Quase sua
2 Capítulo 1 – Por Todo o Tempo que fomos...
Notas iniciais
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Meu nome, na realidade não tem muita importância; mas eu o direi afinal faço questão de mostrar que eu existi no mesmo mundo que meu adorado jovem mestre; e nossa história começa desde muito pequenos.
— Lien Ming Chen ! – a voz da governanta do castelo me despertou de meu hipnótico transe.
Em algum lugar daquele enorme castelo ornamentado de tons vermelho, preto e dourado ; era possível escutar a tímida melodia de um violino chines.
— Estou aqui Sra.Zhang! – respondi prontamente com minha voz infantil e segui a senhora que me aguardava após um longo lance de escada de madeiras laqueadas; possuíam detalhes entalhados magníficos em madeira como os símbolos de Yin e Yang, aos quais sentia muita familiaridade.
Era espantoso, os detalhes mais simples de todo o castelo eram de uma beleza incomparável;a construção imponente era não apenas um marco histórico,mas uma obra de arte e um simbolo de toda uma dinastia.
—Siga-me Senhorita Lien Ming. – a voz da governanta Zhang era de uma polidez imaculada e ainda assim continha o tom severo que sua posição exigia.
O local onde minha família serviu durante séculos, era a residência principal da família Tao; atualmente seria o local onde eu também viveria, serviria e morreria.
Eu segui a Sra. Zhang através dos corredores principais do palácio; fui preenchida por um sentimento de honra ao me aproximar do templo e a certeza de que estava no lugar que sempre sonhei.
— Este é um local onde não poderá entrar, apenas com autorização de um dos Mestres. – a senhora parou a frente de uma porta de tamanho incrível.
Deveria alcançar facilmente quatro metros e possuía os mesmos entalhes majestosos que ocasionalmente eu avistava pelo resto do castelo, mas havia o simbolo da família Tao na porta , laqueado em dourado e tão centrado naquelas estrutura, que eu tive certeza em meu coração.
“Eu jamais desobedecerei esta regra.”
Quando chegamos ao jardim o som do violino havia ficado ainda mais evidente e próximo; o som enchia meu coração com uma atração descontrolada.Como se eu fosse uma sereia; apenas tentei seguir o som indo na direção oposta a da Sra. Zhang; a velha senhora não pareceu ter reparado , pois continuou a dar explicações sem se dar conta de minha ausência.
Conforme a melodia parecia estar mais e mais alta, senti meus passos ficarem pesados e por certo momento senti medo do que eu poderia encontrar ao cruzar aquele lado do jardim próximo de um grande lago ornamental.
— Ai esta você senhorita Chen. – a governanta me puxou pelo ombro com uma força que não condizia com sua forma física.Notei no segundo seguinte, que ela havia utilizado apenas o dedo indicador para impedir que eu continua-se a caminhar.
No segundo seguinte o silêncio se fez presente.
“Onde esta o violino ?” meus pensamentos sussurraram e meus olhos olharam instintivamente para trás.
Não pude descobrir quem estava tocando , a Sra Zhang me segurou pela mão e me guiou pelo resto do tour através do castelo.
— Você é uma jovem muito curiosa, quantos anos possui Srt. Chen? – a governanta disse num tom de voz severo e cheio de repreensão.
— Tenho oito anos Sra. Zhang – minha voz soou um pouco mais culpada do que eu realmente me sentia.
— Você é realmente muito pequenina, mas mesmo assim ainda é uma serva da Família Tao,entende o que isto significa minha jovem? – ela perguntou tão séria quanto o habitual.
— Sim senhora! – eu disse consentindo com minha cabeça. – Com meu corpo eu defendo a família e com minha alma eu zelo para que seja próspera. – repeti com a mesma devoção que meu pai repetia para mim dia após dia.
