Quase sem querer

2 Era só o que me faltava!


Notas iniciais
Oi gente, voltei com o primeiro capítulo. Muito obrigada pelos favoritos e pelos reviews, fiquei muito feliz, e espero que gostem. Boa leitura!

– Karina é impossível não reparar sua beleza. Você tem traços finos e marcantes. Ficaria ótima como modelo pra campanha.

– Você só pode estar me zoando

– Claro que não. E você Pedro, já fez algumas vezes e sabe que adoram ter você como modelo – Ele começou a se gabar e eu revirei os olhos interrompendo

– Olha, eu sou lutadora de muay thai e não uma modelo fotográfica, ok?

– Sei disso meu bem, e quem sabe mais para frente possamos usufruir?! Bem, amanhã você podem chegar ao meio dia e vão direto para a sala do Radolph. Sem protestos. – E saiu desfilando nos deixando ali, sem me dar chances de dizer algo.

– Que diabos é Radolph?

– O fotógrafo, Karina.

– Que raio de nome é esse? Ninguém chama Radolph!

– O fotógrafo chama. – Respondeu debochado

– Cê tá querendo morrer, moleque?

– Nossa, há quanto tempo você não fala assim, esquentadinha?!

– Cacete, como gosta de me irritar! Vaza daqui!

– Ó, não vai furar viu? Você disse "Tudo"

– Eu sei o que eu disse. Agora VA-ZA antes que eu te meta a porrada

– Vazando – Ergueu as mãos em sinal de rendição e saiu da sala. Até que enfim sossego. Oh Deus, onde eu fui me meter?!

No dia seguinte acordei com o despertador tocando as 10 horas da manhã. Bufei não querendo sair da cama, mas com muito esforço o fiz. Andei até o banheiro e fiz minha higiene matinal. Ainda detesto essa coisa desnecessária de ter de usar maquiagem até pra ir na padaria. Só uso em ocasiões sociais ou festas que são extremamente necessárias. Passei um batom claro como todos os dias e ajeitei meu cabelo colocando-o de lado. Vesti um jeans surrado que por sinal estava apertado, acho que engordei alguns gramas. E coloquei uma blusa branca fina de mangas compridas. Calcei um par de vans azul marinho e estava pronta. Comi uma maçã e saí do apartamento. Peguei um táxi e não demorei a chegar na agência, minutos antes do horário marcado. Peguei o elevador e fui até a sala do fotógrafo de nome estranho. Bati na porta e fui autorizada a entrar. Me assustei com aquilo tudo, era um verdadeiro e enorme estúdio.

– Você deve ser a Karina, certo? – Um cara razoável e acompanhado de uma câmera perguntou.

– E você deve ser o tal do Ra sei lá o que, certo?

– Radolph. – Ele estendeu a mão desocupada em minha direção

– Essa coisa aí mesmo. – Cumprimentei-o

– Sabe, me falaram muito de você, realmente sua beleza é magnífica!

– Menos cara, bem menos. Então, o que eu tenho que fazer pra isso acabar logo?

– Primeiro passo é a maquiagem Não faremos muita coisa, só realçar esse mar de águas cristalinas que você tem no rosto – Revirei os olhos. Detesto figuras de linguagem. – Depois partiremos para o cabelo, vamos dar uma volumada nessas ondas aí, em seguida figurino e fotos.

– Deixando bem claro que eu não vou ficar seminua.

– Fique tranquila.

– Quanto tempo isso leva?

– Apenas tenha em mente que é divertido e vale a pena. Até logo – Não tinha reparado que estávamos caminhando durante a conversa. Eu estava numa espécie de camarim.

– Karina?

– Sim? – Olhei para frente pra ver quem falava comigo.

– Eu sou a Marcela, maquiadora.

– Hum

– Vamos começar?

– Não tenho alternativas mesmo – Dei de ombros sentando na cadeira e ela riu. Encostei minha cabeça no apoio e fechei os olhos. Quase dormi.

