Fiquei totalmente sem chão.

–O que está acontecendo aqui?

Só agora eles perceberam que eu estava ali.

–Isso aqui é uma ONG de respeito, não um brega qualquer.

–Laura...

–Nem começa Sol, não quero ouvir que desculpas vocês tem pra mim, não quero ouvir nada. A única coisa que eu quero é respeito na minha ONG.

Olhei bem no fundo daqueles olhos verdes do Leco. Eu estava chateada.

–Com licença mais eu tenho que me retirar e vocês dois por favor continuem em outro lugar.

Sair com raiva.

Eu não ía conseguir voltar pra ONG, então sair correndo o mais rápido que eu pude, não tinha ideia de onde estava indo, só sei que corri sem olhar pra trás.

P.O.V de Leco:

Fui ver a inauguração da ONG, e uma loirinha começou a se insinuar pra mim. Ela não era tão gostosa quanto a Laura, mas dá pro gasto. E isso importava.

Levei ela pra um beco e obriguei ela a tirar a roupa. Ela não era de se jogar fora.

Tudo estava indo bem até a Laura chegar. Ela fez a maior cena, acho que ela não gostou muito.

Mas isso nunca foi problema pra mim, a Laura não é minha dona, na verdade ela não é nada minha e ainda não nasceu mulher pra mandar em mim. A gente nem tem nada pra ela ficar de ciuminho. Na verdade ela já deixou claro que me odeia. Mas...

Mas não sei porque aquilo me incomodou... Ver o jeito que ela me olhou nos olhos magoada acabou comigo.

–Vesti sua roupa e dá o fora daqui.

Ela parou um pouco de me beijar.

–Como é que é? Só porque a Laura deu um show aqui você vai me deixar.

–Eu perdi a vontade, agora sai.

–Mas tava ficando tão bom...

Ela pulou em de mim. Eu a empurrei com tudo no chão. Dei um tapa na cara dela que deixou a marca de minha mão na pele dela.

–Quando eu falo algo pra alguém é melhor que este alguém me obedeça. Agora sai daqui antes que eu me arrependa de deixar você viva.

Ela me olhou com ultraje e saiu.

Vestir as peças que tirei e entrei no espaço onde era a festa da ONG e procurei pela Laura. Não a vi em lugar algum.

A Jamile se aproximou de mim.

–O que você esta achando...

–Onde esta a Laura?

–Não sei, estou procurando ela também. Porque? Aconteceu algo?

–Não.

Sai antes que a Jamile começasse a falar.

Eu precisava achar a Laura, a favela é um lugar perigoso para uma patricinha como ela.

Sair de carro pela favela a procura dela. Eu estava quase desistindo, quando ouvir gritos. Deixei meu carro lá e fui em direção aos gritos.

Tinha um drogado abraçando a Laura, ela gritava e tentava se soltar mas isso só fazia com que ele a apertasse mais forte.

–Vamos lá boneca, você tira a roupa ou eu a tiro pra você.

Ele começou a beijar o pescoço dela e ela gritava cada vez mais alto. Uma raiva me consumiu. Quem ele pensava que era pra fazer isso com a minha Laura.

–Solte ela agora.

–Leco eu...

–Eu não quero saber Fumaça, só quero que solte ela agora.

Ela congelou.

–EU MANDEI VOCÊ SOLTA ELA.

Gritei alto. Ele a soltou devagar e eu pulei em cima dele. Soquei o rosto dele repetidas vezes. Ele chorava e pedia perdão, mais eu nem ouvi. Percibi que a Laura chorava também.

–Você quer que eu pare Laura? Esse cara ia te estuprar se eu não tivesse chegado a tempo, e você quer que eu pare?

Ela abaixou os olhos e eu parei. Me levantei e fui em direção dela.

–Você quer que eu pare e o deixe livre para fazer isso com outra mulher? Talvez da proxima vez eu não esteja por perto pra impedir.

Ela parou.

–Você me salvou e eu estou grata. Você deveria terminar a noite como um herói e não como um monstro.

Ela só podia estar de brincadeira comigo. Eu salvei a vida dela e ela está defendendo um drogadinho qualquer.

–Me espere fora do beco.

Ela saio sem falar nada, pisando duro, e eu esperei até ela estar fora de vista.

–Isto irá acontecer com qualquer um que tente tocar na Laura. Todos já estavam sobre aviso.

Peguei minha arma e dei três tiros no seu rosto o que o deixou desfigurado. Sair e vi a Laura em pé a minha espera.

Ela tava mais linda ainda sob a luz da lua.

Eu fui em sua direção e a abracei. Nunca fiz isso mais no momento o meu único desejo era que aquele abraço fosse eternizado.

–Você está bem?

Ele fez um sinal positivo.

–Obrigada por ter me salvado mais uma vez.

–Não me agradeça. Só evite andar sozinha pela favela. Ela é bem perigosa para uma patricinha.

Ela me soltou e me fitou, estavamos tão próximo que nossos lábios estavam quase se tocando.

–Eu não sou uma patricinha.-Ela sussurrou pra mim.

–Ah, você é sim.

Puxei ela pra mim e antes que ela pudesse reclamar estávamos nos beijando. Um beijo quente e feroz. Ela é incrível em tudo. Queria mais dela, só o beijo não estava sendo suficiente pra satisfazer meus desejos por ela. Ela vai me deixar louco ainda.

Fomos enterrompidos pelo meu celular tocando. Não queria atender, mas a Laura se afastou de mim.

Atendi contra a minha vontade.

–Oi Jamile... Eu já achei ela sim... Está bem, estamos a caminho.

Desliguei e olhei pra ela.

–Vamos nós temos que ir.

Fomos até meu carro em silêncio, e o mesmo silencio nos acompanhou no caminho até a ONG.

Assim que chegamos ela falou:

–Leco obrigada por ter me salvado mais uma vez, mais não podíamos ter nos beijado.

–Podiamos sim Laura. Eu não vou esquecer isso e você ainda vai implorar por outro beijo meu, quem prova de mim nunca esquece.

–Você é desprezível.

–Sou um desprezível que beija bem, e que é melhor ainda na cama. Tudo o que eu faço é gostoso. Na verdade é delicioso.

–Você faz eu te odiar até quando eu deveria estar grata a você.

Ela saiu do meu carro e bateu a porta.

–Se quiser provar minha teoria eu estou a sua disposição.

–Vá a merda.

Ela ainda ia implorar por um beijo meu.

Saí de lá rápido, porque agora eu tinha algumas vontades e a Fafá poderia resolve las.

P.O.V de Laura:

Meu Deus!

Já tava perdendo a esperanças quando o Leco chegou. Tenho uma dívida eterna com ele já. Mas ele tem que ser idiota.

Mas o beijo... Ah, o beijo me deixou sem chão. Quando eu o beijei eu esqueci da Sol, de meus pais, do Caio, da ONG... Naquele momento a única coisa que importava era nós dois, ali, com aquele beijo tão feroz. Acho que nunca fui beijada daquele jeito. Acho que nunca senti aquilo.