— Correto, isto não significa apenas uma frase tola escrita por um poeta bêbado . – senti no tom de voz da Sra . Zhang a disciplina e paciência de uma grande matriarca e desde aquele momento obtive muito respeito por seu caráter. – Foi algo escrito pois é a nossa realidade, nossa vida e nossa morte. –
A Sra Zhang , havia servido a família Tao durante décadas, e seu rosto castigado por rugas , ainda tinha os traços que indicavam que havia sido belíssima .Caminhava com uma bengala, que mais me pareceu durante certa época um mero acessório para ocultar sua real força, utilizava apenas trajes chineses tradicionais de seda de cores discretas e seus cabelos brancos ficavam presos com um mesmo enfeite de flores amarelas.
Depois de me guiar pelas partes principais do castelo, teve a certeza de que estivesse devidamente limpa.Me mandou tomar banho e me esfregar com sais aromáticos que me fizeram pensar imediatamente de serem “ demais” para minha humilde pessoa.
Pensei durante o banho em como havia sido maravilhoso a melodia que escutara vinda de algum lugar do castelo.As preciosidades daquele lugar eram muito mais incontáveis do que pude sequer sonhar, e minha curiosidade somente crescia ao querer desvendar quem tocará aquela melodia triste em meio a um castelo repleto de assassinos e cadáveres .
—Senhorita Cheng!- disse a Senhora por de trás da porta do banheiro.- Peço lhe que se cubra, estou entrando agora.–
Não demorou mais que milésimos de segundos para a porta se abrir; me cobrir precariamente como uma toalha apenas na parte da frente de meu corpo.
— A Senhora desta casa deseja ver-lhe. – disse a idosa de maneira rigorosa.
—Sim Senhora Zhang! – respondi de forma passional.
Sai da banheira sem sentir o minimo de timidez e apanhei as roupas presas num cabide frente à porta.Me vesti de forma apressada, penteei os cabelos e me vi frente ao espelho.
“Nossa...” me surpreendi com a menina que me encarava de volta.
Olhos grandes de uma cor amendoada preciosa, o rosto em formato de pêssego , lábios rosados e carnudos.Agora vestida com algo tão melhor do que qualquer coisa em minha mala,soube que minha mãe não havia mentido sobre eu estar crescendo "bem".
"Eu sou uma criança muito bonita."pensei, dando uma ultima conferida em meus cabelos.
Caminhei até a Senhora Zhang que me aguardava impacientemente na porta do banheiro, batendo com sua velha bengala sob o chão de madeira sólida.
Caminhamos pelo corredor até uma imensa sala de jantar.Uma mulher de beleza inestimável aguardava-me sentada sob uma cadeira igualmente linda.
—Minha Senhora Tao Ran. – disse a idosa de maneira mais do que respeitável. – Peço-lhe a gentileza de verificar se esta jovem pode servi-la adequadamente. –
A mulher chamada Tao Ran olhou-me nos olhos, e como que numa ordem telepática, caminhei até ela e me prostrei em uma reverencia extremamente profunda.
—Suplico à minha Senhora, para que permita-me auxiliar a Família. – disse-lhe como meu pai ensaiava comigo todos os anos por toda minha vida. –Não sou merecedora de sua atenção, mas darei minha vida para a prosperidade de nossa Família. –
—Corajosa essa jovenzinha...- a Mestra Tao Ran disse de maneira simples.-Nem havia permitido que falasse...mas não nego, que alegra meus ouvidos escutar tal dedicação. –
Com um movimento rápido de sua mão senti algo afiado em meu pescoço.
Um cadáver feminino parado a minha frente agora mantinha uma adaga pressionada contra minha pele.Outro boneco estava atrás da Mestra , era pequeno com garras animalescas e pernas felinas.
A situação não abalará em nenhum sentido meus sentimentos, me mantive fria em minha referência à Mestra Ran , contando o que talvez seriam , meus últimos momentos de vida.
—Não esta assustada ou com raiva?– a Mestra Ran me perguntou , tapando em seguida seus lábios com um lindo leque amarelo adornado com flores vermelhas.