– Prontinho. E ai, o que achou? – Pousou as mãos na cintura e me olhei no espelho aprovando o resultado.

– Ficou bom

– Bom? Assim eu me demito – Rimos

– Ok, está ótimo. Eu gostei.

– Quer uma dica?

– Não, valeu.

– É ótimo isso que você faz de não usar maquiagem, até porque você nem precisa, mas, use um corretivo para esconder as olheiras, vai abrir seu olhar. Vou chamar a Rebeca.

– Rebeca seria...?

– A cabeleireira

– Tá – AI MEU DEUS QUE CHATICE!

Chegou essa tal Rebeca e fez uns cachos no meu cabelo e o dividiu no meio. Depois veio um tal de Christian e me vestiu com o primeiro (e pela madrugada, farei com que seja o único) look da sessão. Uma calça jeans skinny justa com barras dobradas até o tornozelo, um salto enorme na cor preta, um cropped da mesma cor com pedras que para mim estava mais para sutiã e uma jaqueta também jeans só que em um tom mais claro, dobrada até os cotovelos. Eu estava me sentindo sexy. Colei os lábios para espalhar um pouco mais o batom vermelho.

Me levaram de volta ao estúdio e dei de cara com Pedro e $%*&@#%&@*#$

Digamos que eu meio que perdi todos os meus sentidos. Lembrem-se eu nunca disse isso.

Seu cabelo estava arrumado em um topete, estava usando uma calça jeans que o valorizava bem. Uma camisa de botões azul escura desabotoada até o peitoral e de manga curta, ressaltando seus braços. Por quê mesmo ele tinha de decidir malhar?

– Limpa a baba aí, ô esquentadinha – Me despertou do devaneio

– Baba? Se toca cara você que está ai quase me comendo com os olhos – E de fato estava mesmo.

– Ok garotos, deixem a química para a hora das fotos. – Revirei os olhos e Pedro me mostrou a língua. – Vamos? – Como assim vamos?

– Vamos? Vamos pra onde? – Perguntei

– Decidimos fazer as fotos na praia. – Ele respondeu. Era só o que me faltava. – Vamos para uma praia deserta que não fica longe daqui.

Contei até 10 respirando fundo para não começar a socar as coisas. Saímos com a van da agência e fomos a tal praia que era bonita por sinal. Demoraram para arrumar tudo, o que sobrou pra mim que tive de ser retocada.

Por fim, começamos a maldita sessão. Fizemos algumas na areia e depois fomos para as pedras. No meio do negócio o fizeram tirar a camisa. Eu estava super desconfortável com aquela aproximação toda em boa parte das fotos e queria que acabasse logo.

– Karina vire um pouco mais o rosto em minha direção. Amei a perna apoiada, continue nessa posição. – Eu só estava descansando, mas ok.

– Esse negócio não acaba nunca – Resmunguei

– Tá com medo de mim esquentadinha? – Ele sussurrou tão baixo que mal pude ouvir, mas foi suficiente para me deixar um pouco aérea.

– Cala a boca – Ouvi alguns cliques

– Agora para finalizar – O cara começou a dizer – Eu quero um beijo.

– De jeito nenhum – Falei e tirei as mãos de Pedro da minha cintura e senti um alívio, pode-se dizer assim.

– Algum problema?

– Seu Ra sei lá o que, eu até topei as fotos, mas agora você já tá querendo demais.

– É só um beijo técnico.

– Nem pensar. – Cruzei os braços

– Vamos lá Karina! Tenho certeza de que não é nada que vocês dois nunca tenham feito, certo? – Ele sorriu maliciosamente. Arregalei os olhos e abri a boca em um perfeito "O". Quem esse tio pensa que é?

– Olha aqui s... – Comecei a falar mas fui interrompida pelo babacão.

– Ó, eu prometo que nem vou por a língua, palavra de escoteiro.

– Isso, é só um beijo técnico. E prometo que acabaremos por aqui. Bufei.

Notas finais
E então? Vai rolar beijinho? Hahaha até logo!