradia para uma vasta demanda de borboletas.

Cada sussurro de Benjamim em meu ouvido, é um calafrio que percorre meu corpo. Me sinto completamente inerte, sequer encontro uma explicação plausível para que meus dedos ainda deslizem pelas teclas do instrumento.

—Você toca lindamente. –ele me elogiou.

—Obrigada. –Ruborizei.

Na medida em que os dias decorrem, mais próximos ficamos. Eu fico contando as horas para vir para a escola de música encontrá-lo. Meus sentimentos por ele se intensificavam ainda mais. Como minha madrinha me disse; o tempo... só ele é capaz de nos mostrar a veracidade do que sentimos. Eu sei que estou apaixonada por Ben.

A música chegou ao fim. Mas, a mão dele continuou a acariciar a minha, com desvelo.

—Louisa... –ele sussurrou.

—Sim. –disse, mais nervosa que o de costume. O tom da voz de Ben, estava diferente.

—Eu... –hesitou -eu tenho pensado muito sobre nós dois nesses últimos dias. No relacionamento que constituímos ao longo dessas semanas, e bem...

—Não me diga que você não quer ser mais o meu amigo? –perguntei frustrada.

—Não –ele pareceu agitado –jamais diga isso... é o contrário, ser só o seu amigo não é o suficiente para mim. Eu... -senti que ele apertou mais a minha mão –Eu gosto de você Lou. Eu gostaria que você me permitisse viver no seu mundo, que me ensine a ver com a alma. Sei que ainda somos jovens, mas... você é o meu primeiro amor.

Proferiu por fim. Me deixando sem palavras. Ele estava apaixonado por mim? Os sentimentos eram recíprocos?

-Louisa... –ele me chamou, sua mão afagou meu queixo. Eu podia ver uma escuridão a minha frente, mas sei que Ben vislumbrava o azul profundo dos meus olhos que todos faziam questão de elogiar.

Nossos rostos estavam próximos o suficiente para que eu pudesse sentir a respiração ofegante de Benjamim.

—Diga alguma coisa, por favor.

—Eu não posso ver você. –confessei, entristecida. Minhas mãos acariciavam o rosto dele, como eu desejo vê-lo... –Eu não sou a garota certa, Ben. Eu sou cega, uma deficiente...

—O meu coração escolheu você, nunca diga que não é a garota certa... jamais coloque sua deficiência sobre os sentimentos de outra pessoa. –Benjamim proclamava serenamente –Isto te torna diferente de todas as garotas que conheço, te proporciona ver o mundo de outra maneira. Se você sente o mesmo que eu, ficaria lisonjeado se me permitisse te beijar.

—Eu estou apaixonada por você também –sorri tímida, jamais tinha me declarado para alguém antes... -, mas...

Minhas mãos depositadas em se rosto sentiram a sua mudança de expressão... um sorriso moldava suas feições naquele momento.

—O que há, então? –ele inquiriu, curioso. –A vida é como uma canção, decidimos qual melodia devemos seguir. Deixe as nossas melodias se encontrarem.

Ele pediu. A escolha de suas palavras me encantava, a música estaria interligada conosco sempre.

—É que... eu nunca beijei um garoto antes. –Revelei.

—Me conceda essa honra? –ele pediu, acariciando meu rosto.

Após um breve silêncio de minha parte, apenas consenti. Eu queria beijar Benjamim, todavia, tinha medo de não corresponder suas expectativas. Mas, eu decidi arriscar. Precisava enfrentar meus medos, viver o que a vida me contemplava.

Eu não podia vê-lo se aproximando, mas sentia sua respiração mais próxima de mim. Quando seu lábio enfim, roçou ao meu. O primeiro beijo não foi como idealizei, era estranho, inusitado, para ser exata. A saliva de Benjamim misturava-se a minha, nossas línguas pareciam formar uma disputa. Eu não sei se estou fazendo corretamente, apenas imito os movimentos de Bem.

O ar começou a ser necessário para mim, acredito que para ele também. Senti que o beijo chegava ao fim, Ben selou nossos lábios brevemente antes de finda-lo por completo. Nossos rostos permaneciam unidos, as testas roçavam uma na outra.

—Gostou? –ele perguntou ofegante.

—É...diferente! Mas, eu gostei dessa sensação. Fico feliz que tenha sido com você.

—E, eu fico contente que tenha sido comigo.

Acredito, que ele esteja sorrindo.

Apesar de ver o mundo ao meu redor em uma escuridão constante. Hoje ele ganha uma vasta quantidade de cores. O sorriso em meu rosto não pode ser contido. Suponho que o dele também não, afinal posso sentir as covinhas que o rosto dele exala.

—Vamos sair amanhã? Me ensine a ver o mundo do seu jeito, e eu digo a você como eu vejo.

—Eu adoraria, Benjamim –suspirei- mas, a minha mãe não irá permitir. –confessei frustrada.

—Hey... você precisa tentar, se ela não deixar a gente sair, eu poderia ir para sua casa. Não importa o lugar, desde que eu esteja do seu lado.

Sorri.

—Você ficaria na minha casa?

—É claro! Peça para a sua mãe.

—Eu a amo, mas minha mãe me priva de muitas coisas. Conseguir estudar aqui foi um milagre!

—O melhor milagre que poderia acontecer na minha vida!

Ele selou seu lábio ao meu. Eu preciso me acostumar com isso.

—Eu vou falar com a minha mãe, espero que ela não se oponha.