—Perdoe-me pela insolência Mestra Tao Ran.– eu disse mantendo a postura de meu pequeno corpo.–Mas, mantenho a promessa que fiz a pouco; estou aqui esperando como única recompensa, o privilégio de servi-los.–
—Sua família treino-a bem. – a Mestra sorriu de maneira maldosa. –Posso perguntar como eram os treinos? –
—Sim minha Senhora. – respondi levantando meu corpo, a adaga da boneca cadáver seguiu meu corpo de maneira automática. –Meu pai dava a mim e a meus irmãos mais velhos, treinos exaustivos todos os dias, restrição de alimentação,dias sem dormir e treinos práticos aniquilando “empecilhos”. –
—Entendo. – ela tirou o leque de seu rosto e me encarou de maneira bastante analítica. – Então por qual motivo, seu pai enviou a nós, a única filha mulher e também a mais nova dentre quatro filhos? –
—Bem minha senhora. – respondi fazendo um movimento gracioso e me libertando da ameaça do cadáver com uma plaqueta no rosto. –Em matéria de força, superei meus irmãos de maneira mais que surpreendente. –
—Eu percebi. – ela sorriu de maneira cruel; fazia cálculos em sua mente que jamais poderia sequer decifrar. – Você talvez seja uma das candidatas. –
Em seguida a linda mulher fez com que os dois cadáveres se afastassem apenas com um leve estalo de dedos.
—Senhora Zhang, peço-lhe que mantenha esta jovem no castelo até segunda ordem. –em seguida levantou-se e retirou-se da sala enquanto fazíamos reverencias profundas e respeitosas.
Sem muita emoção a senhora Zhang me encarou e ficou perdida em meu rosto por alguns minutos, pôs-se a dizer em seguida:
—Seu atrevimento hoje foi recompensado, mas não tente isto com os outros mestres ou acabará sendo decapitada como muitas antes de você. –
—Sim Senhora Zhang. – disse fazendo uma mensura. –Perdoe-me pois sou apenas uma aprendiz.–
Ela me encarou novamente e deixou escapar um sorriso agradável.Talvez , tivesse ficado feliz por minha aparente aprovação...mas o motivo disto , só descobri anos depois.
No fim da tarde , após me ensinar cada uma de minhas tarefas diárias; a senhora Zhang me levou até um quarto no primeiro andar da casa.Era um aposento humilde para um castelo, mas ainda era muito mais do que eu poderia certamente ser merecedora.
—É aqui que você deve fazer suas refeições e dormir. – a senhora Zhang apontou para um telefone que ficava preso à parede. –Aquele aparelho é apenas uma formalidade, pode ser usado para fazer contatos dos Mestre , para fazer quaisquer solicitações. –
Assenti com a cabeça e me dirigi até o centro do quarto; a cama estava mais do que atraente.
—Por fim, reforçarei que seja muito cautelosa com seus movimentos ao lidar com qualquer um dos Mestres. –ela tomou folego e continuou. –Em especial com o Mestre Tao En...o senhor desta casa. –
—Sim Senhora Zhang.- respondi num movimento leve com a cabeça.
—Ele pode ser muito cruel pensando no bem da Família, e não aturará garotinhas tolas e desastradas. – disse simplesmente dando-me a certeza que já tinha passado tal mensagem a outras jovens.
—Eu compreendo, e nunca farei nada para desagradar o atual regente da família, o Mestre Tao Em. – respondi.
—Eu aprecio o respeito que você possui ao falar de nossos Mestres, afinal , este ainda é o minimo. – a idosa deixou escapar outro de seus sorrisos e caminhou para fora do quarto.–Sobretudo , a senhorita esta responsável agora pelo bem estar e necessidades do herdeiro, o jovem Mestre Tao Ren....peço lhe..... –
Pela primeira vez , senti que a senhora Zhang ficara abalada com a temática do assunto.
—Sim? – questionei-a.
—Você descobrirá amanhã. –a senhora Zhang fechou a porta em seguida e nada mais me disse sobre o jovem Mestre.
Meu espirito guardião apareceu rapidamente.
Havia se mostrado paciente aguardando em sua tabua mortuária.
— “ Lien Ming Chen!” a jovem apareceu em minha frente.
—Oh Boa Noite Moon. –atirei-me na cama sentindo o cheiro de formol em minhas narinas.
— “Você foi bastante petulante.” – o espirito ficou próximo de meu leito encarando-me.
