Quase Um Belo Dia
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu voltava do escritório, já era tarde, mas isso não importava porque, afinal, era sexta-feira. Cheguei a minha rua e minha vizinha, Senhora Molly, cumprimentou-me gentilmente como sempre fazia. Adorável mulher.
Mal acabo de abrir a porta e Bob, meu lindo labrador branco, corre estabanado pela casa, com um latido forte ele exige atenção. Atendo seu pedido e acaricio sua cabeça, meu cachorro depois de satisfeito afasta-se e decide que sua bolinha verde é mais interessante.
Meu programa favorito está para começar, subo rapidamente e preparo-me para um banho, fazia um calor danado, e meu corpo não era muito tolerante a isso. A agua gelada escorre por todo o meu corpo, levando com ela todo suor e cansaço. Minutos depois, devidamente limpo e vestido, desço as escadas de minha pequena casa.
Começa então o programa que eu aguardava, a cada intervalo eu era tentado a ir até a cozinha e comer pequenas porções de qualquer coisa que estivesse na geladeira. Quase meia noite, meu sono começa a se manifestar, percebo então que não vou durar muito tempo acordado. Despeço-me de Bob, que ainda estava entretido com aquele brinquedo.
*.*
Acordo com barulhos estranhos na parte de baixo da casa, provavelmente meu nada bagunceiro cachorro, estava procurando algo para comer. Decidi levantar, nunca me arrependi tanto de tal decisão, a partir daquele momento as coisas ficaram estranhas e com tendências a piorar.
Desço e chamo por Bob, não obtenho nenhum latido como resposta. Preocupado, procuro por ele na parte dos fundos da casa, minha busca resultou em pleno fracasso. Lembro-me então de que Bob gosta de escapar para a casa da senhora Molly pela manhã, ela cozinhava ótimas panquecas.
Olho por cima da cerca e procuro por aquele focinho branco tão conhecido, estranho ele deveria estar lá. Vencido finalmente pela total preocupação. Coloco meu roupão e vou até a casa ao lado, chamo pela senhora Molly, mas ao invés disso deparo-me com um senhor de uns setenta anos, de cabelos grisalhos e olhar carrancudo, o que era estranho, já que minha vizinha era viúva.
Uma nota mental, consultar o psiquiatra. Pergunto a essa nada simpática figura por meu cachorro, ele me olha como se eu fosse insano. Pergunto a ele então pela proprietária daquela residência, e ele me responde que estou falando com o próprio. Outra nota, levar esse senhor comigo a consulta.
Injuriado de todo esse jogo de perguntas logo pela manhã, o senhor maluco bate a porta de “sua casa”. Certo, talvez eu tenha merecido essa. Vejo então um vulto entrando em minha casa, e corro atrás do mesmo. Chamo por Bob novamente, obtive uma resposta dessa vez, fui em direção aos latidos e olho surpreso o cachorro.
Ele me olha furioso, e seu latido estava diferente, como não podia estar? Este não era o meu cachorro, a não ser que ele tenha mudado de branco para marrom da noite para o dia. Tento acalmar o animal com algum petisco para cães, mas aparentemente até as coisas dessa casa resolveram mudar de lugar.
Dessa vez, totalmente despertado volto para a rua, a fim de esclarecer as ideias e não sofrer um ataque de cachorro. Paro na esquina, e noto que o nome da rua havia mudado ordem estranha essa do prefeito. Olho mais uma vez para minha casa, uma garotinha de aparentemente cinco anos adentra na mesma, o cachorro raivoso se derreto todo para ela, abanando seu rabo cor de chocolate.
Caminho de volta para minha residência, por que ficar de roupão no meio da rua era estranho, na verdade o meu conceito de estranheza não era parâmetro para nada. Mas vamos considerar os fatos, minhas coisas estão fora de lugar, ganhei um novo vizinho nada simpático, meu cachorro não é mais o mesmo, e uma garota que eu nunca havia visto em toda a minha vida está na minha casa.
