Quase felizes para sempre!
1 O começo
Notas iniciais
O começo de tudo
6, agosto de 2009.
Era um dia normal, o tempo estava bom e eu estava atoa em casa vendo TV. Acabará de me mudar então não conhecia muita gente, só um garoto gordinho que andava em uma bicicleta estranha pela rua que por acaso tinha feito amizade com meu irmão, estava um pouco entediada nesse dia. Levantei do sofá e fui até o quintal ver meu cachorro.
- É... O Diego ta ai?! – Disse o menino da bicicleta estranha assim que eu apareci no quintal. Olhei para ele incapaz de dizer alguma coisa e apenas gritei:
- Di! Tem um garoto aqui chamando você!! – Virei e fui ver meu cachorro. Sim, fui super nojenta com ele, mas oque eu podia fazer? A bicicleta dele era mesmo estranha.
***
Depois de arrumar meu novo quarto decidi ir dar uma volta pela rua para conhecer a vizinhança, peguei a coleira e fui chamar o Boby pra dar uma volta. Saímos de casa e andamos umas 5 quadras de casa, estávamos quase em casa quando uma menina me parou.
- Oi, você é nova aqui né?! Meu nome é Roberta e eu e o pessoal aqui da rua estamos pensando em jogar queimado mais tarde, ta afim?? – disse a garota simpática com um enorme sorriso no rosto, impossível negar.
- Claro, vou adorar conhecer a galera! – Assim que disse isso me senti uma completa idiota, ninguém fala “galera”. – Aah, meu nome é Julia, mas pode me chamar de July. Ela riu e acenou com a cabeça, me virei e voltei para casa com meu cachorro. Minha mãe estava na cozinha preparando o almoço, fui até ela contar a novidade.
- Ei mamãe, vou jogar queimado com o pessoal aqui da rua, tudo bem pra você? – Estava torcendo pra ela dizer que eu precisava ficar e ajudar a arrumar a casa.
- Claro que pode Tutucha! Legal você sair pra brincar com seus coleguinhas! – minha mãe sempre me tratando como criança ( tutucha é um apelido ridículo que não tem a menor explicação de como surgiu, ele apenas surgiu, e quem sou eu para contradizer minha mãe né?!).
- É, legal mesmo né? – eu não queria correr o risco de encontrar com o carinha da bicicleta, não depois daquela cena estúpida que eu fiz com o pobre do garoto – Acho que vamos jogar daqui a pouco, vou tomar um banho antes.
Depois de demorar umas 2 horas no chuveiro propositalmente para perder a hora fui até o portão ver se já tinha alguém lá fora, pra minha decepção o garoto da bicicleta estava sentado na calçada com a bicicleta do lado.
- Oi, vai jogar com a gente? – ele perguntou.
- É, acho que sim, a Roberta me chamou. – isso estava tão ridículo, nem eu sei por que fui tão babaca com ele mais cedo.
- Meu nome é Thiago, o seu é Julia certo? – disse o menino com a mão estendida pra mim.
- Ah, oi Thiago, sim meu nome é Julia mas pode me chamar de July – apertei a mão dele e sorri tentando parecer simpática – Vocês sempre brincam aqui na rua? – perguntei.
- Sim, sempre que dá a gente joga queimado, pique-bandeirinha, essas coisas – ele me parecia legal mas alguém tinha que falar pra ele que a bicicleta dele era estranha demais pra ele ficar andando com ela por ai.
- Aah que legal, onde eu morava a gente não brincava na rua, morávamos em um apartamento então nem tinha como.
- É eu sei, o Diego me contou! – ele disse e sorriu pra mim, ele realmente parecia ser legal.
- Mas então... E essa sua bicicleta ai? – eu precisava dizer a ele que ela era estranha.
- Ah sim, é da minha mãe, de quando ela era criança, legal né?
- Bom, eu achei ela meio estranha, parece de velho sei lá – por que eu tinha que ser tão burra?
- Mas ela é velha, acho que é por isso que eu acho ela legal – Thiago disse rindo, ainda bem que ele não levou a minha nojeira para o lado pessoal.
Estávamos sentados na calçada quando vimos a Roberta saindo de casa e vindo ao nosso encontro sorrindo
- E ai July? Já conheceu o Thi? – perguntou ela sorrindo como sempre. Antes que eu pudesse falar alguma coisa Thiago disse : — Acabamos de nos conhecer Berta, então? Vamos jogar ou não?
- Agora, vou só chamar o resto do pessoal, não saiam daí. – Roberta já tinha saído correndo pra chamar o resto do pessoal que eu não fazia a mínima ideia de quem era. Estava ficando nervosa já, não sabia oque falar com ele e nem sabia se ia conseguir jogar com um bando de gente que eu nunca vi na vida, nós estávamos sentados na calçada esperando, eu olhando para o chão e ele para minha casa até que ele quebrou o silencio.