Moon havia sido uma grande espiã nos tempos de guerra, por isto sua habilidade me facilitou sempre ter um rápido domínio sobre situações, fugas, habilidade analítica e assassinatos.
Ela usava uma armadura azul obviamente feminina, seu rosto era fino e seus olhos eram de um pálido tom esmeralda.
—Veja Moon,Estou responsável pelas vontade do Mestre Tao Ren. – disse.
— “Ah certo, eu gostaria de ter-lo visto.” –a espiã flutuou sobre mim de maneira entendiada. –”Soube que o espirito guardião do jovem Mestre é um grande General.” –
—Nada mais justo já que se trata do jovem Mestre. – respondi pensativa.
“Eu gostaria de conhece-lo logo.”pensei, movimentando meu corpo até o banheiro.
Deixei a água levar todas as preocupações embora e pedi aos ancestrais que me permitissem servir à minha missão de modo , a agrada-los.
No dia seguinte , acordei mais cedo do que imaginava.
O “telefone” tocou imediatamente e o atendi ainda no primeiro toque.
—Duas garrafas de leite. – a voz disse e desligou o telefone.
Corri até o andar térreo onde a cozinha ficava localizada; apanhei duas garrafas de leite da prateleira e subi novamente pelas escadas até o terceiro andar.
O quarto do jovem mestre tinha uma porta simples e negra.
Bati na porta e aguardei a permissão de que eu pudesse entrar; ao notar que estava demorando demasiadamente; anunciei minha entrada aos aposentos.
—Com licença Jovem Mestre. – atravessei o quarto com cautela e mantive minha cabeça baixa.
O único som presente no quarto , vinha do banheiro... na realidade do chuveiro.
—Deixe ai na mesa e pode se retirar. – o jovem mestre respondeu.
A porta do banheiro estava aberta e pude escutar claramente o timbre de sua voz.Ele deveria ser realmente jovem,na cama roupas de treino rasgadas e manchadas de sangue.
No canto diagonal do quarto havia um instrumento repousado magnificamente em uma mesa.
“O violino...” pensei me dirigindo até ele e tocando-o com o dedo indicador.
—Não mecha ai... –a voz do jovem mestre vinha de minhas costas.
“Quando foi que se aproximou tão rápido?” pensei me virando imediatamente.
—Peço desculpas por meu atrevimento Jovem Mestre. – disse fazendo uma profunda mensura.
— “Esta é a nova criada que cuidará de você, mestre!” –.um espirito de homem disse atrás do jovem Mestre Tao Ren.
—Mas quantos anos esta pirralha tem? – ele disse dando de ombros. –Uma “garotinha” e ainda por cima mais nova do que eu. –
—Eu sou suficientemente capaz ,jovem Mestre. – as palavras fugiram de minha boca, com mais audácia do que pretendia. –Sou...extremamente capaz de auxilia-lo em qualquer coisa que precise. –
Ele me encarou com olhos cor de âmbar extremamente magníficos, não me permiti desviar os olhos, eu estava completamente hipnotizada...mas não deve ter sido esta sensação que o mestre teve a meu respeito.
—Você é mesmo muito atrevida e divertida não é? – dizendo isso me desferiu um tapa no rosto. – Preciso de um saco de pancadas neste momento. –
Eu tive vontade de chorar, mas não o fiz.Mantive minha dignidade e questionei se precisaria de algo mais de minha parte.
“Pode se retirar por hora...” ele disse sorrindo com malicia.
Ao sair do quarto me direcionei até a entrada principal ,me colocando à varrer as folhas caídas, seguidamente carreguei vários galões de formol até o subsolo e dentre as minhas ultimas tarefas , fui até o quarto do jovem Mestre , trocar seus lençóis antes que ele retornasse de seu treino para dormir.
No fim daquela tarde , retornei ao meu quarto e comi a comida que fora deixada em cima da mesa.
Deitei na cama e deixei que as lagrimas se libertassem de meu corpo.
“Eu sou mesmo uma garotinha tola e atrevida , não sou?” disse a mim mesma enquanto levava minha mão até minha bochecha.