Falando nela, foi complicado e assustador quando a pequenina correu em minha direção, abraçando minhas pernas e me chamando de papai. Olhei perplexo para aquela criança com carinha de anjo. Não se se foram suas bochechas tão rosadas, seus cabelos castanhos, ou aqueles lindos olhos verdes puxados para o mel, que me fizeram sentir uma compaixão imediata por ela.
O que estou dizendo? Eu não a conheço, certamente a mãe dessa garota deve estar desesperada à sua procura, assim com eu estava em relação ao Bob, e quando visse sua filha agarrada as pernas de um homem estranho, ela com certeza me mataria. Mas a garota continuava a me chamar de papai.
Sorri então para ela, e pedi licença, perguntou-me se estava tudo bem e eu respondi que sim, então começa a falar uma série de loucuras, coisas como “por que está agindo estranho? Por que o Pibi (acho que era o cachorro) estava latindo tanto para mim? Eu estou com fome (isso não foi bem uma pergunta) e finalmente, onde está a mamãe” A está ultima eu dei uma atenção especial e disse para mim, que também gostaria de saber.
Ela desiste do que estava fazendo e vai brincar com o cachorro de nome estranho. Eu sento no sofá e fecho os olhos esperando que toda essa confusão se desfaça, as coisas poderiam ser simples assim, apenas fechar os olhos e achar todas as explicações necessárias, mas parece que o destino tem uma forma um pouco louca, ousada, e, se me permitem dizer, estupida de nos dar tais respostas.
Sinto alguém se aproximar e dar um beijo no topo da minha cabeça. Abro os olhos e encontro uma mulher, muito bonita sorrindo calorosa pra mim. Tenho a impressão que a conheço de algum lugar, eu juro que já havia visto esse rosto antes. Ela continua sorrindo e pergunta se “está tudo bem, querido”. Só podia ser brincadeira, minha cabeça grita que não, mas acabo respondendo que sim.
O que eu faria? Diria que não a conheço que nunca havia visto essa mulher em toda a minha vida? Ele me internaria em um hospital psiquiátrico, já que certamente ela me conhecia de alguma forma, eu era até o “querido” dela. A garota que se disse minha filha veio correndo, e eu achei bonitinha a forma como ela o fez, e pulou no colo da mulher. Que encheu a garota de beijos.
Eu observava tudo, a menina então resolveu prestar atenção em mim pergunto se “a mamãe não achava que o papai estava estranho?”. A mulher respondeu que sim, mas que eu deveria estar apenas cansado. Talvez eu estivesse mesmo, mas nem o cansaço me impediu de ouvi-la me chamar de Peter.
Vamos relembrar os fatos, eu acordo e minha vizinha não é mais a mesma, meu cachorro aparentemente resolveu trocar de cor e de nome, minha geladeira estava no lugar errado, assim como o resto das coisas em minha casa, e como um bônus ganhei uma mulher e uma filha, e um novo nome, por que até onde me lembro eu chamo Richard. Esse dia estava estranho. Subo novamente e me deito uma hora isso ia passar.
*.*
Eu sou obrigado a despertar, já que meu cachorro resolveu me dar um banho de saliva. Afastei Bob de cima de mim... Espera. Bob! Eu nunca fiquei tão feliz em ver aquela bola de pelos brancos. Eu estava na sala, à televisão estava ligada, minha geladeira no lugar, olhei para o meu celular e liguei para minha mãe, que atendeu surpresa dizendo: “Richard, por que está ligando uma hora dessas da manhã”? Certo, meu nome ainda era o mesmo. Eu mau podia acreditar no sonho que tive, era tão real e tão louco. Fui para a rua e chamei pela senhora Molly, que sorriu ao me ver, eu então fui até ela e a abracei. A coitada não entendei nada, nem precisava, eu estava apenas feliz por não estar louco.
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