Robin

-Até que enfim consegui falar com você, tenente Jones. Passei o dia inteiro ligando para o seu celular.

—Desculpe, Locksley, ontem eu acompanhei Emma em um jantar no apartamento de Regina, e, bem...digamos que eu bebi mais do que devia.

—Você... você estava no jantar também? –perguntei surpreso.

—Mas, é claro! Era um jantar com alguns colegas delas do hospital. Estava bem agradável.

—Então Regina não estava sozinha com ele... –ponderei para mim mesmo, porém, Jones fora capaz de escutar.

—O que você está falando?

—Doutor Graham, –hesitei, mas aquela dúvida me corroía desde a tarde anterior... -você sabe se eles estão juntos?

—Se dependesse dele, sim, não parou de cortejá-la um minuto sequer. –Suspirei. -Mas, Regina nem ligava.

—Não? –perguntei surpreso.

—Você realmente acha que ela seria capaz de esquecer você em duas semanas? Se ela não conseguiu seguir com a própria vida durante um ano. Quando acreditávamos que estivesse morto.

Um breve silêncio fora instaurado, enquanto eu processava o significado das palavras de Jones.

—Eu... –gaguejei- eu não tinha pensado nisso.

—Nossa, Locksley, você é um idiota às vezes!

—Hey!

—Agora me diga, por que tantas perguntas sobre Regina? Não me diga que está com ciúmes? Espere aí... está interessado nela?

Antes que eu pudesse responder, ouço a voz de Emma, “Killian! Nós vamos nos atrasar. ”

—Preciso desligar. Segunda conversamos, melhor.

A ligação foi encerrada. Sequer fui capaz de dizer-lhe o real motivo dela, ao ouvir o nome de Regina, meu coração disparou, eu não pude me conter. Um sorriso floresce em meu rosto, Regina não está com Doutor Graham. Talvez eu ainda tenha alguma chance.

Me encaminho até a sala, onde meu filho me espera enquanto assiste desenho animado. O sorriso ainda se propaga em minha face. Sentei no sofá. Alguns minutos se passaram enquanto assistimos Zootopia.

—Papai, por que a Gina não aqui com a gente? Como antes? –Roland perguntou, eu não sabia o que responder.

—Algumas coisas mudaram, filho.

Disse por fim. Frustrado.

—É por causa das suas memórias, papai?

—É sim, filho.

—Eu queria que a Gina estivesse aqui.

—Eu também. –proferi com um tom de voz ameno, recordei-me de sua figura semanas atrás soltando um riso reprimido quando derrubei alguns livros...

Senti meu pequeno garoto se alinhar em meus braços, estava com frio. No entanto, ao beijar a testa de meu filho, pude sentir sua testa, quente demais.

—Roland, você está bem? –inquiri preocupado.

—Minha cabeça está doendo, papai.

Levei a mão a testa do mesmo.

—Acho que você está com febre.

Me desesperei. Não sabia o que fazer -já devo ter cuidado de meu filho outras vezes -, mas não sou capaz de lembrar.

Ser pai para mim é algo novo, tudo acontece como se fosse a primeira vez. Corro até meu quarto, pego um casaco para protege-lo do frio. Saímos de meu apartamento, não sabia se era certo procurá-la, mas, eu precisava de sua ajuda.

Roland adormeceu no banco de trás. Eu procurava pelo endereço que ela havia me enviado certa vez. Pouco mais de vinte minutos depois e cheguei ao meu destino.

A cada lance de escada com Roland em meus braços sentia meu coração acelerar, preocupado com o meu filho, com a expectativa de reencontra-la.

Ofegante, cheguei ao quarto andar, apartamento 36. Fiquei nervoso. Não sabia o que dizer. As palavras sumiram. Hesitei por um breve instante. Por fim, bati na porta.

Regina a abriu de imediato. Estava linda! Um vestido preto moldava sua silhueta, assim como seu corpo esbelto. Uma echarpe vinho cobria seu colo, um broche dourado o prendia. Este, combinava com o brinco delicado que enfeitava suas orelhas. Seu cabelo estava preso em um coque elegante. Maquiagem leve. Nos pés, um Scarpan preto.

Perfeita,—como eu imaginei na noite anterior.

Por um momento fiquei estagnado a sua frente, admirando-a. Só então, percebi que ela estava arrumada para algum compromisso... Sozinha? Acompanhada?

—Eu preciso da sua ajuda, Roland está doente, com febre, eu não sei o que fazer, quem procurar... Regina, eu preciso de você.

Declarei. Havia uma ambiguidade nas minhas palavras, porém, ela não aparentava ter percebido. Permanecia estática, surpresa em me ver.

—Robin...?

Notas finais
Link Bruno Mars: https://www.youtube.com/watch?v=ekzHIouo8Q4 Link Taylor Swift: https://www.youtube.com/watch?v=plod2nkt0ZE E ai? Gostaram? E o primeiro beijo Benisa? Aproveito para agradecer a todas que participaram da enquete, sou muito grata. ❤ E, o Robin? E essa descoberta de sentimentos? Enfim percebeu que está apaixonado pela Regina... o que será que via acontecer no próximo capítulo? Ela vai ajudar ele? Gente, prometo que amanhã respondo todos os comentários atrasados... Me deixem suas opiniões. ❤ Beijoss. TWITTER: @TaisWriterOQ FACEBOOK: https://www.facebook.com/Minhasfanfics/