Doia ali , muito mais do que quando meu pai me castigava...Aquele simples golpe , desferido por um garoto de apenas dez anos, era mais severo do que qualquer outra penalidade que eu já tivesse recebido em meus treinos.
— “Não se martirize tanto Lien.” – a fantasma mulher saiu da tabua mortuária presa em minha cintura. –“ O jovem Mestre foi benevolente, se fosse o Supremo Mestre Tao En, você agora estaria morta.” –
—Sim, eu sou mesmo muito atrevida. – disse tentando parecer que havia tirado alguma lição daquela experiencia–O jovem mestre foi bastante benevolente com minha humilde pessoa, devo me empenhar para não me interpor em seu caminho novamente. –
Com essas palavras e o sentimento de conformação que eu possuía sobre minha realidade, fizeram a dor em meu rosto desaparecer, entretanto, as palavras que o jovem mestre me desferiu naquela manhã; repousam no meu mais profundo amago.
Adormeci tão rápido quanto acordei na manhã seguinte; observei o relógio e tive a certeza que sequer o sol havia se levantado.Me vesti de maneira mais do que impecável e comecei a fazer algumas de minhas tarefas com o minimo de silencio.
Por volta das nove horas da manhã já estava parada em frente a porta do jovem mestre aguardando que o mesmo acorda-se.
Depois de alguns minutos ouvi seus passos pelo quarto, mas ele veio diretamente em direção da porta.
—O que esta fazendo aqui tão cedo?– seus olhos cor de âmbar me encararam irados e eu me mantive sem encara-lo de volta.
—Preferi ficar ao dispor do Jovem Mestre para que não perca seu precioso tempo ligando. –disse de maneira mais polida que pude.
Ele não disse mais nada , apenas pude sentir que me encarava dos pés à cabeça.
—Eu não tenho pretensões de levantar agora. – ele disse simplesmente. –Vai permanecer aqui fora de pé até que eu levante? –
—Correto Jovem Mestre.–eu disse fazendo uma profunda mensura na intenção de desviar o olhar dele de meu rosto.
—Se você ficar aqui fora não conseguirei dormir, eu sinto quase a ausência da porta com sua presença inerte olhando fixamente para mim. – ele se afastou da porta mantendo-a aberta. –Entre aqui agora!–
—Sim Mestre Tao Ren. – entrei nos aposentos do mesmo e fechei a porta logo atrás de mim.
—Pode ficar de pé se quiser. – ele disse se jogando na cama macia. –Não faz diferença para mim, mas pode ficar sentada em qualquer lugar do quarto se for fazer esse tipo de vigília todos os dias. –
—Sim Jovem Mestre. – permaneci de pé no meio do quarto , segurando uma bandeja com vidros de leite.
Passaram-se quase 28 minutos pelas minhas contas e o mestre novamente dirigiu sua palavra a mim.
—Você pode parar de me encarar enquanto durmo?– ele disse sem sequer abrir os olhos.
—Perdoe-me Jovem Mestre. – eu respondi encarando o chão.
—E... – ficou em silêncio como se busca-se as palavras, e as transmitiu de uma maneira rude com um sutil toque de gentileza. –
Estou ordenando que se sente, ainda esta me incomodando. –
Me dirigi até uma cadeira, confortável demais; minhas mãos tremularam rapidamente com minha visão privilegiada do jovem Mestre deitado tão serenamente.Mesmo que ele estivesse de costas para mim pude encara-lo por mais um tempo, até que sua respiração ficou mais relaxada e pesada e percebi que o mesmo dormia agora em repleta paz.
“Eu gosto de você Mestre Ren” pensei. “...Ren!”
Me deleitei chamando-o assim intimamente apenas em pensamentos,apreciando-o de longe e escondendo meus sentimentos por trás da seriedade de meus deveres com a "família".
Com meus sete anos de idade, conheci e servi meu primeiro e único amor.
Na verdade quando paro para pensar sobre isso, tenho dentro de mim a certeza,de que não foram por suas palavras ou por seus atos subentendidos de pura gentileza, que passei a ama-lo...e sim pela melodia que ele depositava em cada réquiem tocado em seu violino chinês.
—__________________Fim (Continua...)

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