- Sabia que ante de você morar aqui morava um cara super gordo??- eu não sabia se ria ou se o achava ainda mais estranho, será que ele sabe que é gordo também? E como eu iria saber quem morava aqui antes? Acho que ele não bate muito bem.
- Bom, agora eu sei né – não queria parecer grossa, mas sempre que eu falava alguma coisa eu parecia ser uma menina mimada e nojenta. Preferi mudar de assunto – Será que eles vão demorar muito? É muita gente que vai jogar?
- Bom isso eu não sei, acho que o pessoal da igreja da Berta vai vir jogar com a gente, ela deve ter ido encontrar com eles na praça, pelo menos eu acho – quando ele acabou de dizer isso Roberta virou a esquina com umas 7 pessoas, menos do que eu pensava, ainda bem. – Olha eles ali! – disse Thiago sorrindo, foi logo se levantando e indo ao encontro deles, eu continuei sentada, não queria conhecer gente nova, na verdade eu não queria nem estar ali fora, tudo que eu queria era entrar e sentar em frente ao meu computador e viver minha vida perfeita no the sims.
Roberta veio correndo na minha direção, assim que chegou perto pegou na minha mão e me puxou com ela para conhecer as pessoas, eu estava parecendo uma criança babaca.
- Gente essa daqui é a July, se mudou faz uns dias e não conhece ninguém, não assutem a menina, ela parece ser tímida. – eu não conseguia fazer nada além de rir igual uma pamonha idiota.
- Oi, eu sou Jéssica – Disse uma menina alta e sorridente, o cabelo dela estava preso em um coque alto e desgrenhado. – Não se assusta com a gente não, somos um pouco doentes mas a gente é legal. – será que todo mundo por aqui é simpático desse jeito?? Dois garotos vieram até mim, nenhum deles era alto nem eram baixos, eram normais, um com uma camisa cinza e o outro com uma blusa vermelha. O de camisa cinza se apresentou como Caio e o outro se chamava Rodrigo.
-Você gosta de jogar queimado? – Perguntou Caio. Acho que eles eram os primeiros a não sorrir de um jeito idiota para mim.
- Bom, na verdade eu acho que só sei jogar direito queimado – eu estava com muita vergonha de todo mundo, coisa que é rara por que eu nunca fui de sentir vergonha de nada.
- Então eu quero você no meu time! – Disse Caio com um sorriso no rosto, ele era legal!
Depois que todos me disseram seus nomes eles decidiram tirar time, eu fiquei parada bem atrás na esperança deles me esquecerem e eu consegui voltar para casa para meu jogo. Fui para o canto e sentei na calçada disfarçadamente para ninguém me ver, quando eu pensei que estava tudo bem a Roberta me escolheu.
- Vem July, você ta no meu time! – poxa Roberta, sacanagem, será que ninguém percebeu que eu quero entrar?
Ok, lá fui eu jogar, começaram o jogo e eu só sabia fugir da bola, e o pior é que todos estavam sendo queimados exceto eu, droga, eu precisava ser queimada pra não ter que ficar jogando, me meti na frente da bola fingindo que ia agarrar e deixei ela cair propositalmente.
- Ops, fui queimada – peguei a bola e fui para o cemitério, joguei a bola pro meu time e me abaixei ao lado do Thi. Acho que podemos ser bons amigos.
- Então, acho que só eu percebi que você foi queimada de propósito, relaxa. – ele riu e olhou pra mim.
- Ei, não foi de propósito, eu fui agarrar a bola e ... Ok, eu não to afim de jogar. – não tinha por que eu mentir pra ele.
- Eu sei que não, ta com vergonha, mas relaxa eles são legais!
Eu não sabia oque dizer então sentei ali no chão e fiquei vendo o andamento do jogo. Depois de uns 30 minutos meu time ganhou e acho que todos tinham cansado. Todos começaram a se sentar meio jogados na calçada em roda e quando vi a hora já eram 23:50. Acho que era a primeira vez que eu ficava assim a toa na rua, e por mais incrível que pareça eu estava começando a gostar deles. Roberta se levantou em um salto e disse: — Vou pegar o violão galera, já volto! – todos sorriram e mandaram-na ir logo, quando ela voltou trouxe um violão e uma cadeira.
Estávamos todos sentados em círculo, uns na calçada outros na rua e Roberta na cadeira, ela tocando violão e todos cantando junto. Parecia que eu estava em um filme, e a única coisa que eu conseguia pensar era: “ Encontrei o meu lugar!”
E esse foi o final do meu 5º dia na minha nova casa, depois te conto mais Diário. Boa noite!!
Fale com o autor